{"id":53116,"date":"2011-09-27T12:01:53","date_gmt":"2011-09-27T12:01:53","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/09\/27\/emrc-conquista-os-alunos-e-a-escola\/"},"modified":"2011-09-27T12:01:53","modified_gmt":"2011-09-27T12:01:53","slug":"emrc-conquista-os-alunos-e-a-escola","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/emrc-conquista-os-alunos-e-a-escola\/","title":{"rendered":"EMRC conquista os alunos e a escola"},"content":{"rendered":"<p>Marco Bernardino, 38 anos, licenciado em jornalismo e aluno de doutoramento em teologia, fala \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA do seu trabalho enquanto professor de Educa\u00e7\u00e3o Moral e Religiosa Cat\u00f3lica (EMRC), nem sempre facilitado mas compensador <!--more--> <\/p>\n<p>Marco Bernardino, 38 anos, licenciado em jornalismo e aluno de doutoramento em teologia, fala &agrave; Ag&ecirc;ncia ECCLESIA do seu trabalho enquanto professor de Educa&ccedil;&atilde;o Moral e Religiosa Cat&oacute;lica (EMRC), nem sempre facilitado mas compensador.&nbsp;O trajeto docente de 10 anos foi percorrido em escolas estatais at&eacute; setembro deste ano, quando come&ccedil;ou a dar aulas na escola Salesiana de Santo <em>Ant&oacute;nio<\/em> do Estoril, concelho de Cascais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ag&ecirc;ncia ECCLESIA (AE) &#8211; O que o atraiu nas aulas de EMRC?<\/em><\/p>\n<p><em>Marco Bernardino<\/em><em> (MB) &#8211;<\/em> Sempre gostei de estar e lidar com jovens. Era tamb&eacute;m um jovem na altura e considerei que as aulas eram uma maneira diferente e apelativa de falar de Jesus Cristo, de uma forma que fosse ao encontro das expectativas dos alunos e pudesse ajud&aacute;-los a descobrir a linguagem religiosa no mundo onde estamos, dando-lhes ferramentas para verem o seu quotidiano e em que medida Deus estava presente nele.<\/p>\n<p>Desde o in&iacute;cio encarei as aulas n&atilde;o como uma profiss&atilde;o mas como uma miss&atilde;o. Ter o mandato do bispo n&atilde;o &eacute; decisivo mas lembra-me que n&atilde;o estou c&aacute; por mim e sim pela Igreja. Mais do que a minha opini&atilde;o &eacute;-me pedido que transmita claramente o que a Igreja pensa. Isso sempre me encantou porque n&atilde;o &eacute; uma doutrina&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o &eacute; uma lavagem ao c&eacute;rebro, &eacute; dar ferramentas ao jovem para analisar o que est&aacute; &agrave; sua volta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Ser professor de EMRC implica testemunho de vida crist&atilde;?<\/em><\/p>\n<p><em>MB &#8211;<\/em> Sim, muito mais do que qualquer outro professor. Sempre dei aulas em escolas p&uacute;blicas, &agrave; exce&ccedil;&atilde;o deste ano. Mais do que os alunos, s&atilde;o os professores que analisam o comportamento &ndash; a atitude, o que se fala, como nos comportamos, como se acolhe a diferen&ccedil;a na escola &ndash; e nos olham como assertivos e conciliadores em determinadas situa&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>O professor de Moral tem de ter conhecimentos muito s&oacute;lidos mas tamb&eacute;m &laquo;jogo de cintura&raquo; para se adaptar &agrave;s situa&ccedil;&otilde;es, sem ultrapassar a sua miss&atilde;o e sem ferir ningu&eacute;m. Com os alunos isso &eacute; not&oacute;rio: se a vida n&atilde;o coincide com o que se mostra dentro da sala de aula, eles desligam.<\/p>\n<p>&Eacute; preciso ter uma s&oacute;lida doutrina para responder &agrave;s perguntas que os jovens colocam e senso de adapta&ccedil;&atilde;o &agrave;s situa&ccedil;&otilde;es, dando exemplos e n&atilde;o tendo medo de dialogar com os alunos sobre a minha pr&oacute;pria vida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Como &eacute; a rela&ccedil;&atilde;o entre si e os seus alunos?