{"id":53716,"date":"2011-11-08T11:26:31","date_gmt":"2011-11-08T11:26:31","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/11\/08\/um-orcamento-de-assimetrias\/"},"modified":"2011-11-08T11:26:31","modified_gmt":"2011-11-08T11:26:31","slug":"um-orcamento-de-assimetrias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/um-orcamento-de-assimetrias\/","title":{"rendered":"Um or\u00e7amento de assimetrias"},"content":{"rendered":"<p>F\u00e1tima Cunha Almeida, coordenadora nacional da LOC\/MTC <!--more--> <\/p>\n<p>A proposta de Or&ccedil;amento Geral do Estado para 2012 mostra o caminho por onde o atual governo pretende seguir para diminuir a d&iacute;vida p&uacute;blica e fazer Portugal sair da crise. Algumas das medidas apresentadas t&ecirc;m gerado em n&oacute;s muita preocupa&ccedil;&atilde;o, perplexidade e indigna&ccedil;&atilde;o. As consequ&ecirc;ncias destas escolhas, reconhecidamente negativas para a economia porque recessivas, s&atilde;o muito gravosas para as pessoas mais desfavorecidas, e, seguramente, criar&atilde;o muitas situa&ccedil;&otilde;es concretas de pobreza, mesmo entre os que vivem do seu sal&aacute;rio, das pens&otilde;es e dos apoios sociais.<\/p>\n<p>Conhecemos j&aacute; entre n&oacute;s v&aacute;rias situa&ccedil;&otilde;es dram&aacute;ticas de desempregados sem subs&iacute;dio de desemprego, porque terminou o tempo, e que n&atilde;o encontram qualquer tipo de trabalho com rendimento. S&atilde;o homens e mulheres com responsabilidades familiares, com filhos na escola e na universidade, que n&atilde;o sabem como viver o hoje ou pensar o amanh&atilde;. O desespero e at&eacute; mesmo o suic&iacute;dio est&atilde;o a tornar-se demasiado reais nas nossas comunidades. Ser&aacute; este o caminho? Ser&aacute; correto cortar nos subs&iacute;dios de desemprego no exato momento em que n&atilde;o h&aacute; trabalho para quem o procura?<\/p>\n<p>S&atilde;o cada vez mais os cidad&atilde;os &#8211; com trabalho ou desempregados -, a estenderem a m&atilde;o &agrave; caridade das institui&ccedil;&otilde;es e dos particulares; s&atilde;o cada vez mais as fam&iacute;lias sem recursos financeiros para o seu sustento b&aacute;sico; &eacute; cada vez maior a pobreza declarada e envergonhada. E n&oacute;s, Movimento de Trabalhadores Crist&atilde;os, conhecemos esta triste realidade porque estamos presente onde se vive e se sente tudo isto.<\/p>\n<p>Os cortes dr&aacute;sticos em servi&ccedil;os p&uacute;blicos como a educa&ccedil;&atilde;o e a prote&ccedil;&atilde;o social, que nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas fizeram diminuir expressivamente o analfabetismo e a pobreza, assim como nos cuidados de sa&uacute;de prim&aacute;ria e de proximidade, que contribu&iacute;ram para uma melhor qualidade e longevidade de vida, v&atilde;o condicionar a qualidade e a proximidade destes servi&ccedil;os essenciais.<\/p>\n<p>Ficamos indignados pelo facto dos pol&iacute;ticos continuarem a enganar os eleitores nas suas propostas de campanha eleitoral para alcan&ccedil;ar o poder e, quando o conseguem, executam de forma contr&aacute;ria o prometido. A austeridade, at&eacute; certo ponto reconhecida como necess&aacute;ria para o tempo que vivemos, recai sobretudo nos trabalhadores e reformados, que perdem poder de compra. E mais gritante ainda, destr&oacute;i direitos laborais a favor da precariedade e da fragiliza&ccedil;&atilde;o daqueles que vivem do seu trabalho.<\/p>\n<p>Estamos perplexos e indignados por nos quererem impor mais meia hora de trabalho gratuito, como solu&ccedil;&atilde;o para o aumento da produtividade. Esta medida, revela, como outras, ignor&acirc;ncia ou estudos mal elaborados sobre a realidade empresarial e laboral do nosso pa&iacute;s &ndash; veja-se como o caso da TSU foi deixado cair. Mais uma vez, apenas os trabalhadores s&atilde;o obrigados a prescindir de direitos alcan&ccedil;ados em acordos sociais, enquanto empres&aacute;rios e grupos econ&oacute;micos n&atilde;o investem no trabalho dignificador e justamente remunerado, fatores fundamentais para o equil&iacute;brio social entre trabalho e capital.<\/p>\n<p>Acreditamos que h&aacute; outras formas e outros caminhos que podem ser seguidos, nomeadamente, abrangendo tamb&eacute;m pol&iacute;ticos, banqueiros e grandes grupos econ&oacute;micos nas medidas ou exig&ecirc;ncias de austeridade, no sentido da diminui&ccedil;&atilde;o das assimetrias. N&atilde;o deveriam ser necess&aacute;rias as den&uacute;ncias sobre as subven&ccedil;&otilde;es ou ajudas financeiras aos pol&iacute;ticos para que prescindissem das mesmas. Por quest&otilde;es &eacute;ticas e de responsabilidade c&iacute;vica, todos os pol&iacute;ticos as deviam renegar livremente. Mas tamb&eacute;m os empres&aacute;rios e grupos econ&oacute;micos n&atilde;o deviam sediar as suas empresas em para&iacute;sos fiscais com a finalidade de n&atilde;o pagar os devidos impostos. As empresas dever&atilde;o ter presente o seu fim social, exercendo uma &eacute;tica respons&aacute;vel. Promovendo, quando poss&iacute;vel, a cria&ccedil;&atilde;o de mais postos de trabalho atrav&eacute;s do reinvestimento dos lucros da empresa, valorizando assim as pessoas e o crescimento econ&oacute;mico do nosso pa&iacute;s.<\/p>\n<p>Acreditamos que h&aacute; caminhos e medidas alternativos. &Eacute; urgente dar vez e voz, tamb&eacute;m medi&aacute;tica, a outros economistas e especialistas que apresentam diferentes propostas e medidas, promotoras de um desenvolvimento justo, equitativo, inclusivo e sustent&aacute;vel onde cada um e todos tenham o seu lugar na mesa do bem comum. Esta nossa afirma&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; feita de &acirc;nimo leve, pois vem na sequ&ecirc;ncia da reflex&atilde;o tornada p&uacute;blica pelo grupo de economistas da Comiss&atilde;o Nacional Justi&ccedil;a e Paz, que apoiamos, assim como do recente apelo do Papa Bento XVI aos l&iacute;deres das grandes economias para que <em>&ldquo;ajudem a superar as dificuldades que a n&iacute;vel mundial criam obst&aacute;culos &agrave; promo&ccedil;&atilde;o de um desenvolvimento autenticamente humano e integral<\/em>&rdquo;.<\/p>\n<p><em>F&aacute;tima Cunha Almeida, coordenadora nacional da LOC\/MTC<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>F\u00e1tima Cunha Almeida, coordenadora nacional da LOC\/MTC<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[120,191,207,247],"class_list":["post-53716","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-bento-xvi","tag-economia","tag-fatima","tag-loc-mtc"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53716","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=53716"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53716\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=53716"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=53716"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=53716"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}