{"id":53366,"date":"2011-10-17T11:41:41","date_gmt":"2011-10-17T11:41:41","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/10\/17\/conclusoes-do-congresso-internacional-ordem-da-imaculada-conceicao\/"},"modified":"2011-10-17T11:41:41","modified_gmt":"2011-10-17T11:41:41","slug":"conclusoes-do-congresso-internacional-ordem-da-imaculada-conceicao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/conclusoes-do-congresso-internacional-ordem-da-imaculada-conceicao\/","title":{"rendered":"Conclus\u00f5es do Congresso Internacional Ordem da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>1. Realizou-se, de 14 a 16 de Outubro de 2011 em F&aacute;tima, na Casa das Irm&atilde;s Concepcionistas ao Servi&ccedil;o dos Pobres, o Congresso Internacional &laquo;Ordem da Imaculada Concei&ccedil;&atilde;o &ndash; 500 anos. Santa Beatriz da Silva: Estrela para Novos Rumos&raquo;. Santa Beatriz da Silva inspirou o andamento dos trabalhos do Congresso, que decorreram em ritmo de confer&ecirc;ncias, pain&eacute;is e debates e no qual participaram cerca de 50 conferencistas e 200 congressistas. As actas, cuja publica&ccedil;&atilde;o ansiamos para breve, constituir&atilde;o certamente abundante manancial de reflex&atilde;o e provoca&ccedil;&atilde;o de novas investiga&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>2. Na sess&atilde;o de abertura, em que foi lida uma sauda&ccedil;&atilde;o particular do Presidente da Rep&uacute;blica, o Presidente da Comiss&atilde;o Organizadora do Congresso, D. Jos&eacute; Alves, situou-o em contextos eclesial, acad&eacute;mico e social, apelando a que os 155 mosteiros e 3000 monjas da OIC espalhadas pelos quatro continentes sejam &laquo;cidadelas do Esp&iacute;rito&raquo;, na bela express&atilde;o de Bento XVI. Seguiu-se a sauda&ccedil;&atilde;o da Coordenadora da Confedera&ccedil;&atilde;o de Santa Beatriz da Silva e a apresenta&ccedil;&atilde;o do programa pelo Presidente da Comiss&atilde;o Cient&iacute;fica, Jos&eacute; Eduardo Franco. O Cardeal Patriarca de Lisboa, D. Jos&eacute; Policarpo, encerrou a sess&atilde;o, desejando que o Congresso contribua para dar resposta aos actuais anseios de profundidade e contempla&ccedil;&atilde;o e para voltar a dar uma alma &agrave; Europa.<\/p>\n<p>3. Na confer&ecirc;ncia inicial, moderada por D. Jos&eacute; Alves, o eminente historiador Jos&eacute; Mattoso situou-nos no tempo de Santa Beatriz da Silva, um tempo simultaneamente de esplendor e auge da Hist&oacute;ria p&aacute;tria e de profunda crise social e econ&oacute;mica. No contexto da profunda renova&ccedil;&atilde;o da vida religiosa, a Obra religiosa de Santa Beatriz da Silva surge como um dos acontecimentos t&iacute;picos da capacidade da sociedade peninsular para superar a crise da &eacute;poca.<\/p>\n<p>4. O painel intitulado &laquo;Ordens, Congrega&ccedil;&otilde;es e Institutos Seculares&raquo;, moderado por Herm&iacute;nio Rico, abordou quatro t&oacute;picos nesta caminhada pela hist&oacute;ria. Na caracteriza&ccedil;&atilde;o das Ordens Mon&aacute;sticas no s&eacute;culo XV, Arnaldo Esp&iacute;rito Santo real&ccedil;ou o fundamento da sua espiritualidade na Regra de S&atilde;o Bento e o esfor&ccedil;o de reforma&ccedil;&atilde;o dos mosteiros nas quest&otilde;es do governo e administra&ccedil;&atilde;o dos bens, na observ&acirc;ncia e instru&ccedil;&atilde;o das religiosas. Ant&oacute;nio de Sousa Ara&uacute;jo caracterizou as Ordens Mendicantes na viv&ecirc;ncia da pobreza enquanto comunidade e fraternidade solid&aacute;ria, disso resultando uma subsist&ecirc;ncia em tens&atilde;o de instabilidade, fruto do trabalho ou da sua