<\/em><\/p>\n<p><em>MB &#8211;<\/em> Tem sido muito boa. Pode haver antagonismo no in&iacute;cio, n&atilde;o contra o professor ou contra mim em particular, mas contra a disciplina. &Eacute; preciso conquist&aacute;-los. N&atilde;o com a minha pessoa mas com o que digo e fa&ccedil;o. No final do ano quase todos s&atilde;o meus amigos. A disciplina ajuda a criar um ambiente descontra&iacute;do e essa rela&ccedil;&atilde;o permite olhar para o professor n&atilde;o enquanto tal mas como algu&eacute;m mais velho e que ajuda a refletir sobre v&aacute;rias situa&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>J&aacute; tive confrontos e amea&ccedil;as mas nunca me atemorizei. Com o tempo ajudei-os a encontrar a f&oacute;rmula certa para estarem na sala de aula e respeitarem os colegas e o professor, mesmo em ambientes muito adversos.<\/p>\n<p>Se o professor se mostrar realmente interessado pelos alunos e pela sua vida &ndash; e os jovens e crian&ccedil;as pressentem isso muito rapidamente &ndash; cria-se um clima favor&aacute;vel a uma boa participa&ccedil;&atilde;o conjunta. Mesmo nos bairros mais desfavor&aacute;veis os alunos aderiram bem.<\/p>\n<p>Tive algumas dificuldades com a mat&eacute;ria em certos contextos culturais, onde o conte&uacute;do n&atilde;o diz nada aos alunos. Transmitir-lhes alguma coisa que seja importante e v&aacute; de encontro &agrave; sua vida &eacute; muito complicado, pois se n&atilde;o lhes interessa desligam e dispersam. Houve alturas que consegui e outras n&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Em EMRC h&aacute; problemas disciplinares?<\/em><\/p>\n<p><em>MB &#8211;<\/em> J&aacute; tive problemas com alguns alunos, mas a n&iacute;vel preventivo. Os jovens medem sempre o ponto at&eacute; onde podem ir. Quando fui aluno fazia o mesmo e enquanto professor estou alertado. Ao explicarmos as regras de forma clara, os alunos entendem que est&atilde;o a agir mal. Noutros o mau comportamento manifesta-se na sala de aula, normalmente porque t&ecirc;m problemas em casa de afirma&ccedil;&atilde;o ou autoafirma&ccedil;&atilde;o. A esses &eacute; preciso mostrar fronteiras firmes e decisivas para saberem at&eacute; onde podem ir.<\/p>\n<p>J&aacute; marquei faltas disciplinares, n&atilde;o&nbsp;para castigar mas para prevenir. Nas aulas seguintes foi tudo mais saud&aacute;vel. Resultou mas podia n&atilde;o ter resultado. Quando os alunos sentem que o professor est&aacute; a ser justo reconhecem o que fizeram mal.<\/p>\n<p>Mais do que transmitir uma ideia, nas aulas interessa que o aluno se sinta &agrave; vontade e que a turma n&atilde;o tenha escolhos que impe&ccedil;am o di&aacute;logo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; <\/em><em>Todos os alunos desta disciplina est&atilde;o de livre vontade nas aulas?<\/em><\/p>\n<p><em>MB &#8211;<\/em> Muitos est&atilde;o l&aacute; n&atilde;o por quererem mas porque os pais os inscreveram. &Eacute; mais uma hora, as aulas de EMRC s&atilde;o colocadas depois das restantes disciplinas ou acabam remetidas para o primeiro tempo, e assim dormem menos que os colegas; ou ent&atilde;o s&atilde;o &agrave; hora de almo&ccedil;o e t&ecirc;m de almo&ccedil;ar mais rapidamente. N&atilde;o &eacute; a disciplina em si mas o hor&aacute;rio nos extremos que torna a situa&ccedil;&atilde;o complicada.<\/p>\n<p>H&aacute; aqueles que querem mesmo; quando assim acontece &eacute; muito bom e obt&eacute;m-se uma atitude muito positiva para o professor e para a disciplina.<\/p>\n<p>E h&aacute; os alunos que se inscrevem porque com outro professor faziam viagens de estudo constantes. Nas minhas aulas relaciono as visitas com a mat&eacute;ria dada: por exemplo, se &eacute; sobre arte crist&atilde; vamos ao Museu de Arte Antiga; mas eles n&atilde;o gostam e preferem ir passear durante dois ou tr&ecirc;s dias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; H&aacute; temas que n&atilde;o est&atilde;o definidos no programa da disciplina?<\/em><\/p>\n<p><em>MB &#8211;<\/em> Sim, &eacute; &oacute;bvio. V&aacute;rias vezes os alunos perguntam-me por que &eacute; que os padres n&atilde;o podem casar. N&atilde;o posso dizer que isso n&atilde;o faz parte da mat&eacute;ria. J&aacute; sei que essa vai ser uma aula perdida &ndash; ou uma aula ganha porque vai ao encontro das suas quest&otilde;es e de outras que se levantam pelo meio. Essas, para mim, s&atilde;o as aulas mais agrad&aacute;veis.