{"id":53172,"date":"2011-10-02T18:00:00","date_gmt":"2011-10-02T18:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/10\/02\/homilia-de-d-jose-policarpo-na-ordenacao-episcopal-de-d-jose-cordeiro\/"},"modified":"2011-10-02T18:00:00","modified_gmt":"2011-10-02T18:00:00","slug":"homilia-de-d-jose-policarpo-na-ordenacao-episcopal-de-d-jose-cordeiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-de-d-jose-policarpo-na-ordenacao-episcopal-de-d-jose-cordeiro\/","title":{"rendered":"Homilia de D. Jos\u00e9 Policarpo na ordena\u00e7\u00e3o episcopal de D. Jos\u00e9 Cordeiro"},"content":{"rendered":"<p>\u00abVai, toma conta da minha Vinha\u00bb <!--more--> <\/p>\n<p>1. Tanto o Profeta Isa&iacute;as como o evangelista S&atilde;o Mateus comparam o Povo de Deus a uma vinha cuidada com ternura pelo seu dono, que dela espera frutos dignos desse cuidado. &ldquo;A vinha do Senhor &eacute; a Casa de Israel e os homens de Jud&aacute; s&atilde;o a planta&ccedil;&atilde;o escolhida&rdquo; (Is. 5,6-7).<\/p>\n<p>A vinha do Senhor &eacute; a sua Igreja, o novo Povo de Deus, fruto fecundo e inesperado do sacrif&iacute;cio do seu pr&oacute;prio Filho, porque &ldquo;a pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular&rdquo; (Mt. 21,42).<\/p>\n<p>Em ambos os textos se mostra uma certa desilus&atilde;o do Senhor pela sua vinha: n&atilde;o deu os frutos que Ele esperava e que a sua solicitude tornava poss&iacute;veis. Deu uvas azedas, e aqueles a quem Ele entregara o cuidado da vinha, maltratam os seus enviados e mataram o seu pr&oacute;prio Filho.<\/p>\n<p>A vinha do Senhor sois v&oacute;s, Igreja de Bragan&ccedil;a-Miranda. Hoje, dia em que o Senhor vos envia mais um mensageiro, um sucessor dos Ap&oacute;stolos de Jesus, deveis perguntar-vos: que espera de n&oacute;s, o Senhor? A resposta &eacute;-nos dada pelo Ap&oacute;stolo S&atilde;o Paulo na sua Carta &agrave; Igreja de Filipos: &ldquo;Tudo o que &eacute; verdadeiro e nobre, tudo o que &eacute; justo e puro, tudo o que &eacute; am&aacute;vel e de boa reputa&ccedil;&atilde;o, tudo o que &eacute; virtude e digno de louvor, &eacute; o que deveis ter no pensamento&rdquo; (Fil. 4,8). A resposta &eacute;, pois, simples e clara: espera de v&oacute;s uma Igreja santa, a Santa Igreja de Deus.<\/p>\n<p>2. &Eacute;, tamb&eacute;m, compreens&iacute;vel que aquele que o Senhor hoje vos envia se pergunte: que quer o Senhor, o dono da vinha, que eu fa&ccedil;a, por esta sua vinha? Ele n&atilde;o pode esquecer que &eacute; enviado a cuidar da vinha, para que ela d&ecirc; os frutos que o Senhor espera, mas n&atilde;o pode igualmente esquecer que tamb&eacute;m ele faz parte da vinha. A beleza dos frutos que o Senhor espera da sua Igreja t&ecirc;m de resplandecer, antes de mais, na vida do seu pastor, para quem ousadia do Ap&oacute;stolo Paulo constitui um desafio: &ldquo;O que aprendestes, recebestes, ouvistes e vistes em Mim &eacute; o que deveis praticar. E o Deus da Paz estar&aacute; convosco&rdquo; (Fil. 4,9).<\/p>\n<p>O Bispo &eacute; um dom de Deus &agrave; Igreja. Sucessor dos Ap&oacute;stolos de Jesus, ele garante a plenitude do sacerd&oacute;cio apost&oacute;lico, express&atilde;o sacramental de Cristo, fonte da reden&ccedil;&atilde;o. Sem esta fonte permanente, a jorrar rios de &aacute;gua viva, a Igreja nunca ser&aacute; o Reino de Deus. Ela transformar-se-&aacute; naquela vinha que desilude o seu propriet&aacute;rio, incapaz de produzir os frutos que Ele esperava.<\/p>\n<p>A Igreja enquanto povo santo e caminho de santidade &eacute; um mist&eacute;rio de gra&ccedil;a, isto &eacute;, fruto da ac&ccedil;&atilde;o continuada e transformadora do Esp&iacute;rito de Cristo ressuscitado. E por vontade do pr&oacute;prio Cristo, esta fecundidade exprime-se de um modo particular na gra&ccedil;a sacramental do sacerd&oacute;cio apost&oacute;lico.<\/p>\n<p>O minist&eacute;rio do Bispo &eacute;, pois, decisivo para a autenticidade da Igreja. Ele exprime a gra&ccedil;a redentora pela ac&ccedil;&atilde;o sacramental de que ele &eacute;, na Igreja, o ministro primeiro. Mas o pr&oacute;prio Bispo &eacute; tamb&eacute;m chamado a exprimir esta mesma gra&ccedil;a redentora na sua vida pessoal, toda ela marcada pela exig&ecirc;ncia do minist&eacute;rio, e que encontra a sua principal express&atilde;o na solicitude pelo crescimento da Igreja.<\/p>\n<p>Esta solicitude &eacute; express&atilde;o do amor de Cristo pela Igreja, &eacute; aquela ternura pela vinha do Senhor, cuidando dela para que d&ecirc; fruto. Esta solicitude atinge toda a nossa vida de Bispos: &eacute; zelo, preocupa&ccedil;&atilde;o cont&iacute;nua, aten&ccedil;&atilde;o a cada pessoa, discernimento dos caminhos do Reino de Deus em cada circunst&acirc;ncia da hist&oacute;ria. &Eacute; den&uacute;ncia de todas as rotinas, &eacute; atitude do profeta que se transforma em sentinela.