{"id":54224,"date":"2011-12-09T12:16:02","date_gmt":"2011-12-09T12:16:02","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/12\/09\/homilia-do-bispo-de-santarem-na-solenidade-da-imaculada-conceicao\/"},"modified":"2011-12-09T12:16:02","modified_gmt":"2011-12-09T12:16:02","slug":"homilia-do-bispo-de-santarem-na-solenidade-da-imaculada-conceicao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-de-santarem-na-solenidade-da-imaculada-conceicao\/","title":{"rendered":"Homilia do bispo de Santar\u00e9m na solenidade da  Imaculada Concei\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Maria Imaculada, aurora da Reden&ccedil;&atilde;o<br \/>&nbsp;<br \/>&laquo;Salv&eacute;, cheia de gra&ccedil;a, o Senhor est&aacute; contigo!&raquo; (Lc 1, 28). Em uni&atilde;o com toda a Igreja, celebramos hoje a Solenidade da Imaculada Concei&ccedil;&atilde;o, a singular gra&ccedil;a e privil&eacute;gio da Virgem Maria: desde a sua conce&ccedil;&atilde;o, em ordem &agrave; sua maternidade divina, ela foi preservada de toda a mancha de pecado e enriquecida com uma plenitude de gra&ccedil;a incompar&aacute;vel. Ela &eacute;, por isso, a mais santa de todas as criaturas!<br \/>&nbsp;<br \/>Celebramos a Imaculada Concei&ccedil;&atilde;o. Na verdade, foi no dia 8 de dezembro de 1854 que o Papa Pio IX proclamou este Dogma, dizendo: &ldquo;Declaramos, pronunciamos e definimos que a doutrina que afirma que a bem-aventurada Virgem Maria, no primeiro momento da sua conce&ccedil;&atilde;o, por gra&ccedil;a de Deus, foi preservada imune de toda a m&aacute;cula do pecado original, &eacute; uma doutrina revelada por Deus e que assim deve ser acreditada firmemente&rdquo;.<br \/>&nbsp;<br \/>Celebrar esta solenidade &eacute; sentir o Cora&ccedil;&atilde;o de Maria palpitar de amor por Deus e por n&oacute;s, na imensid&atilde;o do mist&eacute;rio de Gra&ccedil;a e de Amor do Pai pela Humanidade. Qual nova Eva, &ldquo;cheia de gra&ccedil;a&rdquo;, Maria refulge na Igreja com as suas excelsas virtudes: ela &eacute; verdadeiramente M&atilde;e, educadora e modelo da Igreja. &ldquo;A Igreja, ensinada pelo Esp&iacute;rito Santo, consagra-lhe, como m&atilde;e amant&iacute;ssima, filial afeto de piedade&rdquo; (LG 53).<br \/>&nbsp;<br \/>O &ldquo;Sim&rdquo; que iluminou a hist&oacute;ria<br \/>&nbsp;<br \/>Os textos b&iacute;blicos, que escut&aacute;mos, apontam para o cumprimento das promessas da alegria e esperan&ccedil;a messi&acirc;nicas, revelam-nos a for&ccedil;a criadora e santificadora do Esp&iacute;rito Santo, que enche de beleza o universo e d&aacute; sentido pleno &agrave; vida humana.<br \/>&nbsp;<br \/>A primeira leitura, um excerto do livro do G&eacute;nesis (cf. 3, 9-15.20), &eacute; a narra&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica da desordem que o pecado provocou no homem e na mulher, a sua rutura com Deus, com os outros e com a cria&ccedil;&atilde;o. Mas Deus, na Sua infinita bondade, n&atilde;o abandonou o homem no seu pecado. Vai ao encontro dele com profunda e amorosa preocupa&ccedil;&atilde;o:&ldquo;Onde est&aacute;s?&rdquo; (Gen 3,15). A desobedi&ecirc;ncia havia gerado medo, desconfian&ccedil;a, tristeza e morte. Foi a obedi&ecirc;ncia de Maria que reatou a amizade e a harmonia perdidas.