{"id":5353,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/a-igreja-povo-de-discipulos\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"a-igreja-povo-de-discipulos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-igreja-povo-de-discipulos\/","title":{"rendered":"A Igreja, Povo de Disc\u00edpulos"},"content":{"rendered":"<p>Catequese Quaresmal do Cardeal-Patriarca <!--more--> \t1. Com este tema terminamos a apresenta\u00e7\u00e3o do \u201cKerigma para a Miss\u00e3o\u201d, o n\u00facleo central das verdades da nossa f\u00e9, que recebemos desde os Ap\u00f3stolos e que continuam a constituir a mensagem do an\u00fancio da f\u00e9 crist\u00e3. \u00c9 a Igreja que anuncia, pois \u00e9 ela a detentora da f\u00e9, ao longo de uma tradi\u00e7\u00e3o de dois mil\u00e9nios e que para isso foi enviada. Mas j\u00e1 a Igreja primitiva percebeu que esse n\u00facleo central das verdades da f\u00e9 inclui o mist\u00e9rio da Igreja. A proclama\u00e7\u00e3o \u201ccreio na Santa Igreja\u201d faz parte das mais antigas confiss\u00f5es de f\u00e9: na Igreja, o seu pr\u00f3prio mist\u00e9rio faz parte da f\u00e9 que ela proclama. \tO an\u00fancio de Jesus Cristo \u00e9 um convite \u00e0 f\u00e9, cujo fruto \u00e9 a ades\u00e3o a Cristo ressuscitado e \u00e0 vida nova que Ele nos comunica. Mas essa ades\u00e3o a Jesus Cristo n\u00e3o \u00e9 uma f\u00e9 individual e, ainda menos, individualista. \u00c9 um convite a seguir o Senhor, em Igreja, a conhec\u00ea-Lo na Igreja, a sentir-se amado por Ele, em Igreja, a caminhar em conjunto, como Povo crente, na descoberta progressiva da vida, at\u00e9 \u00e0 Casa do Pai, onde Ele nos precedeu como Pont\u00edfice e Bom Pastor. A misteriosa identifica\u00e7\u00e3o que Cristo faz com a Sua Igreja, considerando-a o Seu pr\u00f3prio Corpo, sublinha que \u00e9 imposs\u00edvel anunciar Jesus Cristo sem anunciar a Igreja, acreditar em Jesus Cristo sem acreditar na Igreja. O an\u00fancio da Igreja \u00e9 a coroa de todo o Kerigma crist\u00e3o. \tEste primeiro an\u00fancio do mist\u00e9rio da Igreja deve ser simples e testemunhal. N\u00e3o se trata de explicar toda a complexa realidade da Igreja, mas de a apresentar como o fruto da P\u00e1scoa, manifesta\u00e7\u00e3o do Seu amor perene pelos homens, sinal do Reino definitivo. Esse an\u00fancio tem de ser feito por crist\u00e3os que acreditam na Igreja, que manifestam a sua alegria de a ela pertencerem e se sentem correspons\u00e1veis pela sua miss\u00e3o. Tem de aparecer claro, nesse seu testemunho, que a Igreja \u00e9 o Povo dos disc\u00edpulos de Jesus, de todos aqueles que, tendo acreditado n\u2019Ele, O querem seguir, de m\u00e3os dadas, at\u00e9 ao fim. No seu testemunho, a Igreja tem de aparecer como o conjunto daqueles que seguem Cristo, em todas as circunst\u00e2ncias, tempo e lugar (Apc. 14,3). Nessa fidelidade amorosa a Jesus Cristo, a Igreja concreta, em cada tempo e lugar, anuncia a Igreja escatol\u00f3gica, que o Apocalipse descreve assim: \u201cEstes, que est\u00e3o vestidos de t\u00fanicas brancas, quem s\u00e3o e donde vieram? (\u2026) S\u00e3o os que v\u00eaem da grande tribula\u00e7\u00e3o, lavaram as suas t\u00fanicas e branquearam-nas no sangue do Cordeiro. Por isso, est\u00e3o diante do trono de Deus e servem-n\u2019O, noite e dia, no seu santu\u00e1rio e o que est\u00e1 sentado no trono abrig\u00e1-los-\u00e1 na Sua tenda. Nunca mais passar\u00e3o fome, nem sede; nem o sol, nem o calor ardente cair\u00e3o sobre eles; porque o Cordeiro que est\u00e1 no meio do trono os apascentar\u00e1 e conduzir\u00e1 \u00e0s fontes de \u00e1gua viva; e Deus enxugar\u00e1 todas as l\u00e1grimas dos seus olhos\u201d (Apc. 8,14-17). \tEsta vis\u00e3o da Igreja escatol\u00f3gica sugere-nos os elementos para a compreens\u00e3o do mist\u00e9rio da Igreja, enquanto neste tempo e neste mundo, ela partilha a fr\u00e1gil condi\u00e7\u00e3o de todos os homens e \u00e9 um povo peregrino, que segue Jesus Cristo, atra\u00eddo pela luz definitiva.  