{"id":5431,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/meditacoes-da-via-sacra-no-coliseu\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"meditacoes-da-via-sacra-no-coliseu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/meditacoes-da-via-sacra-no-coliseu\/","title":{"rendered":"Medita\u00e7\u00f5es da Via-Sacra no Coliseu"},"content":{"rendered":"<p>Textos do eremita belga Andr\u00e9 Louf <!--more--> Anualmente, na noite de Sexta-feira Santa, mem\u00f3ria lit\u00fargica da Paix\u00e3o do Senhor, a Igreja de Deus que est\u00e1 em Roma, guiada pelo seu Pastor, o Sucessor de Pedro, realiza ao p\u00e9 do Coliseu o piedoso exerc\u00edcio do &#8220;caminho da Cruz&#8221;. \u00c0 comunidade crist\u00e3 de Roma v\u00eam juntar-se ao longo das catorze esta\u00e7\u00f5es peregrinos de todo o oikumene, enquanto milh\u00f5es de fi\u00e9is de todas as l\u00ednguas, povos e culturas se associam \u00e0 ora\u00e7\u00e3o e medita\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s dos meios radiotelevisivos. Neste ano, por uma feliz coincid\u00eancia de calend\u00e1rio, os crist\u00e3os do Oriente e do Ocidente celebram simultaneamente o grande mist\u00e9rio da paix\u00e3o, morte e ressurrei\u00e7\u00e3o do \u00fanico Senhor de todos e, assim, vivem contemporaneamente a mem\u00f3ria do acontecimento fundamental da sua f\u00e9.   PRIMEIRA ESTA\u00c7\u00c3O  Jesus no Horto das Oliveiras   V\/. Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi.  R\/. Quia per sanctam crucem tuam redemisti mundum.   Evangelho segundo S\u00e3o Lucas 22, 39-46   Jesus saiu, ent\u00e3o, e foi, como de costume, para o monte das Oliveiras.  E os disc\u00edpulos seguiram tamb\u00e9m com Ele.  Quando chegou ao local, disse-lhes: &#8220;Orai para que n\u00e3o entreis em tenta\u00e7\u00e3o&#8221;.  Depois afastou-Se bruscamente deles  at\u00e9 \u00e0 dist\u00e2ncia de um tiro de pedra, aproximadamente,  e, posto de joelhos, come\u00e7ou a orar dizendo:  &#8220;Pai, se quiseres, afasta de Mim este c\u00e1lice,  n\u00e3o se fa\u00e7a, contudo, a minha vontade mas a tua&#8221;.  Ent\u00e3o vindo do C\u00e9u, apareceu-Lhe um anjo que O confortava.  Cheio de ang\u00fastia, p\u00f4s-se a orar mais instantemente  e o suor tornou-se-Lhe como grossas gotas de sangue, que ca\u00edam na terra.  Depois de ter orado, levantou-Se e foi ter com os disc\u00edpulos  encontrando-os a dormir devido \u00e0 tristeza. Disse-lhes:  &#8220;Porque dormis? Levantai-vos e orai, para que n\u00e3o entreis em tenta\u00e7\u00e3o&#8221;.   MEDITA\u00c7\u00c3O   Chegado ao limiar da sua P\u00e1scoa,  Jesus est\u00e1 na presen\u00e7a do Pai.  Como poderia ter sido de outro modo  se o seu secreto di\u00e1logo de amor  com o Pai nunca cessara?  &#8220;Chegou a hora&#8221; (Jo 16, 32),  a hora pressentida desde o princ\u00edpio,  anunciada aos disc\u00edpulos,  que n\u00e3o se parece com nenhuma outra,  que a todas inclui e condensa  precisamente quando est\u00e3o para se cumprir nos bra\u00e7os do Pai.  E inesperadamente aquela hora mete medo.  Deste medo nada nos \u00e9 ocultado.  Mas l\u00e1, no auge da ang\u00fastia,  Jesus refugia-Se junto do Pai em ora\u00e7\u00e3o.  No Gets\u00e9mani, naquela noite,  vive-se uma luta corpo a corpo extenuante  t\u00e3o \u00e1spera que, no rosto de Jesus, o suor muda-se em sangue.  E Jesus ousa pela \u00faltima vez, diante do Pai,  manifestar a ang\u00fastia que O invade:  &#8220;Pai, se quiseres, afasta de Mim este c\u00e1lice,  n\u00e3o se fa\u00e7a, contudo, a minha vontade mas a tua&#8221; (Lc 22, 42).  Duas vontades se defrontam por momentos,  para depois conflu\u00edrem num abandono de amor j\u00e1 anunciado por Jesus:  \u00c9 preciso &#8220;que o mundo saiba que Eu amo o Pai,  que fa\u00e7o como o Pai Me mandou&#8221; (Jo 14, 31).   ORA\u00c7\u00c3O   Jesus, irm\u00e3o nosso,  que, para abrir a todos os homens o caminho da P\u00e1scoa,  quisestes experimentar a tenta\u00e7\u00e3o e o medo,  ensinai-nos a refugiarmo-nos junto de V\u00f3s,  e a repetir as vossas palavras de abandono e ades\u00e3o \u00e0 vontade do Pai,  que, no Gets\u00e9mani, mereceram a salva\u00e7\u00e3o do universo.  Fazei que o mundo conhe\u00e7a,  atrav\u00e9s dos vossos disc\u00edpulos, a for\u00e7a do vosso amor sem limites (Jo 13, 1),  do amor que consiste em dar a vida pelos amigos (Jo 15, 13).   Jesus,  no Horto das Oliveiras, sozinho, perante o Pai,  renovastes a ades\u00e3o \u00e0 sua vontade.   R\/. A V\u00f3s o louvor e a gl\u00f3ria para sempre.   Todos:   Pater noster, qui es in c\u00e6lis;  sanctificetur nomen tuum;  adveniat regnum tuum;  fiat voluntas tua, sicut in c\u00e6lo et in terra.  Panem nostrum cotidianum da nobis hodie;  et dimitte nobis debita nostra,  sicut et nos dimittimus debitoribus nostris;  et ne nos inducas in tentationem;  sed libera nos a malo.   Stabat Mater dolorosa  iuxta crucem lacrimosa,  dum pendebat Filius.    SEGUNDA ESTA\u00c7\u00c3O  Jesus, atrai\u00e7oado por Judas, \u00e9 preso   V\/. Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi.  R\/. Quia per sanctam crucem tuam redemisti mundum.   Evangelho segundo S\u00e3o Lucas 22, 47-48   Ainda Jesus estava a falar quando surgiu uma multid\u00e3o de gente,  precedendo-os um dos doze, chamado Judas,  que caminhava \u00e0 frente, e aproximou-se de Jesus para O beijar.  Jesus disse-lhe: &#8220;Judas, \u00e9 com um beijo que entregas o Filho do Homem?&#8221;   MEDITA\u00c7\u00c3O   Desde a primeira vez que Judas \u00e9 nomeado,  aparece indicado como aquele &#8220;que veio a ser o traidor &#8221; (Lc 6, 13; cf. Mt 10, 4;  \/ Mc 3,19);  o tr\u00e1gico apelativo de &#8220;traidor&#8221;  ficar\u00e1 ligado para sempre \u00e0 sua lembran\u00e7a.  Como p\u00f4de chegar a isto um que Jesus escolhera  para O seguir mais de perto?  Ter-se-\u00e1 Judas deixado levar por um amor contrariado por Jesus  que se transformou em suspeita e ressentimento?  