{"id":53706,"date":"2011-11-07T16:19:00","date_gmt":"2011-11-07T16:19:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/11\/07\/palavras-de-introducao-do-cardeal-patriarca-a-178a-assembleia-plenaria-da-conferencia-episcopal-portuguesa\/"},"modified":"2011-11-07T16:19:00","modified_gmt":"2011-11-07T16:19:00","slug":"palavras-de-introducao-do-cardeal-patriarca-a-178a-assembleia-plenaria-da-conferencia-episcopal-portuguesa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/palavras-de-introducao-do-cardeal-patriarca-a-178a-assembleia-plenaria-da-conferencia-episcopal-portuguesa\/","title":{"rendered":"Palavras de introdu\u00e7\u00e3o do cardeal-patriarca \u00e0 178\u00aa Assembleia Plen\u00e1ria da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa"},"content":{"rendered":"<p>Senhor N&uacute;ncio Apost&oacute;lico<\/p>\n<p align=\"left\">Senhores Arcebispos e Bispos<\/p>\n<p align=\"left\">Senhores representantes da CIRP e FNIS<\/p>\n<p align=\"left\">Senhores Jornalistas,<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>1. No in&iacute;cio dos trabalhos da nossa Assembleia Plen&aacute;ria, sa&uacute;do os novos membros: o Senhor D. Jos&eacute; Manuel Garcia Cordeiro, Bispo de Bragan&ccedil;a-Miranda, e o Senhor D. Nuno Br&aacute;s da Silva Martins, Bispo eleito para Auxiliar do Patriarcado de Lisboa. Fostes chamados &agrave; maior dignidade de servi&ccedil;o, a de encarnardes no nosso tempo a miss&atilde;o dos Ap&oacute;stolos de Jesus. A vossa chegada significa uma esperan&ccedil;a acrescida de renova&ccedil;&atilde;o deste Col&eacute;gio Episcopal.<\/p>\n<p>Sa&uacute;do com amizade e gratid&atilde;o o Senhor D. Albino Mamede Cleto, o Senhor D. Ant&oacute;nio Montes Moreira e o Senhor D. Jo&atilde;o Miranda Teixeira, que o Santo Padre dispensou do m&uacute;nus pastoral nas dioceses de Coimbra, Bragan&ccedil;a-Miranda e Porto. Mas do zelo apost&oacute;lico e da atividade pastoral noutras formas, ningu&eacute;m vos pode dispensar. O Povo de Deus conta convosco.<\/p>\n<p>Vamos iniciar os trabalhos da nossa Assembleia Plen&aacute;ria, que constam de dois blocos: a vida interna da Igreja e uma aten&ccedil;&atilde;o sobre a sociedade, neste momento exigente da comunidade nacional.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>2. No que &agrave; vida interna da Igreja diz respeito, refletiremos sobre a natureza, miss&atilde;o e dinamismo da pr&oacute;pria Confer&ecirc;ncia Episcopal. Ela &eacute;, Assembleia Plen&aacute;ria e Comiss&otilde;es Episcopais, a estrutura vis&iacute;vel que exprime uma dimens&atilde;o abrangente do nosso minist&eacute;rio episcopal: o esp&iacute;rito de colegialidade. Ela n&atilde;o &eacute; uma express&atilde;o completa da colegialidade episcopal, pois esta s&oacute; se exprime na totalidade do col&eacute;gio episcopal, sempre presidido por aquele a quem foi confiado o minist&eacute;rio petrino. Mas o esp&iacute;rito colegial informa, tamb&eacute;m, estes col&eacute;gios de Bispos de um Pa&iacute;s ou de uma regi&atilde;o. A colegialidade &eacute;, tamb&eacute;m para n&oacute;s, exig&ecirc;ncia de comunh&atilde;o na caridade, embora saibamos que n&atilde;o temos os poderes de todo o col&eacute;gio. O que somos afinal? Bispos em comunh&atilde;o que procuram p&ocirc;r as Igrejas particulares a que presidem em comunh&atilde;o de caridade e em sintonia de crit&eacute;rios pastorais. A CEP n&atilde;o governa as Igrejas de Portugal, qual parlamento que tivesse a &uacute;ltima palavra a dizer. Ela n&atilde;o tem poder, mas a for&ccedil;a da comunh&atilde;o. Por mimetismo em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica da sociedade, h&aacute; a tend&ecirc;ncia de nos olharem como um poder central. Isso n&atilde;o pode constituir, para n&oacute;s, uma tenta&ccedil;&atilde;o. A nossa miss&atilde;o &eacute; estarmos em comunh&atilde;o para pormos as dioceses a que presidimos em comunh&atilde;o, abertas &agrave; comunh&atilde;o universal da Igreja.