{"id":53483,"date":"2011-10-24T11:52:56","date_gmt":"2011-10-24T11:52:56","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/10\/24\/homilia-do-arcebispo-de-braga-na-missa-de-encerramento-do-congresso-luso-brasileiro-do-barroco\/"},"modified":"2011-10-24T11:52:56","modified_gmt":"2011-10-24T11:52:56","slug":"homilia-do-arcebispo-de-braga-na-missa-de-encerramento-do-congresso-luso-brasileiro-do-barroco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-arcebispo-de-braga-na-missa-de-encerramento-do-congresso-luso-brasileiro-do-barroco\/","title":{"rendered":"Homilia do arcebispo de Braga na missa de encerramento do congresso luso-brasileiro do Barroco"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>A mo&ccedil;&atilde;o das tr&ecirc;s &uacute;ltimas capelas<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Numa altura em que o aumento do IVA, em determinados setores, &ldquo;tem afastado a popula&ccedil;&atilde;o portuguesa do consumo de cultura&rdquo; (1), fundamental para a forma&ccedil;&atilde;o humana, apraz-me congratular-me pelo contributo gratuito que o Santu&aacute;rio do Bom Jesus prestou &agrave; cultura art&iacute;stica portuguesa, ao longo destes 200 anos.<\/p>\n<p>Por isso, nesta celebra&ccedil;&atilde;o eucar&iacute;stica de Encerramento das comemora&ccedil;&otilde;es do duo-centen&aacute;rio, quero situar-me na reprodu&ccedil;&atilde;o patrimonial localizada geograficamente depois deste Santu&aacute;rio. O Patrim&oacute;nio do Bom Jesus proporciona-nos uma li&ccedil;&atilde;o genu&iacute;na que deveria ser compreendida e examinada pela nossa Igreja Arquidiocesana. N&atilde;o somos anunciadores dum Cristo morto, somos respons&aacute;veis por uma vida que a morte gerou. Porque &ldquo;se Cristo n&atilde;o ressuscitou, &eacute; v&atilde; a nossa prega&ccedil;&atilde;o, e v&atilde; &eacute; tamb&eacute;m a vossa f&eacute;&rdquo; (1Cor 15,14).<\/p>\n<p>Da&iacute; que, celebrando esta efem&eacute;ride, olho para o caminho que ele inicia rumo ao Terreiro dos Evangelistas. Aqui est&aacute; o cume da mensagem do Bom Jesus: mensagem plena de atualidade e responsabilidade.<\/p>\n<p>Se at&eacute; este local a Arquitetura e Escultura nos concentrou em 14 capelas, a partir daqui aparecem cinco que merecem uma visita especial, de modo a extrair um compromisso para uma Igreja que pretende alimentar-se da Palavra. A saber: Capela da Un&ccedil;&atilde;o (ou L&aacute;grimas), seguida da Capela da Ressurrei&ccedil;&atilde;o para, depois entrarmos no espa&ccedil;o mais alto, mais vis&iacute;vel e mais &ldquo;p&uacute;lpito&rdquo; que &eacute; o Terreiro dos Evangelistas, onde ao lado destes perenes anunciadores duma Boa Nova aparecem as tr&ecirc;s Capelas: da Apari&ccedil;&atilde;o a Maria Madalena, do Encontro de Ema&uacute;s e da Ascens&atilde;o. Tudo isto rodeando um tanque central com uma coluna encimada por uma esfera armilar e pela Cruz.<\/p>\n<p>Tenho sublinhado imensas vezes que o Bom Jesus, como inst&acirc;ncia e Patrim&oacute;nio, deve merecer a aten&ccedil;&atilde;o e carinho de todos os Portugueses, assim como das Entidades Oficiais, n&atilde;o fosse ele um dos melhores recantos de dimens&atilde;o natural e religiosa do mundo. S&oacute; que, neste dia, fa&ccedil;o tamb&eacute;m um apelo &agrave; Arquidiocese de Braga que neste ano pastoral repensa a sua identidade, a sua viv&ecirc;ncia e a sua miss&atilde;o a partir da Palavra, a fim de se tornar &ldquo;num povo que produza os seus frutos&rdquo;. (2)<\/p>\n<p>Como tal, gostaria que ela fosse capaz de se colocar perante a responsabilidade de ser sinal dum Cristo Ressuscitado. No livro &ldquo;Jesus de Nazar&eacute;&rdquo;, o Santo Padre relembra-nos que &ldquo;com a ressurrei&ccedil;&atilde;o de Jesus (&hellip;) verificou-se um salto ontol&oacute;gico que toca o ser enquanto tal; foi inaugurada uma dimens&atilde;o que nos interessa a todos e que criou, para todos n&oacute;s, um novo &acirc;mbito da vida: o estar com Deus.