<br \/>&nbsp;<br \/>Em Maria, Deus torna-se proximidade: a dist&acirc;ncia entre o c&eacute;u e a terra foi vencida pela obedi&ecirc;ncia da f&eacute; &agrave; palavra do Anjo Gabriel. Toda a hist&oacute;ria da Salva&ccedil;&atilde;o se recolhe no cora&ccedil;&atilde;o da jovem de Nazar&eacute;, transformado em templo da Nova Alian&ccedil;a. Pela Encarna&ccedil;&atilde;o do Verbo, o Pai manifesta o Seu Amor eterno pela Humanidade. &ldquo;Ele nos predestinou, conforme a benevol&ecirc;ncia da sua vontade, a fim de sermos seus filhos adotivos, por Jesus Cristo&rdquo; (Ef 1,5).<br \/>&nbsp;<br \/>O &ldquo;Sim&rdquo; da Anuncia&ccedil;&atilde;o, recordado no texto do Evangelho (cf. Lc 1, 26-38), iluminou a hist&oacute;ria do mundo. A partir desse momento, Maria consagrou-se, inteiramente, ao servi&ccedil;o de Deus e de toda a fam&iacute;lia humana: &ldquo;Eis a Serva do Senhor, fa&ccedil;a-se em mim segundo a tua palavra&rdquo; (1,38). Tal como no in&iacute;cio da cria&ccedil;&atilde;o o Esp&iacute;rito Santo estava presente com a sua for&ccedil;a criadora, tamb&eacute;m na Anuncia&ccedil;&atilde;o do Anjo, &eacute; o mesmo Esp&iacute;rito o autor da nova Cria&ccedil;&atilde;o, atrav&eacute;s do &ldquo;Sim&rdquo; incondicional de Maria &agrave; Palavra de Deus.<br \/>&nbsp;<br \/>Na humilde casa de Maria, em Nazar&eacute;, perante a perplexidade da jovem, o Anjo Gabriel comunica-lhe a mensagem divina: &ldquo;O Esp&iacute;rito Santo descer&aacute; sobre ti, e a for&ccedil;a do Alt&iacute;ssimo te envolver&aacute; com a sua sombra&rdquo; (v35). Revela-se, deste modo, a rela&ccedil;&atilde;o misteriosa daquele Menino que est&aacute; para nascer com Deus, Seu Pai. Assim escreveu S&atilde;o Le&atilde;o Magno: &ldquo;A humildade foi assumida pela majestade; a fraqueza, pela for&ccedil;a; a mortalidade, pela eternidade&rdquo;.<br \/>&nbsp;<br \/>Tradi&ccedil;&atilde;o religiosa e cultural mariana<br \/>&nbsp;<br \/>O povo portugu&ecirc;s sempre dedicou &agrave; Imaculada Concei&ccedil;&atilde;o um singular carinho e grande amor filial, que bem podemos comprovar ao longo da sua hist&oacute;ria. Assim, al&eacute;m da reflex&atilde;o sobre o sentido do dogma e do apoio de algumas institui&ccedil;&otilde;es culturais e dos pr&oacute;prios poderes p&uacute;blicos &agrave; sua promulga&ccedil;&atilde;o, foi particularmente significativo o gesto de D. Jo&atilde;o IV, que proclamou Nossa Senhora da Concei&ccedil;&atilde;o Rainha e Padroeira de Portugal e dep&ocirc;s a coroa real a seus p&eacute;s, em Vila Vi&ccedil;osa, no dia 25 de mar&ccedil;o de 1646.<br \/>&nbsp;<br \/>&Eacute; grande a devo&ccedil;&atilde;o &agrave; Imaculada Concei&ccedil;&atilde;o e s&atilde;o muitas as tradi&ccedil;&otilde;es que lhe est&atilde;o ligadas, de norte a sul do nosso pa&iacute;s, como parte da vida crist&atilde; dos cat&oacute;licos e da vida cultural portuguesa. Na Madeira, concretamente, a Senhora da Concei&ccedil;&atilde;o &eacute; Padroeira de tr&ecirc;s par&oacute;quias (Porto Moniz, Machico e Concei&ccedil;&atilde;o &ndash; Ponta do Sol) e titular de cerca de vinte capelas, constru&iacute;das desde os prim&oacute;rdios do povoamento, at&eacute; aos nossos dias.<br \/>&nbsp;<br \/>Ao ser, agora, colocada pelo Governo &agrave; Confer&ecirc;ncia Episcopal, a necessidade e a proposta de se prescindir de dois feriados religiosos, n&atilde;o &eacute; f&aacute;cil indic&aacute;-los nem decidir, tendo em conta o que todos eles significam como &ldquo;dias santos&rdquo; para a maioria do povo portugu&ecirc;s. De acordo com a Concordata, a decis&atilde;o dever&aacute; ser tomada em negocia&ccedil;&otilde;es do Governo Central com a Santa S&eacute; (Vaticano), que, para esse efeito, ter&aacute; presente o parecer da Confer&ecirc;ncia Episcopal.