{"id":5428,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/unidade-eclesial-tambem-para-o-trabalho-social\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"unidade-eclesial-tambem-para-o-trabalho-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/unidade-eclesial-tambem-para-o-trabalho-social\/","title":{"rendered":"Unidade Eclesial tamb\u00e9m para o trabalho social"},"content":{"rendered":"<p>Na Missa Crismal, D. Armindo Lopes Coelho alertou para estrat\u00e9gias da sociedade &#8220;para nos ferir, dispersar, dispensar, diminuir e at\u00e9 substituir&#8221;. Sobre a nova Concordata, rejeitou medos ou apreens\u00f5es&#8221; <!--more--> Homilia do Bispo do Porto, D. Armindo Lopes Coelho, na Missa Crismal S\u00e9 Catedral do Porto, 8 de Abril de 2004 Continuam a cumprir-se as palavras da Escritura que acabamos de ouvir. O Senhor ungiu pelo Esp\u00edrito o Filho que nos enviou. E o Ungido do Senhor, Cristo, reconheceu-se e identificou-se na sinagoga de Nazar\u00e9 como Aquele que foi ungido para ser enviado. Assim aconteceu e assim percebemos que a un\u00e7\u00e3o se destinou e destina \u00e0 miss\u00e3o, e que tamb\u00e9m a miss\u00e3o descrita no profeta Isa\u00edas e decalcada em S. Lucas sup\u00f5e ou exige un\u00e7\u00e3o pr\u00e9via. A Encarna\u00e7\u00e3o do Filho de Deus \u00e9 um modo de dizer Messias, e a messianidade destina-se \u00e0 miss\u00e3o do pr\u00f3prio Messias e de quantos participam, em diversidade de graus ou de esp\u00e9cie, nas fun\u00e7\u00f5es messi\u00e2nicas ou salv\u00edficas de Jesus Cristo, do Cristo Salvador.  O profeta Isa\u00edas antecipa express\u00f5es como \u201cSacerdotes do Senhor\u201d e \u201cministros do nosso Deus\u201d, e o Apocalipse fala de \u201cJesus Cristo, Testemunha fiel\u201d para d\u2019Ele dizer: \u201c\u00c0quele que nos ama e pelo seu sangue nos libertou do pecado e fez de n\u00f3s um reino de sacerdotes para Deus, seu Pai, a Ele a gl\u00f3ria e o poder pelos s\u00e9culos dos s\u00e9culos. Amen\u201d (Apoc. 1, 6-7).  O progresso da Teologia, testado na evolu\u00e7\u00e3o do tempo e na consci\u00eancia da Igreja, permite-nos saber e dizer que \u201co sacerd\u00f3cio comum dos fi\u00e9is e o sacerd\u00f3cio ministerial ou hier\u00e1rquico, embora se diferenciem essencialmente e n\u00e3o apenas por grau, ordenam-se mutuamente um ao outro; pois um e outro participam, a seu modo, do \u00fanico sacerd\u00f3cio de Cristo\u201d(LG, 10). E neste progresso , consci\u00eancia e pr\u00e1tica da Igreja est\u00e3o suficientemente determinadas as \u00e1reas de compet\u00eancia da hierarquia e do laicado, embora nem sempre vingue o equil\u00edbrio e a harmonia entre compet\u00eancia te\u00f3rica e pr\u00e1tica concreta. E at\u00e9 se conhecem casos de queixas m\u00fatuas e de reivindica\u00e7\u00f5es a exigir satisfa\u00e7\u00e3o.  Vale a pena lembrar quanto diz o decreto conciliar sobre o minist\u00e9rio e vida dos sacerdotes: \u201cO Senhor Jesus, \u201ca quem o Pai santificou e enviou ao mundo\u201d(Jo. 10, 36) tornou participante todo o seu Corpo M\u00edstico da un\u00e7\u00e3o do Espirito com que Ele mesmo tinha sido ungido: n\u2019Ele, com efeito, todos os fi\u00e9is se tornam sacerd\u00f3cio santo e real, oferecem v\u00edtimas a Deus por meio de Jesus Cristo, e anunciam as virtudes d\u2019Aquele que os chamou das trevas para a sua luz admir\u00e1vel. N\u00e3o h\u00e1 portanto nenhum membro que n\u00e3o tenha parte na miss\u00e3o de todo o Corpo\u201d (P.O.n\u00ba2). \u00c9 certo por\u00e9m que os sacerdotes pelo Sacramento da Ordem que lhes d\u00e1 capacidade