{"id":53984,"date":"2011-11-22T12:41:43","date_gmt":"2011-11-22T12:41:43","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/11\/22\/natal-com-menos-natal-melhor\/"},"modified":"2011-11-22T12:41:43","modified_gmt":"2011-11-22T12:41:43","slug":"natal-com-menos-natal-melhor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/natal-com-menos-natal-melhor\/","title":{"rendered":"Natal com menos&#8230; Natal melhor"},"content":{"rendered":"<p>Frei Fernando Ventura, franciscano capuchinho <!--more--> <\/p>\n<p><strong>Ser hoje luz num tempo de sombras<\/strong>, parece ser o &ldquo;destino&rdquo; de cada um de n&oacute;s no tempo que passa, num tempo que passa e que d&oacute;i, que d&oacute;i esta dor funda da impot&ecirc;ncia, da impot&ecirc;ncia diante dos gigantes das sombras que se agigantam e que parecem querer tomar de assalto tudo o que mexe, tudo o que respira e tudo o que sonha.<\/p>\n<p>Por isso hoje &eacute; tempo de NATAL com menos, mas um Natal melhor!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O mundo, o pa&iacute;s e cada um de n&oacute;s, vive tempos de esperan&ccedil;a e de mudan&ccedil;a, em que o novo surge como a nova fronteira a conquistar, mas onde o medo e os medos teimam em formar barreira diante dos olhos, destes olhos feitos para ver a luz, feitos para encarar o medo, feitos para n&atilde;o terem de ver o sol s&oacute; refletido nos charcos.<\/p>\n<p>Por isso hoje &eacute; tempo de NATAL com menos, mas um Natal melhor!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Se calhar, a maior conquista do tempo do medo que passa, foi precisamente esta de nos ter tirado a capacidade de ousar levantar a cabe&ccedil;a, de ousar olhar para al&eacute;m do imediato do j&aacute;, em dire&ccedil;&atilde;o ao menos &ldquo;imediato&rdquo; do ainda n&atilde;o, mas que est&aacute; e vive em tens&atilde;o de devir, de futuro, de proje&ccedil;&atilde;o para diante, num diante que encontra a utopia e faz dela o sonho, um sonho que vence o medo, um sonho que se abre &agrave; luz.<\/p>\n<p>Por isso hoje &eacute; tempo de NATAL com menos, mas um Natal melhor!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&Eacute; por aqui que passa o segredo, este segredo que invejosamente levamos dentro sem partilhar, que envergonhada e pudicamente escondemos e que n&atilde;o conseguimos dar &agrave; luz e que nos faz gemer, gemer as dores do parto que tarda, gritar o grito das vozes caladas.<\/p>\n<p>Por isso hoje &eacute; tempo de NATAL com menos, mas um Natal melhor!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>E no entanto, a gravidez do tempo existe, as dores do parto afligem-nos, o nascimento tarda em acontecer, e o meu povo sofre, e a minha gente grita, o grito surdo que a voz rouca n&atilde;o &eacute; capaz de calar, mas que o medo embota, e que o desespero n&atilde;o deixa encontrar a paz.<\/p>\n<p>Por isso hoje &eacute; tempo de NATAL com menos, mas um Natal melhor!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Neste tempo de vozes que gritam, que gritam a esperan&ccedil;a que n&atilde;o &eacute;, que gritam promessas que n&atilde;o s&atilde;o, que esbo&ccedil;am sorrisos que s&atilde;o s&oacute; esgares, eu paro e pasmo, qual basbaque embrutecido diante do pal&aacute;cio da ignom&iacute;nia alcandorado em conto de fadas, das mil e uma noites de uma aurora boreal que &eacute; s&oacute; ilus&atilde;o e nada, de um nada que teima em ser e de um ser que j&aacute; n&atilde;o &eacute;.<\/p>\n<p>Por isso hoje &eacute; tempo de NATAL com menos, mas um Natal melhor!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>E eu caminho, oh sim, caminho ao mesmo tempo em dire&ccedil;&atilde;o ao nada e ao ser, em dire&ccedil;&atilde;o ao outro e a mim, em dire&ccedil;&atilde;o ao nada e ao tudo, deixando para tr&aacute;s o passado que j&aacute; foi, indo ao encontro do futuro que parece tardar em vir, no presente que cada vez que se deixa tocar no futuro que se torna passado, porque afinal, n&atilde;o existe.<\/p>\n<p>Por isso hoje &eacute; tempo de NATAL com menos, mas um Natal melhor!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>E &eacute; aqui que come&ccedil;a a minha &ldquo;crise&rdquo;, a crise de saber quem sou, onde estou, como estou, quem serei, como serei, onde estarei, como estarei! E &eacute; aqui que me dou conta de mim, da minha pequenez de ser, mas de um ser que &eacute;, de um ser chamado &agrave; exist&ecirc;ncia nesse espa&ccedil;o virtual entre o j&aacute; e o ainda n&atilde;o, entre o abismo do tudo e a profundidade do nada, num sil&ecirc;ncio &agrave;s vezes s&oacute; habitado por fantasmas e por vozes, onde a minha se confunde, mas n&atilde;o deixa de existir e de falar. E de dizer NATAL!<\/p>\n<p>Por isso hoje &eacute; tempo de NATAL com menos, mas um Natal melhor!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fantasmas e vozes de mim, deste ser que me habita e que eu procuro, deste ser que &eacute; e que &eacute; eternidade, uma eternidade que &eacute; j&aacute;, que &eacute; este hoje do meu ser, que &eacute; ao mesmo tempo nada e tudo, porque sou eu, em rela&ccedil;&atilde;o comigo, em sorrisos e l&aacute;grimas, em alegrias e desesperos, em sonhos e fantasias, em &ldquo;nadas&rdquo; e em &ldquo;tudos&rdquo; que me habitam, que me &ldquo;moram&rdquo; onde eu moro, seja onde for, porque o meu &ldquo;eu&rdquo; n&atilde;o tem &ldquo;lugar&rdquo;, &eacute;, simplesmente, e pronto, comigo, em mim e para al&eacute;m de mim, porque infinito, porque eterno, porque tudo e porque nada, porque &eacute;, ao mesmo simultaneamente eternidade e tempo, iman&ecirc;ncia e transcend&ecirc;ncia, limite e infinito, <em>kair&oacute;s <\/em>e <em>eskaton<\/em>, j&aacute; e ainda n&atilde;o<\/p>\n<p>Por isso hoje &eacute; tempo de NATAL com menos, mas um Natal melhor!<\/p>\n<p>FELIZ NATAL!<\/p>\n<p align=\"left\"><em>Frei Fernando Ventura, franciscano capuchinho<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Frei Fernando Ventura, franciscano capuchinho<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[267],"class_list":["post-53984","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-natal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53984","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=53984"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53984\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=53984"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=53984"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=53984"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}