{"id":53252,"date":"2011-10-09T16:39:00","date_gmt":"2011-10-09T16:39:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/10\/09\/homilia-do-cardeal-patriarca-de-lisboa-no-encerramento-do-encontro-diocesano-das-familias-por-ocasiao-do-jubileu-sacerdotal\/"},"modified":"2011-10-09T16:39:00","modified_gmt":"2011-10-09T16:39:00","slug":"homilia-do-cardeal-patriarca-de-lisboa-no-encerramento-do-encontro-diocesano-das-familias-por-ocasiao-do-jubileu-sacerdotal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-cardeal-patriarca-de-lisboa-no-encerramento-do-encontro-diocesano-das-familias-por-ocasiao-do-jubileu-sacerdotal\/","title":{"rendered":"Homilia do cardeal-patriarca de Lisboa no encerramento do Encontro Diocesano das Fam\u00edlias, por ocasi\u00e3o do jubileu sacerdotal"},"content":{"rendered":"<p><strong>&ldquo;O Banquete est&aacute; preparado&rdquo;<\/strong><\/p>\n<p>1. A salva&ccedil;&atilde;o &eacute; uma festa, porque &eacute; experi&ecirc;ncia de alegria vivida com Deus em comunidade. Na tradi&ccedil;&atilde;o b&iacute;blica esta festa da salva&ccedil;&atilde;o aparece frequentemente ligada ao banquete. A Ceia Pascal era para os crentes do Antigo Testamento a ocasi&atilde;o de fazer festa e sentir a alegria da salva&ccedil;&atilde;o, porque Deus salvou o seu Povo. A fam&iacute;lia reunida, comendo o cordeiro pascal, ouvia essa hist&oacute;ria maravilhosa do amor de Deus pelo seu Povo. Isa&iacute;as ao anunciar que Deus continua a salvar anuncia um grande banquete que reunir&aacute; no Monte Si&atilde;o todos aqueles que, vindo de todos os povos, quiseram vir &agrave; festa da salva&ccedil;&atilde;o. Jesus inaugura a sua miss&atilde;o p&uacute;blica num banquete nupcial, a festa das n&uacute;pcias, onde, ao transformar a &aacute;gua em vinho, inaugura o vinho novo, a dimens&atilde;o definitiva da festa, ligada &agrave; sua P&aacute;scoa, o verdadeiro vinho novo para a festa definitiva, que a Igreja, o verdadeiro Montei Si&atilde;o, celebra na Eucaristia, saboreando, desde j&aacute;, a festa das n&uacute;pcias do Cordeiro. Nesse dia do Banquete das N&uacute;pcias, &ldquo;o Senhor enxugar&aacute; as l&aacute;grimas de todas as faces e far&aacute; desaparecer da terra inteira o opr&oacute;brio que pesa sobre o seu Povo&rdquo; (Is. 25,8). E o Profeta acrescenta que tudo isso acontecer&aacute; &ldquo;porque o Senhor falou&rdquo;. A Palavra de Deus est&aacute; no centro da festa das n&uacute;pcias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>2. Esta afirma&ccedil;&atilde;o do Profeta convida-nos a meditar sobre a centralidade da Palavra de Deus e a fam&iacute;lia crist&atilde; como viv&ecirc;ncia do sacramento do matrim&oacute;nio. F&aacute;-lo-emos guiados pela Exorta&ccedil;&atilde;o Apost&oacute;lica &ldquo;Verbum Domini&rdquo; (cf. n&ordm; 85). Come&ccedil;a por afirmar que &ldquo;com o an&uacute;ncio da Palavra de Deus, a Igreja revela &agrave; fam&iacute;lia crist&atilde; a sua verdadeira identidade, o que ela &eacute; e deve ser segundo o des&iacute;gnio do Senhor&rdquo;. Portanto, s&oacute; escutando a Palavra de Deus, a fam&iacute;lia crist&atilde; vai percebendo a beleza da sua especificidade. N&atilde;o basta casar na Igreja; a pr&oacute;pria prepara&ccedil;&atilde;o do casamento crist&atilde;o tem de ser feita na escuta da Palavra, que deve acompanhar os esposos crist&atilde;os na viv&ecirc;ncia da fidelidade, no sentido do seu amor como experi&ecirc;ncia de caridade, na