A Igreja \u00e9 um Povo de disc\u00edpulos \t2. A miss\u00e3o de Jesus enquadra-se no projecto de Deus de ter um \u201cpovo escolhido\u201d, o Seu Povo, com quem celebrou uma alian\u00e7a e deseja conduzir \u00e0 intimidade da comunh\u00e3o consigo e \u00e0 plenitude da vida. Jesus nasce como membro desse Povo, \u00e9-lhe enviado, para o conduzir \u00e0 plena fidelidade \u00e0 alian\u00e7a. Apesar das infidelidades do Povo da primeira alian\u00e7a, o Senhor n\u00e3o o rejeita, nem desiste dessa alian\u00e7a. Envia-lhe o Seu pr\u00f3prio Filho, cujo sangue derramado selar\u00e1 a nova e definitiva alian\u00e7a de Deus com o Seu Povo. Esse \u201cnovo Povo\u201d, o dos tempos definitivos, tem de ser congregado por Jesus Cristo, \u00e9 constitu\u00eddo por aqueles que seguem Jesus Cristo. Ningu\u00e9m fica exclu\u00eddo. O Senhor chama todos a segui-Lo, membros do antigo Israel e homens de todas as ra\u00e7as, l\u00ednguas e na\u00e7\u00f5es. O novo Povo de Deus congrega-se \u00e0 volta de Jesus Cristo. \tTudo come\u00e7ou com aquele primeiro grupo de disc\u00edpulos que o Senhor convidou a segui-Lo e passaram a andar com Ele. O seu n\u00famero foi aumentando, chegaram a ser multid\u00e3o, para a qual Jesus aben\u00e7oou e multiplicou o p\u00e3o e depois O aclama nas ruas de Jerusal\u00e9m. Entre essa multid\u00e3o Ele escolheu doze, para uma rela\u00e7\u00e3o mais \u00edntima e permanente com Ele, com quem partilha a Sua vida de intimidade com o Pai e associa \u00e0 Sua miss\u00e3o. J\u00e1 ent\u00e3o se nota, nesse povo a nascer, um n\u00facleo de fidel\u00edssimos, os ap\u00f3stolos, as santas mulheres, os amigos fi\u00e9is de que conhecemos alguns nomes, como L\u00e1zaro, Jos\u00e9 de Arimateia, Nicodemos; e essa multid\u00e3o imensa de simpatizantes, que tanto podem aderir ao grupo dos fidel\u00edssimos, como abandonar o Senhor \u00e0 primeira dificuldade ou exig\u00eancia. Foi assim desde o in\u00edcio. \tA morte de Jesus foi uma prova muito dura para os seguidores de Jesus. A maior parte abandonou-O. Ficaram os \u201cfidel\u00edssimos\u201d, e mesmo esses depois de s\u00e9rias prova\u00e7\u00f5es e tenta\u00e7\u00f5es. Era o ouro fino a ser decantado pelo fogo do sofrimento. A ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus e o dom do Esp\u00edrito Santo trouxeram um dinamismo novo e rasgaram horizontes definitivos aos disc\u00edpulos de Jesus. Segui-Lo \u00e9 agora acreditar na Sua ressurrei\u00e7\u00e3o, participar, na pr\u00f3pria vida, na Sua vida misteriosa de ressuscitado, e anunci\u00e1-Lo at\u00e9 aos confins da terra. Este an\u00fancio \u00e9 a nova forma de Jesus chamar para O seguir e ser membro do Seu Povo; a resposta \u00e9 a f\u00e9; a intimidade com Ele \u00e9 agora fruto da for\u00e7a do Esp\u00edrito Santo. \tPorque a prega\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica \u00e9 o chamamento e a f\u00e9 \u00e9 a resposta, podem tornar-se disc\u00edpulos de Jesus homens e mulheres de todos os tempos e lugares, garantindo-lhes o Esp\u00edrito e a for\u00e7a sacramental da Igreja maior proximidade