{"id":54285,"date":"2011-12-13T12:08:57","date_gmt":"2011-12-13T12:08:57","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/12\/13\/brasil-natal-vigilando-e-festejando-comunitariamente\/"},"modified":"2011-12-13T12:08:57","modified_gmt":"2011-12-13T12:08:57","slug":"brasil-natal-vigilando-e-festejando-comunitariamente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/brasil-natal-vigilando-e-festejando-comunitariamente\/","title":{"rendered":"Brasil: Natal vigilando e festejando comunitariamente"},"content":{"rendered":"<p>Ant\u00f3nio Fernandes, Instituto Mission\u00e1rio da Consolata <!--more--> <\/p>\n<p>O estado de Roraima, est&aacute; situado no norte do Brasil, com uma extens&atilde;o de 226 mil km quadrados. A maioria da popula&ccedil;&atilde;o &eacute; oriunda de outros estados do Brasil, principalmente do nordeste brasileiro. Os povos ind&iacute;genas habitaram e habitam desde tempos imemor&aacute;veis neste territ&oacute;rio amaz&oacute;nico do norte do Brasil.<\/p>\n<p>Durante doze anos tive a oportunidade de viver e conviver principalmente com os povos Makuxi e Yanomami. Dois povos com caminhos hist&oacute;ricos e cosmovis&otilde;es diferentes. Duas experi&ecirc;ncias diferentes.na viv&ecirc;ncia do Natal. Partilho convosco, uma delas, tendo em conta s&iacute;mbolos, realidade das comunidades e a viv&ecirc;ncia propriamente dita do Natal.<\/p>\n<p>O povo Makuxi &eacute; cat&oacute;lico com um caminho de contacto com a Palavra de Deus, e consci&ecirc;ncia do seu compromisso batismal. Vivia nessa altura enfocado na reconquista da sua terra e no reconhecimento dos seus direitos. Esta realidade provocava conflitos constantes com os grandes empres&aacute;rios e o pr&oacute;prio governo que n&atilde;o reconhecia os seus direitos origin&aacute;rios, estabelecidos na constitui&ccedil;&atilde;o. Porque &eacute; que, vos falo disto, a prop&oacute;sito do Natal? Geralmente, a &eacute;poca de Natal, era aproveitada pelos rizicultores, fazendeiros, pol&iacute;ticos para hostilizar as comunidades propondo, iniciando projetos e obras, que iam contra os interesses das comunidades. Pairava sempre no ar a ideia de que algo de mal iria suceder e acontecer nesses dias. E assim, era&hellip;<\/p>\n<p><strong>Sentinelas; <\/strong>tempo de espera e vigil&acirc;ncia para que as for&ccedil;as contr&aacute;rias &agrave; vida das comunidades ind&iacute;genas, n&atilde;o interferisse na celebra&ccedil;&atilde;o da vida do povo Makuxi e das suas comunidades. As fam&iacute;lias organizavam-se, de modo a que as comunidades pudessem celebrar a festa.<\/p>\n<p><strong>Projeto de Deus; <\/strong>tempo de forma&ccedil;&atilde;o das comunidades, dos l&iacute;deres. O Natal era tempo prop&iacute;cio para reler o caminho das comunidades ind&iacute;genas &agrave; luz do Plano de Deus para a humanidade e mais concretamente para os povos ind&iacute;genas, na realidade concreta em que viviam. Recordava-se e fazia-se mem&oacute;ria hist&oacute;rica do caminho das comunidades, com as suas luzes e sombras na viv&ecirc;ncia do projeto de Deus.<\/p>\n<p><strong>Celebra&ccedil;&otilde;es lit&uacute;rgicas; <\/strong>eramos tr&ecirc;s mission&aacute;rios e respons&aacute;veis por setenta (70) comunidades. N&atilde;o pod&iacute;amos estar presentes em todas. Cada comunidade se organizava, com os seus catequistas, para que em nenhuma faltasse a Celebra&ccedil;&atilde;o da Palavra. Reuniam-se todas para celebrar e meditar o mist&eacute;rio da Encarna&ccedil;&atilde;o guiados, possivelmente pelos catequistas e animadores das comunidades.<\/p>\n<p><strong>Reuni&atilde;o de comunidades; <\/strong>esta era outra forma de celebrar: um centro (comunidade mais organizada) acolhia diversas comunidades que estavam ao seu redor e com elas celebrava as festas natal&iacute;cias.<\/p>\n<p><strong>Festa comunit&aacute;ria; <\/strong>era impens&aacute;vel celebrar o Natal, sem gestos concretos de trabalho e partilha comunit&aacute;ria. O Natal fazia parte do ADN comunit&aacute;rio das diferentes comunidades. Toda a prepara&ccedil;&atilde;o inclusive o pres&eacute;pio eram tarefas comunit&aacute;ria. Era o tempo dos anci&atilde;os, ensinarem e transmitir o significado das dan&ccedil;as t&iacute;picas, gestos, s&iacute;mbolos, atividades, que faziam parte de um passado mais ou menos distante. Pescarias e ca&ccedil;adas, eram poucas, devido &agrave; &eacute;poca do ano, tempo de muito calor e seca, mas as fam&iacute;lias organizavam-se de modo que n&atilde;o faltasse nada, durante dois ou tr&ecirc;s dias de festa. Mesmo no meio de tantas tribula&ccedil;&otilde;es e sacrif&iacute;cios, o Natal n&atilde;o deixava de ser a grande festa vivida na f&eacute; e na alegria.<\/p>\n<p>Que Deus nos ilumine, e a festa de Natal nos fa&ccedil;a verdadeiros construtores do Reino. Um abra&ccedil;o mission&aacute;rio e fraterno.<\/p>\n<p><em>Ant&oacute;nio Fernandes,<\/em> <em>Instituto Mission&aacute;rio da Consolata<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ant\u00f3nio Fernandes, Instituto Mission\u00e1rio da Consolata<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[122,267],"class_list":["post-54285","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-brasil","tag-natal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54285","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=54285"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54285\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=54285"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=54285"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=54285"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}