&rdquo; (3)<\/p>\n<p>A Ressurrei&ccedil;&atilde;o &eacute; a nossa miss&atilde;o e raz&atilde;o de existir e, sem vergonha, dever&iacute;amos chorar l&aacute;grimas quando nos afastamos da centralidade de Cristo, pensando que Ele est&aacute; morto quando somos n&oacute;s que permitimos um cristianismo an&eacute;mico.<\/p>\n<p>D. Rodrigo de Moura Teles, ao iniciar esta obra, pretendia que aqui acontecesse uma esp&eacute;cie de &ldquo;Jerusal&eacute;m restaurada&rdquo;, s&iacute;mbolo dum apelo aos homens e mulheres crentes para que, a partir da f&eacute; na Ressurrei&ccedil;&atilde;o, renovassem o mundo onde peregrinam. A Igreja de Braga pretende ser a concretiza&ccedil;&atilde;o deste desejo e o Bom Jesus &eacute; paradigma das coordenadas essenciais da sua pastoral, que sintetizo em tr&ecirc;s li&ccedil;&otilde;es tiradas das tr&ecirc;s &uacute;ltimas Capelas. Ou seja, deciframos agora a mo&ccedil;&atilde;o (aquilo que nos faz mover\/caminhar) das tr&ecirc;s &uacute;ltimas capelas!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>1. Capela da Apari&ccedil;&atilde;o a Maria Madalena <\/strong><\/p>\n<p>&ldquo;Se lhes fizeres algum mal, (&hellip;) inflamar-se-&aacute; a minha indigna&ccedil;&atilde;o contra v&oacute;s, (&hellip;) porque sou misericordioso&rdquo;, escut&aacute;vamos na primeira leitura. Na verdade, o Deus de Jesus Cristo &eacute; um Deus que outrora se revelara como um Deus de Miseric&oacute;rdia.<\/p>\n<p>Foi com essa mesma miseric&oacute;rdia, que Cristo perdoou Maria Madalena e a agraciou com a Sua Apari&ccedil;&atilde;o, enquanto Ressuscitado. Com atrevimento, ouso dizer que as l&aacute;grimas arrependidas de Madalena geraram as l&aacute;grimas misericordiosas de Cristo.<\/p>\n<p>Tendo por base esta imagem, tamb&eacute;m hoje em dia n&atilde;o conseguimos conter as l&aacute;grimas perante tanto desemprego, tantos impostos, tanta viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica, tanta mis&eacute;ria, tanta corrup&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, tantas greves, tantos roubos, tanta fome, tantas d&iacute;vidas, tantas mortes cancer&iacute;genas, tanta mentira&hellip; Que estas l&aacute;grimas se tornem em<\/p>\n<p>solidariedade eclesial com as l&aacute;grimas daqueles que est&atilde;o c&eacute;ticos, desconfiados, desiludidos, frustrados e tentados a desistir da experi&ecirc;ncia maravilhosa. Que bela li&ccedil;&atilde;o de alegria, esperan&ccedil;a, serenidade e vontade de recome&ccedil;ar um novo caminho, nos d&aacute; Maria Madalena!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>2. Capela do Encontro de Ema&uacute;s <\/strong><\/p>\n<p>A estrada de Ema&uacute;s &eacute; um retrato da sociedade atual: correr sem dire&ccedil;&atilde;o e perder-se em lamenta&ccedil;&otilde;es. Contudo, algo de in&eacute;dito acontece: Cristo intromete-se, explica as Escrituras e come com os disc&iacute;pulos &agrave; mesa.<\/p>\n<p>Ema&uacute;s torna-se assim no &ldquo;laborat&oacute;rio da f&eacute; pascal&rdquo; (4): depois do encontro com o Ressuscitado, o disc&iacute;pulo passa de uma f&eacute; duvidosa (pr&eacute;-pascal) a uma f&eacute; s&oacute;lida (p&oacute;s-pascal), na certeza da aut&ecirc;ntica identidade de Jesus Cristo.<\/p>\n<p>Deste modo, percebemos assim o jogo dial&eacute;tico entre a Palavra e a Eucaristia: &ldquo;a Palavra de Deus faz-se carne, sacramentalmente, no evento Eucar&iacute;stico; a Eucaristia abre-nos &agrave; intelig&ecirc;ncia da Sagrada Escritura, e esta por sua vez ilumina e explica o Mist&eacute;rio eucar&iacute;stico.