{"id":53504,"date":"2011-10-25T11:01:00","date_gmt":"2011-10-25T11:01:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/10\/25\/mensagem-de-bento-xvi-para-o-98-o-dia-mundial-do-migrante-e-do-refugiado\/"},"modified":"2011-10-25T11:01:00","modified_gmt":"2011-10-25T11:01:00","slug":"mensagem-de-bento-xvi-para-o-98-o-dia-mundial-do-migrante-e-do-refugiado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/mensagem-de-bento-xvi-para-o-98-o-dia-mundial-do-migrante-e-do-refugiado\/","title":{"rendered":"Mensagem de Bento XVI para o 98.\u00ba Dia Mundial do Migrante e do Refugiado"},"content":{"rendered":"<p>Queridos Irm&atilde;os e Irm&atilde;s!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Anunciar Jesus Cristo, &uacute;nico Salvador do mundo, &laquo;constitui a miss&atilde;o essencial da Igreja, tarefa e miss&atilde;o, que as amplas e profundas mudan&ccedil;as da sociedade atual tornam ainda mais urgentes&raquo; (Exort. apost. <em>Evangelii nuntiandi<\/em>, 14). Ali&aacute;s, hoje, sentimos a urg&ecirc;ncia de promover, com novo vigor e novas modalidades, a obra de evangeliza&ccedil;&atilde;o num mundo onde a queda das fronteiras e os novos processos de globaliza&ccedil;&atilde;o deixaram as pessoas e os povos ainda mais pr&oacute;ximos, tanto pela expans&atilde;o dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o, como pela frequ&ecirc;ncia e a facilidade com que indiv&iacute;duos e grupos se podem deslocar. Nesta nova situa&ccedil;&atilde;o, devemos despertar em cada um de n&oacute;s o entusiasmo e a coragem que impeliram as primeiras comunidades crist&atilde;s a ser intr&eacute;pidas anunciadoras da novidade evang&eacute;lica, fazendo ressoar no nosso cora&ccedil;&atilde;o as palavras de S&atilde;o Paulo: &laquo;Se anuncio o Evangelho, n&atilde;o tenho de que me gloriar, &eacute; antes uma obriga&ccedil;&atilde;o que me foi imposta: ai de mim, se eu n&atilde;o evangelizar!&raquo; (1 Cor 9,16).<\/p>\n<p>O tema, que escolhi para o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado em 2012 &ndash; &laquo;Migra&ccedil;&otilde;es e nova evangeliza&ccedil;&atilde;o&raquo; &ndash;, nasce desta realidade. De facto, a hora presente chama a Igreja a realizar uma nova evangeliza&ccedil;&atilde;o inclusive no vasto e complexo fen&oacute;meno da mobilidade humana, intensificando a a&ccedil;&atilde;o mission&aacute;ria tanto nas regi&otilde;es de primeiro an&uacute;ncio, como nos pa&iacute;ses de tradi&ccedil;&atilde;o crist&atilde;.<\/p>\n<p>O Beato Jo&atilde;o Paulo II convidava-nos a &laquo;alimentar-nos da Palavra para sermos &#8220;servos da Palavra&#8221; no trabalho da evangeliza&ccedil;&atilde;o&#8230; [numa] situa&ccedil;&atilde;o que se vai tornando cada vez mais variada e dif&iacute;cil com a progressiva mistura de povos e culturas que caracteriza o novo contexto da globaliza&ccedil;&atilde;o&raquo; (Carta apost. Novo millennio ineunte, 40). Com efeito, as migra&ccedil;&otilde;es dentro ou para fora da na&ccedil;&atilde;o, como solu&ccedil;&atilde;o para a busca de melhores condi&ccedil;&otilde;es de vida ou para fugir de eventuais persegui&ccedil;&otilde;es, guerras, viol&ecirc;ncia, fome e cat&aacute;strofes naturais, produziram uma mistura de pessoas e de povos sem