para actuar \u201cin personna Christi\u201d, n\u00e3o podem situar-se ou ser colocados em n\u00edvel de igualdade ministerial com os leigos. O mesmo decreto conciliar diz expressamente que os sacerdotes devem estar \u00e0 frente, isto \u00e9, praeesse, presidir, ao mesmo tempo que devem trabalhar na obra comum com os leigos, reconhecer e promover sinceramente a dignidade e participa\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria dos leigos na miss\u00e3o da Igreja, dispostos a ouvir os leigos, tendo fraternalmente em conta os seus desejos, reconhecer a sua experi\u00eancia e compet\u00eancia, para que juntamente com eles saibam reconhecer os sinais dos tempos(cf. P.O. n\u00ba 9).  Esta estrutura da Igreja \u00e9 indispens\u00e1vel para a efic\u00e1cia da sua miss\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 sem raz\u00e3o que o decreto \u201cChristus Dominus\u201d (sobre o m\u00fanus pastoral dos Bispos) assim define a Diocese: \u201cA por\u00e7\u00e3o do Povo de Deus, que se confia a um Bispo, coadjuvado pelo seu presbit\u00e9rio (cum cooperatione presbyterii), de tal modo que, unida ao seu pastor e reunida por ele no Espirito Santo por meio do Evangelho e da Eucaristia, constitui uma Igreja particular, na qual est\u00e1 e opera a Igreja de Cristo, una, santa, cat\u00f3lica e apost\u00f3lica\u201d (Ch. Dom. n\u00ba 11).  Pode dizer-se que toda a doutrina p\u00f3s-conciliar (portanto a partir de 1965) n\u00e3o fala da miss\u00e3o e actividade da Igreja sem um apelo \u00e0 converg\u00eancia, unidade e harmonia de Bispo, sacerdotes, di\u00e1conos, religiosos e religiosas, consagrados, e leigos, cada um ou cada grupo segundo a sua capacidade sacramental, intelectual, social e de harmonia com os carismas reconhecidos e aprovados pela autoridade eclesi\u00e1stica. A Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica p\u00f3s-sinodal \u201cPastores gregis\u201d adverte: \u201c O Bispo deve ter em considera\u00e7\u00e3o a import\u00e2ncia do apostolado laical associado, seja o de mais antiga tradi\u00e7\u00e3o, seja o de novos movimentos eclesiais. Todas estas realidades agregativas enriquecem a Igreja, mas t\u00eam cont\u00ednua necessidade do servi\u00e7o de discernimento que \u00e9 pr\u00f3prio do Bispo, cuja miss\u00e3o pastoral comporta favorecer a complementaridade entre movimentos de inspira\u00e7\u00e3o diversificada, vigiando sobre o seu desenvolvimento, sobre a forma\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica e espiritual dos seus animadores, sobre o inserimento das novas realidades na comunidade diocesana e nas par\u00f3quias, das quais n\u00e3o se deve separar\u201d(n\u00ba 51).  Certamente que todos entendemos o sentido, a raz\u00e3o e necessidade desta doutrina sobre a Igreja, a sua miss\u00e3o e os seus agentes pastorais. E tamb\u00e9m percebeis por que estou a recordar estes princ\u00edpios doutrinais que j\u00e1 conheceis. Nota-se que h\u00e1 na nossa sociedade uma tend\u00eancia ou estrat\u00e9gia para nos ferir, dispersar, dispensar, diminuir e at\u00e9 substituir. Aparentemente s\u00e3o contradit\u00f3rias ou irrelevantes estas tend\u00eancias e atitudes. Mas o que parece mais contradit\u00f3rio ou paradoxal , e \u00e9 mais perigoso, \u00e9 uma crescente ignor\u00e2ncia e um desinteresse pela Igreja, e simultaneamente a vontade manifesta de ocupar o lugar da Igreja, n\u00e3o propriamente para evangelizar ou santificar mas para orientar, comandar e presidir \u00e0quilo que \u00e9 a actividade social e at\u00e9 administra\u00e7\u00e3o das iniciativas patrimoniais da Igreja.   