Tal o faria crer o beijo,  gesto que significa amor, mas que serviu para entregar Jesus aos soldados.  Ou ter\u00e1 sofrido uma desilus\u00e3o com um Messias  que se subtra\u00eda \u00e0 fun\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de libertador de Israel do dom\u00ednio estrangeiro?  Judas n\u00e3o tardar\u00e1 a dar-se conta de que a sua subtil chantagem  se conclui num desastre.  \u00c9 que ele desejara, n\u00e3o a morte do Messias,  mas apenas que Se rebelasse e assumisse uma atitude decidida.  E ent\u00e3o: em v\u00e3o chora o seu gesto  e se desfaz do sal\u00e1rio da trai\u00e7\u00e3o (Mt 27, 4-5),  porque se entrega ao desespero.  Quando Jesus falar de Judas como &#8220;filho da perdi\u00e7\u00e3o&#8221;,  limitar-Se-\u00e1 a recordar que assim se cumpria a Escritura (Jo 17, 22).  Um mist\u00e9rio de iniquidade que nos ultrapassa  mas que n\u00e3o pode sobrepor-se ao mist\u00e9rio da miseric\u00f3rdia.   ORA\u00c7\u00c3O   Jesus, amigo dos homens,  viestes \u00e0 terra e revestistes a nossa carne,  para oferecer a vossa solidariedade aos vossos irm\u00e3os e irm\u00e3s da humanidade  Jesus, manso e humilde de cora\u00e7\u00e3o,  dais al\u00edvio a quantos sofrem sob o peso do seu fardel (Mt 11, 29);  e no entanto a oferta do vosso amor muitas vezes foi rejeitada!  Mesmo entre aqueles que Vos aceitaram  houve quem Vos renegasse,  quem tra\u00edsse o compromisso assumido.  Mas V\u00f3s nunca deixastes de am\u00e1-los,  a ponto de abandonar todos os outros para ir \u00e0 procura deles,  com a esperan\u00e7a de os trazer novamente a V\u00f3s,  carregados aos ombros (Lc 15, 5), ou reclinados ao peito (Jo 13, 25).  Entregamos \u00e0 vossa infinita miseric\u00f3rdia  os vossos filhos tentados pelo des\u00e2nimo ou pelo desespero.  Concedei-lhes a gra\u00e7a de procurarem ref\u00fagio junto de V\u00f3s,  e de &#8220;nunca desesperarem da vossa miseric\u00f3rdia&#8221; (Regra de S. Bento, 3, 74).   Jesus,  V\u00f3s continuais a amar quem recusa o vosso amor  e, incans\u00e1vel, procurais quem Vos atrai\u00e7oa e abandona.   R\/. A V\u00f3s o louvor e a gl\u00f3ria para sempre.   Todos:   Pater noster, qui es in c\u00e6lis;  sanctificetur nomen tuum;  adveniat regnum tuum;  fiat voluntas tua, sicut in c\u00e6lo et in terra.  Panem nostrum cotidianum da nobis hodie;  et dimitte nobis debita nostra,  sicut et nos dimittimus debitoribus nostris;  et ne nos inducas in tentationem;  sed libera nos a malo.   Cuius animam gementem,  contristatam et dolentem  pertransivit gladius.    TERCEIRA ESTA\u00c7\u00c3O  Jesus \u00e9 condenado pelo Sin\u00e9drio   V\/. Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi.  R\/. Quia per sanctam crucem tuam redemisti mundum.   Evangelho segundo S\u00e3o Lucas 22, 66-71   Quando se fez dia, reuniu-se o Conselho dos anci\u00e3os do povo,  pr\u00edncipes dos sacerdotes e escribas,  os quais O levaram ao seu tribunal. Disseram-Lhe:  &#8220;Declara-nos se Tu \u00e9s o Messias&#8221;.  Ele respondeu-lhes: &#8220;Se vo-lo disser, n\u00e3o Me acreditareis  e, se vos perguntar, n\u00e3o respondereis.  Mas o Filho do Homem sentar-Se-\u00e1,  doravante, \u00e0 direita do poder de Deus&#8221;.  Disseram todos:  &#8220;Tu \u00e9s, ent\u00e3o, o Filho de Deus?&#8221;  Ele respondeu-lhes: &#8220;V\u00f3s o dizeis, Eu sou&#8221;.  Ent\u00e3o, exclamaram: &#8220;Que necessidade temos j\u00e1 de testemunhas?  N\u00f3s pr\u00f3prios o ouvimos da sua boca&#8221;.   MEDITA\u00c7\u00c3O   Jesus est\u00e1 s\u00f3 diante do Sin\u00e9drio.  Os disc\u00edpulos fugiram.  Desorientados pela pris\u00e3o \u00e0 qual algum procurou reagir com a viol\u00eancia.  Fugiu tamb\u00e9m aquele que pouco antes exclamara:  &#8220;Vamos n\u00f3s tamb\u00e9m, para morrermos com ele&#8221; (Jo 11, 16).  O medo venceu-os.  A brutalidade do facto prevaleceu sobre o seu fr\u00e1gil prop\u00f3sito.  Cederam, arrastados pela corrente da vilania.  Deixam que Jesus enfrente, sozinho, a sua sorte.  E todavia formavam o c\u00edrculo dos seus \u00edntimos,  Jesus tinha-os designado como os seus &#8220;amigos&#8221; (Jo 15, 15).  Agora, ao seu redor, s\u00f3 uma assembleia hostil,  un\u00e2nime em querer a sua morte.  J\u00e1 mais vezes se estendera sobre Jesus a sombra da morte,  quando aludia \u00e0 sua origem divina.  J\u00e1 outras vezes quem O escutava tentara lapid\u00e1-Lo.  &#8220;N\u00e3o \u00e9 por alguma obra que Te apedrejamos &#8211; afirmavam -, \u00e9 por blasf\u00e9mia,  porque, sendo Tu homem, Te fazes Deus&#8221; (Jo 10, 33).  Agora o Sumo Sacerdote intima-Lhe  que declare, diante de todos, se \u00e9 Filho de Deus ou n\u00e3o.  Jesus n\u00e3o Se subtrai: com a mesma gravidade o atesta.  Deste modo assina a sua pr\u00f3pria senten\u00e7a de morte.   ORA\u00c7\u00c3O   Jesus, testemunha fiel (Ap 1, 5),  face \u00e0 morte confessastes serenamente a vossa identidade divina  e anunciastes o vosso regresso glorioso no fim dos tempos  para levar a cumprimento a obra que o Pai Vos confiara.  Confiamos \u00e0 vossa miseric\u00f3rdia as nossas d\u00favidas,  as cont\u00ednuas oscila\u00e7\u00f5es entre \u00edmpetos de generosidade e momentos de  \/ indol\u00eancia,  em que deixamos &#8220;os cuidados deste mundo  e a sedu\u00e7\u00e3o da riqueza&#8221; (Mt 13, 22) sufocar a centelha  que o vosso olhar ou a vossa Palavra fez saltar dos nossos cora\u00e7\u00f5es endurecidos.  Encorajai aqueles que come\u00e7aram a seguir o vosso caminho,  para que n\u00e3o se assustem diante das dificuldades e ren\u00fancias pressentidas.  Recordai-lhes que sois manso e humilde de cora\u00e7\u00e3o  e \u00e9 suave o vosso jugo e leve o fardo.  Concedei-lhes experimentar o al\u00edvio que s\u00f3 V\u00f3s podeis oferecer (Mt 11, 28-30).   Jesus,  sereno face \u00e0 morte iminente,  \u00fanico justo perante o injusto Sin\u00e9drio.   R\/. A V\u00f3s o louvor e a gl\u00f3ria para sempre.   