{"id":53288,"date":"2011-10-11T11:41:49","date_gmt":"2011-10-11T11:41:49","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/10\/11\/anunciar-no-tempo-das-perguntas\/"},"modified":"2011-10-11T11:41:49","modified_gmt":"2011-10-11T11:41:49","slug":"anunciar-no-tempo-das-perguntas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/anunciar-no-tempo-das-perguntas\/","title":{"rendered":"Anunciar no tempo das perguntas"},"content":{"rendered":"<p>Alexandre Cruz <!--more--> <\/p>\n<p>Mais que de grandes respostas pr&eacute;-elaboradas, s&atilde;o as grandes perguntas que motivam caminhadas, despertam ide&aacute;rios e robustecem o empreendimento comunit&aacute;rio. A &eacute;poca de forma&ccedil;&atilde;o por excel&ecirc;ncia, como os temos e espa&ccedil;os das academias, s&atilde;o hoje lugar onde todas as grandes quest&otilde;es do nosso tempo dever&atilde;o ser relan&ccedil;adas numa l&oacute;gica universalista.<\/p>\n<p><span>&Eacute; neste campo da universalidade do conhecimento humano aberto a todas as possibilidades &#8211; e mesmo sabiamente ao infinito &#8211; e no consagrado servi&ccedil;o &agrave; pessoa humana que as estruturas encontram o seu sentido porque se abrem &agrave;s pessoas e &agrave;s suas realidades de modo acolhedor, permitindo o encontro gratificante e servi&ccedil;al, como acontece em tantas localidades e cidades onde igrejas e universidades s&atilde;o capazes de gerar projeto de parceria potenciador do melhor bem comum.<\/span><\/p>\n<p><span>Propuseram-nos como reflex&atilde;o<em> a participa&ccedil;&atilde;o das universidades na Igreja<\/em>, tema este que mostra a pertin&ecirc;ncia do ir e vir de di&aacute;logo, onde nos perguntamos sobre o que estamos predispostos a aprender autenticamente uns dos outros para convergirmos na liberdade e no respeito por cada espa&ccedil;o em torno de ideais e descobertas maiores, em intera&ccedil;&atilde;o com estudantes, docentes, funcion&aacute;rios, comunidades.<\/span><\/p>\n<p><span>Dizia generosamente o soci&oacute;logo e fil&oacute;sofo Theodor Adorno, da Escola de Frankfurt, que &#8220;todo o pensamento que n&atilde;o se deixa decapitar resulta em transcend&ecirc;ncia&#8221;. A participa&ccedil;&atilde;o das universidades, tem&aacute;tica que nos norteia, &eacute;, assim, desperta para a capacita&ccedil;&atilde;o de n&atilde;o se deixar truncar, do cultural ao cient&iacute;fico, n&atilde;o perdendo de vista as finalidades dignificantes e humanit&aacute;rias do pr&oacute;prio conhecimento. Mas para haver encontro aut&ecirc;ntico e fecundidade dialogal, a pr&oacute;pria estrutura eclesial ter&aacute; de ser perme&aacute;vel &agrave;s perguntas da ci&ecirc;ncia e da cultura, enraizando-se em aliciante fundamenta&ccedil;&atilde;o que navegando pela <em>intelig&ecirc;ncia emocional<\/em> saiba seduzir ao <em>mist&eacute;rio<\/em>.<\/span><\/p>\n<p><span>Talvez importe em todos uma nova focagem no essencial: mais que viver alavancado na mem&oacute;ria (ela &eacute; um pilar humano essencial), na tradi&ccedil;&atilde;o (ela alimenta comunidades), ou das conquistas cient&iacute;ficas admir&aacute;veis (que seriamos n&oacute;s todos sem elas?), tanto das universidades como das igrejas as comunidades esperam e confiam que sejam motores a favor do pensamento (&eacute; gr&aacute;tis pensar!) e do melhor desenvolvimento humano e responsabilizante de todos, procurando derrubar o individualismo e indiferentismo alienantes.<\/span><\/p>\n<p><span>Ser&aacute; preciso sublinhar que a ci&ecirc;ncia das universidades n&atilde;o &eacute; fria, que as igrejas n&atilde;o s&atilde;o s&oacute; emo&ccedil;&atilde;o e que na sua raiz est&aacute; inscrita a razoabilidade da f&eacute;, que a investiga&ccedil;&atilde;o implica um arriscar repleto de esperan&ccedil;a que ultrapassa a l&oacute;gica quantitativa e que quanto mais longe vai o nobre e humilde cientista (e sempre aluno) na sua descoberta mais se sentir&aacute; fascinado por leis t&atilde;o superiormente inscritas na mat&eacute;ria f&iacute;sica. Ou seja, estamos bem mais pr&oacute;ximos do que a raz&atilde;o humana muitas vezes pensa.<\/span><\/p>\n<p><span>O <em>tempo <\/em>&eacute; que pode ser a vari&aacute;vel diferenciadora como representando o modo de estar diante do <em>novo<\/em>. Se a investiga&ccedil;&atilde;o e ensino nas universidades procuram o conhecimento ansiando pelo futuro (n&atilde;o devendo negligenciar as fronteiras da &eacute;tica), j&aacute; as igrejas podem pela <em>prud&ecirc;ncia <\/em>&#8211; que quando em excesso pode representar seguran&ccedil;a que rejeita o <em>profetismo <\/em>&#8211; deitar a perder o poder de antecipa&ccedil;&atilde;o que a sabedoria inspirada poderia oferecer, por exemplo, nas diferen&ccedil;as de servi&ccedil;os eclesiais devido a quest&otilde;es de g&eacute;nero humano ou a efetiva nova linguagem sobre a f&eacute; que soubesse &agrave; imagem dos fundadores estabelecer adequadas atualidades e contemporaneidades. N&atilde;o &eacute; linear a mat&eacute;ria, pois por vezes o que parece novo &eacute; velho e vice-versa, e o pr&oacute;prio receio de &#8220;errar&#8221; pode aconselhar o <em>deixar estar<\/em>.<\/span><\/p>\n<p><span>No tempo atual, em que as institui&ccedil;&otilde;es s&atilde;o grandemente interpeladas &agrave; sua pr&oacute;pria significatividade hist&oacute;rica, as universidades e igrejas no servi&ccedil;o &agrave;s comunidades locais, nacionais e internacionais, t&ecirc;m valores civilizacionais inalien&aacute;veis como urgentes a preservar e anunciar. Ter&aacute; chegado o fim das dicotomias (<em>ou, ou<\/em>), estamos no tempo das converg&ecirc;ncias salvadoras. Como refletia o crente cientista Theilhard de Chardin, <em>tudo o que sobre converge<\/em>: somos sempre poucos para elevar a dignidade da pessoa humana para maiores e melhores des&iacute;gnios pelo pensamento cr&iacute;tico construtivo, social, ecum&eacute;nico, c&iacute;vico, &eacute;tico e cidad&acirc;nico. As comunidades precisam destes est&iacute;mulos das principais estruturas educacionais, na sua diversidade, como o s&atilde;o as igrejas e as universidades.<\/span><\/p>\n<p><em><span>Alexandre Cruz, provedor do estudante da Universidade de Aveiro<\/span><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alexandre Cruz<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[170],"class_list":["post-53288","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-diocese-de-aveiro"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53288","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=53288"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53288\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=53288"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=53288"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=53288"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}