{"id":5406,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/o-essencial-da-figura-de-d-antonio-ferreira-gomes\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"o-essencial-da-figura-de-d-antonio-ferreira-gomes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-essencial-da-figura-de-d-antonio-ferreira-gomes\/","title":{"rendered":"O essencial da figura de D. Ant\u00f3nio Ferreira Gomes"},"content":{"rendered":"<p>Acaba de ser lan\u00e7ado no mercado um pequeno livro de Arnaldo de Pinho dedicado \u00e0 vida e obra do saudoso Bispo do Porto que foi D. Ant\u00f3nio Ferreira Gomes. N\u00e3o podia vir em melhor altura este livro, uma vez que, por estes dias, se comemoram quinze anos da morte de D. Ant\u00f3nio e todas as ocasi\u00f5es para lembrar essa figura e o modelo de homem de Igreja que foi nunca s\u00e3o de mais. A obra consta de duas partes. Uma em que se exp\u00f5em as ra\u00edzes e o percurso da vida episcopal daquele Bispo e outra sobre os fundamentos doutrinais que estruturam esse percurso. Na primeira, tocam-se os momentos mais importantes da biografia episcopal: a g\u00e9nese de uma preocupa\u00e7\u00e3o pastoral desde os anos de Portalegre (1948-52) at\u00e9 \u00e0 primeira fase do Porto (1952-59). \u00c9 dado relevo especial ao caso da pastoral colectiva que n\u00e3o foi poss\u00edvel publicar nos anos cinquenta e que levou D. Ant\u00f3nio a empreender, dolorosamente s\u00f3, um caminho de afirma\u00e7\u00e3o da doutrina social da Igreja no contexto perverso do corporativismo do Estado Novo. Seguem-se as vicissitudes do ex\u00edlio com as conhecidas estrat\u00e9gias miser\u00e1veis de alguns homens de Igreja, mas em que se registam tamb\u00e9m, pela sua coer\u00eancia, as excep\u00e7\u00f5es da maioria do clero do Porto, do Papa Montini e do Cardeal Tardini. Por fim, alude-se aos anos do regresso do ex\u00edlio, com o regime em deteriora\u00e7\u00e3o acentuada e onde o Bispo do Porto brilha pela sua doutrina\u00e7\u00e3o sobre a guerra colonial, entre outros temas. Esta presen\u00e7a prof\u00e9tica mudou de figura no p\u00f3s-25 de Abril, mas manteve-se firme e, ent\u00e3o, enormemente respeitada como uma proposta de reconcilia\u00e7\u00e3o dos portugueses e como reflex\u00e3o mais serena sobre o objectivo de sempre de mais e melhor democracia. A segunda parte do livrinho resume os fundamentos doutrinais do pensamento e ac\u00e7\u00e3o. Como bom conhecedor do assunto, Arnaldo Pinho p\u00f5e em evid\u00eancia a ideia de que o motivo principal que norteou o Bispo do Porto foi uma preocupa\u00e7\u00e3o pastoral. \u201cO dif\u00edcil \u00e9 ser bispo\u201d, lembrava D. Ant\u00f3nio a cada passo. N\u00e3o \u00e9 o gosto pessoal nem a paix\u00e3o pol\u00edtica que justificam a biografia episcopal bem conhecida; \u00e9 o dever do pastoreio. N\u00e3o era mesmo um impulso de oposi\u00e7\u00e3o ao Estado Novo, leg\u00edtimo em si, que guiava D. Ant\u00f3nio; era a afirma\u00e7\u00e3o da doutrina social da Igreja, num esfor\u00e7o de coincid\u00eancia com o pensamento papal, desde Pio XII e, posteriormente, do esp\u00edrito do Conc\u00edlio Vaticano II. Neste sentido vai toda a doutrina\u00e7\u00e3o sobre a rela\u00e7\u00e3o da Igreja com a comunidade pol\u00edtica, sobre o valor teol\u00f3gico e o fundamento dos direitos humanos, sobre o servi\u00e7o da Igreja \u00e0 sociedade. O pensamento de D. Ant\u00f3nio \u00e9 estruturado pela tentativa de apreender o modo como o sobrenatural se relaciona com a cria\u00e7\u00e3o, respeitando a autonomia do mundo, mas lembrando-lhe o seu destino a conhecer uma supera\u00e7\u00e3o pelo encontro com gra\u00e7a recriadora de todas as realidades. Este \u00e9 o tema de um excelente cap\u00edtulo sobre \u201cPessoa, gra\u00e7a e cultura\u201d (p. 49-56). Segundo o Autor, este n\u00e3o \u00e9 apenas o tema do pensamento mas tamb\u00e9m da actua\u00e7\u00e3o pastoral do Bispo do Porto. O que constitui um motivo da actualidade permanente.  O melhor que se pode fazer \u00e9 convidar a ler esta obra pequena em extens\u00e3o mas reveladora de um conhecimento profundo do assunto e de uma preocupa\u00e7\u00e3o por manter vivo um patrim\u00f3nio importante para a Igreja do Porto e a Igreja de Portugal. Neste tempos de navega\u00e7\u00e3o \u00e0 vista, tanto na pastoral como na cultura, faz bem regressar a D. Ant\u00f3nio e deter-se a pensar os temas da pessoa e da gra\u00e7a, da cultura e da f\u00e9. Para os pastores, \u00e9 uma ocasi\u00e3o de  observar como a ac\u00e7\u00e3o pastoral tem pertin\u00eancia para guiar a vida, mesmo a vida social. Bem haja, pois, o recentemente nomeado Vig\u00e1rio Episcopal para a Cultura por convidar a este esfor\u00e7o. (Jorge Teixeira da Cunha) PINHO, Arnaldo de &#8211;  \u201cO essencial sobre D. Ant\u00f3nio Ferreira Gomes\u201d, Lisboa: Imprensa Nacional, Casa da Moeda, 2004, 64 pp.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Acaba de ser lan\u00e7ado no mercado um pequeno livro de Arnaldo de Pinho dedicado \u00e0 vida e obra do saudoso Bispo do Porto que foi D. Ant\u00f3nio Ferreira Gomes. N\u00e3o podia vir em melhor altura este livro, uma vez que, por estes dias, se comemoram quinze anos da morte de D. 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