precedentes, com novas problem&aacute;ticas do ponto de vista n&atilde;o s&oacute; humano, mas tamb&eacute;m &eacute;tico, religioso e espiritual. As atuais e palp&aacute;veis consequ&ecirc;ncias da seculariza&ccedil;&atilde;o, a apari&ccedil;&atilde;o de novos movimentos sect&aacute;rios, uma difundida insensibilidade &agrave; f&eacute; crist&atilde;, uma acentuada tend&ecirc;ncia &agrave; fragmenta&ccedil;&atilde;o, tornam dif&iacute;cil focalizar uma refer&ecirc;ncia unificadora que encoraje a forma&ccedil;&atilde;o de &laquo;uma s&oacute; fam&iacute;lia de irm&atilde;os e irm&atilde;s em sociedades que se tornam cada vez mais multi&eacute;tnicas e interculturais, onde tamb&eacute;m as pessoas de v&aacute;rias religi&otilde;es s&atilde;o estimuladas ao di&aacute;logo, para que se possa encontrar uma serena e frutuosa conviv&ecirc;ncia no respeito das leg&iacute;timas diferen&ccedil;as&raquo;, como eu escrevia na Mensagem do ano passado para este Dia Mundial. O nosso tempo est&aacute; marcado por tentativas de cancelar Deus e a doutrina da Igreja do horizonte da vida, enquanto ganham terreno a d&uacute;vida, o ceticismo e a indiferen&ccedil;a, que gostariam de eliminar todo e qualquer referimento social e simb&oacute;lico da f&eacute; crist&atilde;.<\/p>\n<p>Em tal contexto, sucede frequentemente que os migrantes que conheceram Cristo e O aceitaram se sintam impelidos a consider&aacute;-Lo como n&atilde;o relevante na pr&oacute;pria vida, a perder o sentido da f&eacute;, a deixar de se reconhecerem como parte da Igreja, acabando muitas vezes por viverem uma exist&ecirc;ncia que j&aacute; n&atilde;o &eacute; caracterizada por Cristo e pelo seu Evangelho. Cresceram no seio de povos marcados pela f&eacute; crist&atilde;, mas depois com frequ&ecirc;ncia emigram para pa&iacute;ses onde os crist&atilde;os s&atilde;o uma minoria ou a antiga tradi&ccedil;&atilde;o de f&eacute; j&aacute; n&atilde;o &eacute; convic&ccedil;&atilde;o pessoal, nem confiss&atilde;o comunit&aacute;ria, mas est&aacute; reduzida a um facto cultural. Aqui a Igreja enfrenta o desafio de ajudar os migrantes a manterem firme a f&eacute;, mesmo quando falta o apoio cultural que existia no pa&iacute;s de origem, lan&ccedil;ando m&atilde;o inclusive de novas estrat&eacute;gias pastorais, assim como de m&eacute;todos e linguagens para um acolhimento vivo da Palavra de Deus. Em alguns casos, trata-se duma ocasi&atilde;o para proclamar que, em Jesus Cristo, a humanidade se torna participante do mist&eacute;rio de Deus e da sua vida de amor, abrindo-se a um horizonte de esperan&ccedil;a e de paz atrav&eacute;s, nomeadamente, do di&aacute;logo respeitoso e do testemunho concreto da solidariedade, enquanto, noutros casos, h&aacute; a possibilidade de despertar a consci&ecirc;ncia crist&atilde; adormecida, atrav&eacute;s dum renovado an&uacute;ncio da Boa Nova e duma vida crist&atilde; mais coerente para fazer descobrir a beleza do encontro com Cristo, que chama o crist&atilde;o &agrave; santidade em todo o lado, mesmo em terra estrangeira.