{"id":53598,"date":"2011-10-31T11:46:34","date_gmt":"2011-10-31T11:46:34","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/10\/31\/homilia-do-bispo-de-coimbra-na-peregrinacao-dos-90-anos-da-legiao-de-maria-ao-santuario-de-fatima\/"},"modified":"2011-10-31T11:46:34","modified_gmt":"2011-10-31T11:46:34","slug":"homilia-do-bispo-de-coimbra-na-peregrinacao-dos-90-anos-da-legiao-de-maria-ao-santuario-de-fatima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-de-coimbra-na-peregrinacao-dos-90-anos-da-legiao-de-maria-ao-santuario-de-fatima\/","title":{"rendered":"Homilia do bispo de Coimbra na peregrina\u00e7\u00e3o dos 90 anos da Legi\u00e3o de Maria ao Santu\u00e1rio de F\u00e1tima"},"content":{"rendered":"<p>Viemos em peregrina&ccedil;&atilde;o ao Santu&aacute;rio de F&aacute;tima numa atitude de gratid&atilde;o a Deus que nos beneficiou com o dom da f&eacute; e nos deu a gra&ccedil;a de chamar a Deus nosso Pai. Viemos agradecer por nos ter dado um jeito mariano de ser e acreditar. H&aacute; nesta assembleia muitos membros da Legi&atilde;o de Maria, um movimento da Igreja que h&aacute; 90 anos tem sido um instrumento do Esp&iacute;rito Santo para a evangeliza&ccedil;&atilde;o do mundo por meio da devo&ccedil;&atilde;o mariana. Todos n&oacute;s aqui presentes assumimos a condi&ccedil;&atilde;o de disc&iacute;pulos a quem Jesus deu Maria por M&atilde;e aos p&eacute;s da cruz, ao dizer a Jo&atilde;o: Eis a tua m&atilde;e! Todos n&oacute;s pedimos a sua intercess&atilde;o de Estrela da Evangeliza&ccedil;&atilde;o para levar ao mundo a &uacute;nica Palavra que salva.<\/p>\n<p>Em Maria encontramos o melhor modelo da Igreja e com ela aprendemos tudo o que um crist&atilde;o precisa de saber para viver a sua condi&ccedil;&atilde;o de disc&iacute;pulo, que acolhe a Palavra, vive a comunh&atilde;o com Deus e anuncia as suas maravilhas.&nbsp; Como afirmou o Conc&iacute;lio Vaticano II, &ldquo;a M&atilde;e de Deus &eacute; o tipo e a figura da Igreja, na ordem da f&eacute;, da caridade e da perfeita uni&atilde;o com Cristo&rdquo; (LG 63). Com ela aprendemos a acreditar, a&nbsp; amar e viver em uni&atilde;o de filhos com o Deus que se nos revelou como Pai, tal como ouvimos no Evangelho.<\/p>\n<p>A liturgia de hoje sugere-nos as atitudes centrais, que foram vividas de forma perfeita por Maria e que havemos de cultivar n&oacute;s pr&oacute;prios enquanto membros da Igreja de que Ela &eacute; imagem e modelo.<\/p>\n<p>A f&eacute; de Nossa Senhora levou-a a proclamar Deus como o Rei e Senhor do Universo, como nos ensinava a Profecia de Malaquias, mas levou-a igualmente a proclamar Deus como o Senhor &uacute;nico da sua vida, a quem amou e serviu com uma vontade d&oacute;cil na totalidade de si mesma. A integridade da sua vida, sem pecado, sempre fiel &agrave; alian&ccedil;a, dispon&iacute;vel para em tudo dar gl&oacute;ria a Deus, corresponde plenamente &agrave;s palavras prof&eacute;ticas do Antigo Testamento que anunciavam a Igreja com uma voca&ccedil;&atilde;o &agrave; santidade incarnada em Maria.<\/p>\n<p>Todos n&oacute;s, enquanto Igreja, somos convidados a incarnar com humildade a nossa condi&ccedil;&atilde;o de homens e mulheres, por isso, criaturas de Deus, limitadas e fracas. No entanto, somos tamb&eacute;m convidados a viver na alegria da nossa condi&ccedil;&atilde;o de filhos de Deus, tal como referia o Evangelho ao dizer que um s&oacute; &eacute; o nosso pai, o Pai celeste. Maria incarnou esta condi&ccedil;&atilde;o de filha de Deus na alegria e a sua vida foi um c&acirc;ntico de gratid&atilde;o e alegria, sintetizado no magnificat &ndash; a minha alma glorifica no Senhor e o meu esp&iacute;rito se alegra (rejubila) em Deus, meu Salvador.