{"id":53979,"date":"2011-11-22T12:12:37","date_gmt":"2011-11-22T12:12:37","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/11\/22\/privacao-de-subsidios-e-equidade\/"},"modified":"2011-11-22T12:12:37","modified_gmt":"2011-11-22T12:12:37","slug":"privacao-de-subsidios-e-equidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/privacao-de-subsidios-e-equidade\/","title":{"rendered":"Priva\u00e7\u00e3o de Subs\u00eddios e Equidade"},"content":{"rendered":"<p>A. Leite Garcia, F\u00f3rum Abel Varzim <!--more--> <\/p>\n<p>No in&iacute;cio da austeridade exigida pela corre&ccedil;&atilde;o dos excessos de despesa, fomos surpreendidos por uma sobretaxa extraordin&aacute;ria do IRS, que incide sobre os rendimentos auferidos no ano de 2011 que excedam o valor anual da retribui&ccedil;&atilde;o m&iacute;nima mensal garantida (RMMG &#8211; 485 euros). Retribui&ccedil;&atilde;o que a seguir designaremos expeditamente por sal&aacute;rio m&iacute;nimo.<\/p>\n<p>Para quem apenas aufere rendimentos distribu&iacute;dos por 14 presta&ccedil;&otilde;es mensais, esta taxa de 3,5% equivale a cerca de metade dum destes pagamentos. Assim, a sua aplica&ccedil;&atilde;o corresponde &agrave; expropria&ccedil;&atilde;o de uma parte do subs&iacute;dio de Natal. Quase metade para os maiores vencimentos, mas quase nada para rendimentos pr&oacute;ximos do sal&aacute;rio m&iacute;nimo.<\/p>\n<p>A pequena incid&ecirc;ncia desta taxa extraordin&aacute;ria nos rendimentos mais reduzidos reflete preocupa&ccedil;&otilde;es de justi&ccedil;a social, atenuando o peso destas primeiras medidas de austeridade sobre aqueles que a sofrem de forma intensa e continuada.<\/p>\n<p>Como esta taxa extraordin&aacute;ria incide sobre todos os rendimentos englob&aacute;veis na declara&ccedil;&atilde;o do IRS, n&atilde;o &eacute; verdade que s&oacute; recaia sobre rendimentos do trabalho dependente e pens&otilde;es. Embora sem a possibilidade de reten&ccedil;&atilde;o antecipada e concentrada no Natal, muitos outros rendimentos s&atilde;o abrangidos, nomeadamente, gratifica&ccedil;&otilde;es n&atilde;o atribu&iacute;das pela entidade patronal. Todavia, outros rendimentos, como juros e dividendos, bem como mais-valias resultantes de diversas opera&ccedil;&otilde;es mobili&aacute;rias, geralmente n&atilde;o englobados no apuramento do IRS, sobretudo quando correspondem a valores significativos, est&atilde;o isentos desta taxa extraordin&aacute;ria, mitigando as anteriores conclus&otilde;es quanto &agrave; equidade desta medida.<\/p>\n<p>Em 2012, a priva&ccedil;&atilde;o dos subs&iacute;dios de f&eacute;rias e de Natal, limitada aos trabalhadores do setor p&uacute;blico, levanta maiores quest&otilde;es de equidade. Por raz&otilde;es processuais, resultantes sobretudo da necessidade de substituir aumento de impostos por redu&ccedil;&atilde;o de despesas, compreende-se o recurso &agrave; priva&ccedil;&atilde;o destes subs&iacute;dios, socialmente menos dolorosa do que a elimina&ccedil;&atilde;o de postos de trabalho necess&aacute;ria &agrave; obten&ccedil;&atilde;o dos mesmos efeitos na redu&ccedil;&atilde;o das despesas. Todavia, por raz&otilde;es de equidade e de transpar&ecirc;ncia de procedimentos, tamb&eacute;m os trabalhadores do setor privado deveriam contribuir para a redu&ccedil;&atilde;o do d&eacute;fice do or&ccedil;amento do Estado com um acr&eacute;scimo de receita de impostos semelhante &agrave; redu&ccedil;&atilde;o de despesas conseguida com a supress&atilde;o dos subs&iacute;dios.<\/p>\n<p>Uma pista a explorar consiste no englobamento na massa salarial, com a consequente sujei&ccedil;&atilde;o ao IRS e &agrave;s contribui&ccedil;&otilde;es para a seguran&ccedil;a social, de muitos pagamentos que, apesar dos esfor&ccedil;os do legislador em contr&aacute;rio ainda hoje lhes escapam, como sucede com muitos abonos a pretexto de despesas com telem&oacute;veis, transportes, combust&iacute;veis, carro, representa&ccedil;&atilde;o e seguros. Medida que pouco ou nada afetaria os trabalhadores com sal&aacute;rios mais baixos, raramente beneficiando destas mordomias.<\/p>\n<p>Algumas empresas, nomeadamente de consultadoria e de servi&ccedil;os financeiros, v&ecirc;m acordando com os seus quadros apenas o total anual de despesas que a empresa associa ao posto de trabalho, incluindo impostos e seguran&ccedil;a social. E deixam que a distribui&ccedil;&atilde;o entre 12, 14 ou mais pagamentos anuais, bem como os abonos concedidos para carro, combust&iacute;veis e representa&ccedil;&atilde;o, sejam escolhidos por cada colaborador, de acordo com os seus gostos e necessidades e com os reflexos fiscais correspondentes.<\/p>\n<p>Este exemplo desmistifica a necessidade de regras uniformes e de um mesmo n&uacute;mero de pagamentos anuais. A aten&ccedil;&atilde;o deve ser concentrada no total anual. A transpar&ecirc;ncia pode ser ajudada pela simplicidade mas n&atilde;o exige a uniformidade. O pagamento de subs&iacute;dios de f&eacute;rias e de Natal pode ser um procedimento demasiado paternalista, fomentador do consumismo e desmotivando bons h&aacute;bitos de poupan&ccedil;a e de gest&atilde;o financeira, mas o seu abandono n&atilde;o deve ser imposto por raz&otilde;es de mera uniformiza&ccedil;&atilde;o, interna ou externa.<\/p>\n<p>Para al&eacute;m de um PIB em crescimento acelerado, e n&atilde;o estagnado como sucedeu no &uacute;ltimo dec&eacute;nio, o grande objetivo a prosseguir ainda dever&aacute; incluir que a percentagem destinada &agrave; remunera&ccedil;&atilde;o do trabalho volte gradualmente a valores superiores a 50%, vigentes no fim do s&eacute;culo passado, visando a satisfa&ccedil;&atilde;o das necessidades dos trabalhadores a partir das seus sal&aacute;rios, devidamente corrigidos por justa redistribui&ccedil;&atilde;o de rendimentos. E nunca mais se estimule a ilus&atilde;o de riqueza baseada no endividamento excessivo, mesmo com juros baixos, como vinha sucedendo nos &uacute;ltimos anos.<\/p>\n<p><em>A. Leite Garcia, F&oacute;rum Abel Varzim<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A. 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