{"id":54283,"date":"2011-12-13T11:59:35","date_gmt":"2011-12-13T11:59:35","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/12\/13\/uniao-europeia-no-meio-da-tormenta\/"},"modified":"2011-12-13T11:59:35","modified_gmt":"2011-12-13T11:59:35","slug":"uniao-europeia-no-meio-da-tormenta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/uniao-europeia-no-meio-da-tormenta\/","title":{"rendered":"Uni\u00e3o Europeia no meio da tormenta"},"content":{"rendered":"<p>Johanna Touzel, porta-voz da COMECE <!--more--> <\/p>\n<p>Neste final de dezembro de 2011, a Uni&atilde;o Europeia est&aacute; mais do que nunca no meio da tormenta. A cimeira que se acaba de concluir, em Bruxelas, deu &agrave; luz a uma solu&ccedil;&atilde;o discut&iacute;vel: os chefes de Estado prop&otilde;em, com efeito, a elabora&ccedil;&atilde;o de um novo Tratado Europeu. &Eacute; pouco prov&aacute;vel que isto represente uma resposta adequada. Al&eacute;m disso, as ag&ecirc;ncias de nota&ccedil;&atilde;o n&atilde;o se deixaram enganar: no dia seguinte &agrave; cimeira, consideraram as medidas anunciadas pelos chefes de Estado como insuficientes.<\/p>\n<p>Aquilo que estamos a viver &eacute; realmente um sopro de Europa intergovernamental, ou seja, liderada pelos chefes de Estado e de Governo. Nesta configura&ccedil;&atilde;o, s&atilde;o os Estados mais poderosos que se imp&otilde;em aos Estados de pequenas dimens&otilde;es. A falta de controlo democr&aacute;tico sobre as decis&otilde;es que est&atilde;o a ser tomadas tem um impacto direto a n&iacute;vel econ&oacute;mico, social e fiscal. Parece que os chefes de Estado quereriam usar o m&eacute;todo intergovernamental para ir al&eacute;m do controlo democr&aacute;tico nacional. &Eacute; por isso que se torna urgente voltar ao m&eacute;todo comunit&aacute;rio, como tinha sido concebido pelos pais fundadores da Europa, onde a Comiss&atilde;o Europeia, independente dos governos e garantia do bem comum europeu, comanda a UE sob o controlo do Parlamento Europeu, eleito democraticamente.<\/p>\n<p>A falta de transpar&ecirc;ncia e o d&eacute;fice democr&aacute;tico que caracteriza as decis&otilde;es atualmente tomadas pelos nossos chefes de Estados nos seus conclaves em Bruxelas devem inquietar-nos e fazer-nos reagir.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mas na pr&aacute;tica, que podem oferecer a Igreja Cat&oacute;lica e os crist&atilde;os neste tempo de crise? Como observou recentemente D. Adrianus van Luyn, presidente da COMECE [Comiss&atilde;o dos Episcopados Cat&oacute;licos da Comunidade Europeia], &#8220;a Igreja Cat&oacute;lica tamb&eacute;m n&atilde;o tem uma estrat&eacute;gia coerente, os planos de a&ccedil;&atilde;o ou respostas feitas para estes desafios. No entanto, pode propor a sua ajuda na reflex&atilde;o e elabora&ccedil;&atilde;o de solu&ccedil;&otilde;es&#8221;.<\/p>\n<p>Na sua sess&atilde;o plen&aacute;ria, em outubro, os bispos da COMECE declararam as causas da crise s&atilde;o estruturais e est&atilde;o principalmente enraizadas em decis&otilde;es pol&iacute;ticas tomadas nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, com vistas curtas e, muitas vezes, motivadas por raz&otilde;es eleitorais. Estas escolhas refletem frequentemente o comportamento individual consumista financiado a cr&eacute;dito. Na situa&ccedil;&atilde;o atual, uma cultura de recrimina&ccedil;&atilde;o n&atilde;o leva a lado nenhum. Os europeus devem <strong>permanecer unidos e solid&aacute;rios<\/strong> para superar a crise atual. Al&eacute;m disso, uma crise n&atilde;o &eacute; necessariamente sin&oacute;nimo de decl&iacute;nio: podemos fazer dela uma oportunidade de avan&ccedil;ar para uma renova&ccedil;&atilde;o. Os bispos da COMECE est&atilde;o cientes de que <strong>solu&ccedil;&otilde;es t&eacute;cnicas e de curto prazo n&atilde;o s&atilde;o suficientes<\/strong>. Portanto, enfatizaram a necessidade de adotar uma vis&atilde;o de longo prazo para as institui&ccedil;&otilde;es europeias e o modelo socioecon&oacute;mico que elas defendem. Deve ter particularmente em conta o melhor interesse da <strong>gera&ccedil;&atilde;o jovem<\/strong>, pois esta arrisca-se a ser uma das principais v&iacute;timas da crise.