Todos:   Pater noster, qui es in c\u00e6lis;  sanctificetur nomen tuum;  adveniat regnum tuum;  fiat voluntas tua, sicut in c\u00e6lo et in terra.  Panem nostrum cotidianum da nobis hodie;  et dimitte nobis debita nostra,  sicut et nos dimittimus debitoribus nostris;  et ne nos inducas in tentationem;  sed libera nos a malo.   O quam tristis et afflicta  fuit illa benedicta  Mater Unigeniti!    QUARTA ESTA\u00c7\u00c3O  Jesus \u00e9 renegado por Pedro   V\/. Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi.  R\/. Quia per sanctam crucem tuam redemisti mundum.   Evangelho segundo S\u00e3o Lucas 22, 54b-62   Pedro seguia Jesus de longe.  Como tivessem acendido uma fogueira no meio do p\u00e1tio  e se tivessem sentado, Pedro sentou-se no meio deles.  Ora, uma criada, ao v\u00ea-lo sentado ao lume, fitando-o, disse:  &#8220;Este tamb\u00e9m estava com Ele&#8221;.  Mas Pedro negou-o, dizendo: &#8220;N\u00e3o O conhe\u00e7o, mulher&#8221;.  Pouco depois, disse outro, ao v\u00ea-lo: &#8220;Tu tamb\u00e9m \u00e9s dos tais&#8221;.  Mas Pedro disse: &#8220;Homem, n\u00e3o sou&#8221;.  Cerca de uma hora mais tarde, um outro asseverou com insist\u00eancia:  &#8220;Com certeza este tamb\u00e9m estava com Ele, pois at\u00e9 \u00e9 galileu&#8221;.  Pedro respondeu: &#8220;Homem, n\u00e3o sei o que dizes&#8221;.  E, no mesmo instante, estando ele ainda a falar, cantou um galo.  Voltando-Se, o Senhor fixou os olhos em Pedro,  e Pedro recordou-se da palavra do Senhor, quando lhe disse:  &#8220;Antes de o galo cantar, negar-Me-\u00e1s tr\u00eas vezes&#8221;.  E, vindo para fora, chorou amargamente.   MEDITA\u00c7\u00c3O   Dos disc\u00edpulos em fuga, dois voltam atr\u00e1s,  seguindo \u00e0 dist\u00e2ncia os soldados e o seu prisioneiro.  Um misto de afecto e curiosidade, talvez; falta de consci\u00eancia do risco.  N\u00e3o demora muito que Pedro seja reconhecido:  a denunci\u00e1-lo o acento galileu  e o testemunho de quem o viu desembainhar a espada no Horto das Oliveiras.  Pedro refugia-se na mentira: nega tudo.  N\u00e3o se d\u00e1 conta de que assim renega o seu Senhor,  desmente as suas ardentes declara\u00e7\u00f5es de fidelidade absoluta.  N\u00e3o compreende que assim nega tamb\u00e9m a sua pr\u00f3pria identidade.  Mas um galo canta, Jesus volta-Se,  pousa o seu olhar sobre Pedro e d\u00e1 sentido \u00e0quele canto.  Pedro compreende e prorrompe em l\u00e1grimas.  L\u00e1grimas amargas, mas suavizadas pela recorda\u00e7\u00e3o das palavras de Jesus:  &#8220;N\u00e3o vim para condenar o mundo, mas para o salvar&#8221; (Jo 12, 47).  Agora repete-as aquele olhar &#8220;misericordioso e compassivo&#8221;,  o mesmo olhar do Pai, &#8220;tardo na ira e grande no seu amor&#8221;,  que &#8220;n\u00e3o nos tratou segundo os nossos pecados,  nem nos castigou segundo as nossas culpas&#8221; (Sal 103\/102, 8.10).  Pedro abisma-se naquele olhar.  Na manh\u00e3 de P\u00e1scoa  as l\u00e1grimas de Pedro ser\u00e3o l\u00e1grimas de alegria.   ORA\u00c7\u00c3O   Jesus, \u00fanica esperan\u00e7a daqueles que, fr\u00e1geis e feridos, caem;  V\u00f3s conheceis o que h\u00e1 no interior de cada homem (Jo 2, 25).  A nossa fragilidade aumenta o vosso amor  e suscita o vosso perd\u00e3o.  Fazei que, \u00e0 luz da vossa miseric\u00f3rdia, reconhe\u00e7amos os nossos passos falsos  e, salvos pelo vosso amor,  proclamemos as maravilhas da vossa gra\u00e7a.  Concedei a quantos exercem autoridade sobre os irm\u00e3os  que se gloriem, n\u00e3o de ter sido escolhidos, mas da sua fragilidade  pela qual habite neles a vossa for\u00e7a (II Cor 12, 9).   Jesus,  pousando o olhar sobre Pedro,  suscitais l\u00e1grimas amargas de arrependimento,  rio de paz de um novo baptismo.   R\/. A V\u00f3s o louvor e a gl\u00f3ria para sempre.   Todos:   Pater noster, qui es in c\u00e6lis;  sanctificetur nomen tuum;  adveniat regnum tuum;  fiat voluntas tua, sicut in c\u00e6lo et in terra.  Panem nostrum cotidianum da nobis hodie;  et dimitte nobis debita nostra,  sicut et nos dimittimus debitoribus nostris;  et ne nos inducas in tentationem;  sed libera nos a malo.   Qu\u00e6 m\u00e6rebat et dolebat,  pia Mater, dum videbat  Nati p\u0153nas incliti.    QUINTA ESTA\u00c7\u00c3O  Jesus \u00e9 julgado por Pilatos   V\/. Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi.  R\/. Quia per sanctam crucem tuam redemisti mundum.   Evangelho segundo S\u00e3o Lucas 23, 13-25   Pilatos convocou os pr\u00edncipes dos sacerdotes, os chefes e o povo, e disse-lhes:  &#8220;Trouxestes este Homem \u00e0 minha presen\u00e7a como andando a revoltar o povo.  Interroguei-O diante de v\u00f3s  e n\u00e3o encontrei n&#8217;Ele nenhum dos crimes de que O acusais.  Herodes t\u00e3o-pouco, visto que no-Lo mandou de novo.  Como vedes, Ele nada praticou que mere\u00e7a a morte.  Vou, portanto, libert\u00e1-Lo, depois de O castigar&#8221;.  (&#8230;) E todos se puseram a gritar:  &#8220;D\u00e1 morte a esse e solta-nos Barrab\u00e1s!&#8221;  Este \u00faltimo foi metido na pris\u00e3o  por causa de uma insurrei\u00e7\u00e3o desencadeada na cidade e por um homic\u00eddio.  De novo Pilatos lhes dirigiu a palavra, querendo libertar Jesus.  Mas eles gritavam: &#8220;Crucifica-O! Crucifica-O!&#8221;  Pilatos disse-lhes pela terceira vez:  &#8220;Que mal fez ele ent\u00e3o?  Nada encontrei n&#8217;Ele que mere\u00e7a a morte.  Libert\u00e1-Lo-ei, portanto, depois de O castigar&#8221;.  Mas eles insistiam em altos brados, pedindo que fosse crucificado,  e os seus clamores aumentavam de viol\u00eancia.  Pilatos, ent\u00e3o, decretou que se fizesse o que eles pediam.  Libertou o que fora preso por sedi\u00e7\u00e3o e homic\u00eddio  como eles reclamavam, e entregou-lhes Jesus para o que eles queriam.    MEDITA\u00c7\u00c3O   Um homem sem culpa alguma est\u00e1 diante de Pilatos.  A lei e o direito cedem ao arb\u00edtrio de um poder totalit\u00e1rio,  que procura o consenso das multid\u00f5es.  Num mundo injusto, o justo n\u00e3o pode sen\u00e3o ser rejeitado e condenado.  