{"id":53221,"date":"2011-10-06T11:12:46","date_gmt":"2011-10-06T11:12:46","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/10\/06\/apresentacao-da-obra-arquivo-secreto-do-vaticano-expansao-portuguesa-d-manuel-clemente\/"},"modified":"2011-10-06T11:12:46","modified_gmt":"2011-10-06T11:12:46","slug":"apresentacao-da-obra-arquivo-secreto-do-vaticano-expansao-portuguesa-d-manuel-clemente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/apresentacao-da-obra-arquivo-secreto-do-vaticano-expansao-portuguesa-d-manuel-clemente\/","title":{"rendered":"Apresenta\u00e7\u00e3o da obra \u00abArquivo Secreto do Vaticano. Expans\u00e3o portuguesa\u00bb &#8211; D. Manuel Clemente"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<table border=\"0\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td valign=\"top\">\n<p>A obra que agora nos &eacute; facultada reveste-se do maior interesse e   oportunidade. Interesse derivado da tem&aacute;tica e da qualidade rara da oferta;   oportunidade advinda da grande procura de fontes sobre um setor indispens&aacute;vel   da nossa hist&oacute;ria moderna e contempor&acirc;nea.<\/p>\n<p>N&atilde;o transcrevendo os documentos, os autores d&atilde;o-nos a s&iacute;ntese de cada um,   com a respetiva refer&ecirc;ncia de arquivo. &Eacute; assim poss&iacute;vel ao investigador saber   de antem&atilde;o o que existe e onde est&aacute;, no grande acervo vaticano, poupando   tempo e divisando tamb&eacute;m a s&eacute;rie e o conjunto. S&oacute; por isto, o contributo da   presente edi&ccedil;&atilde;o j&aacute; &eacute; muito grande.<\/p>\n<p>Pode parecer limitada a gama de assuntos desta documenta&ccedil;&atilde;o. Na verdade,   referem-se &agrave; vida e interesses duma Nunciatura, naquilo em que superintendia   e no que por ela passava. Relat&oacute;rios de bispos, dispensas matrimoniais,   contactos com o Estado, nomea&ccedil;&otilde;es de prelados, miss&otilde;es ultramarinas&hellip; Mas   algum cansa&ccedil;o da leitura ser&aacute; logo obviado, se olharmos estes resumos   documentais como o que eles principalmente s&atilde;o, quais ind&iacute;cios seguros da   vida da Igreja nas ilhas e na costa de &Aacute;frica, como ela se processou em   tempos decisivos. E a esta luz, a leitura torna-se interessant&iacute;ssima, pelo   muito que nos deixa entrever.<\/p>\n<p>Na sua cl&aacute;ssica e ainda prestimosa&nbsp;<em>Hist&oacute;ria   eclesi&aacute;stica de Portugal<\/em>&nbsp;(&uacute;ltima edi&ccedil;&atilde;o: Lisboa,   Europa-Am&eacute;rica, 1994), Miguel de Oliveira n&atilde;o hesitou em escrever: &ldquo;Por   meados do s&eacute;c. XVII, os soberanos tornam-se absolutos [&hellip;]. O papa &eacute;   geralmente posto &agrave; margem dos c&aacute;lculos da pol&iacute;tica. A sua a&ccedil;&atilde;o sobre o clero,   cuidadosamente vigiada pelos governos, torna-se long&iacute;nqua. O absolutismo   reduz a Igreja a fun&ccedil;&otilde;es meramente decorativas. Mandam os reis no respetivo   clero nacional, disp&otilde;em os benef&iacute;cios e fomentam as doutrinas regalistas e   estatistas, em detrimento da autoridade pontif&iacute;cia&rdquo; (p. 193).<\/p>\n<p>Sem invalidar totalmente tais considera&ccedil;&otilde;es, a historiografia subsequente   tem-nas matizado muito, evidenciando tens&otilde;es internas na Igreja e no Estado e   muitas coincid&ecirc;ncias de agentes pol&iacute;ticos e eclesiais, que n&atilde;o permitem   sobrevalorizar tanto a um nem relativizar tanto a outra, nem consider&aacute;-los   est&aacute;ticos e facilmente defin&iacute;veis do s&eacute;culo XVII ao Liberalismo. No entanto,   a iniciativa da Coroa em v&aacute;rios aspetos da vida interna da Igreja, da   nomea&ccedil;&atilde;o dos prelados ao exerc&iacute;cio e defesa do padroado, s&atilde;o bem vis&iacute;veis na   documenta&ccedil;&atilde;o agora apresentada, real&ccedil;ando-se muito no conjunto. O mesmo se   diga de