{"id":54180,"date":"2011-12-06T13:07:00","date_gmt":"2011-12-06T13:07:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/12\/06\/o-dia-8-de-dezembro-na-historia-de-um-povo\/"},"modified":"2011-12-06T13:07:00","modified_gmt":"2011-12-06T13:07:00","slug":"o-dia-8-de-dezembro-na-historia-de-um-povo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-dia-8-de-dezembro-na-historia-de-um-povo\/","title":{"rendered":"O dia 8 de dezembro na hist\u00f3ria de um povo"},"content":{"rendered":"<p>Padre Francisco Couto, reitor do Santu\u00e1rio de Vila Vi\u00e7osa Padre Senra Coelho, Instituto Superior de Teologia de \u00c9vora <!--more--> <\/p>\n<p>As Na&ccedil;&otilde;es sobrevivem &agrave; eros&atilde;o do tempo e permanecem vivas na hist&oacute;ria dos povos se prosseguirem na fecundidade que lhes vem da sua espiritualidade e da sua cultura. A dilui&ccedil;&atilde;o espiritual e cultural de um povo significar&aacute; inevitavelmente a perca da sua identidade e a sua fus&atilde;o num hoje sem futuro.<\/p>\n<p>A Hist&oacute;ria de Portugal regista dois momentos altos na recupera&ccedil;&atilde;o da sua independ&ecirc;ncia: a Revolu&ccedil;&atilde;o 1383-1385 e a Restaura&ccedil;&atilde;o de 1640.<\/p>\n<p>Na Revolu&ccedil;&atilde;o de 1383-1385 salienta-se o cerco de Lisboa, que durou cerca de cinco meses e terminou em princ&iacute;pios de setembro de 1384, acentuando-se durante o ass&eacute;dio, o significado da vit&oacute;ria alcan&ccedil;ada por D. Nuno Alvares Pereira em Atoleiros a 6 de abril de 1384 e a elei&ccedil;&atilde;o do Mestre de Aviz para Rei de Portugal, curiosamente a 6 de abril de 1385. Em 15 de agosto travou-se a Batalha de Aljubarrota, sob a chefia de D. Nuno Alvares Pereira, s&iacute;mbolo da vit&oacute;ria e da consolida&ccedil;&atilde;o do processo revolucion&aacute;rio de 1383-1385.<\/p>\n<p>No movimento da restaura&ccedil;&atilde;o destaca-se a coroa&ccedil;&atilde;o de D. Jo&atilde;o IV como Rei de Portugal, a 15 de dezembro de 1640, no Terreiro do Pa&ccedil;o em Lisboa.<\/p>\n<p>A Solenidade da Imaculada Concei&ccedil;&atilde;o liga estes dois acontecimentos decisivos na Hist&oacute;ria da independ&ecirc;ncia de Portugal e no contexto das Na&ccedil;&otilde;es Europeias. Segundo secular tradi&ccedil;&atilde;o foi o condest&aacute;vel D. Nuno Alvares Pereira quem fundou a Igreja de Nossa Senhora do Castelo em Vila Vi&ccedil;osa e quem ofereceu a imagem da Virgem Padroeira, adquirida na Inglaterra. Este gesto do Contest&aacute;vel reconhece que a m&iacute;stica que levou Portugal &agrave; vit&oacute;ria veio da devo&ccedil;&atilde;o de um povo a Nossa Senhora da Concei&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Ali&aacute;s, j&aacute; desde o ber&ccedil;o, j&aacute; a quando da conquista de Lisboa por D. Afonso Henriques, havia sido celebrado um pontifical de a&ccedil;&atilde;o de gra&ccedil;as, em Lisboa, em honra da Imaculada Concei&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>A espiritualidade que brotava da devo&ccedil;&atilde;o a Nossa Senhora da Concei&ccedil;&atilde;o foi novamente sublinhada no gesto que D. Jo&atilde;o IV assumiu ao coroar a Imagem de Nossa Senhora da Concei&ccedil;&atilde;o de Vila Vi&ccedil;osa como Rainha de Portugal nas cortes de 1646.<\/p>\n<p>Esta espiritualidade imaculistas foi igualmente assumida por todos os intelectuais, que na prestigiada Universidade de Coimbra defenderam o dogma da Imaculada Concei&ccedil;&atilde;o sob a forma de um juramento solene.