Viva o homicida, morra Aquele que d\u00e1 a vida.  Liberte-se Bar-Abb\u00e0, o insurrecto chamado &#8220;filho do Pai&#8221;,  seja crucificado Aquele que revelou o Pai e \u00e9 o verdadeiro Filho do Pai.  Outros, n\u00e3o Jesus, s\u00e3o os agitadores do povo.  Outros, n\u00e3o Jesus, fizeram o que \u00e9 mal aos olhos de Deus.  Mas o poder teme pela sua pr\u00f3pria autoridade,  renuncia \u00e0 credibilidade que lhe vem de praticar a justi\u00e7a,  e abdica.  Pilatos, a autoridade que tem poder de vida e de morte,  Pilatos, que n\u00e3o hesitara em sufocar no sangue focos de revolta (Lc 13, 1),  Pilatos, que governava com m\u00e3o de ferro  aquela obscura prov\u00edncia do Imp\u00e9rio, sonhando dom\u00ednios mais amplos,  abdica,  entrega um inocente, e com ele a pr\u00f3pria autoridade, a uma multid\u00e3o  \/ vociferante.  Aquele que no sil\u00eancio Se tinha abandonado \u00e0 vontade do Pai  acaba assim abandonado \u00e0 vontade de quem grita mais forte.   ORA\u00c7\u00c3O   Jesus, cordeiro inocente levado ao matadouro (Is 53, 7)  para tirar o pecado do mundo (Jo 1, 29),  dirigi o vosso olhar de ternura para todos os inocentes perseguidos,  aos prisioneiros que gemem em c\u00e1rceres infames,  \u00e0s v\u00edtimas do amor pelos oprimidos e pela justi\u00e7a,  a quantos n\u00e3o entrev\u00eaem o fim de um longa pena n\u00e3o merecida.  A vossa presen\u00e7a, intimamente sentida, suavize a sua amargura  e dissipe a escurid\u00e3o da pris\u00e3o.  Fazei que nunca nos resignemos a ver em cadeias  a liberdade que destes a todo o homem,  criado \u00e0 vossa imagem e semelhan\u00e7a.   Jesus,  manso rei de um reino de justi\u00e7a e de paz,  resplandeceis vestido com um manto de p\u00farpura:  o vosso sangue derramado por amor.   R\/. A V\u00f3s o louvor e a gl\u00f3ria para sempre.   Todos:   Pater noster, qui es in c\u00e6lis;  sanctificetur nomen tuum;  adveniat regnum tuum;  fiat voluntas tua, sicut in c\u00e6lo et in terra.  Panem nostrum cotidianum da nobis hodie;  et dimitte nobis debita nostra,  sicut et nos dimittimus debitoribus nostris;  et ne nos inducas in tentationem;  sed libera nos a malo.   Quis est homo qui non fleret,  Matrem Christi si videret  in tanto supplicio?   SEXTA ESTA\u00c7\u00c3O  Jesus \u00e9 flagelado e coroado de espinhos   V\/. Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi.  R\/. Quia per sanctam crucem tuam redemisti mundum.   Evangelhos segundo S\u00e3o Lucas e S\u00e3o Jo\u00e3o  Lc 22, 63-65; Jo 19, 2-3   Entretanto os que guardavam Jesus  tro\u00e7avam d&#8217;Ele e maltratavam-n&#8217;O.  Cobriam-Lhe o rosto e perguntavam-Lhe: &#8220;Adivinha! Quem Te bateu?&#8221;  E muitos outros insultos proferiram contra Ele.   E os soldados, depois de tecerem uma coroa com espinhos,  puseram-Lha na cabe\u00e7a  e envolveram-n&#8217;O com um manto de p\u00farpura.  Depois avan\u00e7avam para Ele e diziam:  &#8220;Salve, \u00f3 Rei dos Judeus&#8221;!   MEDITA\u00c7\u00c3O   \u00c0 in\u00edqua condena\u00e7\u00e3o junta-se o ultraje da flagela\u00e7\u00e3o.  Entregue nas m\u00e3os dos homens, o corpo de Jesus \u00e9 desfigurado.  Aquele corpo recebido da Virgem Maria,  que fazia de Jesus &#8220;o mais belo dos filhos dos homens&#8221;,  que irradiava a un\u00e7\u00e3o da Palavra  &#8211; &#8220;em teus l\u00e1bios se derramou a gra\u00e7a&#8221; (Sal 45\/44, 3) -,  \u00e9 agora cruelmente dilacerado pelo azorrague.  O rosto transfigurado no Tabor \u00e9 desfigurado no pret\u00f3rio:  rosto de quem, insultado, n\u00e3o responde  de quem, flagelado, perdoa  de quem, tornado escravo sem nome,  liberta a quantos jazem na escravid\u00e3o.  Jesus avan\u00e7a decididamente pelo caminho da dor,  cumprindo na carne viva, que se torna viva voz, a profecia de Isa\u00edas:  &#8220;Aos que Me feriam apresentei as costas,  e a minha face aos que Me arrancavam a barba:  n\u00e3o desviei o meu rosto dos que Me ultrajavam e cuspiam&#8221; (Is 50, 6).  Profecia que se abre para um futuro de transfigura\u00e7\u00e3o.   ORA\u00c7\u00c3O   Jesus,  &#8220;resplendor da gl\u00f3ria do Pai e imagem da sua subst\u00e2ncia&#8221; (Heb 1, 3),  aceitastes ser reduzido a um frangalho humano,  um condenado ao supl\u00edcio, que d\u00e1 pena.  Tomastes sobre V\u00f3s os nossos sofrimentos,  t\u00ednheis carregado as nossas dores,  \u00e9reis esmagado pelas nossas iniquidades (Is 53, 4-5).  Com as vossas feridas, sarai as feridas dos nossos pecados.  Concedei a quantos s\u00e3o injustamente desprezados e marginalizados,  a quantos foram desfigurados pela tortura ou pela doen\u00e7a,  compreender que, crucificados convosco e como V\u00f3s para o mundo (Gal 2, 19),  completam o que falta \u00e0 vossa Paix\u00e3o  para a salva\u00e7\u00e3o do homem (Col 1, 24).   Jesus,  peda\u00e7o de humanidade profanada,  em V\u00f3s se revela a sacralidade do homem:  arca do amor que paga o mal com o bem.   R\/. A V\u00f3s o louvor e a gl\u00f3ria para sempre.   Todos:   Pater noster, qui es in c\u00e6lis;  sanctificetur nomen tuum;  adveniat regnum tuum;  fiat voluntas tua, sicut in c\u00e6lo et in terra.  Panem nostrum cotidianum da nobis hodie;  et dimitte nobis debita nostra,  sicut et nos dimittimus debitoribus nostris;  et ne nos inducas in tentationem;  sed libera nos a malo.   Pro peccatis suae gentis  vidit Iesum in tormentis  et flagellis subditum.    S\u00c9TIMA ESTA\u00c7\u00c3O  Jesus \u00e9 carregado com a Cruz   V\/. Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi.  R\/. Quia per sanctam crucem tuam redemisti mundum.   Evangelho segundo S\u00e3o Marcos 15, 20   Depois de O terem escarnecido,  tiraram-Lhe o manto de p\u00farpura  e vestiram-Lhe as suas roupas.  Levaram-n&#8217;O, ent\u00e3o, para fora  para O crucificarem.   MEDITA\u00c7\u00c3O   Fora.  O justo, injustamente condenado, deve morrer fora:  fora do acampamento, fora da cidade santa, fora da sociedade humana.  