{"id":5394,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/nao-a-fome-sim-ao-desenvolvimento\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"nao-a-fome-sim-ao-desenvolvimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/nao-a-fome-sim-ao-desenvolvimento\/","title":{"rendered":"N\u00e3o, \u00e0 fome &#8211; sim, ao desenvolvimento"},"content":{"rendered":"<p>1. N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil enumerar algumas sugest\u00f5es para que os crist\u00e3os se comprometam mais na erradica\u00e7\u00e3o da pobreza e na solu\u00e7\u00e3o de outros problemas sociais. Pelo contr\u00e1rio, \u00e9 extremamente dif\u00edcil estimular actua\u00e7\u00f5es pessoais e movimentos colectivos para a consecu\u00e7\u00e3o desse objectivo. Tr\u00eas raz\u00f5es, j\u00e1 ancestrais, v\u00eam impedindo este compromisso social, t\u00e3o necess\u00e1rio: o predom\u00ednio do interesse particular sobre o geral; a transfer\u00eancia de responsabilidades para outrem (o Estado ou outras entidades); e a redu\u00e7\u00e3o da interven\u00e7\u00e3o social \u00e0 esfera da assist\u00eancia e das obras ou institui\u00e7\u00f5es sociais. Apesar destes constrangimentos, vale a pena adiantar algumas sugest\u00f5es que visam actua\u00e7\u00f5es em profundidade e de car\u00e1cter geral.  Tr\u00eas proximidades 2. No dom\u00ednio especificamente social, imp\u00f5e-se incrementar tr\u00eas proximidades estruturantes: a b\u00e1sica, a inter-m\u00e9dia e a central. A proximidade b\u00e1sica \u00e9 a que se observa, no espa\u00e7o de resid\u00eancia, entre as pessoas carentes, seus familiares, vizinhos, amigos e grupos de volunt\u00e1rios. \u00c9 nesta proximidade que ocorrem o primeiro conhecimento dos problemas, a ajuda imediata e continuada e a media\u00e7\u00e3o junto de outras entidades. A proximidade interm\u00e9dia \u00e9 aquela em que interv\u00eam organismos p\u00fablicos e institui\u00e7\u00f5es particulares de solidariedade social e tamb\u00e9m entidades privadas prestadoras de servi\u00e7os sociais. O acesso a estes conjuntos de entidades pode ser conseguido, directamente, pelas pr\u00f3prias pessoas carentes ou atrav\u00e9s da media\u00e7\u00e3o de outras pessoas que fazem parte da proximidade b\u00e1sica. A proximidade central \u00e9 a que se observa (ou devia observar) entre representantes do Estado e das institui\u00e7\u00f5es sociais de \u00e2mbito nacional.  3. Para o conveniente funcionamento das tr\u00eas proximidades, seria indispens\u00e1vel que a b\u00e1sica e a interm\u00e9dia utilizassem ao m\u00e1ximo os meios de solu\u00e7\u00e3o dispon\u00edveis para os problemas diagnosticados, incluindo o recurso a servi\u00e7os de sa\u00fade, ou outros, que s\u00f3 se encontram nas sedes de concelho ou noutras localidades, particularmente nos grandes centros urbanos. Seria tamb\u00e9m indispens\u00e1vel que, a n\u00edvel central, fossem levados a efeito encontros regulares entre representantes do Estado e das institui\u00e7\u00f5es sociais de \u00e2mbito nacional, tendo em vista fundamentalmente: a tomada de consci\u00eancia dos problemas sem solu\u00e7\u00e3o, com os meios dispon\u00edveis; a procura das solu\u00e7\u00f5es poss\u00edveis e a prepara\u00e7\u00e3o das medidas de pol\u00edtica necess\u00e1rias; e, ainda, o reconhecimento p\u00fablico dos problemas para os quais n\u00e3o se conseguem encontrar vias de solu\u00e7\u00e3o adequadas. As tr\u00eas proximidades n\u00e3o funcionar\u00e3o convenientemente se a n\u00edvel local (freguesia e munic\u00edpio) e nacional, n\u00e3o existir uma verdadeira consci\u00eancia colectiva dos problemas sociais, fomentadora da pr\u00e1tica de co-responsabilidade para as respectivas solu\u00e7\u00f5es. As par\u00f3quias s\u00e3o espa\u00e7os privilegiados de promo\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia colectiva e de co-responsabilidade solid\u00e1ria, pouco aproveitados por enquanto.  