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os bispos da COMECE aprovaram ainda uma declara&ccedil;&atilde;o sobre a economia social de mercado, um conceito que foi introduzido no Tratado da Uni&atilde;o Europeia pelo Tratado de Lisboa. O texto, intitulado &#8220;Uma comunidade europeia de solidariedade e responsabilidade&#8221; ser&aacute; publicado em v&aacute;rios idiomas a partir de janeiro de 2012. As ra&iacute;zes do conceito de economia social de mercado baseiam-se na heran&ccedil;a filos&oacute;fica e religiosa, especialmente a crist&atilde;, da Europa. Por esta raz&atilde;o, pareceu oportuno e leg&iacute;timo abordar este conceito a partir da perspetiva da Igreja Cat&oacute;lica. A economia social de mercado incarna um justo equil&iacute;brio entre os princ&iacute;pios da liberdade e da solidariedade. Refere-se ao respeito pela dignidade de todos os seres humanos e a uma prote&ccedil;&atilde;o especial dos mais fracos. Esta reflex&atilde;o poderia, portanto, enriquecer o debate em torno da sa&iacute;da para a crise e de um novo modelo de sociedade a ser inventado na Europa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mais do nunca, neste fim de 2011, s&atilde;o atuais as conclus&otilde;es do relat&oacute;rio da COMECE, de 2007, intitulado &ldquo;Uma Europa de valores&rdquo;: &ldquo;<\/p>\n<p>A Uni&atilde;o Europeia n&atilde;o &eacute; um produto do destino; ela foi, em cada momento, uma constru&ccedil;&atilde;o voluntarista, fr&aacute;gil como toda a constru&ccedil;&atilde;o humana. Ela procura, ainda hoje, o seu caminho. Deve tomar mais consci&ecirc;ncia da sua for&ccedil;a, que reside nos valores que integra: dignidade do ser humano e direitos humanos, paz, liberdade, democracia, toler&acirc;ncia, respeito pela diversidade e pela subsidiariedade, procura do bem comum sem domina&ccedil;&atilde;o de um grupo sobre o outro. Funda-se na solidariedade entre os seus membros e na rela&ccedil;&atilde;o com os outros, em particular os deserdados. Pretende assumir a sua responsabilidade na procura de solu&ccedil;&otilde;es para os problemas mundiais. Mais do que as institui&ccedil;&otilde;es ou as pol&iacute;ticas, s&atilde;o os valores que incarna que explicam o interesse, o prest&iacute;gio e a esperan&ccedil;a que suscita no mundo a obra levada a cabo na Europa desde h&aacute; meio s&eacute;culo. Esses valores subjacentes, esta &eacute;tica impl&iacute;cita, n&atilde;o s&atilde;o dados transit&oacute;rios. Eles mergulham as suas ra&iacute;zes na tradi&ccedil;&atilde;o secular do cristianismo, bem como nas tradi&ccedil;&otilde;es de outras cren&ccedil;as e filosofias. Esses valores e essas tradi&ccedil;&otilde;es s&atilde;o t&atilde;o poderosos hoje como no passado. Podem e devem permanecer uma fonte de inspira&ccedil;&atilde;o para o futuro. S&oacute; assim a constru&ccedil;&atilde;o europeia voltar&aacute; a ser, para os cidad&atilde;os e cidad&atilde;s, aquilo que nunca deveria ter deixado de ser: uma fonte leg&iacute;tima e duradoura de seguran&ccedil;a e o fundamento de uma poderosa esperan&ccedil;a&rdquo;.<\/p>\n<p><em>Johanna Touzel, porta-voz da COMECE<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Johanna Touzel, porta-voz da COMECE<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[145,189,191,203,314],"class_list":["post-54283","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-conclave","tag-direitos-humanos","tag-economia","tag-europa","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54283","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=54283"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54283\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=54283"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=54283"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=54283"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}