Os soldados despojam-n&#8217;O e revestem-n&#8217;O:  Ele j\u00e1 n\u00e3o pode dispor sequer do seu pr\u00f3prio corpo.  Carregam-Lhe sobre os ombros um madeiro, parte pesada do pat\u00edbulo,  sinal de maldi\u00e7\u00e3o e instrumento de execu\u00e7\u00e3o capital.  Madeiro de ignom\u00ednia,  que pesa, como fardo extenuante, sobre os ombros curvados de Jesus.  O \u00f3dio, de que est\u00e1 impregnado, torna insuport\u00e1vel o seu peso.  E no entanto aquele madeiro da cruz \u00e9 resgatado por Jesus,  torna-se sinal de uma exist\u00eancia vivida e oferecida por amor dos homens.  Segundo a tradi\u00e7\u00e3o, Jesus vacila,  por tr\u00eas vezes cair\u00e1 sob aquele peso.  Jesus n\u00e3o p\u00f4s limites ao seu amor:  &#8220;tendo amado os seus, amou-os at\u00e9 ao fim&#8221; (Jo 13, 1).  Obediente \u00e0 palavra do Pai  &#8211; &#8220;Amar\u00e1s ao Senhor, teu Deus, com todas as tuas for\u00e7as &#8221; (Dt 6, 5) &#8211;  amou a Deus e cumpriu a sua vontade at\u00e9 ao fim.   ORA\u00c7\u00c3O   Jesus, rei da gl\u00f3ria, coroado de espinhos,  curvado sob o peso da cruz  que m\u00e3os humanas prepararam para V\u00f3s,  imprimi em nossos cora\u00e7\u00f5es a imagem do vosso rosto coberto de sangue,  para nos recordar que nos amastes at\u00e9 Vos entregardes V\u00f3s mesmo por n\u00f3s  \/ (Gal 2, 20).  Que o nosso olhar nunca se separe do sinal da nossa salva\u00e7\u00e3o,  erguido no cora\u00e7\u00e3o do mundo,  para que, contemplando-o e crendo em V\u00f3s,  n\u00e3o nos percamos, mas tenhamos a vida eterna (Jo 3, 14-16).   Jesus,  sobre os vossos ombros dilacerados pesa o pat\u00edbulo ign\u00f3bil:  por vosso merecimento a cruz torna-se constela\u00e7\u00e3o de gemas  e a \u00e1rvore do Para\u00edso volta a ser \u00e1rvore da Vida.   R\/. A V\u00f3s o louvor e a gl\u00f3ria para sempre.   Todos:   Pater noster, qui es in c\u00e6lis;  sanctificetur nomen tuum;  adveniat regnum tuum;  fiat voluntas tua, sicut in c\u00e6lo et in terra.  Panem nostrum cotidianum da nobis hodie;  et dimitte nobis debita nostra,  sicut et nos dimittimus debitoribus nostris;  et ne nos inducas in tentationem;  sed libera nos a malo.   Quis non posset contristari,  Christi Matrem contemplari,  dolentem cum Filio?     OITAVA ESTA\u00c7\u00c3O  Jesus \u00e9 ajudado pelo Cireneu a levar a Cruz   V\/. Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi.  R\/. Quia per sanctam crucem tuam redemisti mundum.   Evangelho segundo S\u00e3o Lucas 23, 26   Quando O iam conduzindo,  lan\u00e7aram m\u00e3o de um certo Sim\u00e3o de Cirene, que voltava do campo,  e carregaram-no com a cruz, para a levar atr\u00e1s de Jesus.   MEDITA\u00c7\u00c3O   Ainda n\u00e3o brilham no c\u00e9u as primeiras estrelas que anunciam o s\u00e1bado,  mas Sim\u00e3o j\u00e1 regressa a casa do trabalho nos campos.  Soldados pag\u00e3os, que nada sabem do repouso do s\u00e1bado, det\u00eam-no.  Colocam sobre os seus ombros robustos aquela cruz  que outros tinham prometido levar dia ap\u00f3s dia atr\u00e1s de Jesus.  Sim\u00e3o n\u00e3o escolhe: recebe uma ordem,  sem saber ainda que acolhe um dom.  \u00c9 t\u00edpico dos pobres nada poderem escolher,  nem sequer o peso dos pr\u00f3prios sofrimentos.  Mas \u00e9 caracter\u00edstico dos pobres ajudar outros pobres,  e ali est\u00e1 um mais pobre que Sim\u00e3o:  est\u00e1 para ser privado at\u00e9 mesmo da vida.  Ajudar sem fazer perguntas, sem demandar porqu\u00ea:  demasiado pesado o peso para o outro,  os meus ombros, por\u00e9m, ainda o regem.  E isto basta.  Vir\u00e1 o dia em que o mais pobre dos pobres dir\u00e1 ao companheiro:  &#8220;Vem, bendito de meu Pai, entra na minha alegria:  estava esmagado sob o peso da cruz e tu Me aliviaste&#8221;.   ORA\u00c7\u00c3O   Jesus,  tomastes resolutamente o caminho que conduz a Jerusal\u00e9m (Lc 9, 51);  os vossos sofrimentos tornaram-Vos  o guia dos homens pelo caminho da salva\u00e7\u00e3o (Heb 2, 10).  Sois o nosso precursor pela estrada da vossa P\u00e1scoa (Heb 6, 20).  Vinde em ajuda de todos aqueles que,  conscientemente ou constrangidos por factos obscuros,  seguem os vossos passos,  V\u00f3s que dissestes:  &#8220;Bem-aventurados os aflitos, porque ser\u00e3o consolados&#8221; (Mt 5, 4),   Jesus,  aliviado do peso da cruz por Sim\u00e3o de Cirene,  para que ele, ignaro companheiro no caminho do sofrimento,  se tornasse vosso amigo e h\u00f3spede na morada da gl\u00f3ria eterna.   R\/. A V\u00f3s o louvor e a gl\u00f3ria para sempre.   Todos:   Pater noster, qui es in c\u00e6lis;  sanctificetur nomen tuum;  adveniat regnum tuum;  fiat voluntas tua, sicut in c\u00e6lo et in terra.  Panem nostrum cotidianum da nobis hodie;  et dimitte nobis debita nostra,  sicut et nos dimittimus debitoribus nostris;  et ne nos inducas in tentationem;  sed libera nos a malo.   Tui Nati vulnerati,  tam dignati pro me pati,  poenas mecum divide.    NONA ESTA\u00c7\u00c3O  Jesus encontra as mulheres de Jerusal\u00e9m   V\/. Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi.  R\/. Quia per sanctam crucem tuam redemisti mundum.   Evangelho segundo S\u00e3o Lucas 23, 27-31   Seguiam-n&#8217;O uma grande massa de povo  e umas mulheres que se lamentavam e choravam por Ele.  Jesus voltou-Se para elas e disse-lhes:  &#8220;Filhas de Jerusal\u00e9m, n\u00e3o choreis por Mim,  chorai antes por v\u00f3s mesmas e pelos vossos filhos,  pois vir\u00e3o dias em que se dir\u00e1:  &#8216;Felizes as est\u00e9reis, os ventres que n\u00e3o geraram  e os peitos que n\u00e3o amamentaram&#8217;.  H\u00e3o-de ent\u00e3o dizer aos montes:  &#8216;Ca\u00ed sobre n\u00f3s!&#8217;, e \u00e0s colinas: &#8216;Cobri-nos&#8217;.  Porque se tratam assim a madeira verde, o que acontecer\u00e1 \u00e0 seca?&#8221;   MEDITA\u00c7\u00c3O   O cortejo do condenado avan\u00e7a.  Como escolta: soldados e um punhado de mulheres em l\u00e1grimas,  mulheres que subiram da Galileia a Jerusal\u00e9m com Ele e os disc\u00edpulos.  