{"id":53470,"date":"2011-10-22T18:45:00","date_gmt":"2011-10-22T18:45:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/10\/22\/homilia-de-d-manuel-linda-na-peregrinacao-de-guimaraes-a-fatima\/"},"modified":"2011-10-22T18:45:00","modified_gmt":"2011-10-22T18:45:00","slug":"homilia-de-d-manuel-linda-na-peregrinacao-de-guimaraes-a-fatima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-de-d-manuel-linda-na-peregrinacao-de-guimaraes-a-fatima\/","title":{"rendered":"Homilia de D. Manuel Linda na peregrina\u00e7\u00e3o de Guimar\u00e3es a F\u00e1tima"},"content":{"rendered":"<p>H&aacute; tr&ecirc;s anos, muitos de v&oacute;s, oriundos da mesma zona pastoral de Guimar&atilde;es, viestes a este Santu&aacute;rio de F&aacute;tima para, de algum modo, vos matriculardes na &laquo;Escola de Maria&raquo; e iniciar um percurso de aproxima&ccedil;&atilde;o &agrave; Palavra de Deus, sob a sua orienta&ccedil;&atilde;o. De facto, ela &eacute; o modelo acabado de todo o crente que se abre &agrave; mensagem salv&iacute;fica, a acolhe no seu cora&ccedil;&atilde;o e a faz vida. Vida que oferece ao mundo. Por isso, nesse momento determinante da hist&oacute;ria da humanidade, que foi a Anuncia&ccedil;&atilde;o, ela p&ocirc;de sintetizar todo esse mist&eacute;rio numa simples express&atilde;o: &ldquo;<em>Eis aqui a serva do Senhor. Fa&ccedil;a-se em mim segundo a sua Palavra<\/em>&rdquo; (Lc 1, 38). E a Palavra fez-se carne e habitou entre n&oacute;s. Palavra salvadora, consoladora e redentora.<\/p>\n<p>Hoje voltais ao mesmo Santu&aacute;rio para avaliar o caminho percorrido, confrontar o timbre de vida com esse sublime modelo da escuta e viv&ecirc;ncia da Palavra e recobrar &acirc;nimo para, como diz o nosso programa pastoral arquidiocesano, vos tornardes &ldquo;<em>vinha eleita do Senhor<\/em>&rdquo; (cf Is. 5,1), capaz de produzir bons frutos de salva&ccedil;&atilde;o. Estou convosco porque, como cepa da mesma vinha e da mesma Arquidiocese, participo de igual obriga&ccedil;&atilde;o. E mais: se vos devo animar neste processo, tamb&eacute;m recebo de v&oacute;s est&iacute;mulo para corresponder ao projeto do nosso Deus.<\/p>\n<p>A liturgia deste Domingo que, por antecipa&ccedil;&atilde;o, j&aacute; celebramos, aponta precisamente para a&iacute;. A pergunta do doutor da lei, um especialista que n&atilde;o interroga o Mestre movido por uma inquieta&ccedil;&atilde;o interior nem pelo desejo de procurar a verdade, mas apenas para encontrar pretexto para atacar, encontra em Jesus uma resposta s&eacute;ria. &Eacute; que Deus pode aproveitar-se das rabugices humanas para fazer obra de salva&ccedil;&atilde;o. &ldquo;<em>Qual &eacute; o maior mandamento da lei<\/em>&rdquo;? Sim, qual o maior? &Eacute; que os fan&aacute;ticos da &eacute;poca ocupavam-se a percorrer a lei de Mois&eacute;s, frase por frase, para encontrar o que parecesse norma religiosa. E descobriram 248 preceitos e 365 proibi&ccedil;&otilde;es. Este vasto conjunto de 613 normas religiosas, na pr&aacute;tica, era inoperante: o povo simples n&atilde;o s&oacute; era incapaz de os cumprir como at&eacute; desconhecia a maioria. Verificava-se a acusa&ccedil;&atilde;o que Jesus, com muita propriedade, tinha feito aos fariseus: &ldquo;<em>Colocais fardos pesados aos ombros do povo. Mas v&oacute;s, nem sequer com um dedo tocais neles<\/em>&rdquo; (Mt 23, 4). Neste contexto, Jesus intervem com a sabedoria de Deus que ultrapassa todo o humano: &ldquo;<em>Amar&aacute;s o Senhor, teu Deus, com todo o teu cora&ccedil;&atilde;o, com toda a tua alma, com todo o teu entendimento e com todas as tuas for&ccedil;as. Este &eacute; o primeiro mandamento e o mais importante. Mas o segundo &eacute; semelhante a este: Amar&aacute;s o teu pr&oacute;ximo como a ti mesmo. N&atilde;o h&aacute; outro mandamento maior que estes<\/em>.&raquo; (Mt 22, 37-39).