{"id":53663,"date":"2011-11-03T14:39:19","date_gmt":"2011-11-03T14:39:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/11\/03\/carta-pastoral-do-bispo-de-braganca-miranda-o-seminario-um-laboratorio-de-esperanca-para-o-futuro\/"},"modified":"2011-11-03T14:39:19","modified_gmt":"2011-11-03T14:39:19","slug":"carta-pastoral-do-bispo-de-braganca-miranda-o-seminario-um-laboratorio-de-esperanca-para-o-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/carta-pastoral-do-bispo-de-braganca-miranda-o-seminario-um-laboratorio-de-esperanca-para-o-futuro\/","title":{"rendered":"Carta Pastoral do bispo de Bragan\u00e7a-Miranda: \u00abO Semin\u00e1rio, um laborat\u00f3rio de esperan\u00e7a para o futuro\u00bb"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>O SEMIN&Aacute;RIO, UM LABORAT&Oacute;RIO DE ESPERAN&Ccedil;A PARA O FUTURO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Carta pastoral do Bispo Diocesano<br \/><\/strong><strong>aos Presb&iacute;teros, aos Di&aacute;conos, &agrave;s pessoas consagradas e a todos os fi&eacute;is leigos da Diocese de Bragan&ccedil;a-Miranda<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O feliz acontecimento da primeira Assembleia do Clero, realizada no dia 17 de outubro no Semin&aacute;rio de S. Jos&eacute;, prop&ocirc;s a forma&ccedil;&atilde;o do clero como uma das priorida&shy;des pastorais da Diocese no momento atual.<\/p>\n<p>Aproveitando a ocasi&atilde;o da celebra&ccedil;&atilde;o da semana dos Semin&aacute;rios diocesanos na Igreja presente em Portugal, de 06 a 13 de novembro, sob o tema &laquo;formar pastores consagrados totalmente a Deus e ao seu povo&raquo;, gostaria de propor algumas dimens&otilde;es essenciais acerca a forma&ccedil;&atilde;o inicial e permanente dos Presb&iacute;teros (=Padres). Por isso, pensei escrever esta primeira carta pastoral sobre a forma&shy;&ccedil;&atilde;o presbiteral, olhando o Semin&aacute;rio como um laborat&oacute;rio de esperan&ccedil;a para o presente do futuro.<\/p>\n<p>Recordo com muita alegria todo o meu processo vocacional e os anos felizes que vivi no Semin&aacute;rio em Vinhais, em Bragan&ccedil;a e no Porto. Dou muitas gra&ccedil;as a Deus pelos formadores, professores, colegas e amigos des&shy;te tempo importante da minha forma&ccedil;&atilde;o inicial para o sacerd&oacute;cio. Igualmente agrade&ccedil;o o dom e o mist&eacute;rio vivi&shy;do depois como formador do Semin&aacute;rio at&eacute; ao momento em que continuei o servi&ccedil;o pastoral e acad&eacute;mico em Roma, em nome da Diocese: no Pontif&iacute;cio Col&eacute;gio Portu&shy;gu&ecirc;s, no Pontif&iacute;cio Ateneu de Santo Anselmo e na Universidade de S. Tom&aacute;s de Aquino.<\/p>\n<p>A atual comunidade do Semin&aacute;rio Maior &eacute; consti&shy;tu&iacute;da por quatro jovens. Vivem habitualmente no Semin&aacute;&shy;rio Maior de Viseu e frequentam a&iacute; o Instituto Superior de Teologia juntamente com os seminaristas de Viseu, Guarda e Lamego. No Semin&aacute;rio em Bragan&ccedil;a temos dois jovens com a licenciatura em Teologia que se prop&otilde;em &agrave;s ordens sacras. Temos ainda 11 seminaristas menores do 7&deg; ao 12&deg; ano. Enorme esperan&ccedil;a e confian&ccedil;a depositamos em mui&shy;tos jovens da nossa amada Diocese, especialmente em alguns que, frequentando ou tendo conclu&iacute;do os estudos superiores, colocam agora a quest&atilde;o fundamental da voca&shy;&ccedil;&atilde;o sacerdotal.<\/p>\n<p>A nossa Diocese com 136.459 habitantes, com 6.545 Km<sup>2<\/sup> de &aacute;rea geogr&aacute;fica, 326 Par&oacute;quias, 100 Presb&iacute;teros, dos quais 66 dedicados e sacrificados p&aacute;rocos, 4 Di&aacute;conos, 114 Religiosas, 10 Religiosos e muitos, muitos mais minist&eacute;rios, servi&ccedil;os, fam&iacute;lias, movimentos, Institui&ccedil;&otilde;es e fi&eacute;is leigos &#8211; &eacute; uma realidade desafiante.<\/p>\n<p>Todavia, o tempo que vivemos n&atilde;o pode deixar de fazer-nos refletir tamb&eacute;m sobre as nossas responsabilida&shy;des, enquanto crentes e chamados a difundir o dom da f&eacute; e a promover, em cada irm&atilde;o, a disponibilidade ao chama&shy;mento de Deus e da sua Igreja. De modos diferentes, todos n&oacute;s devemos admitir que n&atilde;o respondemos plenamente a esse chamamento nas nossas fam&iacute;lias, nos ambientes de trabalho, nas par&oacute;quias, nos movimentos, nas congrega&shy;&ccedil;&otilde;es religiosas e institutos seculares. Por isso, a primeira palavra &eacute; um convite &agrave; convers&atilde;o. S&oacute; sairemos desta crise vocacional se esse processo de mudan&ccedil;a de olhar e de mentalidade for sincero e produzir frutos de novidade de vida.<\/p>\n<p>Fa&ccedil;o igualmente um convite &agrave; esperan&ccedil;a. Temos que abrir toda a nossa pastoral &agrave; Esperan&ccedil;a. A nossa certe&shy;za &eacute; de que o Senhor da messe n&atilde;o deixar&aacute; faltar &agrave; Igreja oper&aacute;rios para a sua messe. Se a esperan&ccedil;a &eacute; fundada n&atilde;o nas nossas previs&otilde;es e nos nossos c&aacute;lculos, que muitas vezes a hist&oacute;ria passada se encarregou de desmentir, mas na Sua Palavra, ent&atilde;o podemos e queremos acreditar numa renovada primavera vocacional para a nossa Igreja de Bra&shy;gan&ccedil;a-Miranda. Numa Igreja toda vocacional, todos somos respons&aacute;veis por todas as voca&ccedil;&otilde;es ao minist&eacute;rio ordenado (presb&iacute;teros e di&aacute;conos), &agrave; vida religiosa, &agrave; vida secular e ao matrim&oacute;nio crist&atilde;o.