{"id":53718,"date":"2011-11-08T11:36:07","date_gmt":"2011-11-08T11:36:07","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/11\/08\/falar-verdade-sobre-a-educacao\/"},"modified":"2011-11-08T11:36:07","modified_gmt":"2011-11-08T11:36:07","slug":"falar-verdade-sobre-a-educacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/falar-verdade-sobre-a-educacao\/","title":{"rendered":"Falar verdade sobre a educa\u00e7\u00e3o&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>Jorge Cotovio, secret\u00e1rio-geral da APEC <!--more--> <\/p>\n<p>Finalmente, um ministro da educa&ccedil;&atilde;o diz a verdade! Nuno Crato considera que &ldquo;&eacute; altura de se falar verdade e come&ccedil;ar a ver que tudo isto tem um efeito brutal sobre o contribuinte&rdquo;. Ao ouvirmos este coment&aacute;rio de um governante desconfiamos que at&eacute; agora se ocultava propositadamente a verdade ou, em &uacute;ltima an&aacute;lise, at&eacute; se mentia&hellip; (E &agrave;s tantas estou mesmo a dizer&hellip; &ldquo;a verdade&rdquo;.)<\/p>\n<p>Mas esta frase do ministro tem um tom economicista. Tamb&eacute;m n&atilde;o &eacute; de estranhar, claro, nos tempos que correm. E aqui &eacute; que reside o bus&iacute;lis da quest&atilde;o, que nos tem arrastado e agastado nas &uacute;ltimas (?) d&eacute;cadas. Um &ldquo;bom&rdquo; ministro da educa&ccedil;&atilde;o teria antes dito que &ldquo;&eacute; altura de se falar verdade e come&ccedil;ar a ver que tudo isto tem um efeito brutal sobre o cidad&atilde;o e a sociedade&rdquo;. Porque todos n&oacute;s somos mais do que meros contribuintes&hellip;<\/p>\n<p>Pois &eacute;. Tem-nos faltado &ldquo;educa&ccedil;&atilde;o&rdquo;. Temos sido &ldquo;mal educados&rdquo;. O problema educacional portugu&ecirc;s n&atilde;o reside &ndash; de forma alguma! &ndash; em desdobrarmos ou n&atilde;o Educa&ccedil;&atilde;o Visual e Tecnol&oacute;gica, em retirarmos (ou substituirmos) mais uma ou outra disciplina, em termos mais ou menos computadores na sala de aula, em requalificarmos mais ou menos escolas. Se assim fosse, ter&iacute;amos melhor educa&ccedil;&atilde;o (ou seja melhores resultados acad&eacute;micos comparativamente com outros pa&iacute;ses e, sobretudo, mais humanidade, mais princ&iacute;pios, na sociedade) desde que tivemos computadores, quadros interativos, novas &aacute;reas curriculares de forma&ccedil;&atilde;o c&iacute;vica, estudo acompanhado, &aacute;rea de projeto, muito dinheiro para projetos e parcerias, aulas com dois professores e escolas estatais luxuosas em muitos lados.<\/p>\n<p>O problema educacional portugu&ecirc;s &eacute; &ldquo;estrutural&rdquo;, isto &eacute;, enferma de males que residem na nossa forma de ser e estar, cimentados ao longo de s&eacute;culos. Al&eacute;m de sermos mal educados &ndash; porque nunca se investiu seriamente na educa&ccedil;&atilde;o &ndash; somos pouco obedientes. N&atilde;o t&ecirc;m as nossas refer&ecirc;ncias crist&atilde;s, ao longo dos s&eacute;culos, feito apelo mais ou menos constante &agrave; cultura da austeridade, da poupan&ccedil;a, do trabalho, da humildade, da fam&iacute;lia, da &eacute;tica profissional, do servi&ccedil;o ao pr&oacute;ximo, da humanidade das rela&ccedil;&otilde;es, da espiritualidade? E o que temos feito, designadamente na escola? As pol&iacute;ticas de educa&ccedil;&atilde;o (e os agentes educativos) t&ecirc;m criado a cultura do facilitismo, da permissividade, do imediatismo, da superficialidade, para os alunos, e do esbanjamento de recursos, do mercenarismo, do laicismo para a administra&ccedil;&atilde;o escolar. Esta mistura foi, como (n&atilde;o) se esperava, &ldquo;explosiva&rdquo;. E batemos &rdquo;no fundo&rdquo;. No fundo, temos de mudar radicalmente de paradigma, custe o que custar. Temos n&atilde;o s&oacute; de poupar papel e energia e professores e disciplinas, como avisa Nuno Crato, mas sobretudo, mudar a nossa forma de sentirmos e lermos a vida. A vida n&atilde;o se esgota na curta passagem terrena. Ela continua e ser&aacute; potenciada quando alguns (ainda) pensam que &ldquo;tudo acabou&rdquo;. Como tal, n&atilde;o temos de queimar etapas para a digerir rapidamente, como se ela desaparecesse num &aacute;pice.<\/p>\n<p>Pelo contr&aacute;rio, temos de a saborear, dar valor aos pequenos gestos, aos acontecimentos simples. Temos de ir &agrave; ess&ecirc;ncia das coisas. Como a vida &eacute; &ldquo;eterna&rdquo; temos (muito) tempo para a viver; nesta perspetiva, podemos estar mais calmos, olharmos com mais aten&ccedil;&atilde;o o que nos rodeia, cuidarmos mais da natureza, atendermos mais &agrave;s pessoas que nos s&atilde;o pr&oacute;ximas.<\/p>\n<p>N&atilde;o, n&atilde;o podemos continuar a esgotar o prazer no sensualismo desregulado, idolatrado pelo sexo, pela moda, pelo luxo, pelo dinheiro, pelo poder, pela gan&acirc;ncia, pela inveja. N&atilde;o, n&atilde;o podemos continuar a desperdi&ccedil;ar recursos porque al&eacute;m de eles serem cada vez mais escassos, geram injusti&ccedil;as. Temos de &ldquo;tirar partido&rdquo; do imenso recurso que n&oacute;s somos, como &ldquo;pessoas&rdquo;, seres criados para a &ldquo;rela&ccedil;&atilde;o&rdquo;, para o amor.<\/p>\n<p>Temos que fruir a vida de outra forma. E enquanto n&atilde;o assentarmos neste paradigma desenhado no Evangelho, n&atilde;o nos safamos. Enquanto n&atilde;o descobrirmos a divindade que existe dentro de n&oacute;s e nos impele ao amor, n&atilde;o sa&iacute;mos da crise, nem com carradas de apoios do FMI ou perd&otilde;es da nossa &ldquo;d&iacute;vida soberana&rdquo;.<\/p>\n<p>Educar &eacute; &ldquo;tirar de dentro&rdquo;, &ldquo;extrair&rdquo;. &Eacute; ajudar a crian&ccedil;a, o jovem, o adulto a aproveitar e saber gerir da melhor forma os recursos, os talentos que encerra. Incumbe &agrave; fam&iacute;lia, incumbe &agrave; escola, incumbe &agrave; sociedade criar condi&ccedil;&otilde;es para que todas as dimens&otilde;es da pessoa se desenvolvam. Todas. Tamb&eacute;m a da &eacute;tica, tamb&eacute;m a da espiritualidade\/ religiosidade. E s&atilde;o estas que est&atilde;o a fazer muita falta nos tempos que correm&hellip;<\/p>\n<p>Oxal&aacute; o senhor ministro tenha tempo para pensar e saiba valorizar a &ldquo;verdade&rdquo; na educa&ccedil;&atilde;o, no conselho de ministros e na sociedade. E n&atilde;o se esque&ccedil;a da &ldquo;espiritualidade&rdquo; da educa&ccedil;&atilde;o&hellip;<\/p>\n<p><em>Jorge Cotovio, secret&aacute;rio-geral da APEC &ndash; Associa&ccedil;&atilde;o Portuguesa de Escolas Cat&oacute;licas<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jorge Cotovio, secret\u00e1rio-geral da APEC<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[115,193,199],"class_list":["post-53718","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-apec","tag-educacao","tag-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53718","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=53718"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53718\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=53718"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=53718"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=53718"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}