{"id":53344,"date":"2011-10-14T11:56:53","date_gmt":"2011-10-14T11:56:53","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/10\/14\/intervencao-do-arcebispo-de-braga-na-sessao-solene-de-abertura-do-ano-academico-na-universidade-catolica\/"},"modified":"2011-10-14T11:56:53","modified_gmt":"2011-10-14T11:56:53","slug":"intervencao-do-arcebispo-de-braga-na-sessao-solene-de-abertura-do-ano-academico-na-universidade-catolica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/intervencao-do-arcebispo-de-braga-na-sessao-solene-de-abertura-do-ano-academico-na-universidade-catolica\/","title":{"rendered":"Interven\u00e7\u00e3o do arcebispo de Braga na sess\u00e3o solene de abertura do ano acad\u00e9mico na Universidade Cat\u00f3lica"},"content":{"rendered":"<p><strong>Interven&ccedil;&atilde;o do arcebispo de Braga na sess&atilde;o solene de abertura do ano acad&eacute;mico na Universidade Cat&oacute;lica<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<strong>Contributo para uma nova s&iacute;ntese humanista <\/strong><\/p>\n<p>A abertura solene dum novo Ano Acad&eacute;mico pode significar rotina dum programa a cumprir com abordagens de pormenores que, necessariamente, implicam alguma novidade nos conte&uacute;dos.<\/p>\n<p>Penso, por&eacute;m, que a rotina n&atilde;o pode dominar-nos e o tempo atual com a situa&ccedil;&atilde;o que o caracteriza obriga-nos a sublinhar que, dum modo sempre renovado e ousado, importa repensar o quotidiano duma Universidade, mergulhado em problemas como todas as outras, mas com uma responsabilidade espec&iacute;fica e peculiar pelo simples facto de ser Cat&oacute;lica.<\/p>\n<p>Para muitos, esta denomina&ccedil;&atilde;o significa estabilidade, rigor econ&oacute;mico e manuten&ccedil;&atilde;o de esquemas. Importa, por&eacute;m, reconhecer a for&ccedil;a din&acirc;mica duma f&eacute; que a orienta e que, necessariamente, deve incidir no mundo. E porqu&ecirc;? Porque a &ldquo;f&eacute; &eacute; o instinto da nossa a&ccedil;&atilde;o&rdquo;, como afirmava o poeta Fernando Pessoa.<\/p>\n<p>Posto isto, &eacute; natural sublinhar as dificuldades que a crise traz &agrave; Universidade Cat&oacute;lica. Mas n&atilde;o ser&aacute; tamb&eacute;m oportuno questionar-se sobre o que a Universidade Cat&oacute;lica pode oferecer &agrave; crise?<\/p>\n<p>A globaliza&ccedil;&atilde;o dum desenvolvimento norteado, pela dimens&atilde;o econ&oacute;mica e tecnol&oacute;gica, n&atilde;o s&oacute; n&atilde;o conseguiu delinear e oferecer condi&ccedil;&otilde;es de dignidade de vida quanto fomentou ou gerou o &ldquo;esc&acirc;ndalo das graves disparidades&rdquo; (P.P. Paulo VI). Os resultados s&atilde;o evidentes, ficando apenas na promessa dum mundo melhor e as car&ecirc;ncias do essencial n&atilde;o s&oacute; diminu&iacute;ram mas aumentaram. (1)<\/p>\n<p>O Papa Bento XVI usa palavras duras para afirmar que chegamos a uma sociedade de morte (2), onde variad&iacute;ssimos aspetos da vida humana o confirmam. Da&iacute; que seja natural que o Papa sublinhe a urg&ecirc;ncia de realizar &ldquo;uma nova s&iacute;ntese humanista&rdquo; (CV 21) que ele mesmo especifica: &ldquo;A caridade e a verdade colocam diante de n&oacute;s um compromisso in&eacute;dito e criativo, sem d&uacute;vida muito vasto e complexo. Trata-se de dilatar a raz&atilde;o e torn&aacute;-la capaz de conhecer e orientar estas novas e imponentes&nbsp;din&acirc;micas, animando-as na perspetiva daquela <em>civiliza&ccedil;&atilde;o do amor<\/em>, cuja semente Deus colocou em todo o povo e cultura&rdquo; (CV 33).<\/p>\n<p>Ningu&eacute;m ignora a profundidade e atualidade da doutrina do Papa. Todos n&oacute;s nos admiramos e reconhecemos nela o caminho a percorrer. Todavia, sabemos tamb&eacute;m que, na comunica&ccedil;&atilde;o social e nos fazedores de opini&atilde;o, as suas reflex&otilde;es emergem como verdadeiros meteoritos passageiros, que apenas se vislumbram e imediatamente s&atilde;o colocados na prateleira da ignor&acirc;ncia ou marginaliza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>N&oacute;s deveriamos reconhecer que o Santo Padre nos confia uma tarefa, por sua vez, &aacute;rdua, imensa e exigente a n&iacute;vel individual e coletivo. Particularmente, uma tarefa que sup&otilde;e experi&ecirc;ncia e testemunho. O desenvolvimento t&atilde;o ansiado ser&aacute; humano se for integral e da&iacute; importa &ldquo;dilatar a raz&atilde;o&rdquo;, e fazer com que ela conhe&ccedil;a as imponentes din&acirc;micas da &ldquo;semente da caridade&rdquo; que Deus colocou no cora&ccedil;&atilde;o da cultura e do homem.