{"id":54284,"date":"2011-12-13T12:04:42","date_gmt":"2011-12-13T12:04:42","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/12\/13\/presepio-como-um-cadilho-de-culturas\/"},"modified":"2011-12-13T12:04:42","modified_gmt":"2011-12-13T12:04:42","slug":"presepio-como-um-cadilho-de-culturas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/presepio-como-um-cadilho-de-culturas\/","title":{"rendered":"Pres\u00e9pio como um cadilho de culturas"},"content":{"rendered":"<p>Gon\u00e7alo Cardoso, diretor do MASE <!--more--> <\/p>\n<p><em>&#8220;Toda a figura&ccedil;&atilde;o &eacute;, por seu turno, realiza&ccedil;&atilde;o de cultura, no duplo sentido de que produz constantemente culturas e que &eacute; resultado de culturas. Ou seja, a ativida-de cultural do ser humano &eacute;, precisamente, essa atividade de figura&ccedil;&atilde;o de si mesmo e do seu mundo, no conjunto dos s&iacute;mbolos que constituem uma cultura e que resultam tamb&eacute;m de uma Cultura&#8221; (1)<\/em><\/p>\n<p>A figura&ccedil;&atilde;o do pres&eacute;pio pode refletir muito da matriz cultural do artista, da sociedade que o executa, que o procura e divulga. Podemos com isso assegurar que ele &eacute; na verdade um espelho da sociedade, sendo por muitos considerado um aut&ecirc;ntico Evangelho traduzido em todas as l&iacute;nguas do mundo.<\/p>\n<p>No s&eacute;culo II surgiram figura&ccedil;&otilde;es da imagem da Virgem com o Menino nas toscas pinturas feitas pelos primeiros crist&atilde;os nos seus abrigos. No entanto, foram os evangelhos ap&oacute;crifos que adicionaram novos elementos que condicionam e influenciam a conce&ccedil;&atilde;o do pres&eacute;pio.<\/p>\n<p>Ao longo dos tempos surgiram, paulatinamente, mais pormenores que o enriqueceram do ponto de vista iconogr&aacute;fico. Foram-se sobrepondo elementos sagrados e profanos, aparecendo a Sagrada Fam&iacute;lia com personagens vindas do povo, com os seus trajes contempor&acirc;neos e gracejos.<\/p>\n<p>O ano de 1223 &eacute; considerado fundamental para a hist&oacute;ria do pres&eacute;pio. S&atilde;o Francisco de Assis fez, numa gruta em Greccio, It&aacute;lia, a reconstitui&ccedil;&atilde;o do nascimento do Redentor em Bel&eacute;m. Para isso, utilizou bonecos de palha em tamanho natural e animais vivos. Esta iniciativa tornou-o o &#8220;pai dos pres&eacute;pios&#8221;. Os frades franciscanos imitaram assim o seu fundador nas igrejas e conventos abertos por toda a Europa.<\/p>\n<p>No s&eacute;culo XVI estavam j&aacute; bastante difundidos os pres&eacute;pios com grandes imagens de madeira ou terracota. A representa&ccedil;&atilde;o escult&oacute;rica do Menino Jesus isolado foi popularizada tamb&eacute;m neste s&eacute;culo com a cria&ccedil;&atilde;o da Associa&ccedil;&atilde;o do Menino Jesus, pela carmelita francesa, Irm&atilde; Margarida do Sant&iacute;ssimo Sacramento.<\/p>\n<p>A origem das natividades portuguesas executadas em barro &eacute; um pouco desconhecida, apesar desta tradi&ccedil;&atilde;o estar documentada no s&eacute;culo XVI. Nas igrejas, muitas vezes recorria-se &agrave;s imagens de culto que eram vestidas. Os pres&eacute;pios eram montados sazonalmente e dependiam muito da imagina&ccedil;&atilde;o. Quase sempre associam os pres&eacute;pios &agrave;s igrejas e aos conventos, mas &eacute; poss&iacute;vel encontrar refer&ecirc;ncias a encomendas de pres&eacute;pios por particulares.<\/p>\n<p>Os pres&eacute;pios portugueses atingiram express&atilde;o mais sublime no s&eacute;culo XVIII, sendo uma das manifesta&ccedil;&otilde;es mais caracter&iacute;sticas da nossa religiosidade. Destacam-se os pres&eacute;pios de Machado de Castro, Ant&oacute;nio Ferreira, Barros Labor&atilde;o, entre outros.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m neste s&eacute;culo houve uma grande explos&atilde;o de pres&eacute;pios na Am&eacute;rica Latina, fruto das imensas atividades comerciais com a Europa. Levados pelos mission&aacute;rios jesu&iacute;tas, os povos locais aperfei&ccedil;oavam os seus pres&eacute;pios &agrave; sua imagem e semelhan&ccedil;a, com algumas nuances, representando um Natal bem mais alegre e festivo. O Natal &eacute; visto como se fosse uma celebra&ccedil;&atilde;o popular.<\/p>\n<p>Quem n&atilde;o conhece os famosos pres&eacute;pios do Peru, coloridos, onde os homens usam os seus sombreros? A profus&atilde;o de representa&ccedil;&otilde;es pode ir desde uma cabana at&eacute; uma igreja barroca, contidas em pequenas caba&ccedil;as, lembrando orat&oacute;rios com as suas portas, &agrave; semelhan&ccedil;a dos c&eacute;lebres altares port&aacute;teis levados pelos mission&aacute;rios para as suas miss&otilde;es.<\/p>\n<p>O pres&eacute;pio &eacute; alvo de v&aacute;rias assimila&ccedil;&otilde;es nos diversos pontos geogr&aacute;ficos do mundo. A diversidade e reciprocidade de perspetivas e assimila&ccedil;&otilde;es vai melhorar cada pres&eacute;pio e a partir dele projetar o valor da diferen&ccedil;a que enriquece a humanidade. Efetivamente, a encarna&ccedil;&atilde;o de Deus aconteceu para todos os povos, do Oriente ao Ocidente, sendo por isso pass&iacute;vel de apreender figura&ccedil;&otilde;es segundo os variados tipos fision&oacute;micos.<\/p>\n<p><em>Gon&ccedil;alo Cardoso, diretor do MASE &#8211; Mission&aacute;rios da Consolata &ndash; F&aacute;tima<\/em><\/p>\n<p><em>NOTA:<\/em><\/p>\n<p>(1) DUQUE, Jo&atilde;o (2004) &#8211; <em>Cultura contempor&acirc;nea e cristianismo<\/em>, Lisboa, Universidade Cat&oacute;lica Portuguesa<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gon\u00e7alo Cardoso, diretor do MASE<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[203,213,267],"class_list":["post-54284","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-europa","tag-franciscanos","tag-natal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54284","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=54284"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54284\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=54284"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=54284"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=54284"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}