<\/p>\n<p>A todos, em especial a v&oacute;s jovens e aos jovens seminaristas, reafirmamos que o amor &eacute; o sentido pleno da vida. O essencial no minist&eacute;rio &eacute; o amor. Jesus n&atilde;o per&shy;guntou a Pedro: &laquo;&eacute;s capaz de administrar os bens da Igre&shy;ja? &Eacute;s capaz de ser respons&aacute;vel das almas? &Eacute;s capaz de antever o futuro para uma comunidade dif&iacute;cil? &Eacute;s capaz de amparar os vacilantes nas persegui&ccedil;&otilde;es? &#8211; &#8220;tu amas-&shy;me?&#8221;: nisto est&aacute; o essencial&raquo; (1). E o chamamento sempre antigo e sempre novo &eacute; &laquo;Segue-me&raquo;. Um homem vale quanto vale o seu cora&ccedil;&atilde;o. Este &eacute; o di&aacute;logo que sintetiza uma vida!<\/p>\n<p>Recordo-vos as palavras que o Papa Bento XVI dirigiu aos seminaristas na Jornada Mundial da Juventude em Madrid: &laquo;queridos amigos, preparais-vos para ser ap&oacute;stolos com Cristo e como Cristo, para ser companhei&shy;ros de viagem e servidores dos homens. Como haveis de viver estes anos de prepara&ccedil;&atilde;o? Em primeiro lugar, devem ser anos de sil&ecirc;ncio interior, de ora&ccedil;&atilde;o permanente, de estudo constante e de progressiva inser&ccedil;&atilde;o nas atividades e estruturas pastorais da Igreja. Igreja, que &eacute; comunidade e institui&ccedil;&atilde;o, fam&iacute;lia e miss&atilde;o, cria&ccedil;&atilde;o de Cristo pelo seu Esp&iacute;rito Santo e simultaneamente resultado de quanto a configuramos com a nossa santidade e com os nossos pecados. Assim o quis Deus, que n&atilde;o se incomoda de tomar pobres e pecadores para fazer deles seus amigos e instrumentos para reden&ccedil;&atilde;o do g&eacute;nero humano. A santida&shy;de da Igreja &eacute;, antes de mais nada, a santidade objetiva da pr&oacute;pria pessoa de Cristo, do seu evangelho e dos seus sacramentos, a santidade daquela for&ccedil;a do alto que a ani&shy;ma e impele. N&oacute;s devemos ser santos para n&atilde;o gerar uma contradi&ccedil;&atilde;o entre o sinal que somos e a realidade que que&shy;remos significar.<\/p>\n<p>Meditai bem este mist&eacute;rio da Igreja, vivendo os anos da vossa forma&ccedil;&atilde;o com profunda alegria, em atitude de docilidade, de lucidez e de radical fidelidade evang&eacute;lica, bem como numa amorosa rela&ccedil;&atilde;o com o tempo e as pes&shy;soas no meio de quem viveis. &Eacute; que ningu&eacute;m escolhe o contexto nem os destinat&aacute;rios da sua miss&atilde;o. Cada &eacute;poca tem os seus problemas, mas Deus d&aacute; em cada tempo a gra&ccedil;a oportuna para os assumir e superar com amor e rea&shy;lismo. Por isso, em toda e qualquer circunst&acirc;ncia em que se encontre e por mais dura que esta seja, o sacerdote tem de frutificar em toda a esp&eacute;cie de boas obras, conservando sempre vivas no seu &iacute;ntimo aquelas palavras do dia da sua Ordena&ccedil;&atilde;o com que se lhe exortava a configurar a sua vida com o mist&eacute;rio da cruz do Senhor&raquo;.<\/p>\n<p>A forma&ccedil;&atilde;o dos presb&iacute;teros (inicial e permanente) deve ser uma prioridade na vida de toda a Diocese e do Bispo em particular: &laquo;com tudo o que sup&otilde;e de ora&ccedil;&atilde;o, dedica&ccedil;&atilde;o e canseira, a forma&ccedil;&atilde;o dos presb&iacute;teros constitui&nbsp; para o Bispo uma preocupa&ccedil;&atilde;o de primordial import&acirc;n&shy;cia&raquo; (2). O primeiro representante de Cristo na forma&ccedil;&atilde;o presbiteral e o princ&iacute;pio &#8220;sacramental&#8221; da unidade do pres&shy;bit&eacute;rio &eacute; o Bispo.<\/p>\n<p>A partir da articula&ccedil;&atilde;o da Exorta&ccedil;&atilde;o apost&oacute;lica p&oacute;s&shy;sinodal Pastores Dabo Vobis (PDV) apresentamos breve&shy;mente &agrave;s quatro dimens&otilde;es da forma&ccedil;&atilde;o (humana, espiri&shy;tual, intelectual e pastoral) e acrescentamos mais uma &#8211; a forma&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria. Estas cinco dimens&otilde;es antropol&oacute;gi&shy;coteol&oacute;gicas da forma&ccedil;&atilde;o correspondem &agrave;s exig&ecirc;ncias da identidade e miss&atilde;o dos presb&iacute;teros, tomando-se ainda mais necess&aacute;rias no momento presente da hist&oacute;ria.<\/p>\n<p>Al&eacute;m de ser um espa&ccedil;o: &laquo;o semin&aacute;rio &eacute; tempo desti&shy;nado &agrave; forma&ccedil;&atilde;o e ao discernimento&raquo; &#8211; disse o Papa Bento XVI aos seminaristas e acrescentou: &laquo;O semin&aacute;rio &eacute; tem&shy;po de caminho, de busca, mas sobretudo de descoberta de Cristo. ( &#8230; ) Quanto mais conheceis Jesus tanto mais o seu mist&eacute;rio vos atrai; quanto mais O encontrais tanto mais estais impulsionados a procur&aacute;-Lo. &Eacute; um movimento do esp&iacute;rito que dura toda a vida, e que encontra no semin&aacute;rio uma esta&ccedil;&atilde;o repleta de promessas, a sua &#8220;primavera&rdquo;&raquo; (3).<\/p>\n<p>O Semin&aacute;rio representa para a Igreja local um dos bens mais preciosos, a tal ponto de ser chamado &#8220;o cora&shy;&ccedil;&atilde;o da Diocese&#8221;, porque a renova&ccedil;&atilde;o do presbit&eacute;rio &eacute; determinante para a vida de uma Diocese. Todos somos convidados a olhar o semin&aacute;rio como &#8220;cora&ccedil;&atilde;o da Dioce&shy;se&#8221;, a rezar por todas voca&ccedil;&otilde;es, a contribuir para a vida quotidiana dos seminaristas e sobretudo para uma forma&shy;&ccedil;&atilde;o excelente dos padres.