colabora&ccedil;&atilde;o &iacute;ntima com Deus, autor e Senhor da vida, na fecundidade e no respeito sagrado pela vida. O matrim&oacute;nio &eacute; um longo caminho, guiado pela Palavra, que s&oacute; terminar&aacute; quando, na Casa do Pai, tiverem a alegria de perceber que as suas n&uacute;pcias foram a inaugura&ccedil;&atilde;o das n&uacute;pcias eternas, as n&uacute;pcias do Cordeiro com a Igreja, sua esposa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>3. A Palavra de Deus revela, desde o in&iacute;cio, o mist&eacute;rio das n&uacute;pcias humanas, express&atilde;o criada da &iacute;ntima comunh&atilde;o entre as Pessoas divinas: &ldquo;Deus criou o homem &agrave; Sua imagem, &agrave; imagem de Deus Ele o criou; e criou-os homem e mulher. Deus aben&ccedil;oou-os e disse-lhes: sede fecundos&rdquo; (Gen. 1,27-28). &ldquo;Por isso um homem deixa seu pai e sua m&atilde;e e une-se &agrave; sua mulher e os dois tornam-se uma s&oacute; carne&rdquo; (Gen. 2,24).<\/p>\n<p>Sem anular a sua diferen&ccedil;a, serem um s&oacute;, na comunh&atilde;o de amor; &eacute; isso a imagem de Deus Uno e Trino. Neste serem um s&oacute;, na totalidade do seu ser, corpo e esp&iacute;rito, os esposos realizam o des&iacute;gnio de Deus. Devido &agrave; fragilidade do pecado, s&oacute; em Cristo o casal crist&atilde;o retoma a possibilidade de serem um s&oacute;. Cristo torna-se, assim, o protagonista principal do amor conjugal crist&atilde;o e deu &agrave; pr&oacute;pria express&atilde;o da natureza a for&ccedil;a de ser sinal sacramental. A Exorta&ccedil;&atilde;o Apost&oacute;lica afirma: &ldquo;na celebra&ccedil;&atilde;o sacramental, o homem e a mulher pronunciam uma palavra prof&eacute;tica de doa&ccedil;&atilde;o rec&iacute;proca: ser uma s&oacute; carne, sinal do mist&eacute;rio da uni&atilde;o de Cristo e da Igreja&rdquo;. Porque &eacute; em Cristo que encontram a for&ccedil;a para viverem plenamente a voca&ccedil;&atilde;o impressa na natureza, cada casal crist&atilde;o anuncia esse mist&eacute;rio da uni&atilde;o de Cristo com a Igreja. A Carta aos Ef&eacute;sios &eacute; clara: &ldquo;Por isso o homem deixar&aacute; seu pai e sua m&atilde;e e une-se &agrave; sua mulher, e os dois ser&atilde;o uma s&oacute; carne. Este mist&eacute;rio &eacute; grande: eu refiro-me a Cristo e &agrave; Igreja&rdquo; (Efes. 4, 31).<\/p>\n<p>Cada casal crist&atilde;o torna-se, assim, na viv&ecirc;ncia da sua comunh&atilde;o conjugal, um an&uacute;ncio de Jesus Cristo e do seu amor &agrave; Igreja, que ama como uma esposa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>4. Segundo a &ldquo;Verbum Domini&rdquo;, a Palavra de Deus &eacute; luz de discernimento para os casais crist&atilde;os interpretarem a realidade concreta, do casal e da sociedade e sua interfer&ecirc;ncia inevit&aacute;vel na fam&iacute;lia. Este aspeto &eacute; particularmente importante numa sociedade que se afastou de uma vis&atilde;o crist&atilde; da vida e n&atilde;o hesita em afastar-se da verdade da natureza, fruto da cria&ccedil;&atilde;o de Deus. S&oacute; a Palavra de Deus pode guiar os esposos crist&atilde;os no discernimento dos problemas e dificuldades segundo o des&iacute;gnio de Deus. Citemos a Exorta&ccedil;&atilde;o Apost&oacute;lica: &ldquo;A fidelidade &agrave; Palavra de Deus leva tamb&eacute;m a evidenciar que hoje esta institui&ccedil;&atilde;o encontra-se, em muitos aspetos, sujeita a ataques pela mentalidade corrente. Perante a difundida desordem dos sentimentos e o despontar de modos de pensar que banalizam o corpo humano e a diferen&ccedil;a sexual, a Palavra de Deus reafirma a bondade origin&aacute;ria do ser humano, criado como homem e mulher e chamado ao amor fiel, rec&iacute;proco e fecundo&rdquo;.