{"id":5346,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/traficos-em-mocambique\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"traficos-em-mocambique","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/traficos-em-mocambique\/","title":{"rendered":"Tr\u00e1ficos em Mo\u00e7ambique"},"content":{"rendered":"<p>Comunicado da Comiss\u00e3o Justi\u00e7a e Paz CNIR\/FNIRF <!--more--> A globaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 uma das caracter\u00edsticas mais determinantes na vida da sociedade actual. N\u00e3o \u00e9 a primeira vez que se d\u00e1 um processo de globaliza\u00e7\u00e3o, mas as novas tecnologias encurtaram mais o espa\u00e7o e o tempo que separam os lugares e as gentes.  Tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9  surpreendente  que nestes  processos caminhem lado a lado benef\u00edcios e malef\u00edcios, que por vezes at\u00e9 podemos ter dificuldade em distinguir. Mas parece incontest\u00e1vel que foram os bens materiais e particularmente as transac\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas e financeiras aquilo que mais rapidamente se globalizou. Aguardamos com esperan\u00e7a o alargamento destas transac\u00e7\u00f5es \u00e0s culturas, ao conhecimento, \u00e0s artes, \u00e0s diversas espiritualidades.  No espa\u00e7o da globaliza\u00e7\u00e3o comercial e financeira s\u00e3o os bandos mafiosos quem mais aproveita do fen\u00f3meno. Tamb\u00e9m isso n\u00e3o traz grande surpresa. Pelo facto de lidarem com grandes somas de dinheiro sem controlo e \u00e0 margem das leis, os traficantes t\u00eam sempre vantagens em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s estruturas policiais e judiciais. Pelo poder do dinheiro,  os  cabecilhas  desses  bandos situam-se num elevado n\u00edvel social, o que lhes permite controlar os processos ou escapar \u00e0s malhas da justi\u00e7a. E se a globaliza\u00e7\u00e3o funciona como uma rede, no que diz respeito aos mafiosos e traficantes essa rede n\u00e3o tem limites. Atrav\u00e9s dos meios de comunica\u00e7\u00e3o podemos verificar que naquilo que diz respeito aos tr\u00e1ficos tudo est\u00e1 ligado. N\u00e3o os podemos imaginar como aut\u00f3nomos, sabendo como est\u00e3o  interligados. S\u00e3o os mesmos ou est\u00e3o associados os traficantes de  armas, de drogas, de seres humanos, de divisas, de diamantes e de tudo o muito mais  que d\u00e1 poder econ\u00f3mico e frequentemente poder pol\u00edtico.   \u00c9 neste contexto que se situa o caso levantado na regi\u00e3o de Nampula, em Mo\u00e7ambique. Caber\u00e1 \u00e0s autoridades mo\u00e7ambicanas apresentar, nas devidas inst\u00e2ncias, provas para factos cuja verifica\u00e7\u00e3o \u00e9 ineg\u00e1vel.  Muitos jornalistas estiveram nos locais e, atrav\u00e9s de muitas vozes, desde gente do povo aos mission\u00e1rios, passando por autoridades, puderam mostrar que havia situa\u00e7\u00f5es a justificarem grande suspeita no que se refere ao tr\u00e1fico de crian\u00e7as e jovens. As descri\u00e7\u00f5es tornam-se mais convincentes na medida em que h\u00e1 fen\u00f3menos e acontecimentos que, depois de se ter denunciado o problema, sofreram altera\u00e7\u00f5es. Sabemos que o tr\u00e1fico de seres humano \u00e9 um neg\u00f3cio frequente e pujante ao largo do planeta. Denunci\u00e1-lo num determinado lugar \u00e9 uma forma de dar a conhecer essa hedionda realidade e combat\u00ea-la.  