{"id":53717,"date":"2011-11-08T11:33:17","date_gmt":"2011-11-08T11:33:17","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/11\/08\/algumas-reflexoes-sobre-o-projeto-de-orcamento-para-2012\/"},"modified":"2011-11-08T11:33:17","modified_gmt":"2011-11-08T11:33:17","slug":"algumas-reflexoes-sobre-o-projeto-de-orcamento-para-2012","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/algumas-reflexoes-sobre-o-projeto-de-orcamento-para-2012\/","title":{"rendered":"Algumas reflex\u00f5es sobre o Projeto de or\u00e7amento para 2012"},"content":{"rendered":"<p>Ant\u00f3nio Soares, Comiss\u00e3o Diocesana Justi\u00e7a e Paz de Set\u00fabal <!--more--> <\/p>\n<p>O Governo portugu&ecirc;s entregou recentemente &agrave; Assembleia  da Rep&uacute;blica o Projeto de Or&ccedil;amento de Estado para 2012. J&aacute; se sabe que, tendo em conta a composi&ccedil;&atilde;o da Assembleia, este projeto transformar-se-&aacute; na Lei do Or&ccedil;amento da 2012, com eventuais modifica&ccedil;&otilde;es que poder&atilde;o ser introduzidas ap&oacute;s a chamada discuss&atilde;o na especialidade.<\/p>\n<p>Antes de tecer algumas considera&ccedil;&otilde;es sobre o texto que &eacute; conhecido, conv&eacute;m recordar que qualquer Or&ccedil;amento de Estado &eacute; uma pe&ccedil;a t&eacute;cnica de grande import&acirc;ncia para a vida dos cidad&atilde;os, uma vez que corresponde &agrave; fixa&ccedil;&atilde;o de n&iacute;veis de receita e despesas do aparelho do Estado condiciona e determina instrumentos de politica econ&oacute;mica, fiscal e social que afetam, de forma muito significativa, n&atilde;o s&oacute; a vida dos cidad&atilde;os dos setores p&uacute;blico e privado, mas tamb&eacute;m a vida das empresas e outras institui&ccedil;&otilde;es de car&aacute;ter p&uacute;blico ou particular. Em suma, o Or&ccedil;amento de Estado n&atilde;o &eacute; uma pe&ccedil;a inofensiva ou neutra e tem sempre associado uma certa conce&ccedil;&atilde;o do Estado e da Sociedade, bem como um modelo ideal de relacionamento dos cidad&atilde;os.<\/p>\n<p>Este Projeto de Or&ccedil;amento para 2012 surge num momento hist&oacute;rico caracterizado por uma crise profunda que se sente &agrave; escala nacional, europeia e mundial. Portugal, como de resto outros pa&iacute;ses, ao longo dos anos, para manter e aumentar os n&iacute;veis de qualidade de vida dos seus cidad&atilde;os foram recorrendo a cr&eacute;ditos internos e externos acumulando, assim, uma d&iacute;vida que ultrapassa os limites do razo&aacute;vel. Foi ent&atilde;o necess&aacute;rio recorrer &agrave; ajuda externa e consequentemente ao estabelecimentos de acordos e compromissos com a chamada TROIKA- FMI, BCE e CE.<\/p>\n<p>Compreende-se, e at&eacute; se aceita, que o Projeto de Or&ccedil;amento para 2012 seja um or&ccedil;amento de conten&ccedil;&atilde;o, que procure reduzir o d&eacute;fice das contas p&uacute;blicas, elimine gastos sup&eacute;rfluos, e respeite compromissos assumidos pelo Estado Portugu&ecirc;s com os representantes dos seus Credores.<\/p>\n<p>Por&eacute;m, ao analisarmos com algum pormenor este Projeto de Or&ccedil;amento, verificamos que ao contr&aacute;rio do que seria razo&aacute;vel, estamos em presen&ccedil;a de um Or&ccedil;amento que ultrapassa limites de conten&ccedil;&atilde;o e metas assumidas com a TROIKA. N&atilde;o conseguindo eliminar gorduras no Estado vai por um caminho &laquo;f&aacute;cil&raquo; de aumentar impostos e reduzir gastos com Pessoal. (sal&aacute;rios e remunera&ccedil;&otilde;es acess&oacute;rias).