outros pontos do trecho de Miguel de Oliveira, como o das &ldquo;fun&ccedil;&otilde;es   decorativas&rdquo; que o catolicismo podia manter&hellip;<\/p>\n<p>Mas 1820 abre o liberalismo portugu&ecirc;s, que Miguel de Oliveira caracteriza   assim, no que ao catolicismo em geral se refere: &ldquo;A primeira [fase] decorre   at&eacute; 1870 (perda dos Estados pontif&iacute;cios e queda do Imp&eacute;rio em Fran&ccedil;a). &Eacute; em   nome da liberdade que se travam todas as batalhas, no campo pol&iacute;tico,   econ&oacute;mico e doutrinal [&hellip;]. Nada &eacute; est&aacute;vel, porque tudo depende da alternativa   dos governos, cada um dos quais tem o seu conceito de liberdade. No entanto,   a situa&ccedil;&atilde;o da Igreja s&oacute; externamente pode parecer inferior &agrave; do per&iacute;odo   absolutista. Internamente, a Igreja revigora-se. Surge um movimento de rea&ccedil;&atilde;o   que leva os cat&oacute;licos mais eminentes pelo saber a contribu&iacute;rem com seus   escritos para a defesa e propaga&ccedil;&atilde;o da F&eacute;. [&hellip;] Desde 1870, desenvolve-se a   fase do laicismo. Apesar de todos os males, as Constitui&ccedil;&otilde;es liberais dos   antigos pa&iacute;ses cat&oacute;licos consideravam o Catolicismo &lsquo;religi&atilde;o do Estado&rsquo;. Os   advers&aacute;rios da Igreja esfor&ccedil;avam-se por abolir esse &lsquo;odioso privil&eacute;gio&rsquo;. [&hellip;]   O que pretendem &eacute; expulsar a Igreja da vida p&uacute;blica, eliminar toda a ideia   religiosa e construir uma sociedade nova completamente secularizada &ndash; a   sociedade laica&rdquo; (p. 225).<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m aqui, relativizando algumas observa&ccedil;&otilde;es, temos de valorizar certos   pontos. &Eacute; verdade, por exemplo, que o primeiro liberalismo manteve o car&aacute;ter   oficial do catolicismo portugu&ecirc;s e &eacute; verdade que o republicanismo se lhe   op&ocirc;s. &Eacute; verdade que o movimento cat&oacute;lico portugu&ecirc;s, do s&eacute;culo XIX para o XX,   aumentou o protagonismo laical, que teve outra presen&ccedil;a na sociedade e na   pr&oacute;pria Igreja e que esta, sendo a mesma, teve de se posicionar doutro modo   na rela&ccedil;&atilde;o com o Estado&hellip;<\/p>\n<p>Mas, se evoco estes t&oacute;picos do mais cl&aacute;ssico e divulgado dos nossos   manuais de hist&oacute;ria da Igreja, &eacute; porque, ao ler as mais de mil p&aacute;ginas do 1&ordm;   volume da obra agora apresentada, me lembrei repetidamente deles e os vi de   algum modo evidenciados nos resumos documentais. Passo a ilustr&aacute;-lo, nalguns   casos que valem por muitos mais:<\/p>\n<p>No documento 39, p&aacute;gina 49, de 29 de setembro de 1813, D. Joaquim Menezes   de Ata&iacute;de, Vig&aacute;rio Apost&oacute;lico do Funchal, informa que &ldquo;suspendera a visita   pastoral por motivos de sa&uacute;de, mas mesmo assim crismara quase sete mil   pessoas, confessara e dera tamb&eacute;m a comunh&atilde;o&rdquo;. At&eacute; aqui, nada que um prelado   zeloso e &ldquo;tridentino&rdquo; n&atilde;o pudesse e devesse fazer, nas ilhas ou no   continente. Mas, logo a seguir e sete anos antes da revolu&ccedil;&atilde;o liberal, o   prelado j&aacute; nos d&aacute; outras notas, doutro tempo que chegava: &ldquo;Refere apreciar a religiosidade   das pessoas do campo em oposi&ccedil;&atilde;o &agrave; cidade, onde diz que residem os libertinos   e os ma&ccedil;ons&rdquo;.<\/p>\n<p>A terminologia &eacute; quase estereotipada, depois da Revolu&ccedil;&atilde;o Francesa.   