{"id":54175,"date":"2011-12-06T12:36:19","date_gmt":"2011-12-06T12:36:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/12\/06\/diaconado-uma-caminhada-em-casal\/"},"modified":"2011-12-06T12:36:19","modified_gmt":"2011-12-06T12:36:19","slug":"diaconado-uma-caminhada-em-casal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/diaconado-uma-caminhada-em-casal\/","title":{"rendered":"Diaconado, uma caminhada em casal"},"content":{"rendered":"<p>Ant\u00f3nio Avelino foi ordenado di\u00e1cono permanente no dia 8 de dezembro de 2010, na diocese do Porto. Da par\u00f3quia de Caldas de S\u00e3o Jorge, em Santa Maria da Feira, este t\u00e9cnico de laborat\u00f3rio explica \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA o processo de discernimento para uma voca\u00e7\u00e3o ao servi\u00e7o da Igreja que trilhou juntamente com a esposa, In\u00eas Santos e com os seus tr\u00eas filhos rapazes, de nove, 11 e 20 anos <!--more--> <\/p>\n<p><em>Ag&ecirc;ncia ECCLESIA (AE) Como &eacute; que o diaconado permanente surge na sua vida?<\/em><\/p>\n<p><em>Ant&oacute;nio Avelino (AA) &#8211;<\/em> A minha voca&ccedil;&atilde;o foi sendo descoberta no seio de uma comunidade onde perten&ccedil;o e fui percebendo que Deus me chamava para uma miss&atilde;o mais ministerial. Numa conversa com o respons&aacute;vel pela comunidade e com o bispo do Porto, D. Manuel Clemente, foi&#8211;me proposto que fizesse um percurso de discernimento e s&oacute; depois, ent&atilde;o, fui proposto ao diaconado.<\/p>\n<p>Foi uma descoberta que se foi fazendo. Fui percebendo no meu dia a dia e na vida familiar, que me sentia chamado a ser di&aacute;cono.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Houve sinais para essa escuta?<\/em><\/p>\n<p><em>AA &#8211;<\/em> Os sinais s&atilde;o interiores. Senti falta de um sentido de realiza&ccedil;&atilde;o pessoal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; O di&aacute;cono permanente &eacute; ordenado para o servi&ccedil;o da caridade, na liturgia e na palavra. Como concretiza estas dimens&otilde;es?<\/em><\/p>\n<p><em>AA &#8211;<\/em> A quest&atilde;o lit&uacute;rgica &eacute; muito absorvente. A falta de voca&ccedil;&otilde;es sacerdotais tem aberto um campo que vai sendo preenchido pelos di&aacute;conos. Mas essa n&atilde;o esgota a nossa fun&ccedil;&atilde;o. Vai sendo absorvente &#8211; a liturgia, a catequese &#8211; mas eu n&atilde;o me sinto chamado apenas para isso.<strong> <\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Como tenta equilibrar as duas dimens&otilde;es? <\/em><\/p>\n<p><em>AA &ndash;<\/em> Na caridade tenho a minha pr&aacute;tica pessoal, n&atilde;o enquanto di&aacute;cono. Nas par&oacute;quias onde estou n&atilde;o tenho essa a&ccedil;&atilde;o concreta. Mas assumo a caridade na vertente do amor. A&iacute; estou como amante seja na liturgia, na catequese, na anima&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Na dimens&atilde;o s&oacute;cio-caritativa, no cuidar das necessidades mais f&iacute;sicas, ainda n&atilde;o tenho pr&aacute;tica vis&iacute;vel. Mas estou ainda a dar passos, a situar-me nas par&oacute;quias.<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Foi surpreendente o desejo do seu marido estar ao servi&ccedil;o &agrave; Igreja desta forma?<\/em><\/p>\n<p><em>In&ecirc;s Santos (IS) &#8211;<\/em> Foi uma descoberta ao longo dos anos. Foi dif&iacute;cil, mas a exemplo de Maria demos um sim baseado no que se intuiu sem certeza. Foi um salto no claro escuro da f&eacute;.<\/p>\n<p><em>AA &ndash; <\/em>Ela foi impulsionadora. N&atilde;o foi s&oacute; uma autodescoberta. Ela intuiu percebeu os sentimentos em mim e estimulou-os.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Como &eacute; que os filhos foram percebendo a vontade do pai?<\/em><\/p>\n<p><em>IS &ndash; <\/em>Para o mais velho foi dif&iacute;cil aceitar. Estava numa fase de muita contesta&ccedil;&atilde;o e aceitar a aus&ecirc;ncia do pai foi muito dif&iacute;cil. Com os mais novos foi natural, embora o mais novo ocasionalmente pergunte &laquo;O pai vai ser padre? Olha que eu n&atilde;o quero.&raquo;<\/p>\n<p><em>AA &ndash;<\/em> Dificilmente esquecerei a express&atilde;o do meu filho mais velho no dia da minha ordena&ccedil;&atilde;o. Ele abra&ccedil;ou-me e disse: &laquo;Pai, tenho contestado um bocadinho, mas eu percebo que tu &eacute;s feliz aqui e conta comigo&raquo;.