Conhecem aquele homem.  Ouviram a sua palavra de vida,  amam-n&#8217;O como mestre e profeta.  Esperavam que fosse Ele quem havia de libertar Israel? (Lc 24, 21).  N\u00e3o o sabemos, mas agora choram por aquele homem  como se chora por uma pessoa amada,  como Ele tinha chorado pelo amigo L\u00e1zaro.  Ele irmana-as no seu sofrimento,  uma nova luz ilumina a dor que sentem.  A voz de Jesus fala de ju\u00edzo,  mas chama \u00e0 convers\u00e3o;  anuncia sofrimentos,  mas como as dores de um parto.  A madeira verde h\u00e1-de reaver a vida  e a madeira seca ter\u00e1 parte nela.   ORA\u00c7\u00c3O   Jesus, rei glorioso, coroado de espinhos,  o rosto coberto de sangue e escarros,  ensinai-nos a buscar incessantemente o vosso rosto (Sal 27\/26, 8)  para que a sua luz ilumine o nosso caminho (Sal 89\/88, 16);  ensinai-nos a discerni-lo sob os tra\u00e7os do homem  ferido pela doen\u00e7a,  prostrado pelo des\u00e2nimo,  envilecido pela injusti\u00e7a.  Fazei que estejam impressos nos nossos olhos  os tra\u00e7os do vosso rosto am\u00e1vel,  de que vossos &#8220;irm\u00e3os mais pequeninos&#8221; (Mt 25, 40) s\u00e3o um luminoso reflexo,  sacramento da vossa presen\u00e7a no meio de n\u00f3s.   Jesus,  acompanhado at\u00e9 \u00e0 colina do Calv\u00e1rio por um cortejo de mulheres em l\u00e1grimas:  elas conheceram o vosso rosto de luz, a vossa palavra de gra\u00e7a.   R\/. A V\u00f3s o louvor e a gl\u00f3ria para sempre.   Todos:   Pater noster, qui es in c\u00e6lis;  sanctificetur nomen tuum;  adveniat regnum tuum;  fiat voluntas tua, sicut in c\u00e6lo et in terra.  Panem nostrum cotidianum da nobis hodie;  et dimitte nobis debita nostra,  sicut et nos dimittimus debitoribus nostris;  et ne nos inducas in tentationem;  sed libera nos a malo.    Eia, mater, fons amoris,  me sentire vim doloris  fac, ut tecum lugeam.    D\u00c9CIMA ESTA\u00c7\u00c3O  Jesus \u00e9 crucificado   V\/. Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi.  R\/. Quia per sanctam crucem tuam redemisti mundum.   Evangelho segundo S\u00e3o Lucas 23, 33.47b   Quando chegaram ao lugar chamado Calv\u00e1rio,  crucificaram-n&#8217;O a Ele e aos malfeitores, um \u00e0 direita e outro \u00e0 esquerda.  (&#8230;) O centuri\u00e3o deu gl\u00f3ria a Deus, dizendo:  &#8220;Verdadeiramente, este homem era justo!&#8221;   MEDITA\u00c7\u00c3O   Uma colina fora da cidade, um abismo de dor e humilha\u00e7\u00e3o.  Suspenso entre o c\u00e9u e a terra est\u00e1 um homem:  cravado na cruz,  supl\u00edcio reservado aos amaldi\u00e7oados de Deus e dos homens.  Junto d&#8217;Ele, outros condenados  que j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o dignos do nome de homem.  E no entanto Jesus,  que sente o seu esp\u00edrito a abandon\u00e1-Lo,  n\u00e3o abandona os outros homens,  estende os bra\u00e7os para acolher a todos,  Ele que j\u00e1 ningu\u00e9m quer acolher.  Desfigurado pela dor,  ferido pelos ultrajes,  o rosto daquele homem  fala ao homem de uma outra justi\u00e7a.  Derrotado, escarnecido, difamado  aquele condenado restitui a dignidade a todo o homem:  A quanta dor pode levar o amor!  Por quanto amor, o resgate de toda a dor!  &#8220;Verdadeiramente, aquele homem era justo&#8221; (Lc 23, 47b).   ORA\u00c7\u00c3O   Jesus,  no seio do vosso povo,  s\u00f3 um pequenino rebanho,  ao qual aprouve ao Pai dar o seu Reino (Lc 12, 32),  Vos reconheceu como Senhor e Salvador  mas o vosso Esp\u00edrito depressa far\u00e1 deles testemunhas  &#8220;em Jerusal\u00e9m, por toda a Judeia  e Samaria, e at\u00e9 aos confins do mundo &#8221; (Act 1, 8).  Concedei \u00e0queles que pela terra inteira anunciam a vossa Palavra,  ousadia (Fil 1, 14) e liberdade (Flm 8) gloriosas,  pelas quais o vosso Esp\u00edrito irrompe com a for\u00e7a da P\u00e1scoa  e a linguagem da cruz, esc\u00e2ndalo aos olhos do mundo,  torna-se sabedoria para aqueles que acreditam (I Cor 1, 17ss).   Jesus  a vossa morte, obla\u00e7\u00e3o pura para que todos tenham a vida,  revelou a vossa identidade de Filho de Deus e Filho do homem.   R\/. A V\u00f3s o louvor e a gl\u00f3ria para sempre.   Todos:   Pater noster, qui es in c\u00e6lis;  sanctificetur nomen tuum;  adveniat regnum tuum;  fiat voluntas tua, sicut in c\u00e6lo et in terra.  Panem nostrum cotidianum da nobis hodie;  et dimitte nobis debita nostra,  sicut et nos dimittimus debitoribus nostris;  et ne nos inducas in tentationem;  sed libera nos a malo.   Fac ut ardeat cor meum  in amando Christum Deum,  ut sibi complaceam.    D\u00c9CIMA PRIMEIRA ESTA\u00c7\u00c3O  Jesus promete o seu Reino ao bom ladr\u00e3o   V\/. Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi.  R\/. Quia per sanctam crucem tuam redemisti mundum.   Evangelho segundo S\u00e3o Lucas 23, 33-34.39-43   Quando chegaram ao lugar chamado Calv\u00e1rio,  crucificaram-n&#8217;O a Ele e aos malfeitores, um \u00e0 direita e outro \u00e0 esquerda.  Jesus dizia: &#8220;Perdoa-lhes, \u00f3 Pai, porque n\u00e3o sabem o que fazem&#8221;.  (&#8230;)Um dos malfeitores, que tinham sido crucificados, insultava-O, dizendo:  &#8220;N\u00e3o \u00e9s Tu o Messias? Salva-Te a Ti mesmo e a n\u00f3s tamb\u00e9m&#8221;.  Mas o outro, tomando a palavra, repreendeu-o:  &#8220;Nem sequer temes a Deus, tu que sofres o mesmo supl\u00edcio?  Quanto a n\u00f3s, fez-se justi\u00e7a  pois recebemos o castigo que as nossas ac\u00e7\u00f5es mereciam,  mas Ele nada praticou de conden\u00e1vel&#8221;.  E acrescentou: &#8220;Jesus, lembra-Te de mim quando estiveres no teu reino&#8221;.  Ele respondeu-lhe: &#8220;Em verdade te digo: Hoje estar\u00e1s Comigo no Para\u00edso&#8221;.   MEDITA\u00c7\u00c3O   O lugar do Calv\u00e1rio,  sepulcro de Ad\u00e3o, o primeiro homem,  pat\u00edbulo de Jesus, o homem novo.  O madeiro da cruz,  instrumento de morte exibida,  arca de perd\u00e3o concedido.  Junto de Jesus, que passou por entre o povo fazendo o bem,  dois homens condenados por terem feito o mal.  