falta (mendic&acirc;ncia). David Sampaio Barbosa situou o surgimento das Congrega&ccedil;&otilde;es Religiosas no s&eacute;culo XIX, como carismas ao servi&ccedil;o da sociedade em &aacute;reas como as institui&ccedil;&otilde;es sociais, a sa&uacute;de e o ensino, dando aten&ccedil;&atilde;o ao pobre, ao doente, &agrave; inf&acirc;ncia abandonada e sem instru&ccedil;&atilde;o e &agrave; missiona&ccedil;&atilde;o. Jo&atilde;o Miguel Almeida salientou a miss&atilde;o dos Institutos Seculares &agrave; luz de uma espiritualidade de compromisso com uma vida no mundo coerente com os valores evang&eacute;licos, na qual ganha revelo a dimens&atilde;o mariana.<\/p>\n<p>5. A abrir o painel &laquo;Express&otilde;es de Contempla&ccedil;&atilde;o&raquo;, moderado por Ant&oacute;nio Rego, Maria Filomena Andrade prop&ocirc;s caminhos de uma espiritualidade feminina sempre renovada e alicer&ccedil;ada nas respostas aos desafios da sociedade e da Igreja de ent&atilde;o, &agrave; semelhan&ccedil;a de Santa Beatriz da Silva. Maria Cristina Osswald referiu a expans&atilde;o da iconografia da Imaculada Concei&ccedil;&atilde;o na Pintura e na Escultura, a partir do Conc&iacute;lio de Trento e sua inspira&ccedil;&atilde;o mais recente nos prot&oacute;tipos iconogr&aacute;ficos de Nossa Senhora de F&aacute;tima e Nossa Senhora de Lourdes. In&ecirc;s Maria da Sant&iacute;ssima Trindade e Maria In&ecirc;s da Cruz caracterizaram a contempla&ccedil;&atilde;o da concepcionista centrada em Cristo e inspirada nos passos de Maria, a sua voca&ccedil;&atilde;o universal, a viv&ecirc;ncia do amor de Deus e o saber saboreado. Nuno Saldanha apontou novas formas de express&atilde;o da religiosidade e devo&ccedil;&atilde;o na pintura do s&eacute;culo XIX, mais na linha do novo gosto, aspira&ccedil;&otilde;es, formas de piedade e devo&ccedil;&atilde;o populares, do que nos temas cl&aacute;ssicos da santidade.<\/p>\n<p>6. No painel &laquo;Imaculada Concei&ccedil;&atilde;o, Mulheres e Ordens Religiosas&raquo;, sob a modera&ccedil;&atilde;o de Cristiana Isabel Lucas Silva, Francisco Jos&eacute; Senra Coelho situou a OIC no contexto de outras ordens femininas em Portugal, real&ccedil;ando as Bulas papais da Reforma da Observ&acirc;ncia Pr&eacute;-tridentina, no seguimento do impulso dado, pelo Conc&iacute;lio de Constan&ccedil;a em 1417, aos moviumentos reformadores da vida religiosa. Aires Gameiro falou das mulheres nas cartas e biografia do alentejano S&atilde;o Jo&atilde;o de Deus, nascido aquando da morte de Santa Beatriz da Silva. Inspirado pela Mulher Maria Imaculada, S&atilde;o Jo&atilde;o de Deus procurou reabilitar as mulheres de modo integral e com dignidade. Carlos Alberto de Seixas Maduro relacionou a Imaculada Concei&ccedil;&atilde;o, o Ros&aacute;rio e a viabilidade de Portugal na &oacute;ptica do Padre Ant&oacute;nio Vieira. No tempo da Restaura&ccedil;&atilde;o, coube um papel muito particular &agrave; Virgem do Ros&aacute;rio e &agrave; Imaculada Concei&ccedil;&atilde;o na viabilidade de um pa&iacute;s que voltava a nascer e a que Vieira juntava a esperan&ccedil;a messi&acirc;nica de que fosse a cabe&ccedil;a do mundo. A finalizar o painel, Susana Mourato Alves-Jesus abordou de modo interligado a Ordem do Carmo, as Mulheres e os Direitos Humanos. No quadro do contributo que as Ordens Religiosas sempre tiveram no longo processo de afirma&ccedil;&atilde;o dos Direitos Humanos, a Ordem da Imaculada Concei&ccedil;&atilde;o teve especial participa&ccedil;&atilde;o, nomeadamente quanto ao papel da mulher na sociedade e &agrave; salvaguarda dos seus respectivos direitos.