<\/p>\n<p>A pr&oacute;pria atitude de servi&ccedil;o no an&uacute;ncio do Evangelho, cantada por S. Paulo na Ep&iacute;stola aos Tessalonicenses, brilhou de modo particular em Maria. Ningu&eacute;m acolhe de forma mais marcante a Palavra de Deus no cora&ccedil;&atilde;o e na vida e ningu&eacute;m a proclama de forma mais eficaz. &Eacute; Ela que acolhe o Verbo de Deus no seu seio e o d&aacute; ao mundo num gesto inigual&aacute;vel de servi&ccedil;o. N&atilde;o somente evangeliza, mas traz ao mundo o pr&oacute;prio Evangelho, a Palavra Viva de Deus, que &eacute; Jesus Cristo incarnado no seu seio.<\/p>\n<p>As palavras de Paulo referentes a todo o disc&iacute;pulo, que recebe e anuncia o Evangelho e referentes a si mesmo enquanto Ap&oacute;stolo, aplicam-se de um modo ainda mais direto a Maria, quando fala da m&atilde;e que acalenta os filhos que anda a criar, ou naqueles que acolheram o Evangelho, n&atilde;o como palavra humana, mas como palavra de Deus. Em Nossa Senhora aprendemos o verdadeiro m&eacute;todo da Evangeliza&ccedil;&atilde;o: poucas palavras &ndash; as estritamente necess&aacute;rias, e muita vida, ou seja, forte testemunho. O Evangelho recolhe pouqu&iacute;ssimas palavras suas e, no entanto, o seu testemunho &eacute; eloquente. Esta &eacute; a forma materna de ser: transmite pela afei&ccedil;&atilde;o, pelo amor e pela entrega, mais do que pelo discurso.<\/p>\n<p>Ao longo destes 90 anos de funda&ccedil;&atilde;o, que estamos a celebrar, a Legi&atilde;o de Maria tem procurado incutir nos seus membros esta maneira de ser, acreditar e evangelizar mariana e, portanto, eclesial. Numa atitude de servi&ccedil;o e entrega, homens e mulheres procuram fazer sua a solicitude e a ternura da m&atilde;e que acalenta os filhos que anda a criar, ou seja, procuram ir ao encontro dos que est&atilde;o fr&aacute;geis na esperan&ccedil;a, ajudar os que se sentem fracos na f&eacute;, levar o aux&iacute;lio material aos pobres e desprotegidos.<\/p>\n<p>No meio de tantas formas massificadas e an&oacute;nimas de fazer apostolado, evangelizar ou realizar a a&ccedil;&atilde;o s&oacute;cio-caritativa, &eacute; urgente o recurso a a&ccedil;&otilde;es caracterizadas pela rela&ccedil;&atilde;o pessoal, pela for&ccedil;a do cora&ccedil;&atilde;o, pela solicitude e ternura pr&oacute;pria da maneira de ser paterna e materna. De facto, n&atilde;o basta criar programas de assist&ecirc;ncia, de distribui&ccedil;&atilde;o de bens, nem a criar condi&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas, de habita&ccedil;&atilde;o ou outras; nem sequer basta falar de Deus ou proclamar Jesus Cristo como o Salvador por meio das palavras. &Eacute; necess&aacute;rio dar a conhecer Deus que &eacute; Pai de miseric&oacute;rdia, Jesus Cristo, o Irm&atilde;o, que nos ama at&eacute; ao fim e o Esp&iacute;rito Santo que nos anima nas dores e afli&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>N&atilde;o basta, por isso, uma evangeliza&ccedil;&atilde;o que recorra &agrave; l&oacute;gica da raz&atilde;o humana ou que proclame as verdades fundamentais do cristianismo. A mensagem s&oacute; passa quando as palavras correspondem &agrave; vida e quando os gestos constituem a bandeira do testemunho, que arrasta. Deste modo, connosco enquanto agentes ativos, a Igreja h&aacute; de fazer a nova evangeliza&ccedil;&atilde;o e desenvolver a pastoral da f&eacute; para as quais nos convoca o Papa Bento XVI.