Desenvolvimento integrado e inclusivo 4. Para al\u00e9m do fomento das tr\u00eas proximidades, a solu\u00e7\u00e3o dos problemas sociais requer tamb\u00e9m o desenvolvimento integrado e inclusivo. O desenvolvimento integrado, implica, nomeadamente: a abrang\u00eancia de todas as pessoas e as m\u00faltiplas dimens\u00f5es da vida pessoal e colectiva, tais como a social, a econ\u00f3mica, a cultural, a ecol\u00f3gica e a pol\u00edtica. Implica, igualmente, a interac\u00e7\u00e3o dessas dimens\u00f5es, com realce para a interac\u00e7\u00e3o permanente entre a econ\u00f3mica e a social. Daqui decorre que todas as pol\u00edticas sectoriais deveriam ter em conta a sua incid\u00eancia na solu\u00e7\u00e3o dos problemas sociais, incluindo a sua capacidade para a estabilidade e a cria\u00e7\u00e3o de empregos. Decorre tamb\u00e9m o imperativo de harmo-niza\u00e7\u00e3o, \u00e0 escala nacional, das diferentes pol\u00edticas e actua\u00e7\u00f5es visando a atenua\u00e7\u00e3o e erradica\u00e7\u00e3o da pobreza e de outros problemas sociais.  Actuando-se deste modo, o desenvolvimento ser\u00e1 efectivamente integrado e inclusivo: integrado, na medida em que abrange todas as pessoas e todas as dimens\u00f5es da sua exist\u00eancia; inclusivo, na medida em que est\u00e1 permanentemente atento aos riscos de exclus\u00e3o social, procurando evit\u00e1-la e erradic\u00e1-la.  5. O desenvolvimento integrado e inclusivo tem um espa\u00e7o privilegiado de realiza\u00e7\u00e3o a n\u00edvel de freguesia. A\u00ed \u00e9 relativamente mais f\u00e1cil conhecer os problemas sociais e at\u00e9 pessoais, identificar potencialidades, congregar esfor\u00e7os e promover as iniciativas recomend\u00e1veis. As experi\u00eancias de \u201cdesenvolvimento comunit\u00e1rio\u201d (que ocorreram, nos anos 60 do s\u00e9culo passado, com forte impulso da Prof\u00aa Manuela Silva) e as iniciativas mais recentes de \u201cdesenvolvimento local\u201d s\u00e3o refer\u00eancias inspiradoras da ac\u00e7\u00e3o que pode realizar-se na generalidade das freguesias e concelhos.  As juntas de freguesia, as c\u00e2maras municipais, o associativismo, as institui\u00e7\u00f5es locais, os organismos p\u00fablicos, bem como as empresas, t\u00eam pap\u00e9is espec\u00edficos a desempenhar no esfor\u00e7o de desenvolvimento local (tamb\u00e9m designado \u201csociolocal\u201d para acentuar o peso das dimens\u00f5es sociais).  6. Neste conjunto de entidades, \u00e9 particularmente relevante a par\u00f3quia, atendendo ao seu enraizamento, \u00e0 sua antiguidade, \u00e0 cultura e pr\u00e1tica de comunidade, mais ou menos consolidada, e \u00e0 multiplicidade de iniciativas que t\u00eam caracterizado a sua hist\u00f3ria. At\u00e9 se recomenda que \u2013 independentemente de aspirar \u00e0 lideran\u00e7a \u2013 a par\u00f3quia tome a iniciativa de promover o desenvolvimento local e de suscitar o interesse de outras entidades.  7. No plano nacional, destaca-se o PNAI (Plano Nacional de Ac\u00e7\u00e3o para a Inclus\u00e3o) que, ali\u00e1s, se integra numa iniciativa mais ampla, que abrange todos os pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia. Este Plano, baseando-se em preocupa\u00e7\u00f5es de natureza social, procura ser integrado e inclusivo. Procura tamb\u00e9m suscitar a participa\u00e7\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es locais e dos diferentes organismos, institui\u00e7\u00f5es, grupos e outras entidades que possam contribuir para o desenvolvimento integrado e inclusivo. O PNAI ainda se encontra muito distante das popula\u00e7\u00f5es locais. Muitas nem sequer t\u00eam conhecimento da sua exist\u00eancia. Tal facto, por\u00e9m, n\u00e3o constitui motivo para n\u00e3o ser tido em conta; pelo contr\u00e1rio, \u00e9 desej\u00e1vel que o PNAI seja objecto de ampla e profunda participa\u00e7\u00e3o, e que esta venha a contribuir para o seu melhor ajustamento \u00e0s realidades, necessidades e potencialidades sociais.  Ac\u00e1cio F. Catarino <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil enumerar algumas sugest\u00f5es para que os crist\u00e3os se comprometam mais na erradica\u00e7\u00e3o da pobreza e na solu\u00e7\u00e3o de outros problemas sociais. Pelo contr\u00e1rio, \u00e9 extremamente dif\u00edcil estimular actua\u00e7\u00f5es pessoais e movimentos colectivos para a consecu\u00e7\u00e3o desse objectivo. 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