e intimidade com o Senhor do que aquela que viveram os primeiros disc\u00edpulos, na vida terrena de Jesus. E assim o Povo do Senhor, aquele que Ele congrega, vai engrossando em n\u00famero e torna-se presente em toda a terra. Hoje s\u00e3o mais de um bili\u00e3o, presentes nos quatro cantos do Planeta. Continua a haver o grupo dos fidel\u00edssimos, que seguem o Senhor em tudo e em todas as circunst\u00e2ncias e aqueles que O seguem at\u00e9 que as dificuldades e as tenta\u00e7\u00f5es os leva a abandonar ou a afrouxar o ritmo desta peregrina\u00e7\u00e3o dos que seguem o Senhor. Falemos um pouco destes dois grupos, pois fazer que eles se tornem um s\u00f3 \u00e9 o grande desejo do Senhor e o objectivo principal da miss\u00e3o pastoral da Igreja.  Os que seguem o Cordeiro para onde quer que Ele v\u00e1 (Apc. 14,3) \t3. O texto do Apocalipse que cit\u00e1mos refere-se-lhes como os que v\u00eam da grande tribula\u00e7\u00e3o, que travaram vitoriosamente o combate da vida. Para seguir sempre Jesus, at\u00e9 ao fim, \u00e9 preciso vencer todas as tribula\u00e7\u00f5es e dificuldades que o crist\u00e3o encontra na vida, oriundas das suas pr\u00f3prias fragilidades e tenta\u00e7\u00f5es, das dificuldades inerentes \u00e0 pr\u00f3pria exist\u00eancia humana e das persegui\u00e7\u00f5es que sofrem vindas da sociedade. A fidelidade crist\u00e3 assemelha-se a um combate, de que o crist\u00e3o pode sair vencedor, com a for\u00e7a do Esp\u00edrito. Saber recorrer a essa fonte de gra\u00e7a, procurar a for\u00e7a onde ela est\u00e1, \u00e9 o segredo da vida crist\u00e3. \u00c9 o pr\u00f3prio facto de seguir o Senhor que nos garante essa for\u00e7a que vem d\u2019Ele e do Seu Esp\u00edrito que derrama sobre n\u00f3s. O crist\u00e3o faz de cada combate uma manifesta\u00e7\u00e3o de fidelidade a Cristo e de cada vit\u00f3ria um hino de louvor, que lhe refor\u00e7a o \u00e2nimo para continuar a caminhada. O mart\u00edrio, contexto que inspirou o texto de S\u00e3o Jo\u00e3o no Apocalipse, \u00e9 a maior manifesta\u00e7\u00e3o do triunfo sobre as persegui\u00e7\u00f5es e por isso os m\u00e1rtires s\u00e3o testemunhas, por excel\u00eancia, da fidelidade do disc\u00edpulo. \tO Apocalipse descreve, depois, esses crist\u00e3os fidel\u00edssimos como aqueles que branquearam as suas t\u00fanicas no sangue do Cordeiro. Ser disc\u00edpulo de Jesus sup\u00f5e purifica\u00e7\u00e3o e reden\u00e7\u00e3o das nossas fragilidades e pecados. A fidelidade \u00e9 um mist\u00e9rio de miseric\u00f3rdia. As t\u00fanicas brancas evocam a pureza baptismal, candura de quem nasceu de novo para uma vida nova. Essas t\u00fanicas n\u00e3o s\u00e3o novas, j\u00e1 estiveram manchadas. \u00c9 mergulhando-as no sangue de Cristo que elas readquirem, sempre de novo, a brancura original. A imagem usada evoca a import\u00e2ncia da Eucaristia e do sacramento da miseric\u00f3rdia e do perd\u00e3o na fidelidade crist\u00e3. Sabemos onde podemos sempre lavar a nossa t\u00fanica, manchada pelo pecado. Ser disc\u00edpulo exige a humildade de quem reconhece a sua impureza, e a sabedoria para saber onde nos podemos purificar. \u00c9 que os que seguem Jesus, para se sentarem com Ele \u00e0 mesa, t\u00eam de revestir a t\u00fanica branca das n\u00fapcias do Cordeiro. \tO texto do Apocalipse continua a descrev\u00ea-los: est\u00e3o diante do trono de Deus e servem-n\u2019O, noite e dia, no Seu santu\u00e1rio. Esta liturgia eterna \u00e9 j\u00e1 experimentada na nossa liturgia de povo peregrino, que s\u00f3 podemos celebrar, porque