Sabemos que a revis\u00e3o da Concordata est\u00e1 a chegar \u00e0 aprova\u00e7\u00e3o e assinatura, mas n\u00e3o faltam os que tratam dos assuntos da Igreja e das suas rela\u00e7\u00f5es com a sociedade civil \u00e0 base de princ\u00edpios e resolu\u00e7\u00f5es que advogam por conta pr\u00f3pria e v\u00e3o j\u00e1 antecipadamente pondo em pr\u00e1tica. A revis\u00e3o da Concordata de 1940 \u00e9 um acontecimento normal de Direito Internacional. Por ele nos temos regulado, e assim continuaremos de harmonia com o que for estabelecido e que a seu tempo estudaremos para serena aplica\u00e7\u00e3o . Para longe de n\u00f3s qualquer esp\u00e9cie de medo ou de  apreens\u00e3o.  Estamos convencidos e esperan\u00e7ados que teremos condi\u00e7\u00f5es novas para continuarmos fi\u00e9is \u00e0 Igreja e servidores mais eficientes do povo que nos est\u00e1 confiado.  Entretanto, temos diante de n\u00f3s, vindo de dentro de n\u00f3s, um programa pastoral com prioridades t\u00e3o conhecidas que n\u00e3o precisam de ser repetidas.  Desejava neste momento informar que estamos envolvidos com obras em Ermesinde, porque ali centramos simbolicamente a causa da Juventude e da pastoral vocacional. Sentimos urg\u00eancia de acudir ao Semin\u00e1rio Maior para que os nossos Seminaristas te\u00f3logos tenham condi\u00e7\u00f5es decentes de habitabilidade.  Continua em bom ritmo a constru\u00e7\u00e3o da Casa Sacerdotal, que esperamos inaugurar no in\u00edcio de 2005. Para que se cumpra mais uma aspira\u00e7\u00e3o justa do Clero e da Diocese.  Mas nesta Missa Crismal desejaria principalmente dizer uma palavra de alerta urgente sobre as prioridades pastorais subordinadas ao t\u00edtulo e tem\u00e1tica da Evangeliza\u00e7\u00e3o . N\u00e3o temos dia marcado para iniciar nem uma dura\u00e7\u00e3o prevista para executar. H\u00e1 prioridades j\u00e1 em ac\u00e7\u00e3o. H\u00e1 generosidades que pedem ou esperam colabora\u00e7\u00e3o. N\u00e3o pensamos criar novas estruturas ou comiss\u00f5es ou secretariados. Contamos com as estruturas pertinentes que j\u00e1 existem. E confiamos nos seus dirigentes, respons\u00e1veis e colaboradores.  N\u00e3o estamos em tempo de campanha ou de prepara\u00e7\u00e3o. Estamos no tempo de realizar as ac\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias nas prioridades que foram aprovadas e anunciadas.  Na carta que dirigiu aos Sacerdotes para este dia, o Santo Padre diz: \u201cImagino-vos reunidos nas catedrais das vossas dioceses, em volta dos respectivos Ordin\u00e1rios, para renovar as promessas sacerdotais.\u201d E falando da \u201cconsagra\u00e7\u00e3o dos Santos \u00d3leos, nomeadamente o do Crisma, o Papa diz que esta celebra\u00e7\u00e3o \u201cevidencia a imagem da Igreja, povo sacerdotal santificado pelos sacramentos e enviado a difundir no mundo o suave aroma de Cristo Salvador\u201d(n\u00ba 1).  Tenhamos consci\u00eancia de que somos este povo sacerdotal santificado e enviado&#8230; para anunciar a boa nova&#8230; proclamar a reden\u00e7\u00e3o&#8230; restituir a liberdade &#8230; proclamar o ano da gra\u00e7a&#8230; e o tempo da salva\u00e7\u00e3o, como Igreja de Cristo na for\u00e7a e unidade do Espirito.  S\u00e9 Catedral do Porto, Missa Crismal, 8 de Abril de 2004 D. Armindo Lopes Coelho, Bispo do Porto <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na Missa Crismal, D. Armindo Lopes Coelho alertou para estrat\u00e9gias da sociedade &#8220;para nos ferir, dispersar, dispensar, diminuir e at\u00e9 substituir&#8221;. 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