{"id":5397,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/enchamos-os-nossos-olhos-com-visoes-de-paz-assis-1986\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"enchamos-os-nossos-olhos-com-visoes-de-paz-assis-1986","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/enchamos-os-nossos-olhos-com-visoes-de-paz-assis-1986\/","title":{"rendered":"Enchamos os nossos olhos com vis\u00f5es de Paz  (Assis, 1986)"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o disp\u00f5e a Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz de instrumentos que lhe permitam avaliar o impacto efectivo que ter\u00e1 tido a reflex\u00e3o proposta na Carta que dirigiu aos crist\u00e3os no come\u00e7o da \u00faltima Quaresma, atrav\u00e9s do texto \u201cUm outro olhar sobre as desigualdades e a exclus\u00e3o social. Um outro compromisso com um mundo mais justo e solid\u00e1rio\u201d.  Contudo, podemos afirmar que nos surpreendeu, pela positiva, o eco que o texto mereceu em variad\u00edssimos meios, crist\u00e3os e n\u00e3o-crist\u00e3os, e na pr\u00f3pria comunica\u00e7\u00e3o social. Algumas pessoas viram no documento uma sistematiza\u00e7\u00e3o de preocupa\u00e7\u00f5es que j\u00e1 tinham e n\u00e3o ousavam expressar, sentiram-se reconfortadas por verem um \u00f3rg\u00e3o da Igreja cat\u00f3lica apresent\u00e1-las de modo corajoso e comprometido com a elimina\u00e7\u00e3o das causas e, atrav\u00e9s do texto, sentiram um impulso a um maior envolvimento na procura de caminhos alternativos para uma sociedade que se deseja mais pr\u00f3spera, mas tamb\u00e9m mais fraterna e solid\u00e1ria. Para outras, a carta foi um despertar para um olhar mais solid\u00e1rio e comprometido com as v\u00edtimas da injusti\u00e7a e para os mecanismos geradores da desordem que se instalou na economia e nas rela\u00e7\u00f5es sociais e constituiu um primeiro passo para alguma forma de desinstala\u00e7\u00e3o e questionamento sobre o status quo e, talvez, um corte com a pretensa fatalidade dos processos econ\u00f3micos. De outras pessoas, nos chegou a interpela\u00e7\u00e3o de que eram necess\u00e1rios gestos concretos, ac\u00e7\u00f5es a empreender pelas pr\u00f3prias comunidades crist\u00e3s, em prol da justi\u00e7a e da paz. Acredito que, \u00e9 importante e mesmo fundamental mudar o nosso olhar. Sem que tal aconte\u00e7a, continuaremos a passar ao lado da realidade sem reparar nos marginalizados e exclu\u00eddos que, todos os dias, v\u00e3o engrossando as estat\u00edsticas, e que s\u00e3o gente com rosto, irm\u00e3s e irm\u00e3os nossos, a quem o sistema vigente retira dignidade, vez e voz. Sem mudar radicalmente o nosso olhar e sem consciencializarmos que a realidade, tal como a conhecemos, n\u00e3o \u00e9 uma fatalidade, mas sim objecto de inven\u00e7\u00e3o e de iniciativa de cada pessoa, seus grupos de perten\u00e7a e seus corpos s\u00f3cio-pol\u00edticos, n\u00e3o criaremos condi\u00e7\u00f5es de abertura a novas iniciativas visando a promo\u00e7\u00e3o da dignidade humana, a equidade na partilha dos bens e dos recursos e o refor\u00e7o da inclus\u00e3o e da coes\u00e3o social. Tudo quanto se fa\u00e7a para aprofundar o nosso olhar, pessoal e comunit\u00e1rio, sobre a nossa realidade social e a necessidade de tornar a economia que a sustenta mais justa e humanizada n\u00e3o deixar\u00e1 de dar fruto. Por\u00e9m, a gravidade das desigualdades e da exclus\u00e3o social em Portugal (como no resto do Mundo) \u00e9 tal que \u00e9 urgente inventar solu\u00e7\u00f5es para lhe fazer face, com a pertin\u00eancia requerida pelas circunst\u00e2ncias. Em todos os tempos, as comunidades crist\u00e3s souberam suscitar respostas \u00e0 altura dos desafios pr\u00f3prios do tempo, para irem ao encontro das necessidades do pr\u00f3ximo, o que \u00e9 para n\u00f3s, hoje, crist\u00e3s e crist\u00e3os do s\u00e9culo XXI, testemunho e impulso para nos lan\u00e7armos, com redobrada aud\u00e1cia e vigor, na busca de novas solu\u00e7\u00f5es para o mundo em que nos \u00e9 dado viver. Al\u00e9m da mudan\u00e7a de olhar, s\u00e3o, pois, necess\u00e1rios gestos e ac\u00e7\u00f5es concretas. Sem querer entrar em pormenori-za\u00e7\u00e3o excessiva, ocorre-me sugerir que cada par\u00f3quia, comunidade religiosa ou outra se disponha a criar alguma inst\u00e2ncia