{"id":54,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/mensagem-para-o-dia-mundial-do-doente\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"mensagem-para-o-dia-mundial-do-doente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/mensagem-para-o-dia-mundial-do-doente\/","title":{"rendered":"Mensagem para o Dia Mundial do Doente"},"content":{"rendered":"<p>1. \u00abVimos e testificamos que o Pai enviou o seu Filho como Salvador do mundo. (&#8230;) E n\u00f3s conhecemos e cremos no amor que Deus nos tem\u00bb (1 Jo 4, 14.16). Estas palavras do ap\u00f3stolo Jo\u00e3o sintetizam bem os objectivos que presidem \u00e0 Pastoral da Sa\u00fade, pela qual a Igreja, reconhecendo a presen\u00e7a do Senhor nos irm\u00e3os que vivem no sofrimento, se esfor\u00e7a por levar-lhes o feliz an\u00fancio do Evangelho e oferecer-lhes sinais cred\u00edveis de amor. Neste contexto, coloca-se a XI Jornada Mundial do Doente que se realizar\u00e1 a 11 de Fevereiro de 2003 em Washington (D.C.), na Bas\u00edlica da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o, santu\u00e1rio nacional dos Estados Unidos d\u2019Am\u00e9rica. O lugar e o dia escolhidos convidam os crentes a levantarem o olhar para a M\u00e3e do Senhor. Confiando-se a Ela, a Igreja sente-se impelida a um renovado testemunho de caridade, tornando-se um \u00edcone vivo de Cristo, Bom Samaritano, nas numerosas situa\u00e7\u00f5es de sofrimento f\u00edsico e moral do mundo actual. H\u00e1 prementes quest\u00f5es relativas ao sofrimento e \u00e0 morte, presentes dramaticamente no cora\u00e7\u00e3o de cada homem apesar das cont\u00ednuas tentativas feitas por uma mentalidade secularizada para as afastar ou ignorar, que esperam por respostas v\u00e1lidas. O crist\u00e3o, sobretudo quando enfrenta tr\u00e1gicas experi\u00eancias humanas, \u00e9 chamado a testemunhar a verdade consoladora de Cristo ressuscitado, que assume as chagas e os males da humanidade, incluindo a morte, para convert\u00ea-los em ocasi\u00f5es de gra\u00e7a e de vida. Este an\u00fancio e este testemunho h\u00e3o-de ser comunicados a todos, em cada canto do mundo.  2. Na celebra\u00e7\u00e3o da pr\u00f3xima Jornada Mundial do Doente, possa o Evangelho da vida e do amor ressoar com vigor especialmente na Am\u00e9rica, onde vive mais de metade dos cat\u00f3licos. Hoje, no continente americano, como ali\u00e1s nas restantes partes do mundo, \u00abparece entrever-se um modelo de sociedade em que dominam os poderosos, marginalizando e at\u00e9 mesmo eliminando os mais fracos: penso aqui nas crian\u00e7as n\u00e3o nascidas, v\u00edtimas indefesas do aborto; nos anci\u00e3os e nos doentes incur\u00e1veis, \u00e0s vezes objecto de eutan\u00e1sia; e nos inumer\u00e1veis seres humanos postos \u00e0 margem pelo consumismo e pelo materialismo. N\u00e3o posso esquecer tamb\u00e9m o desnecess\u00e1rio recurso \u00e0 pena de morte (&#8230;). Este modelo de sociedade \u00e9 baseado na cultura de morte, estando, portanto, em contraste com a mensagem evang\u00e9lica\u00bb (Exort. ap. p\u00f3s-sinodal Ecclesia in America, 63). Perante realidade t\u00e3o preocupante, como deixar de inserir entre as prioridades pastorais a defesa da cultura da vida? \u00c9 obriga\u00e7\u00e3o impelente dos cat\u00f3licos, que trabalham no campo m\u00e9dico-sanit\u00e1rio, fazer o poss\u00edvel para defender a vida quando esta corre maior perigo, agindo com uma consci\u00eancia rectamente