{"id":53944,"date":"2011-11-21T11:01:53","date_gmt":"2011-11-21T11:01:53","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/11\/21\/conclusoes-do-38-o-encontro-nacional-da-pastoral-dos-ciganos\/"},"modified":"2011-11-21T11:01:53","modified_gmt":"2011-11-21T11:01:53","slug":"conclusoes-do-38-o-encontro-nacional-da-pastoral-dos-ciganos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/conclusoes-do-38-o-encontro-nacional-da-pastoral-dos-ciganos\/","title":{"rendered":"Conclus\u00f5es do 38.\u00ba Encontro Nacional da Pastoral dos Ciganos"},"content":{"rendered":"<p>Promovido pela Obra Nacional da Pastoral dos Ciganos (ONPC) e pelo Secretariado Diocesano da Mobilidade Humana da Diocese de Portalegre-Castelo Branco, realizou-se, de 18 a 20 de novembro de 2011, o 38&ordm; Encontro Nacional da Pastoral dos Ciganos, na Casa Diocesana de Nossa Senhora das Gra&ccedil;as, em Mem-Soares, Castelo de Vide. Contou com a presen&ccedil;a de D. Antonino Eug&eacute;nio Fernandes Dias, Bispo de Portalegre-Castelo Branco, D. Ant&oacute;nio Vitalino Fernandes Dantas, Bispo de Beja e vogal da Comiss&atilde;o Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana, com o apoio das C&acirc;maras Municipais, de Castelo de Vide, que se fez representar pelo Vereador Daniel Carreiras, Marv&atilde;o, representada pelo Vereador Jos&eacute; Manuel Pires; Arronches, representada pela Presidente da C&acirc;mara, Fermelinda de Jesus Pombo Carvalho, e Abrantes, representada pela Vereadora Celeste Sim&atilde;o. Contou ainda com a colabora&ccedil;&atilde;o da Dr&ordf; F&aacute;tima Velez, da Universidade de Coimbra e com cerca de 50 participantes das Dioceses de Viana do Castelo, Porto, Portalegre-Castelo Branco, Lisboa, Beja e Guarda, assim como do Presidente da Caritas de Portalegre e respons&aacute;vel do Centro Local de Apoio aos Imigrantes (CLAII) de Portalegre , membros da dire&ccedil;&atilde;o nacional da ONPC, alguns ciganos e esteve aberto &agrave; participa&ccedil;&atilde;o de outras pessoas interessadas.<\/p>\n<p>Da tem&aacute;tica tratada os participantes chegaram &agrave;s seguintes conclus&otilde;es e recomenda&ccedil;&otilde;es:<\/p>\n<p>1 &ndash; Em Portugal, at&eacute; ao presente, as pol&iacute;ticas e estrat&eacute;gias de inclus&atilde;o dos ciganos n&atilde;o t&ecirc;m dado grandes resultados, continuando a maioria da popula&ccedil;&atilde;o de etnia cigana a viver marginalizada, exclu&iacute;da sem lhe serem reconhecidos os mesmos direitos de cidadania da restante popula&ccedil;&atilde;o portuguesa, por isso, apela-se ao Governo que promova o reconhecimento efetivo dos direitos b&aacute;sicos dos ciganos, como cidad&atilde;os portugueses de pleno direito, o qual deve ser concretizado obrigatoriamente a n&iacute;vel nacional, regional e local:<\/p>\n<p>&#8211; Assumindo as Autarquias, como sua obriga&ccedil;&atilde;o, o enfrentar dos graves problemas habitacionais de muitas fam&iacute;lias de etnia cigana, ainda alojadas em barracas ou em casas em ru&iacute;nas.<\/p>\n<p>&#8211; O reconhecimento dos direitos dos ciganos deve excluir qualquer hip&oacute;tese de expuls&atilde;o territorial por parte das Autarquias. Estas devem aceitar a exist&ecirc;ncia de comunidades ciganas no seu territ&oacute;rio, compostas por homens e mulheres que, por fazerem parte de uma minoria &eacute;tnica, t&ecirc;m uma cultura e identidade pr&oacute;prias que devem ser respeitadas, como est&aacute; consagrado na Constitui&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica e na Declara&ccedil;&atilde;o Universal dos Direitos Humanos.