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>3. Um dos pontos da Agenda retoma um processo que temos vindo a percorrer: o de encontrar caminhos de pastoral para a renova&ccedil;&atilde;o da Igreja em Portugal. Foi poss&iacute;vel chegar aqui porque todas as dioceses mostraram desej&aacute;-lo. N&atilde;o podemos impor nada a ningu&eacute;m, mas queremos dinamizar um processo que torne poss&iacute;vel, &agrave;s Igrejas que o desejam, percorrer um caminho, trocando experi&ecirc;ncias e estimulando-se mutuamente.<\/p>\n<p>Este processo tem de ser convergente com o desafio de uma nova evangeliza&ccedil;&atilde;o, lan&ccedil;ado pelo Santo Padre e agora refor&ccedil;ado com o an&uacute;ncio da proclama&ccedil;&atilde;o de um Ano da F&eacute;, na celebra&ccedil;&atilde;o do cinquenten&aacute;rio da abertura do Conc&iacute;lio Ecum&eacute;nico Vaticano II. Procuraremos responder a estas interpela&ccedil;&otilde;es. O Conc&iacute;lio Vaticano II continua a ser o ponto de refer&ecirc;ncia seguro para a Igreja encontrar, hoje, os caminhos da fidelidade a Jesus Cristo, &agrave; miss&atilde;o que Ele lhe confiou, aos homens nossos irm&atilde;os que amou at&eacute; dar a vida por eles.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>4. Nesta reflex&atilde;o sobre o dinamismo da CEP, refletiremos sobre as Comiss&otilde;es Episcopais. S&atilde;o &oacute;rg&atilde;os decisivos para que a Confer&ecirc;ncia Episcopal possa realizar a sua miss&atilde;o. Vamos consciencializar a sua miss&atilde;o, rever o seu n&uacute;mero e defini&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas espec&iacute;ficas de interven&ccedil;&atilde;o, aperfei&ccedil;oar os servi&ccedil;os de apoio e, finalmente, eleger os seus Presidentes para o pr&oacute;ximo tri&eacute;nio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>5. Um dos motivos principais que levou &agrave; convoca&ccedil;&atilde;o do Conc&iacute;lio foi a aten&ccedil;&atilde;o ao mundo contempor&acirc;neo, na sua transforma&ccedil;&atilde;o acelerada, &agrave; fisionomia humana das nossas comunidades, para a Igreja, em esp&iacute;rito de fidelidade &agrave; miss&atilde;o, descobrir os caminhos novos de evangelizar e ser refer&ecirc;ncia da esperan&ccedil;a. O Conc&iacute;lio lan&ccedil;ou-nos um desafio, que continua atual: o da fidelidade &agrave; f&eacute; que recebemos dos Ap&oacute;stolos e o do &ldquo;aggiornamento&rdquo;, o da descoberta de caminhos novos de anunciar e ser sempre essa refer&ecirc;ncia de esperan&ccedil;a.<\/p>\n<p>Queremos s&ecirc;-lo, neste momento que passa, para a nossa sociedade portuguesa, a atravessar um per&iacute;odo dif&iacute;cil, que pode p&ocirc;r em quest&atilde;o n&iacute;veis de vida conseguidos, trazendo para todos a exig&ecirc;ncia da austeridade e, porventura, agravando a situa&ccedil;&atilde;o dos mais desfavorecidos. Este agravamento pode, porventura, ser o resultado das medidas adotadas para vencer a presente crise. A todos os portugueses, de modo particular aos nossos irm&atilde;os para quem este per&iacute;odo vai ser mais duro e exigente, dirigimos uma palavra de muito amor. Os mais pobres e os que sofrem ser&atilde;o sempre os nossos aliados privilegiados. A Igreja far&aacute; por v&oacute;s e convosco, tudo o que puder. Queremos ser, para todos, porta de acolhimento e lugar da partilha.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>6. N&atilde;o &eacute; nossa fun&ccedil;&atilde;o, quer analisar os dados objetivos da crise, quer apresentar solu&ccedil;&otilde;es ou criticar as solu&ccedil;&otilde;es apresentadas por quem tem a miss&atilde;o democr&aacute;tica de o fazer. Mas &eacute; nossa miss&atilde;o, isso sim, proclamar valores fundamentais da nossa maneira crist&atilde; de ver a vida e enfrentar os problemas. S&atilde;o valores irrenunci&aacute;veis para os crist&atilde;os, facilmente assum&iacute;veis por todos os homens de cora&ccedil;&atilde;o reto.