<\/p>\n<p>Neste lugar de F&aacute;tima, falam mais alto os gestos de Maria e as palavras carregadas de sentido. S&atilde;o os gestos e as palavras que levam cada um de n&oacute;s a fazer o caminho da convers&atilde;o que aproxima de Deus e dos irm&atilde;os. Se queremos evangelizar o mundo &ndash; e o Evangelho &eacute; a porta da salva&ccedil;&atilde;o &ndash; procuremos faz&ecirc;-lo ao jeito de Maria, aquela que nutre viva afei&ccedil;&atilde;o por todos os seus filhos espirituais.<\/p>\n<p>N&atilde;o &eacute; comum hoje pensar-se que a evangeliza&ccedil;&atilde;o e a transmiss&atilde;o da f&eacute; crist&atilde; constituam um gesto de caridade e amor. H&aacute; quem pense que se trata de uma perda de tempo num mundo onde h&aacute; tantos problemas para resolver. No entanto, a nossa f&eacute; diz-nos que a realiza&ccedil;&atilde;o da miss&atilde;o evangelizadora da Igreja constitui uma das melhores formas de&nbsp; servir a pessoa humana, por libertar das tenta&ccedil;&otilde;es do materialismo e do pragmatismo da vida. A tarefa evangelizadora ajuda-nos a perceber que a salva&ccedil;&atilde;o da humanidade n&atilde;o est&aacute; somente naquilo que fazemos ou naquilo que temos, nem na procura de solu&ccedil;&otilde;es imediatas para todos os problemas.<\/p>\n<p>A humanidade seria bem mais feliz no dia em que todos partilh&aacute;ssemos a certeza de que Deus &eacute; nosso Pai, no dia em que aceit&aacute;ssemos livremente e, como irm&atilde;os, ser parte na solu&ccedil;&atilde;o dos problemas das pessoas, no dia em que f&ocirc;ssemos cora&ccedil;&otilde;es evangelizados, isto &eacute;, como Maria, portadores do Evangelho de Jesus.<\/p>\n<p>Por intercess&atilde;o de Nossa Senhora de F&aacute;tima, pe&ccedil;amos a Deus que nos d&ecirc; o dom de O reconhecer como nosso Pai e que, a fim de que, como cant&aacute;mos no Salmo Responsorial, somente n&rsquo;Ele encontramos o sossego e a tranquilidade que procuramos, &ldquo;como crian&ccedil;a ao colo da m&atilde;e&rdquo;.<\/p>\n<p>Santu&aacute;rio de F&aacute;tima, 30 de outubro de 2011<\/p>\n<p><em>D. Virg&iacute;lio do Nascimento Antunes, bispo de Coimbra<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Viemos em peregrina&ccedil;&atilde;o ao Santu&aacute;rio de F&aacute;tima numa atitude de gratid&atilde;o a Deus que nos beneficiou com o dom da f&eacute; e nos deu a gra&ccedil;a de chamar a Deus nosso Pai. Viemos agradecer por nos ter dado um jeito mariano de ser e acreditar. H&aacute; nesta assembleia muitos membros da Legi&atilde;o de Maria, um [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[120,174,207,246],"class_list":["post-53598","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-bento-xvi","tag-diocese-de-coimbra","tag-fatima","tag-liturgia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53598","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=53598"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53598\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=53598"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=53598"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=53598"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}