Outros dois tinham pedido para estarem um \u00e0 direita e outro \u00e0 esquerda de  \/ Jesus,  declararam-se inclusive dispostos a sofrer o mesmo baptismo,  a beber do mesmo c\u00e1lice (Mc 10, 38-39).  Mas, nesta hora, n\u00e3o est\u00e3o aqui,  outros os precederam no lugar do Calv\u00e1rio.  Destes um invoca um Messias que Se salve a Si mesmo e a eles dois, ali e j\u00e1,  o outro recomenda-se a Jesus  para que Se lembre dele quando entrar no seu Reino.  Quem compartilha as zombarias da multid\u00e3o n\u00e3o recebe resposta,  quem reconhece a inoc\u00eancia de um condenado \u00e0 morte  obt\u00e9m uma promessa imediata de vida.   ORA\u00c7\u00c3O   Jesus, amigo dos pecadores e dos publicanos (Mt 9, 11; 11, 19; Lc 15, 1-2),  V\u00f3s viestes salvar, n\u00e3o os justos, mas os pecadores (Mt 9, 13)  e quisestes dar-nos a prova do vosso &#8220;amor desmedido&#8221; (Ef 2, 4 Vulgata)  e da abund\u00e2ncia da vossa miseric\u00f3rdia,  aceitando morrer por n\u00f3s quando \u00e9ramos ainda pecadores (Rom 5, 8).  Pousai sobre n\u00f3s o vosso olhar de bondade  e, depois de termos saboreado a amargura purificadora da humilha\u00e7\u00e3o,  acolhei-nos nos vossos bra\u00e7os, seguros da miseric\u00f3rdia paterna,  e transformai com o vosso perd\u00e3o  a lama do pecado em veste de gl\u00f3ria.   Jesus,  proclamado inocente por um malfeitor, companheiro de pena:  para V\u00f3s e para o vosso companheiro chegou a hora de entrar no Reino.   R\/. A V\u00f3s o louvor e a gl\u00f3ria para sempre.   Todos:   Pater noster, qui es in c\u00e6lis;  sanctificetur nomen tuum;  adveniat regnum tuum;  fiat voluntas tua, sicut in c\u00e6lo et in terra.  Panem nostrum cotidianum da nobis hodie;  et dimitte nobis debita nostra,  sicut et nos dimittimus debitoribus nostris;  et ne nos inducas in tentationem;  sed libera nos a malo.   Sancta Mater, istud agas,  Crucifixi fige plagas  cordi meo valide.    D\u00c9CIMA SEGUNDA ESTA\u00c7\u00c3O  Jesus na Cruz, a M\u00e3e e o Disc\u00edpulo   V\/. Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi.  R\/. Quia per sanctam crucem tuam redemisti mundum.   Evangelho segundo S\u00e3o Jo\u00e3o 19, 25-27   Junto da cruz de Jesus, estavam sua m\u00e3e,  a irm\u00e3 de sua m\u00e3e, Maria, mulher de Cl\u00e9ofas e Maria de Magdala.  Ao ver sua m\u00e3e e, junto dela, o disc\u00edpulo que Ele amava,  Jesus disse a sua m\u00e3e: &#8220;Mulher, eis a\u00ed o teu filho&#8221;.  Depois disse ao disc\u00edpulo: &#8220;Eis a\u00ed a tua m\u00e3e&#8221;.  E, desde aquela hora, o disc\u00edpulo recebeu-A em sua casa.   MEDITA\u00c7\u00c3O   Em redor da cruz, gritos de \u00f3dio,  ao p\u00e9 da cruz, presen\u00e7as de amor.  Est\u00e1 ali, firme, a m\u00e3e de Jesus.  Com ela, outras mulheres,  unidas no amor pelo moribundo.  Junto dela, o disc\u00edpulo amado, n\u00e3o outros.  S\u00f3 o amor soube superar todos os obst\u00e1culos,  s\u00f3 o amor perseverou at\u00e9 ao fim,  s\u00f3 o amor gera outro amor.  E ali, aos p\u00e9s da cruz, nasce uma nova comunidade,  ali, no lugar da morte, surge um novo espa\u00e7o de vida:  Maria acolhe o disc\u00edpulo como filho,  o disc\u00edpulo amado acolhe Maria como m\u00e3e.  &#8220;Acolheu-a como um dos seus bens mais queridos&#8221; (Jo 19, 27),  tesouro inalien\u00e1vel do qual se fez guardi\u00e3o.  S\u00f3 o amor pode guardar o amor,  s\u00f3 o amor \u00e9 mais forte do que a morte (Ct 8, 6).   ORA\u00c7\u00c3O   Jesus, Filho dilecto do Pai,  aos tormentos sofridos na cruz  junta-se o de ver junto de V\u00f3s a vossa M\u00e3e abatida pela dor.  Confiamo-Vos a desola\u00e7\u00e3o e a revolta  dos pais desvairados diante dos sofrimentos ou da morte de um filho;  confiamo-Vos o desalento de tantos \u00f3rf\u00e3os,  de filhos abandonados ou deixados sozinhos.  V\u00f3s estais presente nos seus sofrimentos  como o est\u00e1veis na cruz, junto da Virgem Maria.  Venha o dia do encontro,  quando toda a l\u00e1grima ser\u00e1 enxugada  e a alegria n\u00e3o ter\u00e1 fim.   Jesus,  moribundo na cruz confiais a M\u00e3e ao Dilecto,  o Ap\u00f3stolo virgem, \u00e0 Virgem pura que Vos trouxe no seio,   R\/. A V\u00f3s o louvor e a gl\u00f3ria para sempre.   Todos:   Pater noster, qui es in c\u00e6lis;  sanctificetur nomen tuum;  adveniat regnum tuum;  fiat voluntas tua, sicut in c\u00e6lo et in terra.  Panem nostrum cotidianum da nobis hodie;  et dimitte nobis debita nostra,  sicut et nos dimittimus debitoribus nostris;  et ne nos inducas in tentationem;  sed libera nos a malo.   Fac me vere tecum flere,  Crucifixo condolere,  donec ego vixero.    D\u00c9CIMA TERCEIRA ESTA\u00c7\u00c3O  Jesus morre na Cruz   V\/. Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi.  R\/. Quia per sanctam crucem tuam redemisti mundum.   Evangelho segundo S\u00e3o Lucas 23, 44-46   Por volta da hora sexta, as trevas cobriram toda a terra,  at\u00e9 \u00e0 hora nona, por o sol se haver eclipsado.  O v\u00e9u do Templo rasgou-se ao meio,  e Jesus exclamou, dando um grande grito:  &#8220;Pai, nas tuas m\u00e3os entrego o meu esp\u00edrito&#8221;.  Dito isto, expirou.   MEDITA\u00c7\u00c3O   Depois da agonia do Gets\u00e9mani,  Jesus, na cruz, est\u00e1 de novo diante do Pai.  No auge de um sofrimento indiz\u00edvel,  Jesus volta-Se para Ele, reza-Lhe.  A sua ora\u00e7\u00e3o \u00e9 primeiramente uma implora\u00e7\u00e3o de miseric\u00f3rdia para os algozes.  Depois, aplica\u00e7\u00e3o a Si mesmo da palavra prof\u00e9tica dos Salmos:  manifesta\u00e7\u00e3o de um sentimento de abandono dilacerante,  que chega no momento crucial,  quando se experimenta com todo o ser  o desespero a que conduz o pecado que separa de Deus.  Jesus bebeu at\u00e9 \u00e0s borras o c\u00e1lice da amargura.  Mas daquele abismo de sofrimento eleva-se um grito que rompe a desola\u00e7\u00e3o:  &#8220;Pai, nas tuas m\u00e3os entrego o meu esp\u00edrito&#8221; (Lc 23, 46).  