<\/p>\n<p>De tal modo a Imaculada Concei&ccedil;&atilde;o caracteriza a espiritualidade dos portugueses, que durante s&eacute;culos o dia 8 de dezembro foi celebrado como &#8220;Dia da M&atilde;e&#8221; e Jo&atilde;o Paulo II incluiu no seu inesquec&iacute;vel roteiro da Visita Pastoral de 1982 dois Santu&aacute;rios que unem o Norte e o Sul de Portugal: Vila Vi&ccedil;osa no Alentejo e o Sameiro no Minho.<\/p>\n<p>O dia 8 de dezembro transcende o &#8220;Dia Santo&#8221; dos Cat&oacute;licos e engloba indubitavelmente a comemora&ccedil;&atilde;o da Independ&ecirc;ncia de Portugal, que o dia 1 de dezembro retoma. O feriado do dia 8 de dezembro &eacute; religioso, mas &eacute; tamb&eacute;m celebrativo da cultura, da tradi&ccedil;&atilde;o e da espiritualidade da alma e da identidade do povo portugu&ecirc;s.<\/p>\n<p>N&atilde;o menos importante, e em &acirc;mbito religioso e lit&uacute;rgico, o tema da Imaculada Concei&ccedil;&atilde;o da Virgem Maria &eacute; j&aacute; abundantemente abordado pelos Padres da Igreja. Ser&aacute; o Oriente crist&atilde;o o primeiro a celebr&aacute;-la. Festividade que chega &agrave; Europa Ocidental e ao continente europeu pelas m&atilde;os das cruzadas Inglesas nos s&eacute;c. XI e XII. Vivamente celebrada pelos franciscanos a partir de 1263, ser&aacute; o tamb&eacute;m franciscano Sixto IV, Papa, que a inscrever&aacute; no calend&aacute;rio lit&uacute;rgico romano em 1477.<\/p>\n<p>De facto, o debate e a celebra&ccedil;&atilde;o desta festividade em toda a Europa &eacute; acompanhada pela hist&oacute;ria do pr&oacute;prio Portugal. Coimbra, como j&aacute; vimos, tem um importante papel em todo este processo.<\/p>\n<p>Em 8 de dezembro de 1854, viver&aacute; a Igreja o auge de toda esta riqueza teol&oacute;gica e celebrativa. Atrav&eacute;s da bula &#8220;Ineffabilis Deus&#8221;, Pio IX, ap&oacute;s consultar os bispos do mundo, definir&aacute; solenemente o dogma da Imaculada Concei&ccedil;&atilde;o da Virgem Maria.<\/p>\n<p>N&atilde;o estamos diante de uma simples festa crist&atilde; ou de capricho religioso. O dogma resulta de tudo quanto a Igreja viveu at&eacute; aqui e vive hoje em toda a sua plenitude. Faz parte da identidade da Igreja. Isso mesmo o prova o texto proclamado por Pio IX que apoia a sua argumenta&ccedil;&atilde;o nos Padres e Doutores da Igreja e na sua forma de interpretar a Sagrada Escritura. Ele, de facto, reconhece que este dogma faz parte, depois de muitos s&eacute;culos, do ensinamento ordin&aacute;rio da Igreja.<\/p>\n<p>Portugal, segundo Nuno Alvares Pereira, ou melhor, S&atilde;o Nuno de Santa Maria, e D. Jo&atilde;o IV isso mesmo o demonstram, n&atilde;o s&oacute; como resultado da sua pr&oacute;pria f&eacute; mas como express&atilde;o de um povo deveras agradecido pela sua Independ&ecirc;ncia e Liberdade.<\/p>\n<p><em>Padre &nbsp;Francisco Couto, ISTE, Reitor Santu&aacute;rio de Vila Vi&ccedil;osa<\/em><\/p>\n<p><em>Padre Senra Coelho, ISTE,&nbsp; CEHR, APH<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Francisco Couto, reitor do Santu\u00e1rio de Vila Vi\u00e7osa Padre Senra Coelho, Instituto Superior de Teologia de \u00c9vora<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[295,174,175,199,203,213],"class_list":["post-54180","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-biblia","tag-diocese-de-coimbra","tag-diocese-de-evora","tag-espiritualidade","tag-europa","tag-franciscanos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54180","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=54180"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54180\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=54180"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=54180"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=54180"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}