formada segundo a doutrina da Igreja. Para t\u00e3o nobre finalidade, concorrem j\u00e1 de forma encorajadora os numerosos Centros de Sa\u00fade, mediante os quais a Igreja Cat\u00f3lica presta um aut\u00eantico testemunho de f\u00e9, caridade e esperan\u00e7a. At\u00e9 agora, aqueles puderam contar com um significativo n\u00famero de religiosos e religiosas como garantia dum servi\u00e7o profissional e pastoral qualificado. Fa\u00e7o votos de que um renovado florescimento vocacional possa consentir aos Institutos Religiosos a continua\u00e7\u00e3o desta sua benem\u00e9rita obra e at\u00e9 mesmo intensific\u00e1-la com o contributo de muitos volunt\u00e1rios leigos para bem da humanidade que sofre no continente americano.  3. Este campo privilegiado de apostolado diz respeito a todas as Igrejas particulares. Por isso, \u00e9 necess\u00e1rio que cada Confer\u00eancia Episcopal se empenhe, inclusive atrav\u00e9s de adequados organismos, por promover, orientar e coordenar a Pastoral da Sa\u00fade, para suscitar em todo o povo de Deus aten\u00e7\u00e3o e disponibilidade ao mundo diversificado do sofrimento. A fim de tornar este testemunho cada vez mais cred\u00edvel, os agentes da Pastoral da Sa\u00fade devem agir em plena comunh\u00e3o entre si e com os seus Pastores. Isto revela-se particularmente urgente nos hospitais cat\u00f3licos, chamados a reflectir sempre melhor os valores evang\u00e9licos numa organiza\u00e7\u00e3o adequada \u00e0s necessidades actuais, como recordam com insist\u00eancia as directrizes sociais e morais do Magist\u00e9rio. Isto requer um movimento de sintoniza\u00e7\u00e3o entre os hospitais cat\u00f3licos, que englobe todos os sectores, sem excluir o econ\u00f3mico-organizacional. Os hospitais cat\u00f3licos h\u00e3o-de ser centros de vida e esperan\u00e7a, onde se fomentem, a par das capelanias, as comiss\u00f5es \u00e9ticas, a forma\u00e7\u00e3o do pessoal sanit\u00e1rio laical, a humaniza\u00e7\u00e3o dos cuidados prestados aos doentes, a aten\u00e7\u00e3o \u00e0s suas fam\u00edlias e uma particular sensibilidade pelos pobres e marginalizados. O trabalho profissional h\u00e1-de tornar-se um aut\u00eantico testemunho de caridade, recordando que a vida \u00e9 dom de Deus, sendo o homem apenas seu administrador e garante.  4. Esta verdade deve ser continuamente reafirmada face ao progresso das ci\u00eancias e das t\u00e9cnicas m\u00e9dicas, que t\u00eam em vista o cuidado e uma qualidade melhor da exist\u00eancia humana. Com efeito, permanece fundamental o postulado segundo o qual a vida deve ser protegida e defendida desde a concep\u00e7\u00e3o at\u00e9 ao seu ocaso natural. Como recordei na Carta apost\u00f3lica Novo millennio ineunte, \u00abo servi\u00e7o do homem obriga-nos a gritar, oportuna e inoportunamente, que todos os que lan\u00e7am m\u00e3o das novas potencialidades da ci\u00eancia, principalmente no \u00e2mbito das biotecnologias, n\u00e3o podem jamais descurar as exig\u00eancias fundamentais da \u00e9tica, fazendo apelo a uma discut\u00edvel solidariedade que acaba por discriminar vidas entre si, com desprezo pela dignidade pr\u00f3pria de cada ser humano\u00bb (n.