<br \/>&nbsp;<br \/>Ser&aacute; dif&iacute;cil, sem d&uacute;vida, optar entre o dia 8 de dezembro (Imaculada Concei&ccedil;&atilde;o) e o dia 15 de agosto (Assun&ccedil;&atilde;o de Nossa Senhora). Entre n&oacute;s, concretamente, ainda que as opini&otilde;es possam divergir e apesar do reconhecido significado da Festa da Imaculada Concei&ccedil;&atilde;o e das muitas tradi&ccedil;&otilde;es, que lhe est&atilde;o associadas, o dia 15 de agosto afigura-se igualmente ou at&eacute; mais importante, com profundas marcas e express&otilde;es em toda a Diocese, tanto para os residentes, como para os milhares de emigrantes, que ent&atilde;o nos visitam.<br \/>&nbsp;<br \/>&Eacute; nesse dia, como sabemos, que s&atilde;o celebradas, em grande n&uacute;mero de par&oacute;quias e com a participa&ccedil;&atilde;o de fi&eacute;is de toda a Ilha, muitas festas e arraiais em honra de Nossa Senhora, nas suas diversas invoca&ccedil;&otilde;es, nomeadamente a festa da Senhora do Monte, Padroeira da cidade e da Diocese do Funchal.<br \/>&nbsp;<br \/>Perante a quest&atilde;o, que agora se coloca, a minha esperan&ccedil;a est&aacute; em que, dado o estatuto de autonomia da Regi&atilde;o, se possa salvaguardar a proposta da Confer&ecirc;ncia Episcopal, quanto ao dia 8 de dezembro, como grande Festa da Padroeira e Rainha de Portugal, admitindo, no entanto, que se conserve o 15 de agosto, como dia santo e feriado, na Madeira e Porto Santo. &Eacute; este, ali&aacute;s, o desejo de muitos cat&oacute;licos e das autoridades regionais e locais que, de algum modo, se t&ecirc;m manifestado.<br \/>&nbsp;<br \/>50 anos do Conc&iacute;lio Vaticano II<br \/>&nbsp;<br \/>A Liturgia de hoje convida-nos a contemplar o admir&aacute;vel mist&eacute;rio de amor que celebramos e a seguir o exemplo de Maria que, pela f&eacute;, acreditou na Palavra de Deus. Diz-nos S. Cirilo de Alexandria, nas suas catequeses: &ldquo;Aconselho-te a levar esta f&eacute; como vi&aacute;tico, ao longo de toda a vida&rdquo;.<br \/>&nbsp;<br \/>Face &agrave; crise profunda de f&eacute; no tecido cultural da nossa sociedade e para fazer mem&oacute;ria dos 50 anos do Conc&iacute;lio Vaticano II, Bento XVI convocou a Igreja cat&oacute;lica, com a Carta Apost&oacute;lica Porta Fidei, para celebrar um Ano da F&eacute;. &ldquo;Este ter&aacute; in&iacute;cio a 11 de outubro de 2012, no cinquenten&aacute;rio da abertura do Conc&iacute;lio Vaticano II, e terminar&aacute; na Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo, a 24 de novembro de 2013. Nesta perspetiva, o Ano da F&eacute; &eacute; convite para uma aut&ecirc;ntica e renovada convers&atilde;o ao Senhor, &uacute;nico Salvador do mundo&rdquo;, diz-nos o Santo Padre.<br \/>&nbsp;<br \/>E partindo do pressuposto de uma f&eacute; comprometida com a vida, o Papa sublinha que, &ldquo;oAno da F&eacute; ser&aacute; uma ocasi&atilde;o prop&iacute;cia tamb&eacute;m para intensificar o testemunho da caridade&rdquo; (PF, 14).