<\/p>\n<p>7. O segundo dia do Congresso iniciou-se com uma confer&ecirc;ncia de Jos&eacute; F&eacute;lix Duque, sob a modera&ccedil;&atilde;o de David Sampaio Barbosa, em que o autor abordou a &laquo;Vida e Obra de Santa Beatriz da Silva&raquo;, que nasceu por volta de 1437 em Campo Maior e faleceu em 1492 em Toledo. A sua vida dedicada &agrave; ora&ccedil;&atilde;o, &agrave; penit&ecirc;ncia e &agrave; caridade, marcada por uma grande devo&ccedil;&atilde;o &agrave; Imaculada Concei&ccedil;&atilde;o, inspirou a Obra que nos legou, iniciada na funda&ccedil;&atilde;o do Mosteiro da Concei&ccedil;&atilde;o em Toledo. A sua canoniza&ccedil;&atilde;o em 1976, pelo Papa Paulo VI, significa o reconhecimento da santidade desta Mulher Forte, fundadora da OIC, uma das mais ricas e interessantes do monaquismo peninsular, fonte de espiritualidade e de cultura. Aqui se exprime igualmente a pertin&ecirc;ncia em considerar as mulheres como agentes activos das culturas e das sociedades, capazes de grandes realiza&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>8. O sugestivo subt&iacute;tulo &laquo;enlaces e desenlaces&raquo; do painel sobre a &laquo;OIC e as outras Ordens&raquo;, moderado pela Susana Mourato Alves-Jesus, contou com o contributo de quatro especialistas. Ao questionamento da exist&ecirc;ncia de uma regra primitiva concepcionista, Jos&eacute; Garcia Santos analisou minuciosamente os meandros da sua evolu&ccedil;&atilde;o e conex&atilde;o com outras regras inspiradoras e concluiu que a Regra OIC resultou de uma caminhada muito longa e com muitas dificuldades do carisma que Deus concedeu a Santa Beatriz da Silva, at&eacute; ao reconhecimento, pelo Papa J&uacute;lio II em 1511, da &laquo;Regra das Irm&atilde;s da Concei&ccedil;&atilde;o da Bem-aventurada Virgem Maria&raquo;. Jacinto Guerreiro abordou a presen&ccedil;a e mem&oacute;ria das Ordens e Congrega&ccedil;&otilde;es Religiosas no Alentejo. Nos &uacute;ltimos cinco s&eacute;culos, mesmo com o par&ecirc;ntesis secular da expuls&atilde;o das Ordens do pa&iacute;s, a mentalidade religiosa alentejana foi marcada pela presen&ccedil;a de uma rede de institui&ccedil;&otilde;es e fam&iacute;lias espirituais, em particular as Ordens Mendicantes, que tiveram enorme influ&ecirc;ncia, quer nas manifesta&ccedil;&otilde;es e festas populares, quer no patrim&oacute;nio cultural, pastoral e espiritual. Maria de L&uacute;cia Brito Moura analisou o acolhimento e recep&ccedil;&atilde;o das Ordens e Congrega&ccedil;&otilde;es Religiosas em Portugal, no per&iacute;odo de 1834 a 1910 da Monarquia Constitucional. A Carta Constitucional, ao mesmo tempo que reconhece a religi&atilde;o cat&oacute;lica como religi&atilde;o do Estado, p&otilde;e fim &agrave;s Ordens e Congrega&ccedil;&otilde;es Religiosas. Por&eacute;m, neste ambiente de interdi&ccedil;&atilde;o, animosidade e discord&acirc;ncia, algumas Ordens mant&ecirc;m-se em situa&ccedil;&atilde;o de semi-clandestinidade at&eacute; &agrave; expuls&atilde;o definitiva em 1910. Zor&aacute;n Petrovici apontou o caso da Madre Mercedes de Jesus, que a partir de 1966 liderou um movimento de regresso &agrave;s fontes, conseguindo da Santa S&eacute; algumas emendas que devolveram &agrave; OIC a espiritualidade concepcionista original, em substitui&ccedil;&atilde;o das refer&ecirc;ncias ao esp&iacute;rito franciscano.