de reconhecimento das necessidades sociais na respectiva \u00e1rea de influ\u00eancia e promova, junto das pessoas carenciadas da sua \u00e1rea geogr\u00e1fica, espa\u00e7os de acolhimento e encaminhamento, suprindo, quando for caso disso, lacunas existentes nos servi\u00e7os p\u00fablicos e proporcionando as ajudas poss\u00edveis. Por outro lado, h\u00e1 que promover a maior responsabilidade social das empresas e envolver neste movimento os gestores e quadros t\u00e9cnicos crist\u00e3os, bem como os pr\u00f3prios trabalhadores e suas organiza\u00e7\u00f5es sindicais, por forma a que a economia esteja ao servi\u00e7o das pessoas e n\u00e3o inteiramente subordinada aos ditames do lucro. Que, ao menos nas administra\u00e7\u00f5es das obras da Igreja, se cuide da adop\u00e7\u00e3o de crit\u00e9rios \u00e9ticos e de boas pr\u00e1ticas de responsabilidade social, designadamente no que se refere \u00e0 gest\u00e3o dos recursos humanos, \u00e1 ecologia, \u00e0s rela\u00e7\u00f5es com os utentes, ou com os fornecedores. Haver\u00e1, ainda que lembrar , que existir\u00e1 sempre lugar para a partilha de bens no socorro aos mais carenciados e, sabendo n\u00f3s, que a fome \u00e9, presentemente, uma realidade para cerca de 200 mil pessoas em Portugal, como recentemente era noticiado nos \u00f3rg\u00e3os de comunica\u00e7\u00e3o social, n\u00e3o h\u00e1 que ter vergonha, penso, de promover, ao n\u00edvel das par\u00f3quias, onde o fen\u00f3meno exista, obras sociais que prestem refei\u00e7\u00f5es e\/ou forne\u00e7am alimentos para confeccionar \u00e0s pessoas empo-brecidas e, melhor ainda, que se fa\u00e7a dessas obras pontes para a dignifica\u00e7\u00e3o das pessoas e sua inser\u00e7\u00e3o social. Por \u00faltimo, n\u00e3o deixarei de mencionar a import\u00e2ncia de que se reveste, nos nossos dias, o envolvimento de todos os cidad\u00e3os na defesa de causas comuns. No contexto da problem\u00e1tica que nos ocupa, cabe destacar, como merecendo a nossa aten\u00e7\u00e3o, causas como as seguintes: acolhimento de imigrantes e promo\u00e7\u00e3o dos seus direitos econ\u00f3micos, sociais e c\u00edvicos; den\u00fancia de corrup\u00e7\u00e3o, designadamente branqueamento de capitais e assuntos cong\u00e9neres como seja o sigilo banc\u00e1rio e demais medidas de transpar\u00eancia de contas pessoais e de empresa; defesa do perd\u00e3o da d\u00edvida externa dos pa\u00edses mais pobres; regras de com\u00e9rcio justas e n\u00e3o penalizadoras dos pa\u00edses em desenvolvimento; regimen de marcas e patentes e suas iniquidades do ponto de vista dos interesses dos mais pobres; tributa\u00e7\u00e3o dos capitais transaccionados nas bolsas mundiais e constitui\u00e7\u00e3o de um Fundo de desenvolvimento mundial; cria\u00e7\u00e3o de alguma forma de govern\u00e2ncia mundial de raiz democr\u00e1tica; direito \u00e0 \u00e1gua e riscos da sua privatiza\u00e7\u00e3o; quest\u00e3o ecol\u00f3gica; etc. Para a CNJP, ser\u00e1 de grande enriquecimento e est\u00edmulo ter conhecimento de ecos e iniciativas a que a Carta tenha dado origem. Fa\u00e7amos nosso o apelo de Jo\u00e3o Paulo II, em Assis, em 1986: \u201cEnchamos os nossos olhos com vis\u00f5es de paz.\u201d  Abril 2004 Manuela Silva  Vice-presidente da CNJP <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o disp\u00f5e a Comiss\u00e3o Nacional Justi\u00e7a e Paz de instrumentos que lhe permitam avaliar o impacto efectivo que ter\u00e1 tido a reflex\u00e3o proposta na Carta que dirigiu aos crist\u00e3os no come\u00e7o da \u00faltima Quaresma, atrav\u00e9s do texto \u201cUm outro olhar sobre as desigualdades e a exclus\u00e3o social. Um outro compromisso com um mundo mais justo [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[134,191,237,91],"class_list":["post-5397","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-cnjp","tag-economia","tag-joao-paulo-ii","tag-quaresma"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5397","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5397"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5397\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5397"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5397"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5397"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}