<\/p>\n<p>Eles t&ecirc;m percebido esta chamada vocacional. Permanecem ao meu lado, tamb&eacute;m contestando, pois querem garantir o seu tempo e o espa&ccedil;o, para que o pai n&atilde;o seja ausente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Questionam-no sobre esta a&ccedil;&atilde;o?<\/em><\/p>\n<p><em>AA &#8211;<\/em> O mais novo disse-me um dia que n&atilde;o percebeu nada do que eu tinha dito numa homilia. Esta transpar&ecirc;ncia das crian&ccedil;as ajuda-me a situar-me e a refletir no modo como estou e no que fa&ccedil;o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Como &eacute; que a esposa acompanha e se faz presente na diaconia?<\/em><\/p>\n<p><em>IS &ndash;<\/em> Eu participo na ora&ccedil;&atilde;o e na prepara&ccedil;&atilde;o das homilias com um olhar diferente &ndash; o olhar feminino. Tento participar e enriquecer na medida em que posso, mas o meu papel &eacute; tamb&eacute;m de manuten&ccedil;&atilde;o de equil&iacute;brio para que o tempo familiar seja tamb&eacute;m contemplado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Este servi&ccedil;o une-vos como casal?<\/em><\/p>\n<p><em>IS &ndash;<\/em> N&atilde;o tenho d&uacute;vida.<\/p>\n<p><em>AA &ndash;<\/em> A diaconia n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel sem a diaconisa. Eu dou a cara, mas &eacute; mais do que uma realidade pessoal, &eacute; algo mais profundo. H&aacute; um sacramento que nos une um ao outro, que &eacute; pr&eacute;vio. N&atilde;o podemos falar de um di&aacute;cono casado que n&atilde;o tenha a esposa e a realidade familiar presentes, porque ela emprenha a a&ccedil;&atilde;o do di&aacute;cono.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Sente que o seu papel &eacute; aproximar a Igreja dos leigos?<\/em><\/p>\n<p><em>AA &#8211;<\/em> Eu creio ser essa a minha grande miss&atilde;o. Gosto muito de uma express&atilde;o que D. Manuel Clemente usou uma vez: o diaconado tem a fun&ccedil;&atilde;o de levar o mundo ao altar e o altar ao mundo. Eu sinto-me bem a fazer a liga&ccedil;&atilde;o entre estas realidades.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Encontra ecos dessa miss&atilde;o?<\/em><\/p>\n<p><em>AA &#8211;<\/em> Na minha realidade laboral &eacute; p&uacute;blico este meu servi&ccedil;o. E sou muito procurado porque as pessoas querem falar e desabafar, querem perceber-se e encontrar apoio.<\/p>\n<p>A n&iacute;vel paroquial o que me sinto bem a fazer &eacute; ser incendi&aacute;rio. As institui&ccedil;&otilde;es precisam de alento e de est&iacute;mulos e eu sinto-me bem assim.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Na forma&ccedil;&atilde;o, o que foi essencial?<\/em><\/p>\n<p><em>AA &#8211; <\/em>A forma&ccedil;&atilde;o pessoal. Descobrir-me, o que quero, com quem vou. A forma&ccedil;&atilde;o assenta nas dimens&otilde;es humana, espiritual, teol&oacute;gica e eclesial.<\/p>\n<p>&Eacute; verdade que os estudos teol&oacute;gicos cimentam e ajudam para a miss&atilde;o. Mas a forma&ccedil;&atilde;o pessoal reflete-se depois nas outras.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Ajuda a estimular o contacto humano?<\/em><\/p>\n<p><em>AA &#8211; <\/em>S&oacute; sendo adulto &eacute; que posso estar na miss&atilde;o. A express&atilde;o paulina &laquo;adultos em Cristo&raquo; diz-me muito. E a miss&atilde;o faz-se assim. N&atilde;o podemos ser condutores se formos cegos.<\/p>\n<p><em>IS &ndash;<\/em> &Eacute; a forma&ccedil;&atilde;o humana que nos permite ter outro olhar. Olhar a pessoa e v&ecirc;-la por detr&aacute;s dos problemas e maus funcionamentos que apresenta. Ter um olhar amoroso de Deus, um olhar que descobre a pessoa no seu melhor e &eacute; capaz de a fazer sair de si e viver.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; A caridade est&aacute; ai?<\/em><\/p>\n<p><em>AA &ndash;<\/em> Sim, est&aacute; aqui a caridade. Nesse sentido de amor pelos outros.<\/p>\n<p><em>IS &ndash;<\/em> O carisma do Ant&oacute;nio &eacute; esse. N&atilde;o no apoio econ&oacute;mico na caridade, mas de olhar para a pessoa e faz&ecirc;-la viver.<\/p>\n<p><em>LS<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ant\u00f3nio Avelino foi ordenado di\u00e1cono permanente no dia 8 de dezembro de 2010, na diocese do Porto. 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