<\/p>\n<p>* Antes de mais <strong>a verdade<\/strong>. Sabemos que a crise atual &eacute; complexa, nas suas causas, nas solu&ccedil;&otilde;es a procurar, toca em sistemas estabelecidos, relativiza ideologias defendidas, exige discernimento, n&atilde;o apenas individual, mas coletivo, para encontrar as solu&ccedil;&otilde;es mais justas. Mas que ningu&eacute;m atrai&ccedil;oe a verdade, que ningu&eacute;m se sirva do sofrimento coletivo para impor as suas verdades. O amor &agrave; verdade n&atilde;o &eacute; apenas te&oacute;rico; exprime-se no concreto das situa&ccedil;&otilde;es, e quanto mais dram&aacute;ticas elas s&atilde;o, mais cuidada deve ser a sua busca.<\/p>\n<p>* A <strong>solidariedade<\/strong>. Esta exige que cada um d&ecirc; prioridade aos outros, aceite que faz parte da solu&ccedil;&atilde;o coletiva. A solidariedade denuncia todas as atitudes individualistas, quer de indiv&iacute;duos, quer de grupos ou classes. A sociedade &eacute; um todo, deve ser comunidade e buscar o <strong>bem comum<\/strong>, n&atilde;o apenas o bem individual e particular. O contributo espec&iacute;fico de cada um e de cada grupo, justo na conviv&ecirc;ncia democr&aacute;tica que afirma a comunidade como unidade na diversidade, s&oacute; encontra a sua nobreza se der prioridade ao bem comum.<\/p>\n<p>* A solidariedade exige a <strong>equidade<\/strong>, nos sacrif&iacute;cios que se pedem, nos contributos que se esperam de cada pessoa ou de cada grupo social. Esta equidade n&atilde;o &eacute; apenas matem&aacute;tica. Sup&otilde;e o discernimento para ver as implica&ccedil;&otilde;es de cada decis&atilde;o no bem comum. Pode acontecer que se pe&ccedil;am sacrif&iacute;cios que acabem por prejudicar o bem coletivo.<\/p>\n<p>* A responsabilidade de todos. Ningu&eacute;m, pessoas, grupos e institui&ccedil;&otilde;es, est&aacute; isento de procurar perceber qual &eacute; o seu contributo para a solu&ccedil;&atilde;o das dificuldades. A doutrina social da Igreja chama a esta responsabilidade de todos o dinamismo da subsidiariedade. Alguns teimam em pedir tudo ao Estado, exorcizando a pr&oacute;pria designa&ccedil;&atilde;o de atividade privada como manifesta&ccedil;&atilde;o inevit&aacute;vel do ego&iacute;smo e da busca de interesses particulares. A doutrina social da Igreja est&aacute; consciente de que nunca, mas sobretudo nos momentos mais dif&iacute;ceis, o bem da comunidade se consegue sem o contributo de todos. Se isto exige ao Estado que, no discernimento dos caminhos equilibre harmonicamente essa variedade de contributos, exige a todos a generosidade de atitudes exigidas pelo bem comum.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>7. Termino estas palavras afirmando o pensamento da Igreja sobre a dignidade e a nobreza de todo o servi&ccedil;o em favor da comunidade: pol&iacute;ticos, governantes, empres&aacute;rios, dirigentes das associa&ccedil;&otilde;es de trabalhadores, etc. A sua dignidade adv&eacute;m da nobreza do bem comum; todos os valores que referi, a verdade, a solidariedade, a equidade, devem informar a atitude com que servem. Assegurai o bem comum, sede construtores da comunidade e encontrareis o vosso bem pessoal. S&oacute; os que servem merecem as honras da gl&oacute;ria e do triunfo.<\/p>\n<p>F&aacute;tima, 7 de novembro de 2011<\/p>\n<p><em>D. Jos&eacute; Policarpo, Cardeal-Patriarca, Presidente da Confer&ecirc;ncia Episcopal Portuguesa<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Senhor N&uacute;ncio Apost&oacute;lico Senhores Arcebispos e Bispos Senhores representantes da CIRP e FNIS Senhores Jornalistas, &nbsp; 1. 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