{"id":54184,"date":"2011-12-06T13:16:29","date_gmt":"2011-12-06T13:16:29","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/12\/06\/caravelas-de-esperanca\/"},"modified":"2011-12-06T13:16:29","modified_gmt":"2011-12-06T13:16:29","slug":"caravelas-de-esperanca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/caravelas-de-esperanca\/","title":{"rendered":"Caravelas de Esperan\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p>V Centen\u00e1rio do serm\u00e3o de Frei Ant\u00f3nio de Montesinos <!--more--> <\/p>\n<p>No dia 21 de dezembro celebra-se o V Centen&aacute;rio do serm&atilde;o de Frei Ant&oacute;nio de Montesinos, na ilha La Hispanyola (hoje Haiti e Rep&uacute;blica Dominicana). Um serm&atilde;o proferido no IV Domingo do Advento em nome de toda a comunidade dominicana. Esta ilha, a primeira terra encontrada por Colombo na sua tentativa da chegar &agrave; &Iacute;ndia, tinha dentro uma surpresa: nessa terra havia gente. Havia ent&atilde;o um novo lugar onde encontrar riqueza para explorar e gente para cristianizar. Foi para esta segunda tarefa que os frades dominicanos foram enviados. A comunidade come&ccedil;ara a formar-se pouco mais de um ano antes com a chegada dos primeiros tr&ecirc;s, entre eles Montesinos e o prior da comunidade, Pedro de C&oacute;rdoba. Nos longos meses de travessia, entre o azul do mar e o azul do c&eacute;u, tiveram tempo para relativizar o que deixavam para tr&aacute;s e projetar o que poderiam fazer naquelas novas terras. Mas n&atilde;o podiam imaginar que um ano depois, ao conhecerem os ind&iacute;genas, iriam descobrir quem eram os espanh&oacute;is.<\/p>\n<p>Os colonizadores tinham reduzido aquelas popula&ccedil;&otilde;es a uma situa&ccedil;&atilde;o de grande desumanidade: duros trabalhos sem descanso para arrancarem da terra o min&eacute;rio, alimenta&ccedil;&atilde;o escassa e fraca, doen&ccedil;as locais ou transportadas, sem lhes prestarem quaisquer cuidados. Para n&atilde;o comprometerem a sua liberdade de prega&ccedil;&atilde;o, tamb&eacute;m aqueles frades viveram na pen&uacute;ria, com as mesmas cho&ccedil;as por habita&ccedil;&atilde;o e os mesmos escassos e magros alimentos. De uma s&oacute;lida forma&ccedil;&atilde;o teol&oacute;gica e com um conhecimento direto do que ali se passava, puderam erguer a voz naquele domingo que antecedia o Natal e proclamar, parafraseando Jo&atilde;o Batista: <em>eu sou a voz do que clama no deserto desta ilha. <\/em>Aquela ilha era um deserto em humanidade. A situa&ccedil;&atilde;o estava invertida: os infi&eacute;is n&atilde;o eram os ind&iacute;genas, mas os espanh&oacute;is. Aos ind&iacute;genas era preciso ensinar a f&eacute;. Era isso o que procuravam fazer, come&ccedil;ando por lhes mostrar a imagem do Deus criador: <em>&ldquo;deveis saber que Deus vos fez a v&oacute;s e tamb&eacute;m a n&oacute;s e a todos quantos h&aacute; neste mundo, para que o conhe&ccedil;amos&hellip; e amando-o n&oacute;s a Ele, tamb&eacute;m Ele nos tenha como amigos&hellip; o que alcan&ccedil;areis se acreditardes nele e vos batizardes e tornardes crist&atilde;os e souberdes as coisas que os crist&atilde;os devem saber e acreditar e guardar&rdquo;.<\/em> Mas os espanh&oacute;is davam um exemplo contr&aacute;rio &agrave; sua f&eacute;, eram infi&eacute;is. Por essa raz&atilde;o, s&oacute; poderiam participar na comunh&atilde;o eucar&iacute;stica ap&oacute;s confiss&atilde;o do seu pecado e mudan&ccedil;a de vida. Como resistiam a essa mudan&ccedil;a, n&atilde;o podiam receber a absolvi&ccedil;&atilde;o. Foi o que aconteceu, n&atilde;o lhes era dada.<\/p>\n<p>A vida na ilha tinha-se tornado dif&iacute;cil. Os frades n&atilde;o podiam transmitir a f&eacute; &agrave;quela gente, sem tempo e esgotada com o trabalho, a fome e a doen&ccedil;a. Os colonos n&atilde;o queriam admitir que aqueles povos tinham a mesma natureza humana que eles, para poderem explorar o seu trabalho sem restri&ccedil;&otilde;es de consci&ecirc;ncia. Os frades consideravam que eram os espanh&oacute;is que estavam errados. Por isso foi grande o burburinho e a agita&ccedil;&atilde;o ap&oacute;s a proclama&ccedil;&atilde;o daquele serm&atilde;o do &uacute;ltimo domingo do Advento. No fim da missa a casa dos frades foi cercada para exigirem retrata&ccedil;&atilde;o. A resposta foi a promessa de um novo serm&atilde;o no domingo seguinte, que os colonos pensavam ser de desculpas pelos exageros. Mas n&atilde;o, tiveram que ouvir o mesmo e com mais insist&ecirc;ncia ainda. Estas quest&otilde;es, fundadas no Evangelho, eram f&aacute;ceis de compreender, mas n&atilde;o davam jeito nem na Am&eacute;rica nem em Espanha. Dizia o serm&atilde;o: <em>&hellip;&ldquo;com que direito e com que justi&ccedil;a tendes estes &iacute;ndios em t&atilde;o cruel e horr&iacute;vel servid&atilde;o? Com que autoridade fizestes t&atilde;o detest&aacute;veis guerras a estas gentes que estavam nas suas terras, mansas e pac&iacute;ficas, onde consumistes um n&uacute;mero infind&aacute;vel delas com mortes e estragos nunca ouvidos? Como &eacute; que os tendes t&atilde;o oprimidos e esgotados, sem lhes dar de comer nem curar as suas doen&ccedil;as, que pelos excessivos trabalhos a que os sujeitais vos morrem, melhor ser&aacute; dizer, os matais, para arrancarem e, conseguirem ouro todos os dias. E que cuidado tendes em que sejam doutrinados e conhe&ccedil;am o seu Deus e criador, sejam batizados, oi&ccedil;am missa, guardem as festas e domingos? Estes n&atilde;o s&atilde;o homens? N&atilde;o t&ecirc;m almas racionais? N&atilde;o sois obrigados a am&aacute;-los como a v&oacute;s mesmos? N&atilde;o entendeis isto?&rdquo;.<\/em><\/p>\n<p align=\"left\"><em>Frei Matias, op<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>V Centen\u00e1rio do serm\u00e3o de Frei Ant\u00f3nio de Montesinos<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[100,168,190,335,267],"class_list":["post-54184","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-advento","tag-diocese-da-guarda","tag-dominicanos","tag-haiti","tag-natal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54184","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=54184"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54184\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=54184"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=54184"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=54184"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}