<\/p>\n<p>-A inclus&atilde;o deve ser feita atrav&eacute;s de projetos criados localmente que contem com a participa&ccedil;&atilde;o das fam&iacute;lias ciganas<\/p>\n<p>&#8211; &Eacute; importante constituir equipas que, no terreno, respondam aos reais problemas e necessidades da popula&ccedil;&atilde;o cigana e que, simultaneamente promovam uma educa&ccedil;&atilde;o para a responsabilidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>2 &ndash; Estando Portugal inclu&iacute;do na defini&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas e estrat&eacute;gias da Uni&atilde;o Europeia para a inclus&atilde;o dos ciganos, recomenda-se que as eventuais verbas sejam aplicadas em trabalho direto e efetivo, recusando-se estudos te&oacute;ricos m&uacute;ltiplos que em nada contribuem para alterar as situa&ccedil;&otilde;es e s&oacute; esgotam as verbas e os recursos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>3 &ndash; A n&iacute;vel da habita&ccedil;&atilde;o, a experi&ecirc;ncia confirma que o realojamento feito em bairros ou pr&eacute;dios exclusivamente para ciganos, n&atilde;o promove a inclus&atilde;o, pelo contr&aacute;rio, cria novos guetos e agravamento dos problemas sociais. Constata-se, de facto, que muitos ciganos se sentem discriminados ao serem realojados em bairros e pr&eacute;dios s&oacute; para ciganos. Por isso, &eacute; recomend&aacute;vel que o realojamento da popula&ccedil;&atilde;o de etnia cigana se concretize numa dispers&atilde;o entre a restante popula&ccedil;&atilde;o portuguesa, a fim de haver uma intera&ccedil;&atilde;o que promova a real inclus&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>4 &ndash; A presen&ccedil;a de mediadores ciganos em algumas C&acirc;maras  Municipais tem-se mostrado uma mais-valia na rela&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o cigana com os diversos servi&ccedil;os municipais e outras institui&ccedil;&otilde;es onde estes est&atilde;o presentes, assim como t&ecirc;m contribu&iacute;do para a resolu&ccedil;&atilde;o dos problemas dificuldades e conflitos que v&atilde;o surgindo nestas rela&ccedil;&otilde;es. Por isso, recomenda-se &agrave;s Autarquias que aceitem e promovam a presen&ccedil;a de mediadores ciganos, mesmo como interlocutores volunt&aacute;rios. Existem muitas pessoas que receberam forma&ccedil;&atilde;o para mediadores s&oacute;cio-culturais, que s&atilde;o um recurso pouco rentabilizado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>5 &ndash; Constata-se que em algumas escolas ainda existe discrimina&ccedil;&atilde;o no que se refere &agrave;s crian&ccedil;as ciganas, acontecendo mesmo escolas com turmas compostas s&oacute; por alunos ciganos, mantendo-os &agrave; margem das outras crian&ccedil;as. &Eacute; necess&aacute;rio eliminar de uma vez por todas a discrimina&ccedil;&atilde;o na escola, baseando-a s&oacute; no facto das crian&ccedil;as serem ciganas. &Eacute; importante promover o conhecimento e o interc&acirc;mbio das boas pr&aacute;ticas existentes em tantas escolas do pa&iacute;s, a fim de ajudar as escolas que manifestam incapacidade de integrar as crian&ccedil;as ciganas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>6 &ndash; O abandono escolar precoce por parte das crian&ccedil;as ciganas continua a ser um dos fatores que promove a exclus&atilde;o social. Torna-se necess&aacute;rio promover uma intensifica&ccedil;&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o pais &ndash; escola, no sentido de despertar os pais para a indispens&aacute;vel necessidade da escolaridade e forma&ccedil;&atilde;o completa dos filhos, com vista a que estes possam ter melhores perspetivas de futuro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>7 &ndash; Os estere&oacute;tipos e preconceitos face aos ciganos continuam muito presentes na maioria da popula&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s. Como contributo para ajudar a eliminar preconceitos e estere&oacute;tipos deve-se promover a divulga&ccedil;&atilde;o das boas pr&aacute;ticas relacionas com pessoas e fam&iacute;lias ciganas, que vivem integradas social e profissionalmente<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>8 &ndash; A n&iacute;vel da Igreja nota-se a falta de interesse pastoral face &agrave; popula&ccedil;&atilde;o de etnia Cigana. Esta constata&ccedil;&atilde;o &eacute; confirmada na pouca participa&ccedil;&atilde;o no encontro nacional, pois a maioria das dioceses do pa&iacute;s estive ausente. Torna-se urgente promover um efetivo comprometimento da Igreja com a popula&ccedil;&atilde;o cigana, a qual tem, obrigatoriamente, de ser assumida como uma parcela do Povo de Deus, que &eacute; sujeito de evangeliza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>9 &ndash; Continua a notar-se a falta de sensibilidade de muitos p&aacute;rocos e comunidades paroquiais para aceitar, no seu seio, os crist&atilde;os de origem cigana, acontecendo, por vezes, algumas atitudes discriminat&oacute;rias, antievang&eacute;licas, que desacreditam a pr&oacute;pria Igreja. Da&iacute; ser necess&aacute;rio promover a sensibiliza&ccedil;&atilde;o dos p&aacute;rocos e comunidades paroquiais para esta realidade, a qual s&oacute; surtir&aacute; algum efeito se partir dos respons&aacute;veis m&aacute;ximos da Igreja, ou seja, dos Bispos. Por isso, recomendamos &agrave; Comiss&atilde;o Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana que promova a elabora&ccedil;&atilde;o e divulga&ccedil;&atilde;o de um documento pastoral sobre esta realidade, dirigido a toda a Igreja que est&aacute; em Portugal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>10 &ndash; Constata-se que a Pastoral dos Ciganos tem se centrado mais na dimens&atilde;o social e s&oacute;cio-caritativa do que na dimens&atilde;o evangelizadora. Da&iacute; ser necess&aacute;rio promover uma pastoral integral, que abranja, em simult&acirc;neo, as duas dimens&otilde;es. Uma pastoral descentralizada, que v&aacute; ao encontro das pessoas e n&atilde;o se limite a esperar que sejam estas a ir &agrave; procura. Neste caso, h&aacute; que ter uma especial aten&ccedil;&atilde;o ao acolhimento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>11 &ndash; Os participantes congratularam-se com a realiza&ccedil;&atilde;o do pr&oacute;ximo encontro europeu do Comit&eacute; Cat&oacute;lico Internacional para os Ciganos (CCIT), em Portugal, o qual acontecer&aacute; de 23 a 25 de mar&ccedil;o de 2012 em F&aacute;tima, sob o tema: <em>&ldquo;Face a uma sociedade cada vez mais estruturada, criadora da marginalidade, quais as perspetivas evang&eacute;licas&rdquo;<\/em>. A realiza&ccedil;&atilde;o do encontro foi considerada como um precioso contributo para sensibilizar a opini&atilde;o p&uacute;blica e a Igreja para a realidade cigana, e uma forma de conhecimento da realidade e das experi&ecirc;ncias nos diversos pa&iacute;ses da Europa.<\/p>\n<p>Castelo de Vide, 20 de novembro de 2011<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Promovido pela Obra Nacional da Pastoral dos Ciganos (ONPC) e pelo Secretariado Diocesano da Mobilidade Humana da Diocese de Portalegre-Castelo Branco, realizou-se, de 18 a 20 de novembro de 2011, o 38&ordm; Encontro Nacional da Pastoral dos Ciganos, na Casa Diocesana de Nossa Senhora das Gra&ccedil;as, em Mem-Soares, Castelo de Vide. Contou com a presen&ccedil;a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[168,171,174,179,182,187,189,203,279,282],"class_list":["post-53944","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-diocese-da-guarda","tag-diocese-de-beja","tag-diocese-de-coimbra","tag-diocese-de-portalegre-castelo-branco","tag-diocese-de-viana-do-castelo","tag-diocese-do-porto","tag-direitos-humanos","tag-europa","tag-pastoral-dos-ciganos","tag-pastoral-social"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53944","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=53944"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53944\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=53944"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=53944"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=53944"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}