{"id":53938,"date":"2011-11-20T16:38:00","date_gmt":"2011-11-20T16:38:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/11\/20\/homilia-do-cardeal-patriarca-na-ordenacao-episcopal-de-d-nuno-bras-da-silva-martins-bispo-auxiliar-de-lisboa\/"},"modified":"2011-11-20T16:38:00","modified_gmt":"2011-11-20T16:38:00","slug":"homilia-do-cardeal-patriarca-na-ordenacao-episcopal-de-d-nuno-bras-da-silva-martins-bispo-auxiliar-de-lisboa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-cardeal-patriarca-na-ordenacao-episcopal-de-d-nuno-bras-da-silva-martins-bispo-auxiliar-de-lisboa\/","title":{"rendered":"Homilia do cardeal-patriarca na ordena\u00e7\u00e3o episcopal de D. Nuno Br\u00e1s da Silva Martins, bispo auxiliar de Lisboa"},"content":{"rendered":"<p><strong>&ldquo;O Minist&eacute;rio Episcopal e a Senhoria de Jesus Cristo&rdquo;<\/strong><\/p>\n<p>1. No &uacute;ltimo dia do ano lit&uacute;rgico, celebramos a realeza de Jesus Cristo, exprimindo, assim, a verdade fundamental da liturgia crist&atilde;: celebramos sempre a gl&oacute;ria de Cristo ressuscitado, que se h&aacute; de manifestar plenamente no &uacute;ltimo dia, quando definitivamente vencida a morte, &ldquo;todas as coisas forem submetidas a Cristo&rdquo; (1Cor. 15,26), manifestando a soberania de Deus.<\/p>\n<p>Designar esta gl&oacute;ria de Jesus Cristo como realeza, fundamenta-se na tradi&ccedil;&atilde;o b&iacute;blica do Messias Rei. Descendente de David, o Messias &eacute; o Rei de Israel. Mas a Igreja celebra o triunfo da Sua ressurrei&ccedil;&atilde;o, da qual recebemos a for&ccedil;a do Esp&iacute;rito para vencer em n&oacute;s o pecado e a morte e vivermos na esperan&ccedil;a da ressurrei&ccedil;&atilde;o. Mas na linguagem da f&eacute; &eacute; mais comum dizer que Cristo &eacute; nosso Senhor e menos frequentemente que Ele &eacute; o nosso Rei. O t&iacute;tulo de Senhor dado a Cristo ressuscitado &eacute; comum na Igreja primitiva. S&atilde;o Paulo na Carta aos Filipenses, proclamando a resposta de Deus Pai &agrave; humildade de Seu Filho, que na obedi&ecirc;ncia aceitou a morte oferecendo por n&oacute;s a Sua vida, proclama: &ldquo;Por isso Deus O exaltou e Lhe deu um Nome que est&aacute; acima de todos os nomes&hellip; para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho, no c&eacute;u, na terra e sob a terra, e toda a l&iacute;ngua confesse que Jesus Cristo &eacute; Senhor, para gl&oacute;ria de Deus Pai&rdquo; (Fil. 2,9-11).<\/p>\n<p>A palavra &ldquo;Senhor&rdquo;, na l&iacute;ngua grega &ldquo;K&uacute;rios&rdquo;, tem uma grande nobreza. Na primeira tradu&ccedil;&atilde;o grega da B&iacute;blia foi usada para exprimir o nome divino. Os imperadores romanos exprimiram a gl&oacute;ria do seu imp&eacute;rio, que chegou &agrave; proclama&ccedil;&atilde;o da divindade do imperador, com o t&iacute;tulo de &ldquo;Senhor&rdquo;. C&eacute;sar &eacute; Senhor, era a express&atilde;o com que se saudava o imperador. Vemos, assim, toda a grandeza desta afirma&ccedil;&atilde;o de Paulo: Cristo &eacute; Senhor para gl&oacute;ria de Deus Pai.<\/p>\n<p>2. A Palavra de Deus conduz-nos na compreens&atilde;o da &ldquo;Senhoria&rdquo; de Jesus Cristo. Ela n&atilde;o se afirma como a grandeza dos senhores deste mundo. Ele pr&oacute;prio proclama diante de Pilatos: &ldquo;O meu Reino n&atilde;o &eacute; deste mundo&rdquo; (Jo. 18,36). Exprime, antes de mais, a sua divindade. &ldquo;Senhor tornou-se no nome de Deus&rdquo;. Na primeira gera&ccedil;&atilde;o, crist&atilde;os houve que foram martirizados porque se recusaram a dizer &ldquo;C&eacute;sar &eacute; Senhor&rdquo;, porque o seu Senhor era Jesus Cristo. Esta dimens&atilde;o est&aacute; bem expressa na f&oacute;rmula de ora&ccedil;&atilde;o &ldquo;meu Senhor e meu Deus&rdquo;.