<\/p>\n<p>Nesta perspetiva, o Semin&aacute;rio diocesano, &#8220;cor cor&shy;dis&#8221; da Igreja particular, poder&aacute; ser verdadeiramente um sinal vocacional particularmente incisivo para os jovens, como um laborat&oacute;rio de esperan&ccedil;a para o futuro. O Semi&shy;n&aacute;rio &eacute; uma experi&ecirc;ncia original da vida eclesial que per&shy;mite ao jovem saborear a vida presbiteral na comunidade educativa do Semin&aacute;rio e no contacto direto com a Dio&shy;cese.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>1. Forma&ccedil;&atilde;o humana<\/strong><\/p>\n<p>Ao tratar das diversas dimens&otilde;es da forma&ccedil;&atilde;o presbi&shy;teral, a Pastores Dabo Vobis, antes de se voltar para a dimens&atilde;o espiritual, elemento de m&aacute;xima import&acirc;ncia na educa&ccedil;&atilde;o presbiteral, (4) refere que a dimens&atilde;o humana &eacute; o fundamento de toda a forma&ccedil;&atilde;o. Enumera uma s&eacute;rie de virtudes humanas e de capacidades relacionais que se requerem do presb&iacute;tero, para que a sua personalidade seja uma &laquo;ponte e n&atilde;o um obst&aacute;culo para os outros no encontro com Jesus Cristo, Redentor do homem&raquo; (5). Elas v&atilde;o desde o equil&iacute;brio geral da personalidade at&eacute; &agrave; capacidade de car&shy;regar o peso das responsabilidades pastorais, desde o conhecimento profundo da alma humana at&eacute; ao sentido da justi&ccedil;a e da lealdade.<\/p>\n<p>N a verdade, a dimens&atilde;o humana &eacute; fundamental em todo o itiner&aacute;rio educativo para o presbiterado. Algumas caracter&iacute;sticas para poder ser um padre &#8216;suficientemente maduro&rsquo; (6) merecem particular aten&ccedil;&atilde;o: &laquo;o sentido positivo e est&aacute;vel da pr&oacute;pria identidade viril e a capacidade em relacionar-se de modo amadurecido com outras pessoas ou grupos de pessoas; um s&oacute;lido sentido de perten&ccedil;a, funda&shy;mento da futura comunh&atilde;o com o presbit&eacute;rio e de uma respons&aacute;vel colabora&ccedil;&atilde;o com o minist&eacute;rio do bispo; a liberdade em entusiasmar-se por grandes ideais e a coer&ecirc;n&shy;cia em realiz&aacute;-los nas a&ccedil;&otilde;es de cada dia; a coragem em tomar decis&otilde;es e de permanecer fiel a elas; o conhecimen&shy;to de si, das suas qualidades e limita&ccedil;&otilde;es, integrando-as num apre&ccedil;o de si diante de Deus; a capacidade de se corri&shy;gir; o gosto pela beleza entendida como &#8220;esplendor da ver&shy;dade&#8221; e a arte em reconhec&ecirc;-la; a confian&ccedil;a que nasce da estima pelo outro e que leva ao acolhimento; a capacidade do candidato em integrar, segundo a vis&atilde;o crist&atilde;, a sua sexualidade, inclusive na considera&ccedil;&atilde;o da obriga&ccedil;&atilde;o do celibato&raquo; (7).<\/p>\n<p>Um psiquiatra n&atilde;o crente escreveu um livro&#8217; acerca dos padres. Diz ele, &laquo;parece-me poder dizer que se o Bis&shy;po quer que os seus padres sejam santos, eu como psiquia&shy;tra gostaria que fossem serenos e ao menos, algumas vezes, felizes&raquo; (9).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>2. Forma&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria<\/strong><\/p>\n<p>(a sacramentalidade do presbit&eacute;rio)<\/p>\n<p>o sentido da vida e da miss&atilde;o do presb&iacute;tero &eacute; deter&shy;minado pela qualidade e profundidade da sua experi&ecirc;ncia de comunh&atilde;o. A vida de comunh&atilde;o experimentada j&aacute; no Semin&aacute;rio, deve ser aprofundada no presbit&eacute;rio para reani&shy;mar no cora&ccedil;&atilde;o do presb&iacute;tero a raz&atilde;o da sua consagra&ccedil;&atilde;o e lhe oferecer o necess&aacute;rio suporte afetivo para o &aacute;rduo servi&ccedil;o pastoral.<\/p>\n<p>As motiva&ccedil;&otilde;es para a vida comunit&aacute;ria t&ecirc;m de ser renovadas constantemente. As suas ra&iacute;zes s&atilde;o:<\/p>\n<p>1) a natureza da voca&ccedil;&atilde;o da Igreja chamada e cons&shy;titu&iacute;da por Deus em povo (10);<\/p>\n<p>2) a ess&ecirc;ncia do minist&eacute;rio presbiteral, que s&oacute; pode ser assumido como uma miss&atilde;o comunit&aacute;ria;<\/p>\n<p>3) a comunh&atilde;o com Cristo, vivida na intimidade pr&oacute;pria dos primeiros disc&iacute;pulos, chamados para que &laquo;ficassem com Ele&raquo; (11).<\/p>\n<p>Considerando a natureza comunit&aacute;ria do minist&eacute;rio presbiteral, o seminarista, como o presb&iacute;tero, devem culti&shy;var a capacidade de: conviver e integrar-se em comunida&shy;de; assumir responsabilidades e desenvolver o esp&iacute;rito de iniciativa; trabalhar em equipa sabendo dar e receber aju&shy;da; reconhecer a necessidade do outro e de ser solid&aacute;rio; valorizar o trabalho dos outros; escutar atentamente os outros.<\/p>\n<p>Por outro lado, h&aacute; que superar entraves graves &agrave; experi&ecirc;ncia fraterna e comunit&aacute;ria, tais como: atitudes individualistas e narcisistas; comportamentos de isolamento; busca de promo&ccedil;&atilde;o pessoal; competi&ccedil;&atilde;o; tend&ecirc;ncia pelo luxo, pela mordomia e aburguesamento; cr&iacute;tica nega&shy;tiva &#8220;intriga eclesi&aacute;stica&#8221; e a submiss&atilde;o por conveni&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>A vida comunit&aacute;ria coloca-nos diante de duas reali&shy;dades fundamentais na vida do presb&iacute;tero:<\/p>\n<p>1) a comunh&atilde;o de f&eacute; com o Bispo e com todo o presbit&eacute;rio;<\/p>\n<p>2) a partilha da vida com o Povo de Deus, o qual deve estimar, acolher, amar e servir.