{"id":53522,"date":"2011-10-25T16:09:09","date_gmt":"2011-10-25T16:09:09","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/10\/25\/a-atualidade-do-encontro-de-assis\/"},"modified":"2011-10-25T16:09:09","modified_gmt":"2011-10-25T16:09:09","slug":"a-atualidade-do-encontro-de-assis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-atualidade-do-encontro-de-assis\/","title":{"rendered":"A atualidade do encontro de Assis"},"content":{"rendered":"<p>Guilherme d\u2019Oliveira Martins <!--more--> <\/p>\n<p>H&aacute; vinte e cinco anos, a 27 de outubro de 1986, teve lugar, por iniciativa de Jo&atilde;o Paulo II, o Encontro de Assis no qual o Papa se reuniu com representantes das Igrejas Crist&atilde;s, das Comunidades Eclesiais e das Religi&otilde;es do mundo em nome da Paz, tendo afirmado na circunst&acirc;ncia, com S. Paulo, que a Paz tem de ser encontrada em Jesus Cristo &#8211; &laquo;paz para aqueles que est&aacute;veis longe e paz para os que estavam perto&raquo; (Ef. 2, 17) &ndash; Ele que foi saudado ao nascer pelo c&acirc;ntico dos anjos: &laquo;Gl&oacute;ria a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por ele amados&raquo;. Hoje, o tema da Paz mant&eacute;m a sua atualidade e tornou-se porventura ainda mais premente. E o di&aacute;logo entre as culturas e as religi&otilde;es &eacute; uma das chaves para superarmos a grave situa&ccedil;&atilde;o internacional em que vivemos. Nos &uacute;ltimos anos, sinais inquietantes manifestaram-se &ndash; desde a viol&ecirc;ncia &agrave; crise financeira, das desigualdades &agrave; exclus&atilde;o. Est&atilde;o esquecidas as propostas de Jo&atilde;o XXIII em &laquo;Pacem in Terris&raquo; e a afirma&ccedil;&atilde;o de Paulo VI de que o &laquo;desenvolvimento &eacute; o novo nome da paz&raquo;<\/p>\n<p>E devemos recordar, como o Conc&iacute;lio Vaticano II reafirmou, que &eacute; a historicidade humana que determina a histori-cidade da Salva&ccedil;&atilde;o. Da&iacute; a import&acirc;ncia do conceito enriquecido teologicamente de &ldquo;sinais do tempo&rdquo; &ndash; como salientou exemplarmente D. Jos&eacute; Policarpo. Afinal, a Salva&ccedil;&atilde;o objetiva-se na Hist&oacute;ria, havendo uma hist&oacute;ria espec&iacute;fica de Salva&ccedil;&atilde;o no meio da hist&oacute;ria dos homens e um especial sentido salv&iacute;fico no tempo depois de Cristo. De facto, a partir da Encarna&ccedil;&atilde;o de Cristo, a hist&oacute;ria da Salva&ccedil;&atilde;o integra e interpreta toda a hist&oacute;ria profana, sendo o tempo presente o do crescimento do Reino de Cristo, que tem a ver com os sinais dos tempos, na ace&ccedil;&atilde;o do Conc&iacute;lio e na dimens&atilde;o escatol&oacute;gica do tempo presente. Da&iacute; as responsabilidades de todos relativamente &agrave; justi&ccedil;a e &agrave; paz. Na feliz express&atilde;o do historiador Henri-Ir&eacute;n&eacute;e Marrou: &laquo;A a&ccedil;&atilde;o terrestre do homem faz mais do que dar sentido, leva j&aacute; no mais fundo de si mesma os valores que, irradiando para fora do tempo, encontraram o seu lugar garantido na casa do Pai&raquo;. E ainda Marrou, como E. Schillebeeckx, afirma que &laquo;a esperan&ccedil;a crist&atilde; sabe que esta possibilidade (de alcan&ccedil;ar um mundo melhor) &eacute; dada ao homem como uma gra&ccedil;a e, por isso, o crist&atilde;o vive na f&eacute;, consciente de que n&atilde;o &eacute; em v&atilde;o o seu empenhamento por uma melhor ordem temporal, embora n&atilde;o veja como &eacute; que esta ordem temporal, que ainda n&atilde;o &eacute; o Reino prometido, pode ser obscuro in&iacute;cio do eschaton&raquo;. A hist&oacute;ria profana tem, assim, n&atilde;o s&oacute; uma configura&ccedil;&atilde;o que a define como instrumento de Salva&ccedil;&atilde;o, mas tamb&eacute;m como caminho de Salva&ccedil;&atilde;o trilhado na subst&acirc;ncia pr&oacute;pria dos acontecimentos.