<\/p>\n<p>Mas na nossa hist&oacute;ria de salva&ccedil;&atilde;o, no concreto das nossas vidas, esta Senhoria manifesta-se no amor com que nos resgata para a vida, dando a vida por n&oacute;s, dom que renova em cada Eucaristia que celebramos. Este amor est&aacute; bem expresso na imagem do Bom Pastor. Ele &eacute; o Bom Pastor, porque encarnou na Sua experi&ecirc;ncia humana o amor de Deus pelo seu povo, como escut&aacute;mos no Profeta Ezequiel: &ldquo;Eu pr&oacute;prio tomarei cuidado das minhas ovelhas&hellip; Eu hei de olhar pelas minhas ovelhas&rdquo; (Ez. 34,11-12). A Senhoria de Jesus Cristo &eacute; o triunfo da caridade. Ele identifica-se sobretudo com os pobres e os abandonados. &ldquo;Aquilo que fizestes ao mais pequenino dos meus irm&atilde;os foi a Mim que o fizestes&rdquo; (Mt. 25,40).<\/p>\n<p>Esta identifica&ccedil;&atilde;o com Cristo permite aos que O seguem participar na sua realeza. O seu triunfo definitivo consistir&aacute;, exatamente, nessa identifica&ccedil;&atilde;o dos eleitos com Ele, o Bom Pastor. O Reino dos C&eacute;us ser&aacute; o triunfo da caridade, a manifesta&ccedil;&atilde;o da verdadeira dimens&atilde;o do triunfo de Jesus Cristo. Crescer nesta uni&atilde;o com Cristo e de todos em Cristo &eacute; o caminho da Igreja que ela percorre com a for&ccedil;a do Esp&iacute;rito de amor.<\/p>\n<p>3. Esta celebra&ccedil;&atilde;o da realeza de Jesus Cristo &eacute;, este ano, enriquecida com a ordena&ccedil;&atilde;o de um Bispo. Pela imposi&ccedil;&atilde;o das nossas m&atilde;os ser&aacute; conferida ao Senhor D. Nuno a plenitude do sacerd&oacute;cio apost&oacute;lico. Ele ser&aacute; sacramento da Senhoria de Jesus Cristo. A sua Senhoria n&atilde;o ser&aacute; como a dos senhores deste mundo, mas sacramento da Senhoria de Jesus Cristo. O triunfo de Nosso Senhor e Redentor deve exprimir-se em toda a sua vida. Sacramento de Jesus Cristo ele &eacute; pastor do seu Povo. O Bispo &eacute; sacramento de Cristo Bom Pastor, o que transforma toda a nossa vida. Somos chamados a ser dom sem hesita&ccedil;&atilde;o e sem limites, a tomar a s&eacute;rio as Palavras de Jesus: &ldquo;o que fizeres ao mais pequenino dos meus irm&atilde;os &eacute; a Mim que o fazeis&rdquo;. A caridade &eacute; a express&atilde;o central do minist&eacute;rio do Bispo, porque &eacute; sacramento da caridade de Jesus Cristo, que lhe pede que a exprima com o seu amor de homem. O Bispo deve fazer que aqueles de quem &eacute; Pastor se sintam amados por Cristo, o nosso Bom Pastor.<\/p>\n<p>Mais um Bispo &eacute; sempre um dom de Deus &agrave; sua Igreja. Agrade&ccedil;amos ao Senhor, neste dia, este dom &agrave; Igreja de Lisboa que, nas circunst&acirc;ncias presentes, tanto dele precisa. Quando uma Diocese, pelas suas dimens&otilde;es, &eacute; servida por v&aacute;rios Bispos, eles t&ecirc;m de ser, na sua comunh&atilde;o de f&eacute; e de caridade, testemunho vivo do &uacute;nico Senhor. H&aacute; um &uacute;nico minist&eacute;rio episcopal; em comunh&atilde;o, tamb&eacute;m com os nossos presb&iacute;teros, queremos ser pastores desta Igreja, e manifestar no nosso minist&eacute;rio a Senhoria de Jesus Cristo. Queremos que, atrav&eacute;s do nosso minist&eacute;rio, esta Igreja se sinta amada e seja no mundo sinal do triunfo de Jesus Cristo.<\/p>\n<p>Mosteiro dos Jer&oacute;nimos, 20 de novembro de 2011<\/p>\n<p><em>D. Jos&eacute; Policarpo, Cardeal-Patriarca<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&ldquo;O Minist&eacute;rio Episcopal e a Senhoria de Jesus Cristo&rdquo; 1. 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