<\/p>\n<p>Na continuidade da Tradi&ccedil;&atilde;o, o Magist&eacute;rio, e espe&shy;cialmente na Lumen Gentium e Presbyterorum Ordinis, atribuiu uma import&acirc;ncia especial ao Presbit&eacute;rio, afirman&shy;do na Pastores Dabo Vobis: &laquo;o presbit&eacute;rio &eacute; um mist&eacute;rio: de facto, &eacute; uma realidade sobrenatural porque se radica no sacramento da Ordem. Este &eacute; a sua fonte, a sua origem. &Eacute; o &#8220;lugar&#8221; do seu nascimento e crescimento. Com efeito, &#8220;os presb&iacute;teros, mediante o sacramento da Ordem, est&atilde;o ligados a Cristo &uacute;nico Sacerdote por um v&iacute;nculo pessoal e indissol&uacute;vel. A Ordem &eacute;-lhes conferida como pessoas sin&shy;gulares, mas s&atilde;o inseridos na comunh&atilde;o de todo o presbi&shy;t&eacute;rio com o Bispo&rdquo; &raquo; (12). Por isso mesmo, o presbit&eacute;rio da Diocese, com todas as suas reuni&otilde;es, encontros fraternos ou festivos, celebra&ccedil;&otilde;es, exerc&iacute;cios espirituais, encontros de estudo e de reflex&atilde;o &eacute; o primeiro ambiente de forma&shy;&ccedil;&atilde;o. Tamb&eacute;m as associa&ccedil;&otilde;es e fraternidades presbiterais s&atilde;o ambientes de forma&ccedil;&atilde;o e exerc&iacute;cio comunit&aacute;rio do minist&eacute;rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>3. Forma&ccedil;&atilde;o espiritual<\/strong><\/p>\n<p>A vida espiritual &eacute; o cora&ccedil;&atilde;o que unifica e d&aacute; vida a todo o caminho da forma&ccedil;&atilde;o dos futuros presb&iacute;teros. O seu conte&uacute;do essencial &eacute; a partilha da experi&ecirc;ncia do mis&shy;t&eacute;rio pascal de Cristo Pastor, sob a a&ccedil;&atilde;o do Esp&iacute;rito San&shy;to.<\/p>\n<p>Momento essencial do encontro com Cristo &eacute; a liturgia, que conduz os seminaristas &agrave; experi&ecirc;ncia da ora&shy;&ccedil;&atilde;o de toda a Igreja (Liturgia das Horas), ao ritmo do Ano lit&uacute;rgico, na celebra&ccedil;&atilde;o sacramental, em especial da Euca&shy;ristia e da Reconcilia&ccedil;&atilde;o. As linhas fundamentais de tal forma&ccedil;&atilde;o s&atilde;o: a uni&atilde;o &iacute;ntima a Cristo, a leitura meditada e orante da Palavra de Deus (lectio divina), a aut&ecirc;ntica ora&shy;&ccedil;&atilde;o crist&atilde;, o sentido profundo do humano e o valor reli&shy;gioso do sil&ecirc;ncio, os sacramentos, a liturgia, o procurar Cristo nos homens, o dom generoso e gratuito de si mes&shy;mo (celibato).<\/p>\n<p>Ouso propor a espiritualidade lit&uacute;rgica como a espi&shy;ritualidade genuinamente crist&atilde;. A vida crist&atilde; requer sem&shy;pre uma vida espiritual, que n&atilde;o pode existir sem a litur&shy;gia (13), A Igreja, com efeito, salienta claramente esta tese e apresenta a liturgia na vida espiritual crist&atilde; como &laquo;fonte primeira e indispens&aacute;vel do verdadeiro esp&iacute;rito crist&atilde;o, que &eacute; a participa&ccedil;&atilde;o ativa nos santos mist&eacute;rios e na ora&ccedil;&shy;&atilde;o p&uacute;blica e solene da Igreja&raquo; (14). Podemos afirmar que a liturgia &eacute; a teologia celebrada e a B&iacute;blia rezada.<\/p>\n<p>Uma liturgia s&eacute;ria, simples, bela, que seja experi&ecirc;n&shy;cia do mist&eacute;rio, permanecendo ao mesmo tempo intelig&iacute;vel, capaz de narrar a perene alian&ccedil;a de Deus com os homens.<\/p>\n<p>No &uacute;ltimo S&iacute;nodo sobre A Palavra de Deus na vida e na miss&atilde;o da Igreja, os Padres sinodais, nas Proposi&ccedil;&otilde;es entregues ao Papa, referiram-se &agrave; sacramentalidade da Pa&shy;lavra de Deus e evidenciaram a rela&ccedil;&atilde;o da homilia com a espiritualidade do presb&iacute;tero: &laquo;a homilia faz que a Palavra proclamada se atualize &#8230;. ela conduz ao mist&eacute;rio que se celebra, convida &agrave; miss&atilde;o e partilha as alegrias e dores, as esperan&ccedil;as e os medos dos fi&eacute;is &#8230; Deveria haver uma homilia em todas as missas &#8220;cum populo&#8221;, tamb&eacute;m duran&shy;te a semana. &Eacute; preciso que os pregadores (Bispos, Presb&iacute;&shy;teros e Di&aacute;conos) se preparem na ora&ccedil;&atilde;o, para que pre&shy;guem com convic&ccedil;&atilde;o e paix&atilde;o. Devem p&ocirc;r-se tr&ecirc;s pergun&shy;tas: o que &eacute; que dizem as leituras proclamadas? O que &eacute; que me dizem a mim? O que &eacute; que devo dizer &agrave; comunida&shy;de, tendo em conta a sua situa&ccedil;&atilde;o concreta? O pregador deve ser o primeiro a deixar-se interpelar pela Palavra de Deus que anuncia&raquo; (15).<\/p>\n<p>A liturgia est&aacute; na origem do desenvolvimento e da consuma&ccedil;&atilde;o da pr&oacute;pria vida crist&atilde;. Esta &eacute; a vida segundo o Esp&iacute;rito, coerente com Ele. &Agrave; liturgia &eacute; dado o lugar de &laquo;culmen et fons&raquo; (16) da a&ccedil;&atilde;o da Igreja. Da mesma liturgia vem a santifica&ccedil;&atilde;o dos homens em Cristo e a glorifica&ccedil;&atilde;o de Deus, que constituem a estrutura te&acirc;ndrica da liturgia, a atua&ccedil;&atilde;o objetiva do evento salv&iacute;fico. A espiritualidade lit&uacute;rgica &eacute; sempre relacional (amor intratrinit&aacute;rio) porque a ora&ccedil;&atilde;o &eacute; constantemente dirigida ao Pai, pelo Filho, no Esp&iacute;rito Santo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>4. Forma&ccedil;&atilde;o intelectual<\/strong><\/p>\n<p>&laquo;o percurso de estudo que &eacute; oferecido pelos Centros acad&eacute;micos eclesi&aacute;sticos como as Faculdades de Teologia e os Institutos nelas incorporados, agregados e afiliados tem a finalidade de garantir ao estudante um conhecimen&shy;to completo e org&acirc;nico de toda a Teologia; isto &eacute; exigido de modo particular daqueles que se preparam para o sacer&shy;d&oacute;cio. Al&eacute;m disso, ele prop&otilde;e-se aprofundar de modo completo as diversas &aacute;reas de especializa&ccedil;&atilde;o da Teologia, adquirir o necess&aacute;rio uso do m&eacute;todo cient&iacute;fico pr&oacute;prio de tal disciplina e outrossim elaborar uma contribui&ccedil;&atilde;o cien&shy;t&iacute;fica original&raquo; (17).