<\/p>\n<p>A procura da verdade, num mundo alheio ao sentido da vida, s&oacute; se encontra no Deus-Amor que professamos e testemunhamos. &ldquo;Longe de Deus, o homem vive inquieto e est&aacute; mal&rdquo;, o que significa que &ldquo;al&eacute;m do crescimento material, o desenvolvimento deve incluir o espiritual, porque a pessoa humana &eacute; um ser uno, composto de alma e corpo, nascido do amor criador de Deus e destinado a viver eternamente&rdquo; (CV 76). &ldquo;N&atilde;o h&aacute; desenvolvimento pleno nem bem comum universal sem o bem espiritual e moral das pessoas, consideradas na sua totalidade de alma e corpo&rdquo; (ibidem).<\/p>\n<p>Seremos capazes de dar este contributo que parece simples, mas implica muita obsess&atilde;o e trabalho por este mundo que amamos? Isto n&atilde;o &eacute; tarefa de alguns ou de alguns momentos! Urge aplicar e suscitar apaixonados por esta s&iacute;ntese humanista.<\/p>\n<p>Posso parecer ing&eacute;nuo e repetitivo formulando essa pergunta, quase todos os anos. N&atilde;o terei mais nada a dizer ficando no meramente protocolar de ter que dizer alguma coisa?<\/p>\n<p>Creio colocar-me no essencial, que tamb&eacute;m me envolve e que assumo como contributo que quero dar, para que a Igreja e, neste caso, a Universidade Cat&oacute;lica, anunciadoras do Deus de Jesus Cristo, readquiram significado no meio desta indiferen&ccedil;a e desorienta&ccedil;&atilde;o global. As coisas in&oacute;cuas n&atilde;o me encantam. Da&iacute; a teimosia em questionar e insistir. A sociedade Portuguesa merece e necessita de quem aponte,<\/p>\n<p>te&oacute;rica e dinamicamente, caminhos novos. Braga precisa dum Centro Regional da Cat&oacute;lica para, como Igreja, estar presente neste mundo novo que tem de nascer.<\/p>\n<p>Por &uacute;ltimo, e respondendo &agrave; pergunta inicial sobre o que a Universidade Cat&oacute;lica pode oferecer &agrave; crise, considero que o seu contributo reside no seguinte: o pensar a crise a partir da vida humana, e n&atilde;o a vida humana a partir da crise. Pois s&oacute; assim &ldquo;&eacute; poss&iacute;vel construir uma sociedade renovada e resolver os complexos e graves problemas que a abalam.&rdquo; (3)<\/p>\n<p>Bom ano e bom trabalho! Que a &ldquo;s&iacute;ntese dum novo humanismo&rdquo;, marcadamente integral e nas pegadas de Cristo, mostre que vale a pena investir na Cat&oacute;lica!<\/p>\n<p>Faculdade de Filosofia &#8211; Braga, 11 de outubro de 2011<\/p>\n<p><em>D. Jorge Ortiga<\/em><\/p>\n<p><em>NOTAS:<\/em><\/p>\n<p>1 Cf. Jonathan Sacks,&nbsp;<em>A dignidade da diferen&ccedil;a. Como evitar o choque das civiliza&ccedil;&otilde;es<\/em>, 47.<\/p>\n<p>2 Cf. Bento XVI,&nbsp;<em>Caritas in Veritate<\/em>, 28-32.<\/p>\n<p>3 Jo&atilde;o Paulo II,&nbsp;<em>Veritatis Splendor<\/em>, 99.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Interven&ccedil;&atilde;o do arcebispo de Braga na sess&atilde;o solene de abertura do ano acad&eacute;mico na Universidade Cat&oacute;lica &nbsp;Contributo para uma nova s&iacute;ntese humanista A abertura solene dum novo Ano Acad&eacute;mico pode significar rotina dum programa a cumprir com abordagens de pormenores que, necessariamente, implicam alguma novidade nos conte&uacute;dos. Penso, por&eacute;m, que a rotina n&atilde;o pode dominar-nos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[120,172],"class_list":["post-53344","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-bento-xvi","tag-diocese-de-braga"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53344","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=53344"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53344\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=53344"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=53344"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=53344"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}