{"id":5426,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/patriarca-de-lisboa-destaca-a-importancia-de-uma-nova-catedral\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"patriarca-de-lisboa-destaca-a-importancia-de-uma-nova-catedral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/patriarca-de-lisboa-destaca-a-importancia-de-uma-nova-catedral\/","title":{"rendered":"Patriarca de Lisboa destaca a import\u00e2ncia de uma nova Catedral"},"content":{"rendered":"<p>D. Jos\u00e9 Policarpo, Cardeal-Patriarca de Liboa, voltou hoje a sublinhar a import\u00e2ncia de uma nova catedral para a capital portuguesa. Na homilia da Missa Crismal, D. Jos\u00e9 Policarpo lembrou que um Bispo n\u00e3o \u00e9 apenas um pregador, porque os seus ensinamentos s\u00e3o insepar\u00e1veis da sua catedral. &#8220;Perdeu-se a pouco e pouco ao longo dos tempos esta rela\u00e7\u00e3o do magist\u00e9rio do Bispo com a sua C\u00e1tedra, o que acabar\u00e1 por fazer dele apenas mais um pregador, em que a import\u00e2ncia do que diz depende mais do cunho pessoal que lhe imprime do que a dimens\u00e3o sacramental e institucional do seu magist\u00e9rio de pastor. H\u00e1 aqui sugest\u00f5es para um longo caminho a percorrermos em conjunto&#8221;, apontou.  * * *  Homilia na \u00edntegra \u201cA Catedral, s\u00edmbolo da unidade e da fecundidade da Igreja Diocesana\u201d  \t1. V\u00e1rias circunst\u00e2ncias me sugerem que neste dia, em que o presbit\u00e9rio diocesano se re\u00fane \u00e0 volta do seu Bispo, na Igreja Catedral, para realizarem aquela celebra\u00e7\u00e3o que significa a fecundidade sacramental da Igreja, para santifica\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is e edifica\u00e7\u00e3o da Igreja particular, vos fale da import\u00e2ncia da Igreja Catedral na edifica\u00e7\u00e3o da Igreja Diocesana, enquanto fonte da sua riqueza sacramental e s\u00edmbolo da sua unidade. Os elementos circunstanciais, neste ano, a que me refiro, s\u00e3o: os 1600 anos do Mart\u00edrio de S\u00e3o Vicente, e ano jubilar que nos foi concedido, fazendo da Catedral foco de gra\u00e7a e lugar de peregrina\u00e7\u00e3o; a Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica de Jo\u00e3o Paulo II \u201cPastores Gregis\u201d sobre o minist\u00e9rio do Bispo, que dedica um n\u00famero \u00e0 import\u00e2ncia da Igreja Catedral. \tO Santo Padre apresenta-a, antes de mais, como o lugar donde irradia o minist\u00e9rio do Bispo, em toda a sua riqueza sacramental. Diz o Papa: \u201cApesar de exercer o seu minist\u00e9rio de santifica\u00e7\u00e3o em toda a Diocese, o Bispo tem como ponto focal do mesmo a Igreja Catedral, que constitui, de certo modo, a Igreja M\u00e3e e o centro de converg\u00eancia da Igreja Particular\u201d . Por sua vez o Cerimonial dos Bispos define-a assim: \u201cA Igreja Catedral, pela majestade da sua constru\u00e7\u00e3o, \u00e9 a express\u00e3o daquele templo espiritual que \u00e9 edificado no interior das almas e brilha pela magnific\u00eancia da gra\u00e7a divina, segundo aquela senten\u00e7a do Ap\u00f3stolo S\u00e3o Paulo: \u00abv\u00f3s sois o templo do Deus vivo\u00bb (2Cor. 6,16). Depois deve considerar-se como imagem figurativa da Igreja vis\u00edvel de Cristo, que em toda a terra reza, canta e adora; deve ser tida como a imagem do Seu Corpo M\u00edstico, cujos membros est\u00e3o conglutinados pela uni\u00e3o na caridade, alimentada pelo orvalho dos dons celestes\u201d . \tFoco vis\u00edvel do minist\u00e9rio do Bispo na Igreja particular, o sentido da Catedral encontra-se na fun\u00e7\u00e3o do Bispo na Igreja Diocesana, como a define o Conc\u00edlio Vaticano II: \u201cUma Diocese \u00e9 uma por\u00e7\u00e3o do Povo de Deus confiada a um Bispo para que, com a ajuda do seu presbit\u00e9rio, seja o seu pastor. Assim, a Diocese, ligada ao seu pastor e por ele reunida no Esp\u00edrito Santo, gra\u00e7as ao Evangelho e \u00e0 Eucaristia, constitui uma Igreja particular, na qual est\u00e1 verdadeiramente presente e actuante a Igreja de Cristo, una, santa, cat\u00f3lica e apost\u00f3lica\u201d .  \t2. Assim, na Catedral, deve tornar-se vis\u00edvel a uni\u00e3o do Bispo e do presbit\u00e9rio, como verdadeiro sujeito colegial do m\u00fanus pastoral e do sacerd\u00f3cio apost\u00f3lico. Esta celebra\u00e7\u00e3o \u00e9 a express\u00e3o vis\u00edvel da nossa unidade, na corresponsabilidade pastoral. O Santo Padre, ao falar da Liturgia da Catedral, refere-se a esta celebra\u00e7\u00e3o do seguinte modo: \u201cEsta manifesta\u00e7\u00e3o do mist\u00e9rio da Igreja encontra circunst\u00e2ncias privilegiadas em determinadas celebra\u00e7\u00f5es. Entre essas, lembro a Liturgia anual da Missa Crismal, que deve ser considerada uma das principais manifesta\u00e7\u00f5es da plenitude do sacerd\u00f3cio do Bispo e um sinal da \u00edntima uni\u00e3o dos presb\u00edteros com ele\u201d . \tNa Catedral deveriam acontecer as principais express\u00f5es da uni\u00e3o do Bispo com o presbit\u00e9rio. Continua o Papa: \u201cEntre as liturgias mais solenes, h\u00e1 que incluir, sem d\u00favida, as celebra\u00e7\u00f5es em que s\u00e3o conferidas as ordens sacras, ritos estes que t\u00eam na Igreja Catedral o seu lugar pr\u00f3prio e normal\u201d . Entre n\u00f3s, por motivos pr\u00e1ticos, n\u00e3o temos feito aqui essas celebra\u00e7\u00f5es de ordena\u00e7\u00f5es, o que sublinha a necessidade e a urg\u00eancia de termos uma Igreja com o t\u00edtulo e as caracter\u00edsticas de \u201cCo-Catedral\u201d. \u00c9 que se as condi\u00e7\u00f5es f\u00edsicas o permitissem, as pr\u00f3prias reuni\u00f5es do presbit\u00e9rio e do conselho presbiteral ganhariam um sentido novo se fossem realizadas na Catedral. Que, pelo menos, todos os sacerdotes diocesanos cultivem o amor e interesse pastoral pela Catedral e o comuniquem aos seus fi\u00e9is, quer valorizando a festa da sua dedica\u00e7\u00e3o, quer elegendo-a como lugar de peregrina\u00e7\u00e3o, sobretudo durante este Ano Santo Vicentino. A esse prop\u00f3sito diz o Cerimonial dos Bispos: \u201cInculque-se no esp\u00edrito dos fi\u00e9is, da maneira mais oportuna, o amor e venera\u00e7\u00e3o para com a Igreja Catedral. Para isso muito contribui a celebra\u00e7\u00e3o do anivers\u00e1rio da sua dedica\u00e7\u00e3o, bem como peregrina\u00e7\u00f5es dos fi\u00e9is em piedosa visita, sobretudo em grupos organizados por par\u00f3quias ou regi\u00f5es da Diocese\u201d .  \t3. Foco de irradia\u00e7\u00e3o do minist\u00e9rio do Bispo, segundo o texto do Conc\u00edlio, que j\u00e1 referimos, avulta, antes de mais, o seu minist\u00e9rio de evangelizador. A Catedral \u00e9 a Igreja onde est\u00e1 a c\u00e1tedra do Bispo, \u00e9 o lugar do seu magist\u00e9rio de Pastor. Ou\u00e7amos o Santo Padre na Pastores Gregis: \u201cCom efeito, a Catedral \u00e9 o lugar onde o Bispo tem a sua c\u00e1tedra, a partir da qual educa e faz crescer o seu povo atrav\u00e9s da prega\u00e7\u00e3o\u2026 Precisamente quando est\u00e1 sentado na sua c\u00e1tedra, o Bispo apresenta-se \u00e0 frente da assembleia dos fi\u00e9is, como aquele que preside \u00abin loco Dei Patris\u00bb. Por isso mesmo, como j\u00e1 recordei, segundo uma tradi\u00e7\u00e3o muito antiga, no Oriente e no Ocidente, s\u00f3 o Bispo pode sentar-se na c\u00e1tedra episcopal. \u00c9 a presen\u00e7a desta c\u00e1tedra que constitui a Igreja Catedral como o centro espiritual concreto de unidade e comunh\u00e3o para o presbit\u00e9rio diocesano e para todo o Povo santo de Deus\u201d . \tEsta doutrina \u00e9 rica em sugest\u00f5es pastorais. Real\u00e7a, em primeiro lugar, a unidade de Magist\u00e9rio de todos os pastores do Povo de Deus. \u00c9 miss\u00e3o