<\/p>\n<p>O grande te&oacute;logo Lonergan (+2004) escreveu que &laquo;o m&eacute;todo n&atilde;o &eacute; um conjunto de regras propostas para que um est&uacute;pido as siga meticulosamente. &Eacute; uma estrutura em vista de uma criatividade em colabora&ccedil;&atilde;o&raquo; (18). &Eacute; evidente que n&atilde;o basta um m&eacute;todo ou querer ou at&eacute; ser inteligente para acreditar, &eacute; preciso fazer a experi&ecirc;ncia do encontro com Cristo. (Deus n&atilde;o se aprende nos livros).<\/p>\n<p>Aqui os professores do Instituto ou Faculdade de Teologia t&ecirc;m um papel fundamental no seu &#8220;minist&eacute;rio teol&oacute;gico&#8221;. Neste itiner&aacute;rio &eacute; necess&aacute;rio que os professo&shy;res tenham consci&ecirc;ncia que tamb&eacute;m s&atilde;o formadores e que n&atilde;o se podem fechar numa mera preocupa&ccedil;&atilde;o acad&eacute;mica com a sua pr&oacute;pria disciplina, mas devem atuar em esp&iacute;ri&shy;to eclesial, participando do conjunto do processo formati&shy;vo, facilitar a interdisciplinaridade e a transversalidade nas dimens&otilde;es teol&oacute;gicas.<\/p>\n<p>Atualmente, o paradigma da forma&ccedil;&atilde;o alterou-se e passou a ser encarado como um processo continuado e permanente. Ningu&eacute;m se pode considerar formado no ter&shy;mo da sua passagem pelo Semin&aacute;rio\/Faculdade de Teolo&shy;gia\/Instituto Superior de Teologia. Requer-se do te&oacute;logo uma capacidade cr&iacute;tica para ler a realidade pessoal e social e a cultura que essa incarna, aquela alegria de procurar a verdade, de descobri-la e comunic&aacute;-la (19).<\/p>\n<p>O estudo da teologia busca uma intelig&ecirc;ncia aprofun&shy;dada dos mist&eacute;rios da f&eacute; crist&atilde; que seja capaz de orientar o ser, o saber e o agir do presb&iacute;tero. A intelig&ecirc;ncia (no senti&shy;do de intus+legere (20), &laquo;aquela intelig&ecirc;ncia do cora&ccedil;&atilde;o que sabe &#8220;ver&#8221; primeiro o mist&eacute;rio de Deus e depois &eacute; capaz de comunic&aacute;-lo aos irm&atilde;os&raquo; (21). A intelig&ecirc;ncia da f&eacute; em Cristo, que supera a mera ci&ecirc;ncia conceptual, mas que exi&shy;ge um s&oacute;lido estudo da filosofia e da teologia para ser luz na hodierna noite cultural.<\/p>\n<p>Com efeito, a qualidade dos futuros presb&iacute;teros depende da seriedade da sua forma&ccedil;&atilde;o. Pois, &laquo;os sacerdo&shy;tes participar&atilde;o mais de perto dos empenhos dos seus bis&shy;pos, assumindo tarefas pastorais sempre mais gerais e complexas, juntamente com iniciativas cada vez mais vas&shy;tas dentro e fora da diocese. Esta avultada responsabilida&shy;de pastoral requer, &eacute; &oacute;bvio, uma compet&ecirc;ncia teol&oacute;gica e seguran&ccedil;a doutrinal n&atilde;o comuns&raquo; (22),<\/p>\n<p>No estudo teol&oacute;gico h&aacute; uma dupla dire&ccedil;&atilde;o: o estudo da Palavra de Deus e do homem interlocutor de Deus. Tal estudo &eacute; feito &agrave; luz da tradi&ccedil;&atilde;o viva da Igreja e do seu Magist&eacute;rio, na escola dos Padres da Igreja, da liturgia e da hist&oacute;ria da Igreja. O Vaticano II acentua esta linha, ao afir&shy;mar: &laquo; &#8230; procurem os professores das outras disciplinas, sobretudo de teologia dogm&aacute;tica, Sagrada Escritura, teolo&shy;gia espiritual e pastoral, fazer ressaltar, a partir das exig&ecirc;n&shy;cias intr&iacute;nsecas de cada disciplina, o mist&eacute;rio de Cristo e a hist&oacute;ria da salva&ccedil;&atilde;o, para que se veja claramente a sua conex&atilde;o com a Liturgia e a unidade da forma&ccedil;&atilde;o sacerdo&shy;tal&raquo;(23).<\/p>\n<p>A &#8220;unidade e a solidez&#8221; da forma&ccedil;&atilde;o intelectual &eacute; um cuidado a ter na organiza&ccedil;&atilde;o dos estudos, de modo a evitar &#8220;a multiplica&ccedil;&atilde;o de disciplinas e as quest&otilde;es de pouca import&acirc;ncia&#8221;, como recordou o Conc&iacute;lio&#8221;, concentrando-se num conte&uacute;do doutrinal substancioso e org&acirc;nico nas ques&shy;t&otilde;es de real interesse pastoral.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m faz parte do quotidiano formativo a educa&shy;&ccedil;&atilde;o da sensibilidade mediante a experi&ecirc;ncia do belo. As artes no seu conjunto falam-nos do precioso dom da vida atrav&eacute;s dos seus contrastes e &eacute; a beleza do verdadeiro que brilha. A prop&oacute;sito escreve um fil&oacute;sofo Russo: &laquo;Deus criou a beleza para nos ajudar a compreend&ecirc;-Lo&raquo;(25). Nos cami&shy;nhos de Deus a beleza e a verdade andam de m&atilde;o dadas.