&rdquo; (5) Desta dial&eacute;tica entre a Palavra e a Eucaristia emerge o mandamento do amor, como prioridade da vida crist&atilde;, tal como escut&aacute;vamos no evangelho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>3. Capela da Ascens&atilde;o <\/strong><\/p>\n<p>Viver o mandamento do amor &eacute; professar silenciosamente a nossa f&eacute; no &ldquo;Deus que &eacute; Amor&rdquo; (1Jo 4,8). Por isso, Paulo na Carta aos Tessalonicenses alerta-nos para o perigo de adorarmos os &iacute;dolos da nova civiliza&ccedil;&atilde;o, focada na pol&iacute;tica, na economia, na publicidade e no com&eacute;rcio.<\/p>\n<p>A prop&oacute;sito, o escritor franc&ecirc;s Saint-Exup&eacute;ry afirma que: &#8220;Amar n&atilde;o &eacute; olhar um para o outro, &eacute; olhar juntos na mesma dire&ccedil;&atilde;o.&#8221; Ora, e a Capela da Ascens&atilde;o ensina-nos a olhar para Cristo em dire&ccedil;&atilde;o ao verdadeiro Deus que devemos adorar. &Eacute; um movimento que impede o olhar ocasional, desafiando o nosso olhar para hist&oacute;ria da humanidade.<\/p>\n<p>E nessa partida para o Pai, Cristo deixa-nos a Sua Palavra nos quatro Evangelistas que apontam para o dinamismo da simbologia da esfera armilar, s&iacute;mbolo do universo onde deveremos colocar a semente do Evangelho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para terminar, renovo o convite gratuito a que redescubramos o Santu&aacute;rio do Bom Jesus na sua vertente escult&oacute;rica terminal, pedindo ao Senhor Ressuscitado que os crist&atilde;os se empenhem na restaura&ccedil;&atilde;o desta Jerusal&eacute;m que &eacute; a nossa Arquidiocese, nomeadamente: atrav&eacute;s das l&aacute;grimas solid&aacute;rias pelos sofrimentos do mundo (Capela da Apari&ccedil;&atilde;o a Maria Madalena), da Palavra e da Eucaristia (Capela do Encontro de Ema&uacute;s) e do amor a Deus e ao pr&oacute;ximo (Capela da Ascens&atilde;o).<\/p>\n<p>Por fim, na abertura do Congresso Luso-Brasileiro sobre o Barroco, recordava as seguintes palavras do escritor barroco, Pe. Ant&oacute;nio Vieira: &ldquo;para falar ao vento bastam palavras, mas para falar ao cora&ccedil;&atilde;o s&atilde;o necess&aacute;rias obras&rdquo;. Com esta premissa, neste dia Mundial das Miss&otilde;es reconhe&ccedil;amos que &ldquo;como o Pai me enviou, tamb&eacute;m eu vos envio a v&oacute;s&rdquo; (Jo 20,21), assumindo assim aquela miss&atilde;o que compromete &ldquo;todos, tudo e sempre&rdquo;, para falar ao cora&ccedil;&atilde;o do Homem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Santu&aacute;rio do Bom Jesus,<\/em><\/p>\n<p><em>23 de outubro de 2011,<\/em><\/p>\n<p><em>&dagger; Jorge Ortiga, A.P.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>(1) Cf. Jornal P&uacute;blico (21 de outubro de 2011), 15.<\/p>\n<p>(2) Cf. Programa Pastoral 2011-2012 (Diocese de Braga), 1-3.<\/p>\n<p>(3) Joseph Ratzinger, Jesus de Nazar&eacute;. Da entrada em Jerusal&eacute;m at&eacute; &agrave; Ressurrei&ccedil;&atilde;o, 223.<\/p>\n<p>(4) Cf. Jos&eacute; Tolentino Mendon&ccedil;a, O tesouro escondido, 91-106.<\/p>\n<p>(5) Cf. VD 55.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A mo&ccedil;&atilde;o das tr&ecirc;s &uacute;ltimas capelas &nbsp; Numa altura em que o aumento do IVA, em determinados setores, &ldquo;tem afastado a popula&ccedil;&atilde;o portuguesa do consumo de cultura&rdquo; (1), fundamental para a forma&ccedil;&atilde;o humana, apraz-me congratular-me pelo contributo gratuito que o Santu&aacute;rio do Bom Jesus prestou &agrave; cultura art&iacute;stica portuguesa, ao longo destes 200 anos. 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