\u00ba 51). A Igreja, aberta ao aut\u00eantico progresso cient\u00edfico e tecnol\u00f3gico, aprecia o esfor\u00e7o e o sacrif\u00edcio de quem contribui, com dedica\u00e7\u00e3o e profissionalismo, para elevar a qualidade do pr\u00f3prio servi\u00e7o oferecido aos doentes, no respeito da sua inviol\u00e1vel dignidade. Cada acto terap\u00eautico, cada experimenta\u00e7\u00e3o, cada transplante deve ter em conta esta verdade fundamental. Por conseguinte, nunca \u00e9 l\u00edcito matar um ser humano para curar outro. E, se \u00e9 poss\u00edvel na etapa final da vida encorajar os cuidados paliativos, evitando o excesso terap\u00eautico, nunca ser\u00e1 l\u00edcita qualquer ac\u00e7\u00e3o ou omiss\u00e3o que, por sua natureza e nas inten\u00e7\u00f5es do agente, vise procurar a morte.  5. O meu ardente desejo \u00e9 que a XI Jornada Mundial do Doente suscite nas dioceses e nas comunidades paroquiais um renovado empenho pela Pastoral da Sa\u00fade. H\u00e1-de ser prestada a devida aten\u00e7\u00e3o aos doentes que permanecem em suas casas, uma vez que o internamento hospitalar se vai reduzindo cada vez mais, encontrando-se frequentemente aqueles confiados aos seus familiares. Nos pa\u00edses onde faltam centros de cura adequados para doentes terminais, tamb\u00e9m estes s\u00e3o deixados nas suas casas. Os p\u00e1rocos e todos os agentes pastorais estejam atentos, nunca deixando faltar aos enfermos a presen\u00e7a consoladora do Senhor atrav\u00e9s da Palavra de Deus e dos Sacramentos. Deve-se reservar um espa\u00e7o adequado \u00e0 Pastoral da Sa\u00fade no programa de forma\u00e7\u00e3o dos sacerdotes, dos religiosos e religiosas, para que no cuidado dos doentes, mais do que noutra realidade qualquer, se torne cred\u00edvel o amor e seja dado testemunho da esperan\u00e7a na ressurrei\u00e7\u00e3o.  6. Queridos capel\u00e3es, religiosos e religiosas, m\u00e9dicos, enfermeiros e enfermeiras, farmac\u00eauticos, pessoal t\u00e9cnico e administrativo, assistentes sociais e volunt\u00e1rios, a Jornada Mundial do Doente \u00e9 uma ocasi\u00e3o prop\u00edcia para vos empenhardes a ser cada vez mais generosos disc\u00edpulos de Cristo, Bom Samaritano. Conscientes da vossa identidade, entrevede nos doentes o Rosto do Senhor sofredor e glorioso. Estai prontos a levar assist\u00eancia e esperan\u00e7a sobretudo \u00e0s pessoas atingidas pelas doen\u00e7as emergentes, como a SIDA, ou ainda n\u00e3o suprimidas, como a tuberculose, a mal\u00e1ria, a lepra. A v\u00f3s, amados Irm\u00e3os e Irm\u00e3s que sofreis no corpo ou no esp\u00edrito, desejo de todo o cora\u00e7\u00e3o que sejais capazes de reconhecer e acolher o Senhor que vos chama a ser testemunhas do Evangelho do sofrimento, olhando com confian\u00e7a e amor para o Rosto de Cristo crucificado (cf. Novo millennio ineunte, 16) e unindo os vossos sofrimentos aos d\u2019Ele. Confio-vos todos \u00e0 Virgem Imaculada, Nossa Senhora de Guadalupe, Padroeira da Am\u00e9rica e Sa\u00fade dos Enfermos. Que Ela acolha a implora\u00e7\u00e3o que sobe do mundo do sofrimento, enxugue as l\u00e1grimas de quem vive na dor, esteja junto de quantos vivem a doen\u00e7a na solid\u00e3o, e, com a sua intercess\u00e3o materna, ajude os crentes que trabalham no \u00e2mbito da sa\u00fade a tornar-se testemunhas cred\u00edveis do amor de Cristo. A cada um, envio a minha B\u00ean\u00e7\u00e3o afectuosa! Vaticano, 2 de Fevereiro de 2003. \tJOANNES PAULUS PP. II<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. \u00abVimos e testificamos que o Pai enviou o seu Filho como Salvador do mundo. (&#8230;) E n\u00f3s conhecemos e cremos no amor que Deus nos tem\u00bb (1 Jo 4, 14.16). 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