<\/p>\n<p>Considerando a prioridade da forma&ccedil;&atilde;o presbiteral, em todas as suas dimens&otilde;es, a prepara&ccedil;&atilde;o acad&eacute;mica qua&shy;lificada dos formadores do Semin&aacute;rio e professores do Ins&shy;tituto\/Faculdade de Teologia exige da Diocese constante aten&ccedil;&atilde;o, sacrificios pastorais e investimento econ&oacute;mico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>5. Forma&ccedil;&atilde;o pastoral<\/strong><\/p>\n<p>Toda a forma&ccedil;&atilde;o pastoral orienta-se a dispor o cora&shy;&ccedil;&atilde;o dos seminaristas e dos presb&iacute;teros para a caridade pas&shy;toral de Cristo cabe&ccedil;a, pastor, servo e esposo da Igreja. O Semin&aacute;rio Maior, como espa&ccedil;o em que todas as dimen&shy;s&otilde;es devem ser trabalhadas de modo global e integrado, &eacute; o primeiro espa&ccedil;o da forma&ccedil;&atilde;o pastoral numa articula&ccedil;&atilde;o com a fam&iacute;lia, primeira escola de f&eacute;; as par&oacute;quias (26), luga&shy;res privilegiados da pastoral; os movimentos e novas comunidades; o Instituto ou Faculdade de Teologia; outros lugares (os pobres, os jovens, a cidade, a educa&ccedil;&atilde;o, a sa&uacute;de, as pris&otilde;es, a pol&iacute;tica, a comunica&ccedil;&atilde;o social, o turismo, a miss&atilde;o, os cat&oacute;licos afastados &#8230; ).<\/p>\n<p>Ao Instituto\/Faculdade de Teologia, espa&ccedil;o privile&shy;giado de forma&ccedil;&atilde;o intelectual, a Igreja pede que garanta o eixo da pastoralidade, como costura da matriz curricular e do ensino de todas as disciplinas e que o ensino da Teolo&shy;gia pastoral conhe&ccedil;a e respeite o plano de pastoral das Dioceses nas suas diferentes dimens&otilde;es.<\/p>\n<p>A forma&ccedil;&atilde;o pastoral n&atilde;o &eacute; s&oacute; reservada ao chamado &#8216;Ano Pastoral&#8217;, nem s&oacute; a aprendizagem de uma qualquer t&eacute;cnica pastoral, mas uma reflex&atilde;o cient&iacute;fica sobre a Igre&shy;ja no seu edificar-se quotidiano, com a for&ccedil;a do Esp&iacute;rito, dentro da hist&oacute;ria sobre a Igreja fundada na caridade pas&shy;toral de Cristo. Ela est&aacute; orientada &agrave; configura&ccedil;&atilde;o pr&aacute;tica do presb&iacute;tero pastor, disc&iacute;pulo e mission&aacute;rio de Jesus Cristo.<\/p>\n<p>O conceito &#8216;caridade pastoral&#8217; tem a sua fonte no pr&oacute;prio sacramento da Ordem e constitui a alma de todo o minist&eacute;rio presbiteral. Neste sentido, nunca se pode sepa&shy;rar a a&ccedil;&atilde;o lit&uacute;rgica da a&ccedil;&atilde;o pastoral. Os dois imperati&shy;vos evang&eacute;licos, o da miss&atilde;o &#8220;Ide e ensinai&#8221; (27) e o da Eucaristia (Liturgia) &#8220;Fazei isto em mem&oacute;ria de Mim&#8221;(28), coincidem no mesmo e &uacute;nico fundamento b&aacute;sico do mis&shy;t&eacute;rio e mi(ni)st&eacute;rio do padre diocesano. Por outras pala&shy;vras &#8220;viver o que se celebra, para celebrar dignamente o que se vive&#8221;.<\/p>\n<p>A Par&oacute;quia deveria ser cada vez mais uma &#8220;escola vocacional&#8221;, onde o p&aacute;roco ou qualquer ministro &laquo;nunca poder&aacute; esquecer que uma homilia, a administra&ccedil;&atilde;o de um sacramento (do Batismo &agrave; Un&ccedil;&atilde;o dos enfermos, ao Matrim&oacute;nio), uma catequese, uma adora&ccedil;&atilde;o do SS. Sacra&shy;mento, um retiro, uma missa, uma confiss&atilde;o, uma novena, uma iniciativa qualquer, se n&atilde;o &eacute; vocacional, se n&atilde;o pro&shy;p&otilde;e uma pergunta estrat&eacute;gica (&laquo;e eu que coisa sou chama&shy;do a fazer a partir desta Palavra, deste dom &#8230; ?&raquo;), n&atilde;o &eacute; a&ccedil;&atilde;o lit&uacute;rgica ou sacramental crist&atilde;, mas outra coisa qualquer, n&atilde;o bem definida, talvez in&uacute;til, &agrave;s vezes contra&shy;dit&oacute;ria (com a ess&ecirc;ncia da mensagem crist&atilde;), se n&atilde;o at&eacute; hip&oacute;crita&raquo; (29), As par&oacute;quias, pela sua pr&oacute;pria identidade, s&atilde;o os lugares privilegiados em que se proclama o Evangelho da voca&ccedil;&atilde;o. Os grupos, os movimentos e associa&ccedil;&otilde;es ecle&shy;siais s&atilde;o especiais lugares pedag&oacute;gicos da vida de f&eacute; para o acolhimento da voca&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Mas as testemunhas mais eficazes da voca&ccedil;&atilde;o ao presbiterado s&atilde;o os pr&oacute;prios presb&iacute;teros e os seminaristas. Os presb&iacute;teros, enquanto sabem oferecer um testemunho de espiritualidade, perspetiva pastoral, alegria, amizade e comunh&atilde;o presbiteral; os seminaristas, ao viverem com liberdade e alegria a experi&ecirc;ncia do seu seguimento, ser&atilde;o os primeiros e imediatos ap&oacute;stolos da voca&ccedil;&atilde;o no meio dos seus coet&acirc;neos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>6. Proposta de itiner&aacute;rio<\/strong><\/p>\n<p>A forma&ccedil;&atilde;o para o presbiterado configura-se como um verdadeiro e pr&oacute;prio itiner&aacute;rio, ritmado por momentos significativos que assimilem as dimens&otilde;es humana, espiri&shy;tual, intelectual e pastoral. Ao pr&oacute;prio Semin&aacute;rio exige-se um projeto educativo. Assim, propomos um itiner&aacute;rio para os seis anos do Semin&aacute;rio Maior:<\/p>\n<p>1.&ordm; ano:&nbsp;Introdu&ccedil;&atilde;o a vida do Semin&aacute;rio Maior<br \/>2.&ordm; ano:&nbsp;Admiss&atilde;o ao diaconado e ao presbiterado (30)<br \/>3.&ordm; ano:&nbsp;Institui&ccedil;&atilde;o no minist&eacute;rio do leitorado<br \/>4.&ordm; ano:&nbsp;Institui&ccedil;&atilde;o no minist&eacute;rio do acolitado<br \/>5.&ordm; ano: Ordena&ccedil;&atilde;o diaconal<br \/>6.