{"id":5355,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/frei-nuno-de-santa-maria\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"frei-nuno-de-santa-maria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/frei-nuno-de-santa-maria\/","title":{"rendered":"Frei Nuno de Santa Maria"},"content":{"rendered":"<p>Discurso de D. Jos\u00e9 Policarpo no Encerramento da fase diocesana do Processo de Canoniza\u00e7\u00e3o. <!--more--> Este momento de encerramento da fase diocesana do Processo de Canoniza\u00e7\u00e3o de Frei Nuno de Santa Maria, \u00e9 carregado de significado e de esperan\u00e7a. Desde a sua morte que ele \u00e9, para os portugueses, o Santo Condest\u00e1vel. De facto, as manifesta\u00e7\u00f5es p\u00fablicas de culto e venera\u00e7\u00e3o por parte do Povo, e da pr\u00f3pria Corte, seguiram-se logo \u00e0 sua morte, o que mostra como este homem crist\u00e3o, que exerceu altas e decisivas fun\u00e7\u00f5es na consolida\u00e7\u00e3o da independ\u00eancia e defini\u00e7\u00e3o da nacionalidade, e acabou a sua vida na simplicidade contemplativa de um mosteiro de carmelitas, se tornou s\u00edmbolo e modelo da santidade crist\u00e3, o que o colocou espontaneamente na situa\u00e7\u00e3o de intercessor e protector, junto de Deus que adorou e da Sant\u00edssima Virgem, de quem era filho querido e devotado. Quando o Papa Urbano VIII decreta que a declara\u00e7\u00e3o de santidade fica dependente de processo formal, faz uma excep\u00e7\u00e3o para aqueles crist\u00e3os a quem, h\u00e1 mais de duzentos anos, era prestado culto e reconhecida, pelo Povo, a santidade. Era o caso de Frei Nuno de Santa Maria, que desde o in\u00edcio foi alvo da devo\u00e7\u00e3o popular e teve mem\u00f3ria lit\u00fargica, pelo menos no calend\u00e1rio da Ordem Carmelita. S\u00f3 hesita\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas, agravadas por acontecimentos como a perda da independ\u00eancia, em 1580, e o terramoto que destruiu o Convento do Carmo, principal centro dessa devo\u00e7\u00e3o, porque a\u00ed se encontrava o seu t\u00famulo, fizeram com que se sujeitasse, v\u00e1rias vezes, a declara\u00e7\u00e3o de Santidade de Frei Nuno de Santa Maria, \u00e0s exig\u00eancias formais de um processo de canoniza\u00e7\u00e3o, que, no rigor da disciplina para as Causas dos Santos, a ele n\u00e3o se aplicava. Espero vivamente que estes dados hist\u00f3ricos sejam tidos em conta na an\u00e1lise deste processo. Neste momento, no in\u00edcio do s\u00e9culo XXI, no contexto de uma sociedade secularizada que \u00e9 preciso reevangelizar, a canoniza\u00e7\u00e3o de um crist\u00e3o como o Condest\u00e1vel do Reino, que trocou as honras e as benesses da sua situa\u00e7\u00e3o pela humildade da vida mon\u00e1stica, porque a isso o impeliu a Gl\u00f3ria de Deus e o servi\u00e7o humilde dos pobres, tem a for\u00e7a de um sinal: a import\u00e2ncia e a miss\u00e3o dos justos na Cidade. O testemunho de vida crente dos crist\u00e3os na Cidade, imprimindo ao seu servi\u00e7o da sociedade a marca da novidade crist\u00e3, \u00e9 hoje um caminho importante para a evangeliza\u00e7\u00e3o da Cidade. A proclama\u00e7\u00e3o do Evangelho \u00e9 um testemunho de vida, e \u00e9 quando a f\u00e9 marca a qualidade de uma forma de estar e de servir, que ela se torna testemunho que interpela os cora\u00e7\u00f5es. Desde o Antigo Testamento est\u00e1 dito que um justo pode salvar a Cidade. Em D. Nuno \u00c1lvares Pereira foi impressionante esta s\u00edntese harm\u00f3nica da viv\u00eancia da sua f\u00e9 e o desempenho das altas fun\u00e7\u00f5es que a Na\u00e7\u00e3o lhe atribuiu. Ele torna-se, assim, desafio para quantos, hoje, exercendo os seus cargos ao servi\u00e7o da Na\u00e7\u00e3o, t\u00eam tend\u00eancia em separar a sua f\u00e9 das fun\u00e7\u00f5es que exercem. A nossa Cidade precisa do testemunho dos justos.  D. Nuno deu-nos, tamb\u00e9m, o testemunho da primazia de Deus e da Sua Gl\u00f3ria, acima de todas as coisas. O seu apagamento na vida mon\u00e1stica, em que s\u00f3 se tornaram not\u00f3rias, a sua humildade e o seu amor aos pobres, s\u00e3o afirma\u00e7\u00e3o dessa primazia de Deus, a Quem se ama acima de todas as coisas. Portugal n\u00e3o espera pelo resultado deste processo para o venerar como Santo e Intercessor. Mas a proclama\u00e7\u00e3o dessa santidade, pela Igreja, confirmar\u00e1 a universalidade da sua caridade e do seu culto. Porque desejamos a sua canoniza\u00e7\u00e3o, tudo fizemos para a viabilizar. Porque o veneramos como Santo, pedimos-lhe que, por intercess\u00e3o de Maria, nos conceda essa gra\u00e7a e nos ajude a obt\u00ea-la de Deus, pela media\u00e7\u00e3o da Virgem, atrav\u00e9s da qual obteve sempre todos os favores divinos.  Igreja do Santo Condest\u00e1vel, 3 de Abril de 2004   \u2020 JOS\u00c9, Cardeal-Patriarca <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Discurso de D. 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