{"id":53618,"date":"2011-11-02T11:11:10","date_gmt":"2011-11-02T11:11:10","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/11\/02\/repensar-a-pastoral-da-igreja-em-portugal-a-reacao-dum-paroco\/"},"modified":"2011-11-02T11:11:10","modified_gmt":"2011-11-02T11:11:10","slug":"repensar-a-pastoral-da-igreja-em-portugal-a-reacao-dum-paroco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/repensar-a-pastoral-da-igreja-em-portugal-a-reacao-dum-paroco\/","title":{"rendered":"Repensar a Pastoral da Igreja em Portugal. A rea\u00e7\u00e3o dum P\u00e1roco"},"content":{"rendered":"<p>Padre Carlos Paes, p\u00e1roco de S. Jo\u00e3o de Deus, Lisboa <!--more--> <\/p>\n<p><strong>Um desafio estimulante e irrecus&aacute;vel<\/strong><\/p>\n<p>Quem, como eu, viveu com entusiasmo as diversas sess&otilde;es do Congresso Internacional para a Nova Evangeliza&ccedil;&atilde;o, nos primeiros anos do mil&eacute;nio, n&atilde;o poderia ficar indiferente ao desafio corajoso da Confer&ecirc;ncia Episcopal Portuguesa.<\/p>\n<p>Achei que era uma oportunidade a n&atilde;o perder, apesar de a minha experi&ecirc;ncia me dizer que n&atilde;o seria f&aacute;cil encontrar condi&ccedil;&otilde;es entre os meus pares, para a profunda an&aacute;lise que tal desafio suporia.<\/p>\n<p>Na verdade, a super ocupa&ccedil;&atilde;o dos pastores numa pastoral de manuten&ccedil;&atilde;o que s&oacute; por si lhes toma todo o tempo, e o protagonismo clerical nestas quest&otilde;es, leva-nos a olhar para este desafio como mais uma sobrecarga pastoral, que n&atilde;o se recusa, mas que fica para melhores dias&hellip;<\/p>\n<p>Come&ccedil;a aqui, precisamente, a reflex&atilde;o que devemos fazer. Falando da parte clerical do povo de Deus, entendo que &eacute; chegada a altura de passarmos duma conce&ccedil;&atilde;o piramidal da Igreja (cl&eacute;rigos, religiosos e leigos), a uma conce&ccedil;&atilde;o sinodal da mesma entendida como o Povo dos Batizados Leigos, Consagrados e Ordenados a trabalhar conjuntamente, na anima&ccedil;&atilde;o crist&atilde; da ordem temporal e na edifica&ccedil;&atilde;o do Reino de Deus entre os homens. S&oacute; faz sentido falar de batizados ordenados, se a montante houver batizados leigos (a maioria) e consagrados, a dar corpo &agrave;quela que, desde Paulo VI at&eacute; Bento XVI, tem sido referida como a identidade da Igreja: &ldquo;evan-gelizar&rdquo;.<\/p>\n<p>A n&oacute;s, pastores, deve mover-nos a certeza de que n&atilde;o se trata duma miss&atilde;o clerical, para nos sobrecarregar mais, mas da voca&ccedil;&atilde;o duma nova gera&ccedil;&atilde;o de evangelizadores, que j&aacute; a&iacute; est&aacute;, e que, como dizia Mons. Fisichella aos nossos Bispos nas suas Jornadas Pastorais de junho, &ldquo;esperam que algu&eacute;m os convide&rdquo;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Refunda&ccedil;&atilde;o da pastoral e n&atilde;o apenas opera&ccedil;&atilde;o cosm&eacute;tica<\/strong><\/p>\n<p>J&aacute; depois de ter publicado a minha resposta &agrave; Confer&ecirc;ncia Episcopal, li na segunda confer&ecirc;ncia de Mons. Fichella, presidente do Conselho Pontif&iacute;cio para a Promo&ccedil;&atilde;o da Nova Evangeliza&ccedil;&atilde;o que &ldquo;vivemos um tempo de grandes desafios, que influem de modo