&ordm; ano: Ordena&ccedil;&atilde;o presbiteral<\/p>\n<p>A presente proposta&nbsp;tem uma certa analogia com o itiner&aacute;rio para a Inicia&ccedil;&atilde;o Crist&atilde;. Assim como o catec&uacute;meno se prepara para os sacramentos da Inicia&ccedil;&atilde;o Crist&atilde; (sacerd&oacute;cio comum) mediante a catequese, os escrut&iacute;nios, as entregas do Pai-Nosso, do Credo e dos Evangelhos, tamb&eacute;m o seminarista &eacute; conduzido pela Igreja ao sacra&shy;mento da Ordem dos Presb&iacute;teros (sacerd&oacute;cio ministerial) mediante uma proposta educativa espec&iacute;fica.<\/p>\n<p>As quatro Dioceses que constituem o Instituto Supe&shy;rior de Teologia de Viseu estamos em fase de estrutura&ccedil;&atilde;o em vista da inclus&atilde;o no processo formativo do chamado Ano Proped&ecirc;utico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>7. Forma&ccedil;&atilde;o permanente<\/strong><\/p>\n<p>Atendendo ao contexto atual da nossa Diocese, o Semin&aacute;rio ser&aacute; tamb&eacute;m o centro da forma&ccedil;&atilde;o permanente para os presb&iacute;teros. De facto, o curriculum do Semin&aacute;rio ou da Faculdade de Teologia n&atilde;o pode ser entendido como um percurso conclu&iacute;do, mas como uma prepara&ccedil;&atilde;o para um minist&eacute;rio sempre aberto &agrave; renova&ccedil;&atilde;o, &agrave; convers&atilde;o, &agrave; aten&ccedil;&atilde;o &agrave;s mudan&ccedil;as culturais e sociais. Podemos at&eacute; afir&shy;mar que se a vida do padre n&atilde;o &eacute; forma&ccedil;&atilde;o permanente, toma-se frustra&ccedil;&atilde;o permanente. A forma&ccedil;&atilde;o &eacute; um processo global, progressivo e permanente.<\/p>\n<p>Na pr&aacute;tica, ap&oacute;s uma experi&ecirc;ncia comunit&aacute;ria no Semin&aacute;rio (ao menos de 4 anos), logo a seguir &agrave; ordena&shy;&ccedil;&atilde;o presbiteral o padre &eacute; enviado, sozinho, para um vasto conjunto de experi&ecirc;ncias pastorais. Por tal motivo, o acompanhamento aos novos presb&iacute;teros exige cada vez mais uma grande aten&ccedil;&atilde;o do bispo e de todo o presbit&eacute;rio. A solid&atilde;o, que pode ser experimentada em qualquer idade, nunca seja produzida pelo desleixo da comunh&atilde;o sacerdotal. Por consequ&ecirc;ncia, o Semin&aacute;rio nunca pode ser alheio em todas as etapas formativas do presbit&eacute;rio diocesano.<\/p>\n<p>Os objetivos (31) desta forma&ccedil;&atilde;o permanente dos pres&shy;b&iacute;teros jovens podem ser estes:<\/p>\n<p>* acompanhar a maturidade da personalidade, num contexto de geral prolongamento da adolesc&ecirc;ncia, com a tend&ecirc;ncia a retardar o assumir de responsabilidades;<\/p>\n<p>* educar para ser pastor de uma comunidade, pondo ao seu servi&ccedil;o as atitudes e qualidades pessoais;<\/p>\n<p>* ajudar a inser&ccedil;&atilde;o numa pastoral complexa e exi&shy;gente, encontrando tamb&eacute;m o modo de gerir responsavel&shy;mente o tempo (hor&aacute;rio, regra de vida);<\/p>\n<p>* crescer na comunh&atilde;o e na corresponsabilidade com os presb&iacute;teros e os leigos.<\/p>\n<p>Como recordava o Beato Jo&atilde;o Paulo II &#8211; : &laquo;o sacer&shy;d&oacute;cio n&atilde;o &eacute; propriedade nossa, para fazermos o que nos agrada; n&atilde;o podemos reinventar o seu significado, segundo o nosso ponto de vista pessoal. O que nos compete &eacute; ser fi&eacute;is &Agrave;quele que nos chamou&raquo;&gt;, A fidelidade &eacute; um mist&eacute;rio de amor que vence o tempo.<\/p>\n<p>Para mostrar os mist&eacute;rios de Cristo e viver sempre do mist&eacute;rio ao mi(ni)st&eacute;rio &#8211; h&aacute; que &laquo;encontrar paci&ecirc;ncia bastante para aguentar &#8211; aconselhava Rainer Rilke &#8211; e ino&shy;c&ecirc;ncia bastante para acreditar, mais confian&ccedil;a no que &eacute; dificil e no estado de solid&atilde;o entre os outros. E no mais, deixe acontecer a vida. Acredite-me, a vida tem raz&atilde;o em todos os casos&raquo; (33).<\/p>\n<p>Que S. Jos&eacute;, &laquo;Servo fiel, humilde e silencioso&raquo;(34), Homem justo e prudente, &laquo;Patriarca do sil&ecirc;ncio e do trabalho&raquo;(35), continue a proteger o nosso Semin&aacute;rio, qual facili&shy;tador da vida em Cristo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A Igreja presente em Bragan&ccedil;a-Miranda precisa de novos evangelizadores para a Nova Evangeliza&ccedil;&atilde;o. A Deus nada &eacute; imposs&iacute;vel, mas n&oacute;s podemos fazer todo o poss&iacute;vel. No mist&eacute;rio da Anuncia&ccedil;&atilde;o acontece a possibili&shy;dade do imposs&iacute;vel. Aqui a vida aparece como uma fonte inesgot&aacute;vel de surpresa e de fidelidade ao Amor. Como Isa&iacute;as(36), Maria (37) diz o seu Eis-me aqui. Recordamos as pala&shy;vras do Cardeal Martini: &laquo;A verdade da ora&ccedil;&atilde;o pelas voca&shy;&ccedil;&otilde;es &eacute; alcan&ccedil;ada quando ressoa a ora&ccedil;&atilde;o de Isa&iacute;as:<\/p>\n<p>&#8220;Senhor, eis-me aqui. Podeis enviar-me.&#8221; Convido-vos a rezar assim&raquo; (38).<\/p>\n<p>Caros amigos e amigas em Cristo, tamb&eacute;m eu con&shy;vido a todos, particularmente aos jovens, a rezar assim:<\/p>\n<p>SENHOR, EIS-ME AQUI. PODEIS ENVIAR-ME.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bragan&ccedil;a, 1 de novembro de 2011<br \/>Solenidade de todos os Santos<\/em><\/p>\n<p><em>D. Jos&eacute; Manuel Garcia Cordeiro<br \/>44&deg; Bispo de Bragan&ccedil;a-Miranda<\/em><\/p>\n<p>___<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Notas<\/p>\n<p>(1) C.M. MARTINI, Le tenebre e la luce. Il dramma della fede di fronte a Ges&uacute;, Piemme, Milano 2009, 64.