Tamb\u00e9m n\u00f3s temos informa\u00e7\u00f5es, vindas de mission\u00e1rios e de grupos eclesiais como a Comiss\u00e3o Diocesana de Justi\u00e7a e Paz, de que em Nampula t\u00eam desaparecido crian\u00e7as, jovens, adolescentes e tamb\u00e9m alguns adultos. Foram encontrados v\u00e1rios corpos mutilados e enterrados  sem  qualquer  processo  de identifica\u00e7\u00e3o. No calor das not\u00edcias centrou-se o debate no problema do tr\u00e1fico de \u00f3rg\u00e3os. Essa \u00e9 uma possibilidade, provavelmente a express\u00e3o mais horr\u00edvel da realidade; mas focalizar as aten\u00e7\u00f5es nesse aspecto \u00e9 reduzir o campo de an\u00e1lise do problema. A grande quest\u00e3o diz respeito ao pr\u00f3prio tr\u00e1fico de seres humanos que pode ter muitos fins, entre os quais a explora\u00e7\u00e3o sexual, o trabalho escravo e o tr\u00e1fico de \u00f3rg\u00e3os.  Neste como noutros casos o modelo \u00e9 exactamente o da procura e da oferta. O tr\u00e1fico surge quando, por qualquer raz\u00e3o, a oferta n\u00e3o satisfaz a procura. Ent\u00e3o a oferta violenta e violentada toma lugar, uma vez que ela \u00e9 feita n\u00e3o pelo pr\u00f3prio mas por outros. O factor que gera condi\u00e7\u00f5es para que isso suceda \u00e9 a exist\u00eancia de muito dinheiro de um lado e de vidas miser\u00e1veis e ao abandono do outro.  Tudo isto \u00e9 do conhecimento geral dos cidad\u00e3os que procuram informar-se. A n\u00f3s cabe-nos participar nas den\u00fancias e nas ac\u00e7\u00f5es  necess\u00e1rias para combater esses crimes. Por isso queremos manifestar o nosso apoio e a nossa solidariedade aos nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s que denunciam os factos horrorosos que se t\u00eam deparado diante dos seus olhos ou de cuja exist\u00eancia lhes chegaram testemunhos directos ou indirectos, mas de qualquer modo suficientes para justificarem a den\u00fancia daquilo que ainda mais vem agravar a j\u00e1 muito fragilizada situa\u00e7\u00e3o do povo mo\u00e7ambicano, envolvido no medo nascido de factores t\u00e3o diversos como cren\u00e7as e costumes ancestrais at\u00e9 \u00e0 falta de confian\u00e7a nas institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas. Por isso tamb\u00e9m nos solidarizamos com eles na exig\u00eancia de um esclarecimento desses fen\u00f3menos estranhos, sem o qual n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel pacificar as mentes nem realizar a justi\u00e7a que s\u00f3 n\u00e3o interesse a quem destes fen\u00f3menos ignobilmente se aproveita ou em rela\u00e7\u00e3o aos quais n\u00e3o quer ou n\u00e3o consegue desvincular-se. A investiga\u00e7\u00e3o imparcial, s\u00e9ria, competente e c\u00e9lere ser\u00e1 o meio adequado e necess\u00e1rio para ir quebrando os elos de uma cadeia que mant\u00e9m as popula\u00e7\u00f5es mais pobres em condi\u00e7\u00f5es que nada t\u00eam a ver com a dignidade e com a liberdade.  Aos nossos governantes apelamos a que, em sede pr\u00f3pria, exer\u00e7am press\u00e3o internacional para que a verdade n\u00e3o seja ocultada e a justi\u00e7a seja realizada. \u00c0 globaliza\u00e7\u00e3o do crime e do terror h\u00e1 que opor a globaliza\u00e7\u00e3o da solidariedade e da justi\u00e7a.   Lisboa, 01.04.04  Comiss\u00e3o Justi\u00e7a e Paz CNIR\/FNIRF<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Comunicado da Comiss\u00e3o Justi\u00e7a e Paz CNIR\/FNIRF<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[154,168,199,262,314],"class_list":["post-5346","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-crianca","tag-diocese-da-guarda","tag-espiritualidade","tag-mocambique","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5346","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5346"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5346\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5346"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5346"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5346"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}