<\/p>\n<p>9. O painel &laquo;Carisma e Espiritualidade&raquo;, moderado por V&iacute;tor Mel&iacute;cias, contou com duas participa&ccedil;&otilde;es. Manuel Curado ensaiou poss&iacute;veis aproxima&ccedil;&otilde;es filos&oacute;ficas &agrave; quest&atilde;o sobre quem auxiliou Santa Beatriz da Silva, a partir da lenda do ba&uacute; que encerrou Santa Beatriz da Silva e de cuja caixa escura saiu com vida, atrav&eacute;s da ajuda da Senhora Branca. O mist&eacute;rio da lenda pode levar a relacionar a Senhora Branca com a Virgem Maria. Jos&eacute; Eduardo Franco referiu as devo&ccedil;&otilde;es ao Sagrado Cora&ccedil;&atilde;o de Jesus e ao Imaculado Cora&ccedil;&atilde;o de Maria, com apogeu no s&eacute;culo XIX, como &laquo;espiritualidades quentes&raquo;. Apresentou as ra&iacute;zes, a afirma&ccedil;&atilde;o e a projec&ccedil;&atilde;o dessas espiritualidades como propostas de viv&ecirc;ncia crist&atilde;, que revelam um Deus pr&oacute;ximo, misericordioso, sens&iacute;vel e preocupado pelos homens, e que transportam consigo uma utopia de transforma&ccedil;&atilde;o do homem e da sociedade, comprometida com os homens e as mulheres de cada tempo.<\/p>\n<p>10. Moderada pela Annabela Rita, a confer&ecirc;ncia de Joaquim Chor&atilde;o Lavajo sobre &laquo;a Imaculada Concei&ccedil;&atilde;o na Vida e Obra de Santa Beatriz da Silva&raquo; situou na hist&oacute;ria da Igreja a devo&ccedil;&atilde;o do povo crist&atilde;o &agrave; Imaculada Concei&ccedil;&atilde;o, que teve o seu ponto culminante na defini&ccedil;&atilde;o dogm&aacute;tica de 1854. Santa Beatriz da Silva exerceu um papel relevante nesse percurso doutrinal e vivencial, ao consagrar toda a sua vida e obra &agrave; Imaculada Concei&ccedil;&atilde;o, na viv&ecirc;ncia integral dos valores espirituais  humanos que esta incarna e inspira como modelo humano e feminino sempre actual e imit&aacute;vel.<\/p>\n<p>11. No painel moderado por Maria de F&aacute;tima Eus&eacute;bio sobre a &laquo;recep&ccedil;&atilde;o da Imaculada Concei&ccedil;&atilde;o na arte e na cultura ib&eacute;ricas&raquo;, come&ccedil;ou S&iacute;lvia Ferreira por apresentar, de modo visual, representa&ccedil;&otilde;es escult&oacute;ricas de Nossa Senhora da Concei&ccedil;&atilde;o no Barroco portugu&ecirc;s, em particular no per&iacute;odo p&oacute;s-tridentino. De modo espec&iacute;fico, ensaiou a interac&ccedil;&atilde;o entre imagin&aacute;ria e obra de talha retabular, cujas express&otilde;es majestosas proporcionam o cen&aacute;rio espacial e est&eacute;tico para a sua condigna adora&ccedil;&atilde;o. Annabela Rita destacou a import&acirc;ncia da Imaculada Concei&ccedil;&atilde;o no processo de legitima&ccedil;&atilde;o da identidade nacional; esta tendeu a legitimar-se num plano espiritual, em que a Imaculada Concei&ccedil;&atilde;o reconfigura a alian&ccedil;a entre o divino e o humano em que a colectividade se reconhece. Maria Isabel Mor&aacute;n Cabanas falou da presen&ccedil;a de Santa Beatriz da Silva no teatro espanhol do s&eacute;culo XVII como paradigmas de di&aacute;logos ib&eacute;ricos. Salientou, em particular, a lusofilia do dramaturgo Tirso de Molina focalizada em D. Beatriz da Silva. &Eacute; na boca do rei D. Jo&atilde;o II de Castela que o dramaturgo p&otilde;e a c&eacute;lebre frase: &laquo;Beatriz, mulher t&atilde;o bela, s&oacute; a merece Deus&raquo;.<\/p>\n<p>12. O painel &laquo;Posteridade espiritual de Santa Beatriz da Silva&raquo;, moderado por Manuel Joaquim Gomes Barbosa, contou com variadas presen&ccedil;as. Maria N&uacute;ria Campos Vilaplana apresentou o carisma de Santa Beatriz da Silva vivido por &Aacute;ngeles Sorazu (1873-1921). Esta m&iacute;stica concepcionista dos in&iacute;cios do s&eacute;culo XX viveu unida com Cristo, seu Esposo, pelo amor, meta de toda a concepcionista, e acentuou na sua viv&ecirc;ncia a devo&ccedil;&atilde;o a Maria em quatro aspectos intimamente relacionados: Maria &eacute; Imaculada, &eacute; o Tempo de Cristo, &eacute; Esposa, &eacute; pobre de Jav&eacute;. Jos&eacute; Lu&iacute;s Fran&ccedil;a D&oacute;ria e Jo&atilde;o Lu&iacute;s Cabral Pic&atilde;o Caldeira, familiares da Madre Maria Isabel da Sant&iacute;ssima Trindade (1889-1962), apresentaram dois testemunhos sobre a fundadora das Irm&atilde;s Concepcionistas ao Servi&ccedil;o dos Pobres. Foram mem&oacute;rias vivas, viv&ecirc;ncias, registos e testemunhos familiares de quem conviveu de perto com a Madre Maria Isabel. Maria Ferraz Barbosa Santos referiu-se ao estabelecimento da OIC na Am&eacute;rica portuguesa, atrav&eacute;s da primeira presen&ccedil;a, no s&eacute;culo XVIII, do Convento da Lapa no Brasil. Joaqu&iacute;n Dominguez Serna falou de Santa Beatriz da Silva e a OIC, salientando o seu carisma mon&aacute;stico e contemplativo, centrado na Imaculada Concei&ccedil;&atilde;o, e a &iacute;ntima liga&ccedil;&atilde;o com a Ordem Franciscana.<\/p>\n<p>13. O terceiro e &uacute;ltimo dia do Congresso come&ccedil;ou com a confer&ecirc;ncia de Jo&atilde;o Francisco Marques sobre &laquo;a OIC e as Ordens Religiosas femininas na Modernidade&raquo;, sob a modera&ccedil;&atilde;o de Francisco Jos&eacute; Senra Coelho. O eminente historiador salientou, por um lado, o precioso contributo da OIC na mar&eacute; de reformismo das congrega&ccedil;&otilde;es mon&aacute;sticas, introduzindo uma espiritualidade mariana inovadora, e a sua evolu&ccedil;&atilde;o nos s&eacute;culos imediatos; por outro, referiu as estrat&eacute;gias da pol&iacute;tica r&eacute;gia, da nobreza e do poder local que, nos s&eacute;culos XVI a XVIII, interferem na funda&ccedil;&atilde;o de mosteiros femininos e sua sustenta&ccedil;&atilde;o no recrutamento de voca&ccedil;&otilde;es e na execu&ccedil;&atilde;o dos fins espirituais e intuitos assistenciais dos benem&eacute;ritos.<\/p>\n<p>14. Depois de uma interven&ccedil;&atilde;o de Geraldo Coelho Dias, apontando o contributo singular de Cister para a Ordem Beneditina, teve in&iacute;cio o painel &laquo;Ordens Religiosas e Pastoral&raquo;, moderado por Joaquim Chor&atilde;o Lavajo. Isidro Pereira Lamelas apontou o caso dos Mendicantes numa pastoral de cidade, com relev&acirc;ncia hist&oacute;rica e actual da viragem pastoral espec&iacute;fica da &laquo;fuga mundi&raquo; ao &laquo;ire per mundum&raquo; pregando o Evangelho da Paz, novidade trazida por S. Francisco de Assis e pela Regra Franciscana. Jos&eacute; Antunes da Silva apresentou uma pastoral de miss&atilde;o de fronteira. As Ordens Religiosas s&atilde;o desafiadas a viver nas fronteiras da cren&ccedil;a\/descren&ccedil;a, dos pobres, das culturas e das religi&otilde;es. Aqui, a miss&atilde;o requer um novo estilo de presen&ccedil;a, que valorize a contempla&ccedil;&atilde;o frente ao activismo, a colabora&ccedil;&atilde;o face ao individualismo e o di&aacute;logo em oposi&ccedil;&atilde;o &agrave; conquista. Lu&iacute;s Machado Abreu situou as Ordens e Congrega&ccedil;&otilde;es no Portugal contempor&acirc;neo. Real&ccedil;ou as profundas e bruscas mudan&ccedil;as pol&iacute;ticas no s&eacute;culo XIX e XX, que tiveram forte repercuss&atilde;o nas Ordens e Congrega&ccedil;&otilde;es, em particular as delibera&ccedil;&otilde;es de 1834 e 1910 de as eliminar do nosso pais. Salientou ainda a coragem e a criatividade que tiveram nas respostas aos desafios dos tempos adversos e das situa&ccedil;&otilde;es favor&aacute;veis.