<\/p>\n<p>(2) JO&Atilde;O PAULO II, Pastores Gregis 48.<\/p>\n<p>(3) BENTO XVI, Discurso aos seminaristas em Col&oacute;nia, 19.08.2005.<\/p>\n<p>(4) Cf. PDV 45.<\/p>\n<p>(5) PDV 43.<\/p>\n<p>(6) O conceito de maturidade aqui subjacente &eacute; um conceito din&acirc;mico, isto &eacute;, a matura&ccedil;&atilde;o na docilidade ao Esp&iacute;rito Santo. &laquo;Aberto &agrave; realidade e disposto a conhec&ecirc;-la e a aceit&aacute;-la; aprender a conhecer, reconhecer e gerir os sentimentos e as emo&ccedil;&otilde;es; disposto a escutar todas as pessoas; capaz de estar s&oacute; consigo mesmo; buscador de valores aut&ecirc;nticos em confronto com a dominante conce&ccedil;&atilde;o consu&shy;mista e individualista da vida; algu&eacute;m que viveu a experi&ecirc;ncia de ser amado e est&aacute; pronto a amar generosamente sem barreiras; algu&eacute;m que assume a responsabilida&shy;de da sua pr&oacute;pria vida e aprende a orient&aacute;-la para uma autenticidade sempre maior; algu&eacute;m que manifesta na vida: amor &agrave; verdade, lealdade, respeito por cada pessoa, sentido da justi&ccedil;a, fidelidade &agrave; palavra dada, coer&ecirc;ncia, equil&iacute;brio de ju&iacute;&shy;zos e comportamentos. Cf. L. MONARI, &laquo;La vita e il ministero del presbitero per una comunit&agrave; missionaria in un mondo che cambia: nodi problematici e prospettive&raquo;, in CONFERENZA EPISCOPALE ITALIANA, Lettera ai sacerdoti italiani, EDB, Bologna 2006, 22-27.<\/p>\n<p>(7) CONGREGA&Ccedil;&Atilde;O PARA A EDUCA&Ccedil;&Atilde;O CAT&Oacute;LICA, Orienta&ccedil;&otilde;es para a utiliza&ccedil;&atilde;o das compet&ecirc;ncias psicol&oacute;gicas na admiss&atilde;o e na forma&ccedil;&atilde;o dos candi&shy;datos ao sacerd&oacute;cio, 2008, 2.<\/p>\n<p>(8) V. ANDREOLI, Preti. Viaggio fra gli uomini del sacro, Piemme, Milano 2009.<\/p>\n<p>(9) V. ANDREOLI, Preti, 8.<\/p>\n<p>(10) Cf. LG 9.<\/p>\n<p>(11) Mc 3,14.<\/p>\n<p>(12) PDV 74.<\/p>\n<p>(13) Cf. A. COELHO, A import&acirc;ncia da cultura lit&uacute;rgica na vida espiritual (Vida lit&uacute;rgica 3), Braga 1927; Cf. E. BIANCHI, Lessico della vita interiore. Le parole della spiritualit&agrave;, Milano 2004, 15-18.<\/p>\n<p>(14) PIO X, Motu proprio &laquo;Tra le sollecitudini&raquo;, AAS 36 (1903-1904) 33l.<\/p>\n<p>(15) S&Iacute;NODOS DOS BISPOS, Proposi&ccedil;&otilde;es entregues ao Papa 2008,15.<\/p>\n<p>(16) SC 10.<\/p>\n<p>(17) CONGREGA&Ccedil;&Atilde;O PARA A EDUCA&Ccedil;&Atilde;O CAT&Oacute;LICA, Instru&ccedil;&atilde;o sobre os Institutos Superiores de Ci&ecirc;ncias Religiosas, 2008, 2.<\/p>\n<p>(18) B. LONERGAN, Il metodo in teologia, Citt&agrave; Nuova, Roma 2001, 29.<\/p>\n<p>(19) Cf. S. AGOSTINHO, Confiss&otilde;es 10,33.<\/p>\n<p>(20) N&atilde;o deixar-se impressionar pelo que parece e arquitetar uma reflex&atilde;o, mas entrar no mist&eacute;rio mediante uma atitude de participa&ccedil;&atilde;o na vida quotidiana.<\/p>\n<p>(21) PDV 5I.<\/p>\n<p>(22) SAGRADA CONGREGA&Ccedil;&Atilde;O DA EDUCA&Ccedil;&Atilde;O CAT&Oacute;LICA, Forma&ccedil;&atilde;o Teo&shy;l&oacute;gica dos Futuros Sacerdotes. Introdu&ccedil;&atilde;o. 22.02.1976.<\/p>\n<p>(23) SC 16.<\/p>\n<p>(24) Cf. OT 17.<\/p>\n<p>(25) P.J. CAADAEU, &laquo;Aforismi e note varie&raquo;, in Russia Cristiana 197 (1984) 18.<\/p>\n<p>(26) A experi&ecirc;ncia mostra quanto &eacute; importante no processo de forma&ccedil;&atilde;o do futuro pastor, o exemplo e testemunho de presb&iacute;teros em cujas comunidades o semina&shy;rista realiza o est&aacute;gio pastoral. Os p&aacute;rocos t&ecirc;m muito a testemunhar: a pr&aacute;tica da Liturgia, a viv&ecirc;ncia fiel do celibato, a rela&ccedil;&atilde;o com a comunidade e a Diocese, o sentido da liberdade conferido ao compromisso da obedi&ecirc;ncia, a integra&ccedil;&atilde;o efec&shy;tiva das atividades pastorais no conjunto da a&ccedil;&atilde;o evangelizadora da Diocese, a amizade sacerdotal&#8230; A norma suprema da educa&ccedil;&atilde;o &eacute; o testemunho.<\/p>\n<p>(27) Mt 28, 18-20<\/p>\n<p>(28) Cor 11,24; Lc 22,19.<\/p>\n<p>(29) A. Cencini, Una parrochia vocazionale. Quale pedagogia della vocazione nella comunit&aacute; parrocchiale, Paoline Editoriale Libri, Milano 2005, 58-59.<\/p>\n<p>(30) Esta etapa ser&aacute; sempre celebrada no dia da festa anual de S. Jos&eacute;, o padroeiro do Semin&aacute;rio diocesano.<\/p>\n<p>(31) Cf. CONFERENZA EPISCOPALE ITALIANA, La formazione dei presbiteri nella Chiesa italiana. Orientamenti e norme per i seminari, terza edizione, Libreria Editrice Vaticana, Citt&agrave; del Vaticano 2007, 115.<\/p>\n<p>(32) J. PAULO II, Aos Sacerdotes e Religiosos da Esc&oacute;cia, 31.05.1982.<\/p>\n<p>(33) R. M. RILKE, Cartas a um jovem poeta, Edi&ccedil;&otilde;es ASA, Porto 2002, 87.<\/p>\n<p>(34) LITURGIA DAS HORAS, Hino de Laudes de 19 de mar&ccedil;o.<\/p>\n<p>(35) LITURGIA DAS HORAS, Hino de V&eacute;speras de 19 de mar&ccedil;o.<\/p>\n<p>(36) Is 6, 8<\/p>\n<p>(37) Lc 1,38.<\/p>\n<p>(38) C.M. Martini, Carta aos Pais, 2002<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O SEMIN&Aacute;RIO, UM LABORAT&Oacute;RIO DE ESPERAN&Ccedil;A PARA O FUTURO Carta pastoral do Bispo Diocesanoaos Presb&iacute;teros, aos Di&aacute;conos, &agrave;s pessoas consagradas e a todos os fi&eacute;is leigos da Diocese de Bragan&ccedil;a-Miranda &nbsp; O feliz acontecimento da primeira Assembleia do Clero, realizada no dia 17 de outubro no Semin&aacute;rio de S. 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