Por&eacute;m, mesmo sendo uma generalidade, j&aacute; indicia alguma coisa&hellip; Ali&aacute;s, talvez   sete anos antes, em carta dirigida ao N&uacute;ncio por um Franciscano (documento   1131, p&aacute;gina 285), j&aacute; se acusavam &ldquo;Frei Jos&eacute; Pestana e Frei Jo&atilde;o Nepomuceno   de terem um comportamento desp&oacute;tico e serem inimigos da religi&atilde;o, por serem   ma&ccedil;ons&rdquo;. Um problema interno &agrave; Igreja, portanto&hellip;<\/p>\n<p>Dissens&otilde;es internas &ndash; reais ou alegadas &ndash; que, em v&eacute;speras do nosso   liberalismo, podiam ir ainda mais longe, at&eacute; &agrave; pr&oacute;pria apostasia, como parece   ser o caso relatado no documento 1259, p&aacute;gina 313, uma carta de Jo&atilde;o Jos&eacute; da   Cunha Ferraz ao Delegado Apost&oacute;lico em Lisboa, datada de 30 de julho de 1819,   em Angra (A&ccedil;ores). O autor &ldquo;refere o seu desgosto em ver um portugu&ecirc;s oriundo   do continente recusar receber os sacramentos e confessar-se na hora da morte,   apesar de ser intimado de que n&atilde;o teria sepultura eclesi&aacute;stica&rdquo;.<\/p>\n<p>Tempos menos un&iacute;vocos, aqueles, interrompendo aqui e ali a cad&ecirc;ncia   documental agora editada. Vinte e cinco anos depois, j&aacute; se trata de   concorr&ecirc;ncia confessional propriamente dita, como no documento 1495, p&aacute;gina   367, um rascunho de of&iacute;cio do Intern&uacute;ncio ao Bispo do Funchal, de 27 de   agosto de 1844, em que &ldquo;o autor manifesta tristeza com os relatos do Prelado   [D. Jos&eacute; Xavier de Cerveira e Sousa] sobre o estado da sua Diocese, que se   debatia com falta de sacerdotes para obstarem ao progresso da propaganda   protestante [de Roberto Kalley]&rdquo;.<\/p>\n<p>Quatro anos depois, o documento 1509, p&aacute;gina 370-371, abre-nos o pano   sobre outra zona e circunst&acirc;ncia, de problem&aacute;tica persistente ao longo do   s&eacute;culo. Trata-se de Angola, cuja implanta&ccedil;&atilde;o eclesial era e seria incipiente,   bem como atribulada pela suspeita governamental em rela&ccedil;&atilde;o a mission&aacute;rios   estrangeiros. Em of&iacute;cio do Cardeal Soglia Ceroni para o Intern&uacute;ncio em   Lisboa, de 18 de julho de 1848, o purpurado &ldquo;menciona a vac&acirc;ncia da igreja de   Angola [&hellip;] e o quadro desolador da Diocese, que sendo vast&iacute;ssima n&atilde;o tinha   mais do que nove sacerdotes [&hellip;], faltando doutrina e havendo corrup&ccedil;&atilde;o de   costumes, tentando-se instalar uma miss&atilde;o de Padres Capuchinhos   [estrangeiros] naquela Diocese. N&atilde;o podendo permitir por mais tempo a   vac&acirc;ncia da Diocese, o Santo Padre pediu &agrave; Rainha de Portugal que   apresentasse o mais r&aacute;pido poss&iacute;vel um eclesi&aacute;stico id&oacute;neo e digno para   ocupar aquela sede vacante&rdquo;.<\/p>\n<p>Tocava-se aqui num ponto melindroso, como era o da indica&ccedil;&atilde;o governamental   de nomes para o episcopado. O cardeal requeria algu&eacute;m &ldquo;id&oacute;neo e digno&rdquo;, mas   como se definiam tais apelativos? No ano seguinte, o documento 1525, p&aacute;gina   374, de 5 de abril de 1849 &ndash; depois da guerra civil da Patuleia e no fim do   cabralismo -, d&aacute;-nos um crit&eacute;rio poss&iacute;vel, pela pena do c&oacute;nego lisboeta   Manuel Jos&eacute; Fernandes Cicouro, &ldquo;informando [o Intern&uacute;ncio] ser o Chantre e   Vig&aacute;rio Capitular de Bragan&ccedil;a, Manuel Martins Manso [apresentado para a   Diocese do Funchal], uma pessoa de comportamento regular e irrepreens&iacute;vel,   n&atilde;o se envolvendo com partidos pol&iacute;ticos nem com lutas pelo poder&rdquo;.<\/p>\n<p>Por vezes surgem ind&iacute;cios de que aquelas &ldquo;fun&ccedil;&otilde;es meramente decorativas&rdquo;,   que Miguel de Oliveira atribu&iacute;a &agrave; Igreja no per&iacute;odo anterior, podiam   permanecer em meados de oitocentos. O documento 1674, p&aacute;gina 403-404, resume   um of&iacute;cio de D. Joaquim Moreira Reis, Bispo Eleito de Angola ao Intern&uacute;ncio,   de 17 de julho de 1850, &ldquo;pelo qual remetia um requerimento apresentado pelos   C&oacute;negos de Luanda [&hellip;] em que solicitavam autoriza&ccedil;&atilde;o do uso do roquete,   embora j&aacute; o praticassem h&aacute; bastante tempo&rdquo;. E o documento 1676, p&aacute;gina 404,   de 15 de julho de 1852 &eacute; um of&iacute;cio do Cardeal Lambruschini para o Intern&uacute;ncio   em Lisboa, &ldquo;concedendo ao Bispo de Angola autoriza&ccedil;&atilde;o para o uso de cinta e   meias aos C&oacute;negos da S&eacute; de Luanda&rdquo;.