E o sentimento de abandono muda-se em entrega nos bra\u00e7os do Pai;  o \u00faltimo respiro do moribundo torna-se grito de vit\u00f3ria,  a humanidade, que se afastara na vertigem da auto-sufici\u00eancia,  \u00e9 de novo acolhida pelo Pai.   ORA\u00c7\u00c3O   Jesus, irm\u00e3o nosso,  com a vossa morte reabristes-nos a estrada que a culpa de Ad\u00e3o fechara.  Precedestes-nos no caminho que conduz da morte \u00e0 vida (Heb 6, 20).  Tomastes sobre V\u00f3s o medo e os tormentos da morte,  mudando radicalmente o seu sentido:  invertestes o desespero que eles provocam,  fazendo da morte um encontro de amor.  Confortai aqueles que hoje est\u00e3o para empreender o mesmo caminho que V\u00f3s.  Tranquilizai aqueles que procuram evitar o pensamento da morte.  E quando chegar para n\u00f3s tamb\u00e9m a hora dram\u00e1tica e bendita,  acolhei-nos na vossa alegria eterna,  n\u00e3o por causa dos nossos m\u00e9ritos,  mas em virtude das maravilhas que a vossa gra\u00e7a realiza em n\u00f3s.   Jesus,  ao exalar o \u00faltimo respiro, entregais a vida nas m\u00e3os do Pai  e derramais sobre a Esposa o dom vivificante do Esp\u00edrito.   R\/. A V\u00f3s o louvor e a gl\u00f3ria para sempre.   Todos:   Pater noster, qui es in c\u00e6lis;  sanctificetur nomen tuum;  adveniat regnum tuum;  fiat voluntas tua, sicut in c\u00e6lo et in terra.  Panem nostrum cotidianum da nobis hodie;  et dimitte nobis debita nostra,  sicut et nos dimittimus debitoribus nostris;  et ne nos inducas in tentationem;  sed libera nos a malo.   Vidit suum dulcem Natum  morientem, desolatum,  cum emisit spiritum.    D\u00c9CIMA QUARTA ESTA\u00c7\u00c3O  Jesus \u00e9 depositado no sepulcro   V\/. Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi.  R\/. Quia per sanctam crucem tuam redemisti mundum.   Evangelho segundo S\u00e3o Lucas 23, 50-54   Um membro do Conselho, chamado Jos\u00e9,  homem recto e justo,  n\u00e3o tinha concordado com a decis\u00e3o nem com o procedimento dos outros.  Era natural de Arimateia, cidade da Judeia, e esperava o Reino de Deus.  Foi ter com Pilatos, pediu-lhe o corpo de Jesus  e, descendo-o da cruz, envolveu-O num len\u00e7ol  e depositou-O num sepulcro talhado na rocha,  onde ainda ningu\u00e9m tinha sido sepultado.  Era o dia da Prepara\u00e7\u00e3o e j\u00e1 brilhavam as luzes do s\u00e1bado.   MEDITA\u00c7\u00c3O   Primeiras luzes do s\u00e1bado.  Aquele que era a luz do mundo desce ao reino das trevas.  O corpo de Jesus \u00e9 engolido pela terra,  e com ele \u00e9 engolida toda a esperan\u00e7a.  Mas a sua descida \u00e0 mans\u00e3o dos mortos  n\u00e3o \u00e9 uma descida para a morte mas para a vida.  \u00c9 para reduzir \u00e0 impot\u00eancia aquele que detinha o poder da morte, o diabo  \/ (Heb 2, 14),  para destruir o \u00faltimo inimigo do homem, a pr\u00f3pria morte (I Cor 15, 26),  para fazer resplandecer a vida e a imortalidade (II Tim 1, 10),  para anunciar a boa nova aos esp\u00edritos prisioneiros (I Ped 3, 19).  Jesus desce at\u00e9 alcan\u00e7ar o primeiro casal humano,  Ad\u00e3o e Eva, curvados sob o fardo da sua culpa.  Jesus estende-lhes a m\u00e3o  e o rosto deles ilumina-se com a gl\u00f3ria da ressurrei\u00e7\u00e3o.  O primeiro Ad\u00e3o e o \u00daltimo s\u00e3o parecidos e reconhecem-se;  o primeiro reencontra a pr\u00f3pria imagem  n&#8217;Aquele que havia de vir um dia  libert\u00e1-lo juntamente com todos os outros (Gen 1, 26).  Aquele Dia finalmente chegou.  Agora, em Jesus, cada morte pode, a partir daquele momento, desaguar na vida.   ORA\u00c7\u00c3O   Jesus, Senhor rico de miseric\u00f3rdia,  fizestes-Vos homem para Vos tornar nosso irm\u00e3o,  e, com a vossa morte, vencer a morte.  Descestes aos infernos para libertar a humanidade,  para fazer-nos novamente viver convosco,  ressuscitados chamados a sentar-se nos C\u00e9us junto de V\u00f3s (cf. Ef 2, 4-6).  Bom Pastor, que nos guiais \u00e0s \u00e1guas tranquilas,  tomai-nos pela m\u00e3o ao atravessarmos as sombras da morte (Sal 23\/22, 2-4),  para ficarmos convosco e contemplar eternamente a vossa gl\u00f3ria (Jo 17, 24).   Jesus,  envolvido num len\u00e7ol e depositado no sepulcro,  esperai que, rolada a pedra,  o sil\u00eancio da morte seja quebrado pelo j\u00fabilo do aleluia perene.   R\/. A V\u00f3s o louvor e a gl\u00f3ria para sempre.   Todos:   Pater noster, qui es in c\u00e6lis;  sanctificetur nomen tuum;  adveniat regnum tuum;  fiat voluntas tua, sicut in c\u00e6lo et in terra.  Panem nostrum cotidianum da nobis hodie;  et dimitte nobis debita nostra,  sicut et nos dimittimus debitoribus nostris;  et ne nos inducas in tentationem;  sed libera nos a malo.   Quando corpus morietur  fac ut animae donetur  paradisi gloria. Amen.   O Santo Padre fala aos presentes.  No final do discurso, o Santo Padre d\u00e1 a B\u00ean\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica:   V\/. Dominus vobiscum.  R\/. Et cum spiritu tuo.  V\/. Sit nomen Domini benedictum.  R\/. Ex hoc nunc et usque in s\u00e6culum.  V\/. Adiutorium nostrum in nomine Domini.  R\/. Qui fecit c\u00e6lum et terram.  V\/. Benedicat vos omnipotens Deus,  Pater a et Filius a et Spiritus a Sanctus.  R\/. Amen.    [Tradu\u00e7\u00e3o distribu\u00edda pela Santa S\u00e9]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Textos do eremita belga Andr\u00e9 Louf<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[168,275,297,314],"class_list":["post-5431","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-diocese-da-guarda","tag-pascoa","tag-santa-se","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5431","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5431"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5431\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5431"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5431"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5431"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}