<\/p>\n<p>Mas o atual fen&oacute;meno migrat&oacute;rio &eacute; tamb&eacute;m uma oportunidade providencial para o an&uacute;ncio do Evangelho no mundo contempor&acirc;neo. Homens e mulheres provenientes das mais diversas regi&otilde;es da terra, que ainda n&atilde;o encontraram Jesus Cristo ou que O conhecem s&oacute; de maneira parcial, pedem para ser acolhidos em pa&iacute;ses de antiga tradi&ccedil;&atilde;o crist&atilde;. Em rela&ccedil;&atilde;o a eles, &eacute; necess&aacute;rio encontrar modalidades adequadas para que possam encontrar e conhecer Jesus Cristo e experimentar o dom inestim&aacute;vel da salva&ccedil;&atilde;o, que para todos &eacute; fonte de &laquo;vida em abund&acirc;ncia&raquo; (cf. Jo 10,10); os pr&oacute;prios migrantes desempenham um papel precioso a este respeito, porque podem, por sua vez, tornar-se &laquo;anunciadores da Palavra de Deus e testemunhas do Senhor Ressuscitado, esperan&ccedil;a do mundo&raquo; (Exort. apost. Verbum Domini, 105).<\/p>\n<p>No exigente itiner&aacute;rio da nova evangeliza&ccedil;&atilde;o em &acirc;mbito migrat&oacute;rio, assumem um papel decisivo os agentes pastorais &ndash; sacerdotes, religiosos e leigos &ndash; que se encontram a trabalhar num contexto cada vez mais pluralista: em comunh&atilde;o com os seus Ordin&aacute;rios, inspirando-se no Magist&eacute;rio da Igreja, convido-os a procurar caminhos de partilha fraterna e an&uacute;ncio respeitoso, superando contrastes e nacionalismos. Por sua vez, as Igrejas tanto de proveni&ecirc;ncia, como de tr&acirc;nsito e de acolhimento dos fluxos migrat&oacute;rios saibam intensificar a sua coopera&ccedil;&atilde;o em benef&iacute;cio tanto dos que partem como daqueles que chegam e, em todo o caso, de quantos t&ecirc;m necessidade de encontrar no seu caminho o rosto misericordioso de Cristo no acolhimento do pr&oacute;ximo. Para uma frutuosa pastoral de comunh&atilde;o, poder&aacute; ser &uacute;til atualizar as tradicionais estruturas que atendem os migrantes e os refugiados, dotando-as de modelos que correspondam melhor &agrave;s novas situa&ccedil;&otilde;es em que aparecem diferentes culturas e povos a interagir.<\/p>\n<p>Os refugiados que pedem asilo, fugindo de persegui&ccedil;&otilde;es, viol&ecirc;ncias e situa&ccedil;&otilde;es que p&otilde;em em perigo a sua vida, t&ecirc;m necessidade da nossa compreens&atilde;o e acolhimento, do respeito pela sua dignidade humana e seus direitos, assim como da consci&ecirc;ncia dos seus deveres. O seu sofrimento reclama dos diversos Estados e da comunidade internacional que haja atitudes de m&uacute;tuo acolhimento, superando temores e evitando formas de discrimina&ccedil;&atilde;o e que se procure tornar concreta a solidariedade tamb&eacute;m mediante adequadas estruturas de hospitalidade e programas de reinser&ccedil;&atilde;o. Tudo isto exige uma ajuda rec&iacute;proca entre as regi&otilde;es que sofrem e aquelas que, anos ap&oacute;s anos, acolhem um grande n&uacute;mero de pessoas em fuga e tamb&eacute;m uma maior partilha de responsabilidades entre os Estados.