{"id":53394,"date":"2011-10-18T13:01:53","date_gmt":"2011-10-18T13:01:53","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/10\/18\/o-orcamento-para-2012\/"},"modified":"2011-10-18T13:01:53","modified_gmt":"2011-10-18T13:01:53","slug":"o-orcamento-para-2012","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-orcamento-para-2012\/","title":{"rendered":"O or\u00e7amento para 2012"},"content":{"rendered":"<p align=\"justify\">O Or&ccedil;amento de Estado para 2012 parece mau demais para ser verdade. O cen&aacute;rio econ&oacute;mico que o suporta prefigura a pior recess&atilde;o desde 1975, com uma queda no produto de 2.8% em 2012 ap&oacute;s ter descido 1.9% este ano. O consumo das fam&iacute;lias deve cair uns impressionantes 4.8% no ano que vem, depois de se ter reduzido 3.5% em 2011, enquanto o investimento se encontra em queda livre (-10.6% em 2011 e -9,5% em 2012), tendo-se reduzido sempre desde 2001, excepto em 2007. O desemprego, que h&aacute; dois anos est&aacute; acima do seu m&aacute;ximo hist&oacute;rico, continuar&aacute; a subir at&eacute; 13.4%, atingindo quase 750 mil pessoas.<\/p>\n<p align=\"justify\">Em cima disto temos um ros&aacute;rio de medidas dolorosas. No lado fiscal o Governo, ao contr&aacute;rio de anos anteriores, preferiu n&atilde;o mexer nos valores das taxas dos grandes impostos. Em contrapartida altera uma mir&iacute;ade de escal&otilde;es, dedu&ccedil;&otilde;es e isen&ccedil;&otilde;es, multiplicando pequenas subidas de receita fiscal. Os aspectos mais marcantes s&atilde;o a altera&ccedil;&atilde;o da estrutura das listas do IVA, subindo muitos bens das taxas reduzidas, e o alargamento da base tribut&aacute;vel do IRS eliminando dedu&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p align=\"justify\">Do lado da despesa avulta uma grande medida: o corte dos subs&iacute;dios de f&eacute;rias e de Natal dos funcion&aacute;rios p&uacute;blicos e pensionistas acima de certo n&iacute;vel de receita. Para al&eacute;m disso existem m&uacute;ltiplas redu&ccedil;&otilde;es na Administra&ccedil;&atilde;o em esfor&ccedil;os de racionaliza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p align=\"justify\">Uma estrat&eacute;gia destas n&atilde;o &eacute; apresentada ligeiramente nem por engano. Trata-se de um violent&iacute;ssimo esfor&ccedil;o de ajustamento. Ser&aacute; justificado? Todos vivemos por c&aacute; nos &uacute;ltimos anos e seguimos a irresponsabilidade e incapacidade que nos trouxeram a esta situa&ccedil;&atilde;o. Fomos o &uacute;ltimo pa&iacute;s a acordar para a necessidade de austeridade perante a crise internacional, ap&oacute;s mais de um ano de despesas eleitoralistas em 2009. O resultado foi a maior subida do d&eacute;fice p&uacute;blico da nossa hist&oacute;ria, de 3.5% do PIB em 2008 para 10.1% em 2009. Seguiu-se a repetida inoper&acirc;ncia das medidas de ajustamento, simbolizada na sequ&ecirc;ncia dos quatro PECs, que agravaram o d&eacute;fice para 11.4% em 2010, depois ajustado a 9.8% por medidas extraordin&aacute;rias. Tudo terminou com o pedido de ajuda internacional, por ruptura de acesso ao cr&eacute;dito, em Abril deste ano.<\/p>\n<p align=\"justify\">Agora que perdemos a credibilidade externa, para mais no meio de grave crise europeia, a &uacute;nica alternativa &agrave; derrocada financeira &eacute; a tentativa s&eacute;ria e dura de ajustamento. &Eacute; preciso mostrar um empenhamento irredut&iacute;vel que conven&ccedil;a os credores do nosso compromisso na estabiliza&ccedil;&atilde;o or&ccedil;amental. Este &eacute; o ponto decisivo, que o Governo erigiu como prioridade absoluta. O ano de 2011 j&aacute; tinha um limite definido de 5.9% do PIB para o d&eacute;fice, que n&atilde;o foi cumprido. Ou melhor, ser&aacute; atingido de novo com recurso a expedientes contabil&iacute;sticos. O resvalar das despesas e receitas do Estado, com sucessivas surpresas desagrad&aacute;veis bem conhecidas, conduziu o d&eacute;fice este ano a 7.7%. Perante a indispensabilidade de cumprir a imposi&ccedil;&atilde;o lan&ccedil;ou-se m&atilde;o de medidas extraordin&aacute;rias que permitem atingir formalmente os desejados 5.9%. Mas, na aus&ecirc;ncia de mais truques no ano que vem, ser&aacute; dos reais 7.7% actuais que temos de descer em 2012 para chegar aos pretendidos 4.5% da meta desse ano.<\/p>\n<p align=\"justify\">N&atilde;o ser&aacute; a cura pior que a doen&ccedil;a? N&atilde;o &eacute; este o caminho que a Gr&eacute;cia seguiu e que j&aacute; se viu que falhou? Diz&ecirc;-lo &eacute; admitir &agrave; partida a inevitabilidade da derrocada financeira. Podemos j&aacute; assumir essa via, o que ter&aacute; como consequ&ecirc;ncia cortes imeditos ainda mais dr&aacute;sticos, face &agrave; perda consequente da ajuda externa, e sobretudo muito mais prolongados, pois demorar&aacute; d&eacute;cadas at&eacute; sermos readmiti-dos como pa&iacute;s respeit&aacute;vel. A alternativa, em que aposta este Or&ccedil;amento &eacute; que, ao contr&aacute;rio dos gregos, os portugueses consigam fazer os sacrif&iacute;cios necess&aacute;rios para ainda cumprir os seus compromissos com os credores, mantendo-se como pa&iacute;s honesto.<\/p>\n<p align=\"justify\">Decisiva &eacute; a forma como Portugal enfrentar&aacute; o triste cen&aacute;rio. Se mergulhar em contesta&ccedil;&atilde;o como os gregos, n&atilde;o haver&aacute; solu&ccedil;&atilde;o sen&atilde;o falir. Se suportar os sacrif&iacute;cios e procurar novas solu&ccedil;&otilde;es vencer&aacute; a crise. Este &eacute; o grande desafio desta gera&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><em> <\/p>\n<p align=\"right\">Jo&atilde;o C&eacute;sar das Neves<\/p>\n<p> <\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Or&ccedil;amento de Estado para 2012 parece mau demais para ser verdade. 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