significativo nos comportamentos de gera&ccedil;&otilde;es inteiras e que se devem ao facto de estar a terminar uma &eacute;poca e a come&ccedil;ar uma nova fase da hist&oacute;ria da humanidade&rdquo;. Por isso n&atilde;o basta fazer alguns ajustamentos pastorais, ao estilo duma opera&ccedil;&atilde;o cosm&eacute;tica, mas ter a coragem de rever toda a pastoral em di&aacute;logo sinodal com seus agentes, numa palavra, com a comunidade eclesial viva e organicamente articulada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Saltos qualitativos identificados.<\/strong><\/p>\n<p>Sem pretender esgotar a realidade pastoral em todas as suas vertentes e carismas, identifiquei 14 saltos qualitativos que devemos empreender e que foram genericamente aceites pelas pessoas que, por escrito, responderam ao texto que lhes mandei, nomeadamente sete Bispos.<\/p>\n<p>S&atilde;o estes os saltos qualitativos que proponho: 1. Refunda&ccedil;&atilde;o de toda a nossa pastoral na Palavra de Deus; 2. Passar do protagonismo clerical &agrave; participa&ccedil;&atilde;o de todo o Povo de Deus; 3. Acolher e promover a nova gera&ccedil;&atilde;o de evangelizadores; 4. Passar duma mera articula&ccedil;&atilde;o pastoral, &agrave; mobiliza&ccedil;&atilde;o de todos os batizados na obra da evangeliza&ccedil;&atilde;o; 5. Tomar a fam&iacute;lia como uma unidade pastoral, a primeira, que configure a &laquo;igreja dom&eacute;stica&raquo;, como c&eacute;lula de evangeliza&ccedil;&atilde;o; 6. Passar da colegialidade piramidal &agrave; sinodalidade horizontal; 7. Passar da prioridade da &ldquo;forma&ccedil;&atilde;o&rdquo; &agrave; prioridade da &ldquo;inicia&ccedil;&atilde;o&rdquo; na miss&atilde;o; 8. Mudar o paradigma da &ldquo;forma&ccedil;&atilde;o&rdquo; na prepara&ccedil;&atilde;o dos novos pastores, pelo paradigma evang&eacute;lico da &ldquo;inicia&ccedil;&atilde;o&rdquo; na m&iacute;stica da evangeliza&ccedil;&atilde;o, desperta pelo conv&iacute;vio Jesus e com a sua Palavra; 9. Novo conceito de inicia&ccedil;&atilde;o crist&atilde;, mais abrangente e m&iacute;stico; 10. Novo paradigma de catequese, em que o centro de gravidade deixa de estar nas crian&ccedil;as, para ser colocados nos pais; 11. Passagem duma experi&ecirc;ncia de f&eacute;, entendida como um culto que se pratica, a uma viv&ecirc;ncia do encontro com Jesus e da integra&ccedil;&atilde;o ativa na comunidade; 12. Passagem duma atividade sociocaritativa, a uma edifica&ccedil;&atilde;o de comunidades eclesiais que assumam a dimens&atilde;o da &laquo;caridade de Cristo que as urge&raquo;; 13. Passagem de uma moral que d&aacute; prioridade &agrave; &eacute;tica, a uma moral que arranca da viv&ecirc;ncia m&iacute;stica do encontro com Jesus; 14. Passagem a um novo conceito de Par&oacute;quia, como comunidade de batizados a trabalhar conjuntamente sob a batuta do pastor.<\/p>\n<p><em>Padre Carlos Paes, p&aacute;roco de S. Jo&atilde;o de Deus, Lisboa, e autor da brochura &lsquo;Repensar a pastoral da Igreja em Portugal&rsquo;. A minha resposta ao desafio da Confer&ecirc;ncia Episcopal Portuguesa (Paulinas, 2&ordf; edi&ccedil;&atilde;o &#8211; setembro 2011)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Carlos Paes, p\u00e1roco de S. 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