<\/p>\n<p>Apesar da exist&ecirc;ncia do pecado e da imperfei&ccedil;&atilde;o, que leva &agrave; a&ccedil;&atilde;o impura e ao sujar as m&atilde;os, os &ldquo;sinais dos tempos&rdquo; inserem-se numa dimens&atilde;o cristol&oacute;gica e escatol&oacute;gica &ndash; o que leva ainda D. Jos&eacute; Policarpo (no seu c&eacute;lebre texto sobre os sinais dos tempos) &agrave; afirma&ccedil;&atilde;o: &laquo;o fim dos tempos germina e cresce na constru&ccedil;&atilde;o do nosso mundo. Ele ser&aacute; a etapa final de toda a luta pela vida e pelo melhoramento da situa&ccedil;&atilde;o do homem travada atrav&eacute;s dos s&eacute;culos. Interpretar os sinais dos tempos &eacute; discernir nos fen&oacute;menos da hist&oacute;ria a prepara&ccedil;&atilde;o desse &uacute;ltimo dia&raquo;. H&aacute;, assim, uma unidade profunda entre a hist&oacute;ria humana e a hist&oacute;ria da Salva&ccedil;&atilde;o. O mist&eacute;rio da pessoa humana leva &agrave; compreens&atilde;o da hist&oacute;ria. E s&oacute; &agrave; luz de Cristo esta compreens&atilde;o se pode fazer, uma vez que cada acontecimento e cada fen&oacute;meno humano contribui decisivamente para a constru&ccedil;&atilde;o do Reino de Deus. Toda a hist&oacute;ria humana encerra, deste modo, uma dimens&atilde;o salv&iacute;fica, pelo que a interpreta&ccedil;&atilde;o dos sinais dos tempos pressup&otilde;e sempre a procura na hist&oacute;ria do des&iacute;gnio salv&iacute;fico de Deus. &laquo;Interpretar os sinais dos tempos &eacute; ver cada acontecimento no conjunto desse des&iacute;gnio&raquo;. O mist&eacute;rio de Cristo lan&ccedil;a luz sobre o mist&eacute;rio dos homens, uma vez que a procura da significa&ccedil;&atilde;o da hist&oacute;ria permite essa liga&ccedil;&atilde;o &ndash; tornando se presente o fim dos tempos, antecipando-se o momento em que o homem atingir&aacute; a sua plenitude, para realizar totalmente as potencialidades contidas no princ&iacute;pio. Aqui &eacute; a tripla dimens&atilde;o do presente de Santo Agostinho (passado, presente e futuro) que se projeta, ligando na hist&oacute;ria dinamicamente o &laquo;princ&iacute;pio&raquo; e a &laquo;esperan&ccedil;a&raquo;. E &eacute; o combate pela paz que obriga a ligar esses dois termos. O Papa Bento XVI, quando renovar o gesto de h&aacute; vinte e cinco anos nestes dias de outubro de 2011, procurar&aacute;, assim, dar passos concretos de entendimento e di&aacute;logo, lembrando que a responsabilidade das pessoas, pol&iacute;ticos e cidad&atilde;os, de boa vontade, &agrave; luz da esperan&ccedil;a crist&atilde; e ecum&eacute;nica, deve ter consequ&ecirc;ncia na Hist&oacute;ria humana.<\/p>\n<p><em>Guilherme d&rsquo;Oliveira Martins, presidente do Centro Nacional de Cultura<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Guilherme d\u2019Oliveira Martins<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[120,272],"class_list":["post-53522","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-bento-xvi","tag-pacem-in-terris"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53522","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=53522"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53522\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=53522"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=53522"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=53522"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}