<\/p>\n<p>15. &laquo;Actualidade da vida mon&aacute;stica&raquo; foi o tema da confer&ecirc;ncia de Mariano Jos&eacute; Sedano Sierra, historiador vindo da R&uacute;ssia, sendo moderador Augusto Moutinho Borges. Nos factores do mundo presente que interpelam a vida mon&aacute;stica, a crise de Deus constitui um desafio &agrave; paix&atilde;o por Deus. Os monges, que t&ecirc;m como &uacute;nico fim a busca de Deus, s&atilde;o chamados de modo particular a contribuir para o regresso, de modo novo, &agrave; experi&ecirc;ncia do Deus vivo. &Iacute;cones vivos da invis&iacute;vel luz do Tabor, s&atilde;o chamados &aacute; ora&ccedil;&atilde;o transformadora em comunh&atilde;o com todos os homens, &agrave; integra&ccedil;&atilde;o na vida comunit&aacute;ria e na Igreja, &agrave; grande solidariedade com os homens, &agrave; ecologia mon&aacute;stica e ao testemunho de ecumenismo radical na Igreja indivisa.<\/p>\n<p>16. A sess&atilde;o de encerramento, presidida por D. Il&iacute;dio Leandro, Bispo de Viseu, teve in&iacute;cio com palavras agradecidas da Prioresa do Convento de Campo Maior, a que se seguiu a leitura das conclus&otilde;es por Manuel Joaquim Gomes Barbosa. Jos&eacute; Eduardo Franco reiterou agradecimentos e objectivos do Congresso, entre eles a pretens&atilde;o de dar cidadania acad&eacute;mica a esta celebra&ccedil;&atilde;o jubilar. O Ministro Geral da Ordem Franciscana convidou os participantes a viver o presente com paix&atilde;o, como Santa Beatriz da Silva, para olhar o futuro com renovada esperan&ccedil;a. O Bispo de Viseu convidou igualmente os presentes a levarem na alma a contempla&ccedil;&atilde;o de Deus e a integra&ccedil;&atilde;o de tudo no seu lugar, ao jeito das Irm&atilde;s Concepcionistas. A finalizar, D. Jos&eacute; Alves prestou homenagem &agrave; equipa do CLEPUL pela f&eacute;, compet&ecirc;ncia e coragem que colocou neste projecto e noutros de arrojo semelhante. O Congresso encerrou-se com a entoa&ccedil;&atilde;o de louvor &laquo;Salve Regina&raquo; por todos os congressistas.<\/p>\n<p>17. As vertentes cultural e art&iacute;stica estiveram igualmente presentes durante o Congresso, atrav&eacute;s dos Coros Mozart de Viseu e F&oacute;rum M&uacute;sica de Lisboa, e da Banda de Investiga&ccedil;&atilde;o CLEPUL &laquo;Ai Deus e u &eacute;&raquo;. De destacar ainda a apresenta&ccedil;&atilde;o de um document&aacute;rio audiovisual sobre a OIC e o lan&ccedil;amento da obra monumental &laquo;Mosteiros e Conventos, Ordens e Congrega&ccedil;&otilde;es: 1000 anos de empreendedorismo cultural, religioso e art&iacute;stico em Portugal&raquo;, fruto da vontade extraordin&aacute;ria de um leque de jovens e competentes investigadores, liderados por Jos&eacute; Eduardo Franco. A homenagem a Jo&atilde;o Francisco Marques, um dos maiores vultos na Historiografia Religiosa em Portugal, constituiu ainda momento de relevo cultural.<\/p>\n<p>18. O Congresso encerra hoje, mas os dinamismos criativos aqui apresentados devem ser incentivados: olhar o passado, com rigor cient&iacute;fico e hist&oacute;rico, no regresso &agrave;s ra&iacute;zes e &agrave;s fontes de sentido perene; olhar o presente, na viv&ecirc;ncia dos carismas ao servi&ccedil;o da comunh&atilde;o e na procura da qualidade de vida contemplativa e da presen&ccedil;a significativa no mundo; olhar o futuro, com renovada esperan&ccedil;a, com paix&atilde;o e entusiasmo, que s&oacute; pode ser em Deus por intercess&atilde;o da Imaculada Concei&ccedil;&atilde;o. S&oacute; assim Santa Beatriz da Silva poder&aacute; ser verdadeiramente Estrela para Novos Rumos nas nossas vidas e institui&ccedil;&otilde;es, na Igreja e na sociedade.<\/p>\n<p><em>F&aacute;tima, 16 de Outubro de 2011<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. 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