{"id":54211,"date":"2011-12-08T12:01:00","date_gmt":"2011-12-08T12:01:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/12\/08\/homilia-do-cardeal-patriarca-na-solenidade-da-imaculada-conceicao\/"},"modified":"2011-12-08T12:01:00","modified_gmt":"2011-12-08T12:01:00","slug":"homilia-do-cardeal-patriarca-na-solenidade-da-imaculada-conceicao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-cardeal-patriarca-na-solenidade-da-imaculada-conceicao\/","title":{"rendered":"Homilia do cardeal-patriarca na solenidade da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><strong>&ldquo;A Mulher Imaculada&rdquo;<\/strong><em>&nbsp;<\/em><\/p>\n<p>1. Maria &eacute; a Mulher Imaculada. Por isso todas as gera&ccedil;&otilde;es a proclamam &ldquo;bendita entre todas as mulheres&rdquo;. O facto de ser a Mulher Imaculada desde o primeiro momento da sua exist&ecirc;ncia &eacute;, sem d&uacute;vida, um privil&eacute;gio pessoal que lhe foi concedido por Deus atrav&eacute;s daquele Filho de quem seria a M&atilde;e. &Eacute; um dom ligado &agrave; sua maternidade. Ao receber no seu seio maternal o pr&oacute;prio Filho de Deus, ia estabelecer com Ele e por Ele com a Sant&iacute;ssima Trindade, uma intimidade amorosa que exigia que o seu cora&ccedil;&atilde;o fosse t&atilde;o imaculado como o do pr&oacute;prio Deus. Ter um Cora&ccedil;&atilde;o Imaculado &eacute; uma exig&ecirc;ncia da intimidade com Deus a que Ele a chamou e que na sua maternidade misteriosa adquire os contornos da rela&ccedil;&atilde;o M&atilde;e-Filho.<\/p>\n<p>Antes desse momento ter acontecido convinha que ela, a Mulher-M&atilde;e, j&aacute; tivesse a experi&ecirc;ncia dessa intimidade total com Deus, Trindade Sant&iacute;ssima. &Eacute; por isso que Deus a quis Imaculada desde o primeiro momento da sua exist&ecirc;ncia. S&atilde;o Bernardo, nos seus serm&otilde;es em honra da Virgem Maria, referindo-se &agrave; Anuncia&ccedil;&atilde;o, diz que o Anjo Gabriel ficou espantado de encontrar aquela a quem trazia a mensagem do amor de Deus, profundamente mergulhada nesse amor. Ela &eacute; a primeira criatura que mergulhou totalmente na comunh&atilde;o do amor trinit&aacute;rio, porque foi criada com Cora&ccedil;&atilde;o Imaculado. E essa experi&ecirc;ncia m&iacute;stica prepara-a para receber no seu seio o Verbo encarnado, estabelecendo com Ele uma rela&ccedil;&atilde;o com a Pessoa divina, o que eleva &agrave; plenitude a pr&oacute;pria rela&ccedil;&atilde;o maternal. &Eacute; por isso que a sua maternidade se vai exprimir numa rela&ccedil;&atilde;o maternal com todos aqueles que, redimidos por Jesus Cristo, recebem a cura do cora&ccedil;&atilde;o e s&atilde;o chamados a participar no amor divino.<\/p>\n<p>A Carta aos Ef&eacute;sios exprime-o claramente: &ldquo;Foi assim que n&rsquo;Ele, nos escolheu, antes da cria&ccedil;&atilde;o do mundo, a fim de sermos, na caridade, santos e irrepreens&iacute;veis diante d&rsquo;Ele. Destinou-nos de antem&atilde;o a sermos seus filhos adotivos&rdquo; (Efs. 1,3-4).<\/p>\n<p>A transforma&ccedil;&atilde;o do nosso cora&ccedil;&atilde;o pecador em cora&ccedil;&atilde;o imaculado, capaz de ver e amar a Deus, &eacute; o mist&eacute;rio da nossa reden&ccedil;&atilde;o, um &ldquo;cora&ccedil;&atilde;o novo&rdquo;, chamaram-lhe os Profetas. &Eacute; o nosso itiner&aacute;rio da gra&ccedil;a e de chamamento &agrave; santidade, que acontece com a for&ccedil;a de Jesus Cristo. Mas a sua M&atilde;e, a Mulher de Cora&ccedil;&atilde;o Imaculado, est&aacute; necessariamente envolvida neste caminhar da gra&ccedil;a e est&aacute; envolvida como M&atilde;e, pois essa &eacute; a verdadeira dimens&atilde;o da sua maternidade. Ela conduz-nos, com amor de M&atilde;e, nesse caminho misterioso de mergulharmos no amor de Deus, por Jesus Cristo. Em toda a verdadeira experi&ecirc;ncia de amor de Deus, o crist&atilde;o encontra Maria, a M&atilde;e de Cora&ccedil;&atilde;o Imaculado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>2. Este mist&eacute;rio de Maria acontece numa humanidade ferida pelo pecado. A primeira mulher, Eva, tamb&eacute;m