nos unimos ao Senhor. Esta festa do louvor, celebrada em cada Eucaristia \u00e9 momento decisivo de quem segue Cristo como disc\u00edpulo. \u00c9 momento de intimidade com Ele, onde Ele nos convida de novo a segui-Lo e \u00e9 fonte de alimento para a caminhada. N\u00e3o aguentar\u00e1 a sua exig\u00eancia quem n\u00e3o se alimentar do P\u00e3o da vida. \u00c9 um momento de paragem, para nos reconhecermos como Povo e saborear, antecipadamente, as alegrias da casa do Pai, objectivo da nossa peregrina\u00e7\u00e3o. Ele que vai connosco, p\u00e1ra e descansa connosco, para louvar a Deus Seu Pai e retemperar as nossas for\u00e7as com o alimento, que \u00e9 Ele pr\u00f3prio. Essas paragens s\u00e3o momentos de repouso e de festa, de intimidade e fraternidade, de comunh\u00e3o e de an\u00fancio. \tO Cordeiro os apascentar\u00e1 e os conduzir\u00e1 \u00e0s fontes de \u00e1gua viva, continua o texto de S\u00e3o Jo\u00e3o. \u00c9 das realidades mais consoladoras, fonte de confian\u00e7a e de alegria, o sabermos que este Povo de disc\u00edpulos continua a ter em Cristo ressuscitado o Bom Pastor que o guia, o protege e o conduz \u00e0s fontes da Vida. Esta \u00e9 a verdadeira fonte da firmeza e da alegria crist\u00e3: Ele o Senhor, o Vitorioso, o que esteve morto e agora Vive para sempre, o Filho que nos revela o Pai, vai connosco, conhece-nos pelo nome, perscruta a intimidade do nosso cora\u00e7\u00e3o e guia-nos para essa p\u00e1tria definitiva, onde nunca mais \u201cpassaremos fome, nem sede\u201d. \u00c9 como Bom Pastor que Jesus manifesta, em cada etapa da caminhada, a Sua infinita ternura pela Igreja, esse Povo de disc\u00edpulos que quer continuar a segui-Lo, para onde quer que Ele v\u00e1.  A multid\u00e3o dos simpatizantes \t4. O Senhor, na par\u00e1bola do Semeador (Mt.13,3ss) comparou-os \u00e0 semente que caiu no caminho, ou no meio dos espinhos, que germinou, mas n\u00e3o subsistiu. As prova\u00e7\u00f5es, as realidades deste mundo, as tenta\u00e7\u00f5es fizeram-nos desistir. O Senhor ama-os, fazem parte do Seu Povo, consagrou-os no baptismo, at\u00e9 se lhes uniu algumas vezes, na intimidade do p\u00e3o partilhado. Mas nunca deixaram que Ele lhes conquistasse definitivamente o cora\u00e7\u00e3o. Conhecem-n\u2019O apenas de nome, ouviram falar d\u2019Ele, mas nunca contemplaram o Seu rosto nem escutaram, com amor, a Sua Palavra. \tNa Igreja de hoje estes s\u00e3o muitos. N\u00e3o deixaram de ser disc\u00edpulos, mas v\u00e3o na retaguarda da coluna, a farejar outras pastagens diferentes daquelas que indica o Bom Pastor; alguns chegam mesmo a perder-se do grupo, quais ovelhas tresmalhadas de quem \u00e9 preciso ir \u00e0 procura. Eles s\u00e3o a tristeza do Bom Pastor, que redobra de solicitude por eles. A Igreja, sacramento dessa solicitude de Jesus Cristo, tudo deve fazer para os levar ao encontro decisivo com o amor de Cristo. \u00c9 preciso n\u00e3o os condenar, n\u00e3o os julgar, n\u00e3o os deixar separar do Povo que caminha. Enquanto eles estiverem na coluna, mesmo numa retaguarda dispersa, \u00e9 mais f\u00e1cil envolv\u00ea-los no amor e socorr\u00ea-los em momentos mais dif\u00edceis. Esse \u00e9 o grande desejo de Jesus Cristo: que haja um s\u00f3 rebanho, com um \u00fanico Pastor.  