{"id":53715,"date":"2011-11-08T11:23:09","date_gmt":"2011-11-08T11:23:09","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/11\/08\/a-nossa-maratona\/"},"modified":"2011-11-08T11:23:09","modified_gmt":"2011-11-08T11:23:09","slug":"a-nossa-maratona","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-nossa-maratona\/","title":{"rendered":"A nossa maratona"},"content":{"rendered":"<p>No meio daquela multid\u00e3o cada um se sente, de repente, radicalmente s\u00f3, ferido pela dor, provado por uma inc\u00f3gnita que n\u00e3o oferece tr\u00e9guas <!--more--> <\/p>\n<p>Acho que todas as vidas, mais longas ou mais breves, t&ecirc;m o mesmo comprimento: medem todas quarenta e dois Kms. Porqu&ecirc;? Por que essa &eacute; a extens&atilde;o de uma maratona. Repito: se a vida se parece com alguma modalidade, penso que n&atilde;o anda longe dessa corrida bela e intermin&aacute;vel que de uma maneira evidente coloca em prova a resist&ecirc;ncia, a esperan&ccedil;a e a vontade. Hoje vi passar uns largos milhares de corredores e dei comigo a pensar no que faz estas pessoas correr. N&atilde;o falo dos atletas profissionais que t&ecirc;m a&iacute; uma express&atilde;o importante da sua voca&ccedil;&atilde;o e do seu talento. Falo destes milhares de mulheres e de homens comuns, que ao longo de um ano arranjam com esfor&ccedil;o um tempo livre para os treinos necess&aacute;rios e que anualmente acorrem &agrave; maratona n&atilde;o para competir uns com os outros, mas talvez por alguma raz&atilde;o mais profunda, que nos endere&ccedil;a para zonas silenciosas do nosso pr&oacute;prio cora&ccedil;&atilde;o. Eles correm porqu&ecirc;? Muito simplesmente para se sentirem vivos ou a reviver. Para se lan&ccedil;arem a si pr&oacute;prios um desafio. Para sentirem, de forma mais palp&aacute;vel, que as m&uacute;ltiplas corridas em que quotidianamente se embrenham (em que nos embrenhamos) convergem para uma meta.<\/p>\n<p>De que a maratona &eacute; uma par&aacute;bola da vida n&atilde;o restam d&uacute;vidas quando ouvimos um maratonista descrever a sua experi&ecirc;ncia. O arranque, com o entusiasmo e a quase euforia. Depois a comunh&atilde;o com os outros corredores e com o p&uacute;blico que assiste. As palmas tornam-se um encorajamento e as palavras de confian&ccedil;a um redobrar da confian&ccedil;a pr&oacute;pria. Nesta etapa nem se sente o ch&atilde;o e cada corredor como que levita. Diz quem sabe que as coisas mudam mais ao menos ao Km vinte e cinco. O desgaste f&iacute;sico e as primeiras incertezas trazem um abatimento interior inesperado. No meio daquela multid&atilde;o cada um se sente, de repente, radicalmente s&oacute;, ferido pela dor, provado por uma inc&oacute;gnita que n&atilde;o oferece tr&eacute;guas. &ldquo;&Eacute; a primeira crise?&rdquo;- perguntamos. Um maratonista ri-se e dir&aacute; que da&iacute; para a frente &eacute; s&oacute; crises. E, por isso mesmo, ele tem a cada momento, na adversidade, de restaurar a possibilidade da esperan&ccedil;a. A confian&ccedil;a n&atilde;o &eacute; um garantido seguro, mas uma marcha no aberto, para n&atilde;o dizer no desprovido. E, verdadeiramente, os corredores vacilantes que cruzam a meta n&atilde;o se podem queixar. A primeira parte desta maratona, por exemplo, era feita por mulheres e homens em cadeiras de rodas, e muitos deles n&atilde;o tinham pernas.<\/p>\n<p><em>Jos&eacute; Tolentino Mendon&ccedil;a<\/em><\/p>\n<p><em>&nbsp;<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No meio daquela multid\u00e3o cada um se sente, de repente, radicalmente s\u00f3, ferido pela dor, provado por uma inc\u00f3gnita que n\u00e3o oferece tr\u00e9guas<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-53715","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-editorial"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53715","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=53715"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53715\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=53715"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=53715"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=53715"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}