{"id":53195,"date":"2011-10-04T10:41:40","date_gmt":"2011-10-04T10:41:40","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/10\/04\/economia-portuguesa-uma-economia-com-futuro\/"},"modified":"2011-10-04T10:41:40","modified_gmt":"2011-10-04T10:41:40","slug":"economia-portuguesa-uma-economia-com-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/economia-portuguesa-uma-economia-com-futuro\/","title":{"rendered":"Economia portuguesa: uma economia com futuro"},"content":{"rendered":"<p align=\"justify\">1. Realizou-se em Lisboa, no passado dia 30 de setembro, uma confer&ecirc;ncia com o tema em ep&iacute;grafe, que reuniu centenas de participantes.<\/p>\n<p align=\"justify\">A Confer&ecirc;ncia foi promovida pela rede <strong>Economia com Futuro<\/strong> &#8211; um conjunto de investigadores e professores de economia e de outras ci&ecirc;ncias sociais pertencentes a distintas Universidades que se prop&otilde;em contribuir para a renova&ccedil;&atilde;o do pensamento e do discurso econ&oacute;micos e sua aplica&ccedil;&atilde;o ao conhecimento sobre a economia portuguesa e os seus problemas.<\/p>\n<p align=\"justify\">Prescindindo do esperado ponto de interroga&ccedil;&atilde;o no final do tema da confer&ecirc;ncia, os seus promotores quiseram deixar claro o seu pensamento de que a economia portuguesa &ndash; e com ela a sociedade &#8211; n&atilde;o est&aacute; condenada &agrave; estagna&ccedil;&atilde;o e ao empobrecimento de muitos, nem &agrave; desigualdade crescente, pesem embora as dificuldades e perplexidades do momento presente e o temor com que, com raz&atilde;o, s&atilde;o encarados os impactos das medidas de austeridade em curso.<\/p>\n<p align=\"justify\">Como se dizia na abertura da Confer&ecirc;ncia &#8211; e cito as palavras do Prof. Jos&eacute; Castro Caldas, coordenador da Comiss&atilde;o permanente da Rede &#8220;Economia com futuro&#8221;:<\/p>\n<p><em> <\/p>\n<p align=\"justify\">Na nossa diversidade, incumbe-nos hoje, e nos dias que se seguir&atilde;o, procurar respostas para a pergunta que paira nesta sala: &#8220;Como &eacute; que vamos sair disto?&#8221;.<\/p>\n<p align=\"justify\">1 &#8211; Como &eacute; que vamos sair de uma trajet&oacute;ria de recess&atilde;o induzida pela austeridade que, podendo reduzir a base fiscal mais do que o antecipado em cen&aacute;rios irrealistas, nos levaria, de &lsquo;derrapagem&rsquo; em &lsquo;derrapagem&rsquo;, como na Gr&eacute;cia, &agrave; descoberta permanente de desvios colossais e &agrave; sujei&ccedil;&atilde;o a novas e infind&aacute;veis exig&ecirc;ncias dos credores?<\/p>\n<p align=\"justify\">2 &#8211; Como &eacute; que vamos evitar, no imediato, a cat&aacute;strofe social iminente decorrente de um desemprego crescente e n&atilde;o apoiado, num contexto de aus&ecirc;ncia de crescimento?<\/p>\n<p align=\"justify\">3 &#8211; Como &eacute; que vamos afirmar, perante quem decide na UE, a nossa recusa da via punitiva para a redu&ccedil;&atilde;o do d&eacute;fice e da d&iacute;vida e a nossa rejei&ccedil;&atilde;o de uma configura&ccedil;&atilde;o institucional do Euro que serve alguns e n&atilde;o todos os seus membros?<\/p>\n<p align=\"justify\">4 &#8211; Como &eacute; que vamos desenvolver formas de a&ccedil;&atilde;o coletiva, de associa&ccedil;&atilde;o, de solidariedade e de iniciativa econ&oacute;mica capazes de dar resposta &agrave;s necessidades mais prementes?<\/p>\n<p align=\"justify\">5 &#8211; Como &eacute; que vamos construir caminhos para a Economia do Futuro &#8211; uma economia menos desigual, menos prec&aacute;ria, mais solid&aacute;ria e mais sustent&aacute;vel ambiental e socialmente &#8211; para l&aacute; da situa&ccedil;&atilde;o de emerg&ecirc;ncia em que nos encontramos hoje?<\/p>\n<p> <\/em><\/p>\n<p align=\"justify\">&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\">2. Sabemos que estas interroga&ccedil;&otilde;es n&atilde;o encontrar&atilde;o resposta dentro do para-digma que subjaz &agrave; teoria e &agrave; pol&iacute;tica econ&oacute;mica dominantes, mas poder&atilde;o encontr&aacute;-la numa ci&ecirc;ncia econ&oacute;mica renovada que atente aos fins &uacute;ltimos da economia e aceite a complementaridade de outras disciplinas, uma ci&ecirc;ncia que recoloque no centro do seu objeto o bem-estar e a qualidade de vida das pessoas e o bem comum.