Um s\u00f3 \u00e9 o vosso Mestre \t5. Povo de disc\u00edpulos, a Igreja escuta Cristo como Mestre. S\u00f3 Ele tem Palavras de vida eterna. \u00c9 importante para este povo, que o \u00e9 porque segue o Senhor, que experimente a rela\u00e7\u00e3o entre o amor e a verdade. Temos cora\u00e7\u00e3o, precisamos de amor, de amar e ser amados. E Ele envolve-nos no amor infinito de Deus. Ama este povo como um esposo ama uma esposa, e convida-nos a amarmo-nos uns aos outros. Mas como diz a Escritura, n\u00e3o h\u00e1 nada de mais astucioso do que o cora\u00e7\u00e3o humano. Para nos mantermos no caminho do verdadeiro amor, precisamos da verdade. E Ele \u00e9 a verdade. Ser disc\u00edpulo \u00e9 am\u00e1-Lo; para permanecermos no Seu amor, precisamos de O escutar. Ele \u00e9 tanto nosso Bom Pastor, como nosso Mestre. S\u00f3 Ele, a Palavra eterna de Deus, \u00e9 fonte da sabedoria de que precisamos. \tQuem deixa de O escutar \u2013 e n\u00e3o esque\u00e7amos que depois da P\u00e1scoa, Ele fala, ensina e chama atrav\u00e9s da Sua Igreja \u2013 e procura a sabedoria noutras palavras e doutrinas, corre seriamente o risco de se desviar do caminho. Este \u00e9, hoje, um aspecto delicado da vida da Igreja. Se \u00e9 verdade que o grupo dos \u201cfidel\u00edssimos\u201d normalmente escuta a Palavra do Senhor com alegria e obedi\u00eancia do cora\u00e7\u00e3o, os outros, os menos \u201cfidelizados\u201d, t\u00eam tend\u00eancia para discuti-la, p\u00f4-la em igualdade de circunst\u00e2ncias com outras sabedorias e n\u00e3o se deixam guiar por ela. E quem n\u00e3o segue o Senhor como Palavra e como Verdade, dificilmente O segue com o amor do disc\u00edpulo.  A visibilidade do Reino de Deus \t6. O facto de os disc\u00edpulos se reunirem para seguir o Senhor, \u00e9 importante para a visibilidade do Reino de Deus. Este, sendo uma realidade interior, n\u00e3o se limita a essa interioridade da consci\u00eancia, como tantos hoje gostariam. N\u00e3o! A Igreja tem uma visibilidade hist\u00f3rica, \u00e9 um sinal para toda a humanidade e tem uma palavra a dizer em todas as circunst\u00e2ncias da hist\u00f3ria. \u00c9 isso que o Conc\u00edlio Vaticano II quer afirmar quando define a Igreja como \u201csacramento de salva\u00e7\u00e3o\u201d no meio do mundo. Ser sinal de salva\u00e7\u00e3o, significa propor nos caminhos da humanidade, os caminhos do amor, a luta pela justi\u00e7a, a promo\u00e7\u00e3o incans\u00e1vel da paz, o respeito, a todo o custo, pela dignidade da pessoa humana. A sua mensagem pode ser inc\u00f3moda ou mesmo rejeitada, mas \u00e9 um alerta cont\u00ednuo para conduzir a humanidade aos caminhos da dignidade e da verdadeira liberdade, para construir uma \u201cciviliza\u00e7\u00e3o do amor\u201d. Esta visibilidade da Igreja compromete os disc\u00edpulos de Cristo com a constru\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria, a estarem presentes e comprometidos em todos os combates para a constru\u00e7\u00e3o de um mundo melhor.   D. Jos\u00e9 Policarpo, Cardeal-Patriarca<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Catequese Quaresmal do Cardeal-Patriarca<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[127,144,161,168,246,275,91],"class_list":["post-5353","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-catequese","tag-concilio-vaticano-ii","tag-d-jose-policarpo","tag-diocese-da-guarda","tag-liturgia","tag-pascoa","tag-quaresma"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5353","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5353"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5353\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5353"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5353"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5353"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}