<\/p>\n<p>De tudo um pouco se pode entrever, lendo com aten&ccedil;&atilde;o este indispens&aacute;vel   volume. Seleciono apenas mais dois documentos, j&aacute; muito perto da implanta&ccedil;&atilde;o   da Rep&uacute;blica. O documento 4952, p&aacute;gina 1039, &eacute; um of&iacute;cio de Monsenhor Ant&oacute;nio   Maria Ferreira, Vig&aacute;rio Capitular de Angra, datado de 29 de junho de 1910 e   dirigido ao N&uacute;ncio, &ldquo;prevenindo-o para a eventual apresenta&ccedil;&atilde;o, por parte do   Governo, do De&atilde;o Jos&eacute; dos Reis Fisher para Bispo da Diocese de Angra&rdquo;. &ndash; E   por que o faz? &ldquo;Pelo facto de o De&atilde;o se recusar a seguir o movimento   nacionalista, ficando politicamente ligado ao Governo do Conselheiro Teixeira   de Sousa&rdquo;. Tudo muito significativo, tanto mais que, de seguida, sugere ao   N&uacute;ncio que consulte tr&ecirc;s jesu&iacute;tas do mesmo parecer&hellip; Eis como um documento   entre tantos revela uma delicada conjuntura, em que o catolicismo portugu&ecirc;s   estava longe de ser un&iacute;voco no fim da Monarquia. Por um lado, os que   defendiam que toda a for&ccedil;a cat&oacute;lica devia apoiar o Partido Nacionalista, opositor   do &uacute;ltimo governo de D. Manuel II: assim pensavam o subscritor e os seus   amigos jesu&iacute;tas. Por outro, os eclesi&aacute;sticos ou leigos que tinham outros   posicionamentos, como era o caso de Reis Fisher e tantos mais, distinguindo a   causa cat&oacute;lica da nacionalista.<\/p>\n<p>Mas a complexidade cat&oacute;lica da altura revela-se noutros pontos, que   afloram na documenta&ccedil;&atilde;o agora dispon&iacute;vel. E um deles, da maior relev&acirc;ncia, &eacute;   o protagonismo laical, que podia ser de primeira plana e determinante at&eacute;. &Eacute;   o caso do Conde de Samod&atilde;es, reconhecido l&iacute;der do movimento cat&oacute;lico,   presen&ccedil;a constante na vida eclesial portuguesa por d&eacute;cadas inteiras. O   documento 5199, p&aacute;gina 1082, &eacute; uma carta do Conde de Samod&atilde;es ao N&uacute;ncio, de 5   de setembro de 1907, &ldquo;comunicando o pedido do C&oacute;nego [Jos&eacute; Alves] Correia da   Silva para que lhe escrevesse de modo a n&atilde;o apoiar a sua nomea&ccedil;&atilde;o para Bispo   de [Angola e Congo]&rdquo;. Pois bem: o documento seguinte &eacute; outra carta do mesmo   Conde, de 4 de dezembro seguinte, agradecendo ao N&uacute;ncio &ldquo;o facto de n&atilde;o ter   insistido para o C&oacute;nego [Jos&eacute; Alves] Correia da Silva aceitar a Mitra de   Angola e Congo, tendo em conta os muitos e bons servi&ccedil;os que fazia na Diocese   do Porto&rdquo;.<\/p>\n<p>Em suma: analisada atentamente, esta preciosa documenta&ccedil;&atilde;o evidencia ao   leitor um dinamismo eclesial bem maior e mais complexo do que se repararia   sem ela. Por isso agradecemos vivamente a quantos a organizaram e agora a   oferecem &agrave; historiografia e &agrave; cultura.<\/p>\n<p><em>D. Manuel Clemente<\/em>, Reitoria da Universidade de Lisboa, 3 de outubro   de 2011<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; A obra que agora nos &eacute; facultada reveste-se do maior interesse e oportunidade. Interesse derivado da tem&aacute;tica e da qualidade rara da oferta; oportunidade advinda da grande procura de fontes sobre um setor indispens&aacute;vel da nossa hist&oacute;ria moderna e contempor&acirc;nea. 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