<\/p>\n<p>Esta centralidade da Palavra deve orientar os pais na educa&ccedil;&atilde;o dos seus filhos. &ldquo;Do grande mist&eacute;rio nupcial deriva uma imprescind&iacute;vel responsabilidade dos pais em rela&ccedil;&atilde;o aos seus filhos. De facto, pertence &agrave; aut&ecirc;ntica paternidade e maternidade a comunica&ccedil;&atilde;o e o testemunho do sentido da vida em Cristo: atrav&eacute;s da fidelidade e unidade da vida familiar, os esposos s&atilde;o, para os seus filhos, os primeiros anunciadores da Palavra de Deus&rdquo;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>5. &Eacute; tamb&eacute;m &agrave; luz da Palavra de Deus que o homem e a mulher percebem a sua diferen&ccedil;a, na unidade, segundo o des&iacute;gnio de Deus. A Exorta&ccedil;&atilde;o Apost&oacute;lica acentua a import&acirc;ncia da Palavra de Deus para se descobrir a riqueza e a especificidade da mulher: a sua particular capacidade de escutar, a cada momento, a Palavra do Senhor e de a acolher num amor intenso. Ser m&atilde;e, ser esposa, ser mulher na Igreja, sublinha-a como aquela que d&aacute; prioridade ao amor, a ser, como o Esp&iacute;rito Santo, uma &ldquo;explos&atilde;o de amor&rdquo;.<\/p>\n<p>Termino com uma afirma&ccedil;&atilde;o da &ldquo;<em>Verbum Domini<\/em>&rdquo;: &ldquo;os esposos lembrem-se de que a Palavra de Deus &eacute; um amparo precioso inclusive nas dificuldades da vida conjugal e familiar&rdquo;. Portanto n&atilde;o haver&aacute; aut&ecirc;ntica pastoral familiar se n&atilde;o for centrada nesta escuta cont&iacute;nua da Palavra de Deus.<\/p>\n<p>O banquete est&aacute; preparado, mas os convidados n&atilde;o quiseram vir. O banquete das n&uacute;pcias que vos espera &eacute; o das n&uacute;pcias do Cordeiro. Somos todos convidados, por ele aspiramos todos os que seguimos Cristo. Somos todos convidados; mas &eacute; preciso vestir a veste nupcial que &eacute; a convers&atilde;o do cora&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><em>Escola Salesiana do Estoril, 9 de outubro de 2011 <\/em><\/p>\n<p><em>D. Jos&eacute; Policarpo, Cardeal-Patriarca<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&ldquo;O Banquete est&aacute; preparado&rdquo; 1. A salva&ccedil;&atilde;o &eacute; uma festa, porque &eacute; experi&ecirc;ncia de alegria vivida com Deus em comunidade. Na tradi&ccedil;&atilde;o b&iacute;blica esta festa da salva&ccedil;&atilde;o aparece frequentemente ligada ao banquete. A Ceia Pascal era para os crentes do Antigo Testamento a ocasi&atilde;o de fazer festa e sentir a alegria da salva&ccedil;&atilde;o, porque Deus [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[206],"class_list":["post-53252","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-familia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53252","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=53252"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53252\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=53252"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=53252"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=53252"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}