<\/p>\n<p>Mas a vinha do Senhor est&aacute;, hoje, plantada em toda a terra. A solicitude do cora&ccedil;&atilde;o do Bispo n&atilde;o pode dirigir-se apenas a uma parte da vinha. Membro do Col&eacute;gio Apost&oacute;lico, o Bispo n&atilde;o pode deixar de ter no seu cora&ccedil;&atilde;o a solicitude por todas as Igrejas, fruto da comunh&atilde;o com os seus irm&atilde;os Bispos do mundo inteiro. O minist&eacute;rio do Bispo &eacute; for&ccedil;a de comunh&atilde;o, de abertura mission&aacute;ria, o seu cora&ccedil;&atilde;o apost&oacute;lico &eacute; chamado a ter as dimens&otilde;es do cora&ccedil;&atilde;o de Cristo.<\/p>\n<p>Desde os primeiros s&eacute;culos, quando era ordenado um novo Bispo, a presen&ccedil;a do maior n&uacute;mero poss&iacute;vel de Bispos na sua ordena&ccedil;&atilde;o era garantia de que aquele Bispo que lhe era enviado, estava em comunh&atilde;o com o Sucessor de Pedro e com todo o Col&eacute;gio Apost&oacute;lico: n&atilde;o era nem herege, nem cism&aacute;tico; professava a mesma f&eacute; e guardava no seu cora&ccedil;&atilde;o o desejo ardente de comunh&atilde;o com toda a Igreja. Hoje o pr&oacute;prio processo de nomea&ccedil;&atilde;o de um Bispo, conduzido pelo Sucessor de Pedro, Cabe&ccedil;a do Col&eacute;gio Apost&oacute;lico, garante &agrave; Igreja a quem ele &eacute; enviado, a unidade na f&eacute; e no zelo por toda a vinha do Senhor.<\/p>\n<p>3. O Bispo partilha a solicitude pela Igreja a que &eacute; enviado com os presb&iacute;teros, aos quais, pela imposi&ccedil;&atilde;o das m&atilde;os, fez participantes do sacerd&oacute;cio apost&oacute;lico. Jesus entregou o mandato apost&oacute;lico, n&atilde;o a doze indiv&iacute;duos, mas a um Col&eacute;gio, isto &eacute;, a um corpo unido na caridade e na miss&atilde;o, participando todos da mesma solicitude pela vinha do Senhor. Por isso o Bispo vive o seu sacerd&oacute;cio, formando com os presb&iacute;teros um Col&eacute;gio, que age como um s&oacute;, unidos na solicitude pela Igreja particular: eles formam um presbit&eacute;rio, de que o Bispo &eacute; a cabe&ccedil;a e princ&iacute;pio da unidade.<\/p>\n<p>Os presb&iacute;teros de uma Diocese n&atilde;o s&atilde;o um conjunto de indiv&iacute;duos, porventura dedicados, cada um a fazer o melhor que pode, como acha. Eles s&atilde;o um corpo, agem como um &uacute;nico sujeito em tudo o que diz respeito &agrave; miss&atilde;o sacerdotal. Esta unidade do presbit&eacute;rio &eacute; o princ&iacute;pio da constru&ccedil;&atilde;o de uma Igreja comunh&atilde;o, comunidade de comunidades. Todos presidem &agrave; Eucaristia em comunh&atilde;o com Bispo e a&iacute; toda a Igreja se descobre como unidade, deixando de ser um conjunto de indiv&iacute;duos piedosos, para serem o Povo do Senhor, participando, com os seus Pastores, na edifica&ccedil;&atilde;o da Igreja como comunh&atilde;o na caridade, no ardor da miss&atilde;o, no testemunho do amor fraterno.<\/p>\n<p>Meu caro D. Jos&eacute; Cordeiro, a tua vida ganha hoje um sentido novo e definitivo. O Senhor diz-te hoje: vai, toma conta da minha vinha. N&atilde;o est&aacute;s sozinho, nunca o queiras fazer sozinho. Ama os teus presb&iacute;teros de modo a fazeres com eles a comunh&atilde;o que vos levar&aacute;, em un&iacute;ssono, a ter a mesma solicitude pela Igreja. Vive sempre unido, em comunh&atilde;o, aos teus irm&atilde;os Bispos, de cuja unidade o Santo Padre, Sucessor de Pedro, &eacute; um sinal forte e eficaz. A nossa presen&ccedil;a aqui &eacute; um sinal de que os teus irm&atilde;os Bispos partilham contigo a solicitude por esta querida Igreja de Bragan&ccedil;a-Miranda, que, apesar de ser a mais long&iacute;nqua no mapa de Portugal, n&atilde;o &eacute; a mais distante da nossa solicitude de pastores.<\/p>\n<p>Nestas belas paragens, a vinha do Senhor tem produzido &#8211; e h&aacute;-de continuar a produzir &#8211; belos frutos, com a do&ccedil;ura da santidade, que fazem a alegria do Dono da vinha.<\/p>\n<p><em>D. Jos&eacute; Policarpo, Cardeal-Patriarca de Lisboa<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00abVai, toma conta da minha Vinha\u00bb<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[161,168,172],"class_list":["post-53172","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-d-jose-policarpo","tag-diocese-da-guarda","tag-diocese-de-braga"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53172","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=53172"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53172\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=53172"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=53172"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=53172"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}