{"id":53286,"date":"2011-10-11T11:36:03","date_gmt":"2011-10-11T11:36:03","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/10\/11\/porto-solidariedade-na-pastoral-universitaria\/"},"modified":"2011-10-11T11:36:03","modified_gmt":"2011-10-11T11:36:03","slug":"porto-solidariedade-na-pastoral-universitaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/porto-solidariedade-na-pastoral-universitaria\/","title":{"rendered":"Porto: Solidariedade na Pastoral Universit\u00e1ria"},"content":{"rendered":"<p>Pe. Ant\u00f3nio Bacelar <!--more--> <\/p>\n<p>Eram tempos diferentes, tamb&eacute;m no meio acad&eacute;mico, aqueles do in&iacute;cio da d&eacute;cada de &rsquo;90. Mas nem por isso isentos de dificuldades, ao n&iacute;vel da pr&oacute;pria subsist&ecirc;ncia de tantos estudantes. Uma certa imers&atilde;o nesses ambientes &ndash; pela miss&atilde;o que me tinha sido confiada de, ent&atilde;o a tempo inteiro, &ldquo;promover, dinamizar e coordenar a Pastoral Universit&aacute;ria&rdquo;, na Diocese do Porto &ndash; depressa mas tinha feito conhecer.<\/p>\n<p>Eram sobretudo (mas n&atilde;o exclusivamente) estudantes naturais dos Pa&iacute;ses Africanos de L&iacute;ngua Oficial Portuguesa. Muitos vindos de l&aacute; diretamente, tantos outros de pa&iacute;ses do antigo &ldquo;Bloco de Leste&rdquo; ora, respetivamente, para iniciar estudos universit&aacute;rios, ora para os concluir e obter um grau acad&eacute;mico &ldquo;ocidental&rdquo;. Tinham na maior parte das vezes uma qualquer <em>bolsa de estudo<\/em> mas cujo direito depressa se perdia face a uma reprova&ccedil;&atilde;o que as enormes mudan&ccedil;as culturais, lingu&iacute;sticas, afetivas e familiares, clim&aacute;ticas, do pr&oacute;prio percurso escolar&hellip; tornavam mais do que prov&aacute;vel, dando in&iacute;cio, depois, a quase intermin&aacute;veis ciclos de insucesso (por exemplo trabalhar para sobreviver mas como o trabalho n&atilde;o conseguir estudar).&nbsp;<\/p>\n<p>Mas n&atilde;o tardaram tamb&eacute;m a aparecer casos de estudantes portugueses (e mais tarde de outros pa&iacute;ses europeus participantes nos programas <em>Erasmus<\/em>) surpreendidos, sobretudo, por circunst&acirc;ncias imprevistas a que os respetivos servi&ccedil;os tinham alguma dificuldade em dar resposta c&eacute;lere.<\/p>\n<p>Num primeiro impulso a tenta&ccedil;&atilde;o era a mesma dos disc&iacute;pulos de Jesus: mand&aacute;-los &agrave;s <em>aldeias vizinhas&hellip;<\/em> aos respetivos servi&ccedil;os e, porventura, denunciar injusti&ccedil;as, sil&ecirc;ncios, lentid&otilde;es&hellip; Mas aquele <em>dai-lhe v&oacute;s de comer <\/em>continuava a ecoar. Eram tamb&eacute;m escassos os <em>cinco p&atilde;es e dois peixes <\/em>(algumas primeiras ofertas, sobretudo de professores) mas n&atilde;o era v&aacute;lida ainda a promessa do <em>dai e dar-se-vos-&aacute;<\/em>? &ndash; pergunt&aacute;mo-nos.<\/p>\n<p>E assim, na <em>Celebra&ccedil;&atilde;o de In&iacute;cio de Ano <\/em>de 1992<em>,<\/em> nasceu o <em>Fundo de Solidariedade da Pastoral Universit&aacute;ria<\/em>. Tornou-se imperativo elaborar um pequeno regulamento que assegurasse crit&eacute;rios de justi&ccedil;a e equidade na atribui&ccedil;&atilde;o das ajudas, definindo tamb&eacute;m o &ldquo;campo&rdquo; de forma a tornar sempre poss&iacute;vel a resposta. Eram (e s&atilde;o) eleg&iacute;veis os casos de emerg&ecirc;ncia de estudantes, ent&atilde;o de licenciatura (agora de mestrado integrado) do Ensino Superior, independentemente da origem e desde que a estudar na &aacute;rea da Diocese do Porto. Mas a esta (e a algumas outras regras) decidimos juntar algumas outras mais diretamente inspiradas em crit&eacute;rios evang&eacute;licos: a sustenta&ccedil;&atilde;o do Fundo a partir da Provid&ecirc;ncia; o c&aacute;lculo de cada ajuda segundo a necessidade e, sempre que necess&aacute;rio, com um plano de normaliza&ccedil;&atilde;o da pr&oacute;pria situa&ccedil;&atilde;o; a resposta a cada pedido encontrada sempre pelo menos por duas pessoas do Secretariado (em ordem a melhor exprimir a sabedoria da comunh&atilde;o).