do Bispo sugerir e garantir, com o seu Magist\u00e9rio, esta unidade de ensinamento, base da unidade da f\u00e9 e, por conseguinte, da pr\u00f3pria Igreja. A isso muito ajuda a autoridade solene da c\u00e1tedra, que sublinha a dimens\u00e3o diocesana do Magist\u00e9rio do Bispo. \tPerdeu-se a pouco e pouco, ao longo dos tempos, esta rela\u00e7\u00e3o do Magist\u00e9rio do Bispo com a sua c\u00e1tedra, o que acabar\u00e1 por fazer dele apenas mais um pregador, em que a import\u00e2ncia do que diz depende mais do cunho pessoal que lhe imprime, do que da dimens\u00e3o sacramental e institucional do seu Magist\u00e9rio de Pastor. \tH\u00e1 aqui sugest\u00f5es para um longo caminho a percorrermos em conjunto. Desde o in\u00edcio do meu minist\u00e9rio como Patriarca de Lisboa, tenho tido isso em conta: a institucionaliza\u00e7\u00e3o das catequeses quaresmais, a divulga\u00e7\u00e3o das homilias que pronuncio na Catedral, a valoriza\u00e7\u00e3o da festa da dedica\u00e7\u00e3o, a 25 de Outubro. Mas encontro dificuldade em conciliar este Magist\u00e9rio, a partir da Catedral, com o h\u00e1bito e, porventura, a necessidade, das visitas \u00e0s Par\u00f3quias e das m\u00faltiplas solicita\u00e7\u00f5es de Magist\u00e9rio que me s\u00e3o feitas. H\u00e1, certamente, op\u00e7\u00f5es a fazer, que ser\u00e3o mais prudentes e fecundas se surgirem de uma consci\u00eancia comunional do presbit\u00e9rio que somos e da Igreja que queremos ser.  \t4. O Santo Padre sublinha, depois, a centralidade da Catedral como lugar da celebra\u00e7\u00e3o da Liturgia, a que preside o Bispo: \u201cA este respeito, n\u00e3o se pode esquecer a recomenda\u00e7\u00e3o do Conc\u00edlio Vaticano II de que \u00abtodos devem dar a maior import\u00e2ncia \u00e0 vida lit\u00fargica da Diocese que gravita em redor do Bispo, sobretudo na Igreja Catedral, convencidos de que a principal manifesta\u00e7\u00e3o das Igreja se faz numa participa\u00e7\u00e3o perfeita e activa de todo o Povo santo de Deus na mesma celebra\u00e7\u00e3o lit\u00fargica, especialmente na mesma Eucaristia, numa \u00fanica ora\u00e7\u00e3o, ao redor do \u00fanico altar a que preside o Bispo rodeado pelo presbit\u00e9rio e pelos ministros\u00bb. Por isso, \u00e9 na Catedral, onde se realiza o momento mais alto da vida da Igreja, que tem lugar tamb\u00e9m a ac\u00e7\u00e3o mais excelsa e sagrada do munus sanctificandi do Bispo; tal m\u00fanus, bem como a pr\u00f3pria liturgia a que ele preside, inclui simultaneamente a santifica\u00e7\u00e3o das pessoas, o culto e a gl\u00f3ria de Deus\u201d . \tGra\u00e7as a Deus a Liturgia a que preside o Bispo, nesta Catedral, \u00e9 de grande qualidade e tem crescido em beleza nos \u00faltimos tempos, para o que muito contribui o canto e a harmonia da ornamenta\u00e7\u00e3o do templo. Mas uma exig\u00eancia pastoral se nos apresenta: como conseguir que a Liturgia da Catedral seja inspiradora de qualidade para todas as celebra\u00e7\u00f5es da Diocese.  \t4. Queridos sacerdotes, meus irm\u00e3os e irm\u00e3s. Espero ter-vos transmitido, n\u00e3o apenas a consci\u00eancia doutrinal do que significa a Catedral na dimens\u00e3o da Igreja diocesana, mas tamb\u00e9m o meu amor crescente a esta Catedral, testemunha secular da longa peregrina\u00e7\u00e3o da nossa Igreja de Lisboa, e que nem a necessidade de construir uma nova \u201cCo-Catedral\u201d por\u00e1 em quest\u00e3o. Aprendamos a contemplar, na beleza deste templo, nossa Igreja-M\u00e3e, a beleza espiritual da Igreja nossa M\u00e3e.  \u2020 JOS\u00c9, Cardeal-Patriarca  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. Jos\u00e9 Policarpo, Cardeal-Patriarca de Liboa, voltou hoje a sublinhar a import\u00e2ncia de uma nova catedral para a capital portuguesa. Na homilia da Missa Crismal, D. 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