<\/p>\n<p align=\"justify\">Conceitos como <em>Alian&ccedil;a<\/em>, <em>Promessa<\/em>, <em>Fronteira<\/em>, evocados por Elena Lasida, Professora da Facult&eacute; des Sciences Sociales et &Eacute;conomiques do Institut Catholique de Paris, deixaram pistas interessantes para alimentar uma nova vis&atilde;o da raciona-lidade econ&oacute;mica que v&aacute; para al&eacute;m do mero contrato ou do comportamento ego&iacute;sta e hedonista do agente econ&oacute;mico e outros falsos pressupostos em que assenta a teoria convencional.<\/p>\n<p align=\"justify\">Respondendo &agrave; quest&atilde;o &#8220;Economia para quem? Economia para qu&ecirc;?, Elena Lasida introduziu da melhor forma a tem&aacute;tica desta confer&ecirc;ncia, interpelando a assist&ecirc;ncia a n&atilde;o se conformar com um debate em torno da mera bondade dos meios antes de se questionar acerca dos fins por eles visados. E, quanto a estes, lembrou que, em sua opini&atilde;o, a economia serve para <em>&#8220;criar rela&ccedil;&otilde;es que fa&ccedil;am com que cada pessoa possa sentir que ocupa um lugar na sociedade e que tem algo original e &uacute;nico para contribuir para um projeto de vida em comum&#8221;.<\/em><\/p>\n<p align=\"justify\">3. No decurso da confer&ecirc;ncia, o debate desenrolou-se em tr&ecirc;s dimens&otilde;es: Portugal no Mundo; Portugal na Europa e Portugal por dentro. &Eacute; que, se n&atilde;o podemos ignorar que a economia portuguesa tem de ser pensada e constru&iacute;da necessariamente num contexto mundial e no quadro da Uni&atilde;o Europeia e das suas institui&ccedil;&otilde;es, h&aacute;, no entanto, especificidades &ndash; limita&ccedil;&otilde;es, recursos e desafios &ndash; que n&atilde;o devemos ignorar e subestimar.<\/p>\n<p align=\"justify\">A crise revela que se v&ecirc;m acumulando e agravando as disfuncionalidades do sistema vigente, como est&aacute; patente na progressiva degrada&ccedil;&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es de vida e de trabalho por parte de largos estratos de popula&ccedil;&atilde;o, no desemprego massivo, na ineg&aacute;vel insustentabilidade ambiental, na maior desigualdade e elevada concentra&ccedil;&atilde;o de riqueza, etc., disfun&ccedil;&otilde;es estas que constituem s&eacute;ria amea&ccedil;a para a pr&oacute;pria democracia e para a paz.<\/p>\n<p align=\"justify\">Se n&atilde;o quisermos correr o risco de um tremendo retrocesso civilizacional e de ver emergirem s&eacute;rios conflitos sociais, teremos, pois, de avan&ccedil;ar, com urg&ecirc;ncia, pelo caminho da democratiza&ccedil;&atilde;o da economia, encontrando meios de enquadrar e conter o poder, hoje quase absoluto, do dinheiro e do lucro na condu&ccedil;&atilde;o da economia.<\/p>\n<p align=\"justify\">O maior perigo que nos espreita &eacute; a obsess&atilde;o coletiva com os equil&iacute;brios financeiros e as medidas de austeridade que nos est&atilde;o a ser impostas, a ponto de paralisar toda e qualquer iniciativa no &acirc;mbito da promo&ccedil;&atilde;o de uma estrat&eacute;gia de desenvolvimento da nossa economia real, que se traduza em mais e mais eficiente produ&ccedil;&atilde;o e na valoriza&ccedil;&atilde;o dos nossos recursos, incluindo os recursos humanos desempregados, e na melhoria das condi&ccedil;&otilde;es de vida dos cidad&atilde;os.<\/p>\n<p align=\"justify\">Mais do que visar um mero crescimento econ&oacute;mico a qualquer custo, importa criar condi&ccedil;&otilde;es que melhorem, efeti-vamente, a qualidade de vida das pessoas no territ&oacute;rio em que vivem, e com a sua respetiva participa&ccedil;&atilde;o e responsa-biliza&ccedil;&atilde;o. &Eacute; este o verdadeiro desenvolvimento e fim da economia e &eacute;, por isso, de toda a urg&ecirc;ncia colocar esta quest&atilde;o na agenda pol&iacute;tica, do governo e das oposi&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p align=\"justify\">Esperam os organizadores desta confer&ecirc;ncia que ela seja o esbo&ccedil;o de um caminho para uma economia com futuro que a muitos convoque para um des&iacute;gnio comum de prosperidade, equidade e coes&atilde;o social a bem da democracia e da paz.<\/p>\n<p align=\"justify\">01 outubro 2010<\/p>\n<p align=\"justify\"><em>Manuela Silva<br \/>Membro da Comiss&atilde;o permanente da rede &#8220;Economia com futuro&#8221;<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. 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