<\/p>\n<p>Por este caminho o exagero na conten&ccedil;&atilde;o ter&aacute; um efeito muito negativo. A quebra do PIB (Produto Interno Bruto) de 2,8% (que o Governo prev&ecirc; para 2012) ser&aacute; ultrapassada em muito. Para alcan&ccedil;ar a meta do deficit fixado, o Governo esquece completamente a necessidade imperiosa de criar riqueza, condi&ccedil;&atilde;o sine qua non para a viabilidade futura do pa&iacute;s.<\/p>\n<p>Uma medida assumida no Or&ccedil;amento de 2012 &eacute; o aumento do IVA &ndash; Imposto de Valor Acrescentado &#8211; por via da passagem de bens que eram taxados &agrave;s taxas m&eacute;dia e reduzida, para a taxa normal. S&atilde;o afetados produtos alimentares essenciais, que ficar&atilde;o mais caros e a restaura&ccedil;&atilde;o. O Turismo que, como se sabe, gera importantes receitas, ficar&aacute; muito afetado. Basta ter presente que outros pa&iacute;ses europeus que concorrem com Portugal t&ecirc;m taxas de IVA bem mais baixas. Esta subida do IVA afetar&aacute; de forma cega o Consumo e n&atilde;o conseguir&aacute;, por via da retra&ccedil;&atilde;o, gerar as receitas que o Governo fixou<\/p>\n<p>O Or&ccedil;amento de 2012 &eacute; um or&ccedil;amento duro, que exige sacrif&iacute;cios exagerados a muitos cidad&atilde;os e que ainda por cima apresenta uma incerteza grande em rela&ccedil;&atilde;o ao alcance das metas fixadas.<\/p>\n<p>Um outro aspeto cr&iacute;tico deste Or&ccedil;amento &eacute;, como muitos tem referido, a insensibilidade social. Cortes cegos &ndash; a partir de percentagens fixadas -, na Sa&uacute;de, Educa&ccedil;&atilde;o,  Cultura,  entre outros Setores. Tamb&eacute;m os apoios sociais aos cidad&atilde;os e &agrave; Institui&ccedil;&otilde;es de Solidariedade Social apresentam redu&ccedil;&otilde;es que est&atilde;o para al&eacute;m dos limites m&iacute;nimos aceit&aacute;veis.<\/p>\n<p>A n&iacute;vel do IRS &ndash; Imposto sobre Rendimento das Pessoas Singulares &#8211; a cria&ccedil;&atilde;o de mais um escal&atilde;o para rendimentos mais elevados, parece justa. Por&eacute;m, ao n&iacute;vel das dedu&ccedil;&otilde;es &agrave; coleta, esta atinge classes mais desfavorecidas e traduzir-se-&aacute; num aumento de Imposto.<\/p>\n<p>Em jeito de conclus&atilde;o, julgo poder dizer-se que este Projeto Or&ccedil;amento de 2012 deveria ser retocado e alterado. Deveria ser abandonada a &laquo;obsess&atilde;o&raquo; pelo cumprimento do deficit e dos prazos fixados para satisfa&ccedil;&atilde;o dos compromissos. Deveria ser encarada a hip&oacute;tese de baixar o IRC para estimular as Empresas a produzir, sobretudo a exportar. Criar incentivos ao investimento interno e externo. Distribuir os sacrif&iacute;cios de acordo com os meios que cada um disp&otilde;e protegendo os mais desfavorecidos.<\/p>\n<p>Oxal&aacute; que as altera&ccedil;&otilde;es que venham a ser introduzidas, pelos Deputados da Assembleia da Rep&uacute;blica neste projeto de Or&ccedil;amento de 2012, venham neste sentido, para bem de Portugal e dos seus cidad&atilde;os.<\/p>\n<p><em>Ant&oacute;nio Soares, Comiss&atilde;o Diocesana Justi&ccedil;a e Paz de Set&uacute;bal<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ant\u00f3nio Soares, Comiss\u00e3o Diocesana Justi\u00e7a e Paz de Set\u00fabal<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[181,314,320],"class_list":["post-53717","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-diocese-de-setubal","tag-solidariedade","tag-turismo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53717","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=53717"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53717\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=53717"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=53717"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=53717"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}