fora criada com um cora&ccedil;&atilde;o imaculado. Deus criou-os &agrave; Sua imagem, portanto com uma capacidade de mergulhar no mist&eacute;rio do amor de Deus: &ldquo;Deus criou o homem &agrave; Sua imagem, &agrave; imagem de Deus Ele o criou, e criou-os homem e mulher&rdquo; (Gen. 1,27). Mas escutaram outras vozes que n&atilde;o a de Deus e isso afastou-os da intimidade com Deus; o seu cora&ccedil;&atilde;o deixou de ser imaculado. Isso pode acontecer ao crist&atilde;o quando, na sua caminhada para a intimidade com Deus, escuta outras vozes e esquece a voz de Deus. &Eacute; por isso que a escuta da Palavra de Deus &eacute; decisiva na caminhada do crist&atilde;o. N&atilde;o a escutar &eacute; afastar-se do caminho que conduz &agrave; intimidade de Deus. S&oacute; Cristo e Sua M&atilde;e, a Mulher do Cora&ccedil;&atilde;o Imaculado, nos podem reconduzir &agrave; escuta da voz do Senhor.<\/p>\n<p>Deus criou-os &agrave; Sua imagem, homem e mulher os criou. A Encarna&ccedil;&atilde;o do Verbo no seio de Maria &eacute; uma nova cria&ccedil;&atilde;o. Homem e mulher voltam a ser, perfeita e definitivamente, imagem de Deus. Depois de Ad&atilde;o, o primeiro homem com um cora&ccedil;&atilde;o imaculado, capaz da comunh&atilde;o trinit&aacute;ria, &eacute; Jesus Cristo. Depois de Eva, a primeira Mulher com cora&ccedil;&atilde;o imaculado, capaz de ver a Deus, &eacute; Maria. Os Padres da Igreja chamaram-lhe a &ldquo;Nova Eva&rdquo;. E se em Ad&atilde;o e Eva sobressa&iacute;a a conjugalidade, embora a maternidade j&aacute; esteja na origem do pr&oacute;prio nome da mulher, entre Cristo e Maria ressalta a maternidade, a rela&ccedil;&atilde;o M&atilde;e-Filho, embora sem anular a esponsalidade. A sua rela&ccedil;&atilde;o maternal com o Filho situa-a, na comunh&atilde;o trinit&aacute;ria, como esposa de Deus Pai, e a sua pr&oacute;pria rela&ccedil;&atilde;o maternal tem a dimens&atilde;o esponsal, porque Cristo ama a Igreja como Esposo e Maria &eacute; o primeiro membro da Igreja. Em Maria a maternidade e a esponsalidade ganham nova dimens&atilde;o, sobretudo na compreens&atilde;o da mulher crist&atilde;. Se mergulhar na intimidade de Deus com um cora&ccedil;&atilde;o novo, um cora&ccedil;&atilde;o purificado, &eacute; sempre esposa e M&atilde;e, seja qual for a concretiza&ccedil;&atilde;o da sua maternidade, pois &eacute; chamada, em Cristo, a participar da maternidade de Maria, sentindo-se M&atilde;e de todos aqueles que Deus chama a serem seus filhos. Esta nova s&iacute;ntese entre maternidade e esponsalidade &eacute; cantada na Liturgia. Num Hino de Laudes canta-se:<\/p>\n<p>&ldquo;Sois a mais bela das criaturas<\/p>\n<p>De Deus esposa, M&atilde;e de Jesus.<\/p>\n<p>Sois M&atilde;e dos homens por v&oacute;s gerados<\/p>\n<p>Do mesmo sangue dado na Cruz&rdquo;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>3. A Mulher de Cora&ccedil;&atilde;o Imaculado &eacute; humilde e obediente, porque ouve sempre a Palavra de Deus e d&aacute;-lhe prioridade sobre todas as outras &ldquo;vozes&rdquo;, corrigindo a infidelidade de Eva. Essa fidelidade &agrave; escuta da Palavra de Deus &eacute; uma das manifesta&ccedil;&otilde;es do seu Cora&ccedil;&atilde;o Imaculado. A sua resposta ao Anjo Gabriel, &ldquo;Eis a serva do Senhor, fa&ccedil;a-se em mim segundo a tua Palavra&rdquo;, &eacute; a manifesta&ccedil;&atilde;o, naquela circunst&acirc;ncia concreta, da atitude habitual e permanente da Mulher Imaculada, escutar sempre a Palavra de Deus e segui-la com amor.<\/p>\n<p>Na nossa caminhada de f&eacute;, a fidelidade concretiza-se a&iacute;: escutar sempre a Palavra do Senhor e segui-la, na obedi&ecirc;ncia da f&eacute;, dando-lhe primazia sobre todas as outras vozes. A humildade de Maria inicia-nos no caminho da &ldquo;obedi&ecirc;ncia da f&eacute;&rdquo;.<\/p>\n<p>S&eacute; Patriarcal, 8 de dezembro de 2011<\/p>\n<p><em>D. Jos&eacute; Policarpo, cardeal-patriarca de Lisboa<\/em><em><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&ldquo;A Mulher Imaculada&rdquo;&nbsp; 1. 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