<\/p>\n<p>A imprensa e os outros meios de comunica&ccedil;&atilde;o desempenham um papel importante para fazer conhecer, com imparcialidade, objetividade e honestidade, a situa&ccedil;&atilde;o de quantos foram for&ccedil;ados a deixar a sua p&aacute;tria e os seus afetos e desejam come&ccedil;ar a construir uma nova exist&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>As comunidades crist&atilde;s reservem particular aten&ccedil;&atilde;o aos trabalhadores migrantes e suas fam&iacute;lias, acompanhando-os com a ora&ccedil;&atilde;o, a solidariedade e a caridade crist&atilde;; valorizando aquilo que enriquece reciprocamente e promovendo novos projetos pol&iacute;ticos, econ&oacute;micos e sociais, que favore&ccedil;am o respeito pela dignidade de cada pessoa, a tutela da fam&iacute;lia, o acesso a uma habita&ccedil;&atilde;o condigna, ao trabalho e &agrave; assist&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>Sacerdotes, religiosos e religiosas, leigos, e sobretudo os jovens e as jovens, mostrem-se sens&iacute;veis e ajudem incont&aacute;veis irm&atilde;s e irm&atilde;os que, tendo fugido da viol&ecirc;ncia, se devem confrontar com novos estilos de vida e com dificuldades de integra&ccedil;&atilde;o. O an&uacute;ncio da salva&ccedil;&atilde;o em Jesus Cristo ser&aacute; fonte de al&iacute;vio, esperan&ccedil;a e &laquo;alegria completa&raquo; (cf. Jo 15,11).<\/p>\n<p>Por fim, desejo recordar a situa&ccedil;&atilde;o de numerosos estudantes vindos de outros pa&iacute;ses que enfrentam problemas de inser&ccedil;&atilde;o, dificuldades burocr&aacute;ticas, afli&ccedil;&otilde;es na busca de alojamento e de estruturas de acolhimento. De modo particular, as comunidades crist&atilde;s mostrem-se sens&iacute;veis com tantos jovens que, al&eacute;m do crescimento cultural, t&ecirc;m necessidade &ndash; precisamente devido &agrave; sua tenra idade &ndash; de pontos de refer&ecirc;ncia, cultivando no seu cora&ccedil;&atilde;o uma profunda sede de verdade e o desejo de encontrar Deus. De modo especial, as Universidades de inspira&ccedil;&atilde;o crist&atilde; sejam lugares de testemunho e de irradia&ccedil;&atilde;o da nova evangeliza&ccedil;&atilde;o, aparecendo seriamente comprometidas, no ambiente acad&eacute;mico, n&atilde;o s&oacute; em cooperar para o progresso social, cultural e humano, mas tamb&eacute;m em promover o di&aacute;logo entre as culturas, valorizando a contribui&ccedil;&atilde;o que podem dar os estudantes estrangeiros. Estes sentir-se-&atilde;o impelidos a tornar-se, eles mesmos, protagonistas da nova evangeliza&ccedil;&atilde;o, se encontrarem testemunhas aut&ecirc;nticas do Evangelho e modelos de vida crist&atilde;.<\/p>\n<p>Queridos amigos, invoquemos a intercess&atilde;o de &laquo;Nossa Senhora do Caminho&raquo;, para que o an&uacute;ncio jubiloso da salva&ccedil;&atilde;o de Jesus Cristo infunda esperan&ccedil;a no cora&ccedil;&atilde;o daqueles que se encontram, em condi&ccedil;&otilde;es de mobilidade, pelas estradas do mundo. A todos asseguro a minha ora&ccedil;&atilde;o e concedo a B&ecirc;n&ccedil;&atilde;o Apost&oacute;lica.<\/p>\n<p>Vaticano, 21 de setembro de 2011<\/p>\n<p><em>BENEDICTUS PP. XVI<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Queridos Irm&atilde;os e Irm&atilde;s! &nbsp; Anunciar Jesus Cristo, &uacute;nico Salvador do mundo, &laquo;constitui a miss&atilde;o essencial da Igreja, tarefa e miss&atilde;o, que as amplas e profundas mudan&ccedil;as da sociedade atual tornam ainda mais urgentes&raquo; (Exort. apost. Evangelii nuntiandi, 14). 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