<\/p>\n<p>Com natural e progressivo crescimento, bem como com diversifica&ccedil;&atilde;o de caracter&iacute;sticas (a que n&atilde;o tem sido alheios o grande aumento das propinas, no ensino p&uacute;blico, e a sedu&ccedil;&atilde;o conseguida por tantas institui&ccedil;&otilde;es de ensino privado) s&atilde;o agora mais de sete centenas os casos ajudados em todos estes anos (com mais de 200 mil euros). A gratid&atilde;o experimentada por este percurso vem n&atilde;o s&oacute; da recorda&ccedil;&atilde;o de tantos pequenos grandes milagres, quer no percurso de tantos estudantes e na sustenta&ccedil;&atilde;o do pr&oacute;prio <em>Fundo, <\/em>quer ainda na verdadeira <em>escola <\/em>em que o <em>Fundo <\/em>se tornou para quantos se foram empenhando (ou simplesmente aproximando) da Pastoral Universit&aacute;ria no Porto.<\/p>\n<p>Pudemos (podemos) de facto aprender, na pr&aacute;tica, que o amor concreto para com cada um pode ir mesmo para al&eacute;m da medida das nossas possibilidades, para ter antes a medida das necessidades de quem &eacute; socorrido. Sobretudo quando, j&aacute; por duas vezes, nos vimos for&ccedil;ados a suspender o Fundo por declarada &ldquo;fal&ecirc;ncia&rdquo;, n&atilde;o faltou a resposta da <em>provid&ecirc;ncia divina<\/em> (de uma ou outra oferta totalmente inesperada) que nos faz pensar que o verdadeiro Amor &eacute; muito mais obra do seu autor do que destes seus instrumentos. E esse Autor n&atilde;o tem deixado de nos inspirar quer na multiplica&ccedil;&atilde;o e diversifica&ccedil;&atilde;o de esfor&ccedil;os de ajuda muito para al&eacute;m daqueles monet&aacute;rios (contactos com outras entidades, regulariza&ccedil;&otilde;es de situa&ccedil;&otilde;es, explica&ccedil;&otilde;es por volunt&aacute;rios, partilha de roupas e alimentos&hellip;) quer tamb&eacute;m na fantasia com que o mesmo fundo vai sendo alimentado n&atilde;o s&oacute; com ofertas individuais e de pequenos grupos mas com receitas provenientes das mais diversas iniciativas.<\/p>\n<p>E se nos &eacute; permitido um balan&ccedil;o, ao fim de todos estes anos, podemos verificar que mais do que um qualquer &ldquo;ap&ecirc;ndice&rdquo; na Pastoral Universit&aacute;ria no Porto, o seu <em>Fundo de Solidariedade <\/em>&eacute; um cont&iacute;nuo desafio e fonte de inspira&ccedil;&atilde;o n&atilde;o s&oacute; por aquilo que diretamente opera mas tamb&eacute;m por quanto inspira e exprime como partilha e circula&ccedil;&atilde;o de bens de toda a esp&eacute;cie (tamb&eacute;m e sobretudo aqueles humanos e culturais) e constru&ccedil;&atilde;o da pr&oacute;pria comunidade acad&eacute;mica como &ldquo;comunidade de professores e alunos em busca da Verdade&rdquo;.<\/p>\n<p><em>Padre Ant&oacute;nio Bacelar, diretor do Secretariado Diocesano da Pastoral Universit&aacute;ria do Porto<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pe. Ant\u00f3nio Bacelar<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[187,283,314],"class_list":["post-53286","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-diocese-do-porto","tag-pastoral-universitaria","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53286","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=53286"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53286\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=53286"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=53286"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=53286"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}