<br \/>&nbsp;<br \/>Entre n&oacute;s, esta celebra&ccedil;&atilde;o do Ano da F&eacute; e todo o esp&iacute;rito de renova&ccedil;&atilde;o da Igreja, suscitado pelo Conc&iacute;lio Vaticano II, n&atilde;o podem deixar de estar subjacentes e ser aprofundados no &ldquo;percurso conjunto de renova&ccedil;&atilde;o pastoral e comunh&atilde;o eclesial&rdquo; j&aacute; iniciado e que nos conduzir&aacute;, de acordo com o plano trienal estabelecido, rumo &agrave;s comemora&ccedil;&otilde;es jubilares dos 500 anos da cria&ccedil;&atilde;o da Diocese do Funchal (1514-2014). Com efeito, as marcas conciliares da necessidade do aprofundamento e esclarecimento da f&eacute;, do testemunho da caridade e do compromisso social, s&atilde;o marcas insepar&aacute;veis do nosso objetivo global de edificar &ldquo;comunidades crist&atilde;s vivas e apost&oacute;licas&rdquo;.<br \/>&nbsp;<br \/>Senhora do Advento<br \/>&nbsp;<br \/>A Virgem Maria, Imaculada Concei&ccedil;&atilde;o, celebrada no in&iacute;cio do Advento, &eacute; verdadeiramente a Estrela da manh&atilde;, que nos guia at&eacute; ao Natal de Jesus. O Advento &eacute; o tempo de Maria. &Eacute; ela, a aurora da Reden&ccedil;&atilde;o, que introduz a Igreja numa aut&ecirc;ntica caminhada de Advento. As tradicionais &ldquo;Missas do Parto&rdquo;, j&aacute; t&atilde;o pr&oacute;ximas, celebradas na nossa terra, apontam-nos caminhos novos de convers&atilde;o e vigil&acirc;ncia, de intimidade com Deus e de amor solid&aacute;rio para com os irm&atilde;os mais carenciados.<br \/>&nbsp;<br \/>&Eacute; neste sentido que Advento e Natal nos aparecem como tempos especiais de aten&ccedil;&atilde;o m&uacute;tua, de interesse pela vida e problemas uns dos outros, de maior preocupa&ccedil;&atilde;o na entreajuda e partilha fraterna de bens. A quadra do Natal tem sempre a marca da solidariedade e da fraternidade crist&atilde;, que se traduz em gestos concretos de presen&ccedil;a e ajuda a quem mais precisa.<br \/>&nbsp;<br \/>Tal como foi anunciado na minha recente Mensagem sobre a Ren&uacute;ncia do Advento, esta destinar-se-&aacute;, como no ano passado, ao Fundo Social Diocesano, fazendo-se a recolha das ofertas, nas missas dos pr&oacute;ximos dias 7 e 8 de janeiro, com o objetivo de ajudar fam&iacute;lias em situa&ccedil;&otilde;es especiais de pobreza, nomeadamente por raz&otilde;es de desemprego e maiores necessidades no apoio &agrave;s crian&ccedil;as, doentes e idosos.<br \/>&nbsp;<br \/>Modelo de f&eacute; e de santidade, de amor e fidelidade a Deus, Maria toma-nos pela m&atilde;o e convida-nos a estarmos atentos &agrave; escuta do Esp&iacute;rito Santo, para um verdadeiro seguimento de Cristo. &Eacute; o Esp&iacute;rito que mant&eacute;m acesa a chama, que revigora a nossa caminhada de f&eacute; e d&aacute; sentido &agrave; nossa vida, tamb&eacute;m nestes tempos de crise e dificuldades do mundo atual<br \/>&nbsp;<br \/>Prece final<br \/>&nbsp;<br \/>A Maria &ndash; M&atilde;e, Senhora da Concei&ccedil;&atilde;o, Senhora do Advento, Senhora do Monte, nos dirigimos, nesta hora, rogando-lhe que seja sempre a luz dos nossos caminhos e a ningu&eacute;m falte a sua prote&ccedil;&atilde;o maternal, que nos ajude a superar e a vencer as dificuldades da vida, conduzidos pela Palavra de seu filho Jesus!<br \/>&nbsp;<br \/>&Oacute; Maria concebida sem pecado, rogai por n&oacute;s que recorremos a v&oacute;s!<br \/>&nbsp;<br \/>&nbsp;<br \/>&nbsp;<br \/>Funchal, 8 de dezembro de 2011<br \/>&nbsp;<br \/>&dagger; Ant&oacute;nio Carrilho, Bispo do Funchal<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maria Imaculada, aurora da Reden&ccedil;&atilde;o&nbsp;&laquo;Salv&eacute;, cheia de gra&ccedil;a, o Senhor est&aacute; contigo!&raquo; (Lc 1, 28). 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