{"id":53202,"date":"2011-10-04T11:57:29","date_gmt":"2011-10-04T11:57:29","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/10\/04\/o-monopolio-da-palavra\/"},"modified":"2011-10-04T11:57:29","modified_gmt":"2011-10-04T11:57:29","slug":"o-monopolio-da-palavra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-monopolio-da-palavra\/","title":{"rendered":"O monop\u00f3lio da palavra"},"content":{"rendered":"<p>Para abrir os olhos temos de fechar mais os ouvidos. <!--more--> <\/p>\n<p align=\"justify\">Est&aacute; dito e redito que estamos em crise. Ditas e analisadas est&atilde;o causas e consequ&ecirc;ncias. At&eacute; &agrave; exaust&atilde;o. Como agir, avan&ccedil;ar, ultrapassar, parece mat&eacute;ria menos &oacute;bvia. N&uacute;meros, c&aacute;lculos, hip&oacute;teses, tamb&eacute;m abundam. Horizontes nebulosos, dados sobre todas as mesas parecem n&atilde;o faltar. Muitas das explica&ccedil;&otilde;es, todavia, n&atilde;o passam de conversa de adivinhos que se querem fazer passar por cientistas. H&aacute;, em consequ&ecirc;ncia, abundantes palavras simplesmente in&uacute;teis. Nem palavras s&atilde;o. Apenas desabafos.<\/p>\n<p align=\"justify\">Mas neste todo a palavra ganha uma din&acirc;mica e uma responsabilidade decisivas. A palavra que se diz, que se grita, que se escreve e se ilustra com imagem. Palavra do cidad&atilde;o an&oacute;nimo que est&aacute; nos pequenos palcos de cada casa, cada empresa e at&eacute; cada esquina. Palavras sobre tudo e sobre nada, explos&otilde;es de vencedores e vencidos, governados e governantes, humilhados e ofendidos, escondidos, novos soberanos da economia, da finan&ccedil;a, da explora&ccedil;&atilde;o. Mas tamb&eacute;m a palavra de homens e mulheres justos que n&atilde;o encontram sa&iacute;das para os novos becos que a cada esquina se montam, sem se saber bem quem os desenhou na vida de tanta gente.<\/p>\n<p align=\"justify\">H&aacute; um anonimato refinado por detr&aacute;s de muitas decis&otilde;es que est&atilde;o a abalar o nosso mundo. Estreitados aqui, pensamos que aqui come&ccedil;a e acaba o mundo. Quase n&atilde;o se fala dos pa&iacute;ses em car&ecirc;ncia total, dos refugiados da guerra e da fome, das crian&ccedil;as que morrem de subnutri&ccedil;&atilde;o, dos sobressaltos que acontecem em &Aacute;frica, Am&eacute;rica Latina ou &Aacute;sia.<\/p>\n<p align=\"justify\">Para abrir os olhos temos de fechar mais os ouvidos. A infla&ccedil;&atilde;o da palavra e da opini&atilde;o pode minar esperan&ccedil;as e desnortear b&uacute;ssolas. Vagueia na incontin&ecirc;ncia verbal de t&eacute;cnicos, especialistas, professores, religiosos, vedetas, vips, governantes, profissionais de poder e oposi&ccedil;&atilde;o, cr&iacute;ticos embebidos em vinagre. H&aacute; senten&ccedil;as a mais sobre cada acontecimento e cada mat&eacute;ria. Sem pensar no povo que somos, que anda perdido nas suas solid&otilde;es com tantos saberes, senten&ccedil;as, dogmas e previs&otilde;es. Tudo constru&iacute;do sobre a areia movedi&ccedil;a da opini&atilde;o ocasional, da vaidade que n&atilde;o se permite arrumar-se atr&aacute;s do pano. A torrente de palavras n&atilde;o &eacute; a express&atilde;o plural dum pa&iacute;s que procura caminhos. &Eacute; uma sinfonia dissonante de quem n&atilde;o pensa no que diz e diz tudo o que mal chegou a pensar. E chega-se a alguma ditadura da palavra com o desrespeito por quem n&atilde;o se consegue fazer ouvir. N&atilde;o se pede a ningu&eacute;m que ponha ordem nisto. Mas pede-se e exige-se que seja respeitado quem escuta tanta palavra sem poder sequer replicar de forma a tamb&eacute;m se fazer ouvir.<\/p>\n<p align=\"justify\"><em>Ant&oacute;nio Rego<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para abrir os olhos temos de fechar mais os ouvidos.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[191,291],"class_list":["post-53202","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-editorial","tag-economia","tag-refugiados"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53202","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=53202"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53202\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=53202"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=53202"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=53202"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}