<\/p>\n<p>Com esta resposta, Jesus ensina-nos que s&oacute; um amor apaixonado e total por Deus &eacute; capaz de regular a pr&oacute;pria exist&ecirc;ncia e de se abrir ao amor do pr&oacute;ximo, particularmente dos pobres e dos pequeninos, a ponto de partilhar com eles o p&atilde;o da palavra e o p&atilde;o do corpo. &Eacute; o que fazem in&uacute;meras pessoas, l&aacute; fora e c&aacute; dentro, nessa atividade heroica que designamos por missiona&ccedil;&atilde;o ou miss&otilde;es, e cujo dia anual celebramos. A hist&oacute;ria das voca&ccedil;&otilde;es mission&aacute;rias &eacute; a hist&oacute;ria de pessoas que foram tocadas pela for&ccedil;a transformante do amor de Deus e, como consequ&ecirc;ncia, n&atilde;o regatearam a vida para si, mas a souberam colocar ao servi&ccedil;o da grande causa de Deus e do pr&oacute;ximo. De facto, o amor &eacute; a ess&ecirc;ncia do Evangelho. E nada, na vida dos mission&aacute;rios, encontra sentido e explica&ccedil;&atilde;o fora do amor. &Eacute; o amor n&atilde;o privatizado, oprimido, tornado mesquinho, como a nossa cultura ocidental pretende. Porque, muitas vezes, amor de si mesmo ou, na melhor das hip&oacute;teses, amor ao outro, mas para que ele me ame e me fa&ccedil;a feliz. Amor&hellip; ego&iacute;sta. Ora, o verdadeiro paradigma do amor encontra-se na cruz: &eacute; o amor de bra&ccedil;os abertos ao mundo. Como tal, amor universal.<\/p>\n<p>&Eacute; por aqui que tem de passar a nossa f&eacute; crist&atilde;. Na tentativa da sua purifica&ccedil;&atilde;o e cont&iacute;nua difus&atilde;o, particularmente entre n&oacute;s, europeus, j&aacute; que tantos se sentem cansados na f&eacute;, aproveitando o cinquenten&aacute;rio da abertura do Conc&iacute;lio Vaticano II, o Santo Padre acaba de declarar o pr&oacute;ximo ano pastoral, &ldquo;Ano da F&eacute;&rdquo;. N&atilde;o deixaremos de o viver intensamente. E de o preparar, desde j&aacute;, pela leitura meditada da Carta Apost&oacute;lica &ldquo;<em>A Porta da F&eacute;<\/em>&rdquo;, que o anuncia. Desde j&aacute;, ressalto duas t&oacute;nicas, com as pr&oacute;prias palavras do Papa: &ldquo;<em>Sem a liturgia e os sacramentos, a profiss&atilde;o de f&eacute; n&atilde;o seria eficaz, porque faltaria a gra&ccedil;a que sustenta o testemunho dos crist&atilde;os<\/em>&rdquo; (n&ordm; 11). E, entre todos, avulta, logicamente, a Missa dominical. E mais &agrave; frente: &ldquo;<em>A f&eacute; sem a caridade n&atilde;o d&aacute; fruto, e a caridade sem a f&eacute; seria um sentimento constantemente &agrave; merc&ecirc; da d&uacute;vida. F&eacute; e caridade reclamam-se mutuamente, de tal modo que uma consente &agrave; outra de realizar o seu caminho. De facto, n&atilde;o poucos crist&atilde;os dedicam amorosamente a sua vida a quem vive sozinho, marginalizado ou exclu&iacute;do, considerando-o como o primeiro a quem atender e o mais importante a socorrer, porque &eacute; precisamente nele que se espelha o pr&oacute;prio rosto de Cristo. Em virtude da f&eacute;, podemos reconhecer naqueles que pedem o nosso amor o rosto do Senhor ressuscitado. &laquo;Sempre que fizestes isto a um dos meus irm&atilde;os mais pequeninos, a mim mesmo o fizestes&raquo;<\/em> (Mt 25,40) (n&ordm; 14).<\/p>\n<p>Caros crist&atilde;os, um dia, um jornalista americano procurou a c&eacute;lebre Madre Teresa para lhe pedir uma entrevista. Dirigiu-se ao seu conventinho de Calcut&aacute;, na &Iacute;ndia. N&atilde;o estava em casa. Deram-lhe indica&ccedil;&otilde;es onde poderia estar. Dirigiu-se para l&aacute;. Era fora da cidade. Num imenso barrac&atilde;o, encontrou largas dezenas de doentes e moribundos, deitados lado a lado. Muitos deles, no ch&atilde;o, por falta de esteiras ou de macas. O calor era intenso, o cheiro incomodativo e o ambiente insuport&aacute;vel, tal a presen&ccedil;a da dor e da morte. Ao fundo, curvada sobre um moribundo, l&aacute; estava a figura franzina da Madre Teresa. O jornalista hesitou se seria capaz de atravessar aquele &laquo;vale da morte&raquo;. Mas ganhou coragem e foi ao encontro da Religiosa. Como quem n&atilde;o pode conter o espanto, sob pena de sufocar, dispara: &ldquo;<em>Irm&atilde;, como &eacute; poss&iacute;vel? Como &eacute; que voc&ecirc; aguenta isto? Onde vai buscar for&ccedil;as para este trabalho<\/em>&rdquo;? Serenamente, olhou para ele, sorriu e respondeu: &ldquo;<em>A cinco horas de ora&ccedil;&atilde;o por dia, meu filho. Cinco horas de ora&ccedil;&atilde;o<\/em>!&rdquo;.<\/p>\n<p>&Eacute;. Se fiz&eacute;ssemos cinco horas de ora&ccedil;&atilde;o por dia, mudar&iacute;amos o mundo. Porque isso exprimiria um imenso amor a Deus. E quem ama a Deus, ama tamb&eacute;m o seu irm&atilde;o.<\/p>\n<p><em>D. Manuel Linda, bispo auxiliar de Braga<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H&aacute; tr&ecirc;s anos, muitos de v&oacute;s, oriundos da mesma zona pastoral de Guimar&atilde;es, viestes a este Santu&aacute;rio de F&aacute;tima para, de algum modo, vos matriculardes na &laquo;Escola de Maria&raquo; e iniciar um percurso de aproxima&ccedil;&atilde;o &agrave; Palavra de Deus, sob a sua orienta&ccedil;&atilde;o. 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