<\/p>\n<p>Ocasionalmente deixo frases no ar, normalmente pol&eacute;micas, e se eles questionam gera-se debate, o que &eacute; muito agrad&aacute;vel. N&atilde;o deixo passar, dou sempre resposta, contextualizando bem, com informa&ccedil;&otilde;es hist&oacute;ricas e espirituais, olhando para o presente. Gera-se di&aacute;logo, torna-se uma aula muito mais rica que eles recordam no futuro.<\/p>\n<p>Preparo as aulas e por vezes eles destroem o esquema. Mas &eacute; preciso saber ir ao seu encontro. O facto de o aluno se abrir numa sala, ter &agrave; vontade, no meio de outros colegas de turma, &eacute; uma riqueza humana muito grande, mas se o professor n&atilde;o tiver base doutrinal ou cient&iacute;fica onde se apoiar, fica descal&ccedil;o. Se mudar de assunto e quiser dar mat&eacute;ria, tamb&eacute;m n&atilde;o ficam contentes e desligam.<\/p>\n<p>Se s&atilde;o perguntas despropositadas, corta-se e remetem-se para o final da aula. Quando s&atilde;o quest&otilde;es bem colocadas ou algu&eacute;m partilha um problema e os outros ajudam &eacute; uma enorme riqueza. O essencial &eacute; sempre o aluno e o que ele quer transmitir.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; <\/em><em>Como &eacute; que as aulas de EMRC s&atilde;o vistas pelos restantes docentes e pela dire&ccedil;&atilde;o das escolas?<\/em><\/p>\n<p><em>MB &#8211;<\/em> Depende das escolas e do professor que l&aacute; esteve antes. Quando chego &agrave;s escolas, a minha preocupa&ccedil;&atilde;o &eacute; acentuar a EMRC como uma disciplina que, embora com especificidade, deve ser respeitada como as outras. Tem uma base cient&iacute;fica onde se apoia, a Teologia, baseada em outras ci&ecirc;ncias &ndash; Sociologia, Filosofia &ndash; e tem um programa a cumprir de forma adequada aos alunos. H&aacute; sempre um descr&eacute;dito sobre a disciplina e eu percebo isso quando chego a uma escola nova.<\/p>\n<p>Houve estabelecimentos em que os diretores de turma iam ver os sum&aacute;rios que eu escrevia. Alguns questionaram o que eu dava nas aulas, se falava sobre a Igreja ou sobre a sua doutrina social, e perguntavam se os alunos escutavam. &laquo;Ah, que estranho&raquo;, diziam eles quando eu respondia afirmativamente. Aconteceu-me o diretor da escola p&ocirc;r-se &agrave; escuta a ouvir o que eu dizia. Mas isto &eacute; a primeira fase.<\/p>\n<p>Pela qualidade das aulas, da pedagogia e da afirma&ccedil;&atilde;o do que se diz na sala, os outros professores ficam sem margem para dizer mal da disciplina e acabam por respeit&aacute;-la. Ao ver que o docente de EMRC tem crit&eacute;rios de avalia&ccedil;&atilde;o e uma planifica&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica bem feita, faz testes, corrige-os e tem trabalhos discutidos na sala de aula, os restantes professores percebem que se trabalha e que a aula n&atilde;o &eacute; um intervalo.<\/p>\n<p>J&aacute; tive colegas que me vieram dizer que a disciplina de EMRC &eacute; muito importante e faz falta nos dias de hoje porque os jovens n&atilde;o t&ecirc;m valores nem onde se apoiar. Esta posi&ccedil;&atilde;o tem consequ&ecirc;ncias. Os outros professores, se gostam de n&oacute;s, abrem-nos portas para ir &agrave;s suas aulas; j&aacute; me aconteceu ir falar sobre religi&atilde;o &agrave; aula de filosofia e os alunos ficaram agradados.<\/p>\n<p>Nas inscri&ccedil;&otilde;es [para o ano letivo] acontecem outros casos. Nunca gostei de me impor e estar presente, mas h&aacute; colegas que desincentivam a inscri&ccedil;&atilde;o por causa dos hor&aacute;rios de EMRC e do seu regime de faltas [id&ecirc;ntico ao das restantes disciplinas]. Na escola p&uacute;blica isto &eacute; um problema.<\/p>\n<p>Conseguir chegar a todos os professores para que todos trabalhem no mesmo sentido, mostrando que a disciplina &eacute; cred&iacute;vel e necess&aacute;ria, &eacute; algo essencial a construir todos os dias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Deu aulas a que anos de escolaridade?<\/em><\/p>\n<p><em>MB &#8211;<\/em> Do 5.&ordm; ao 12.&ordm;. Tive per&iacute;odos em que lecionei desde o 5.&ordm; ao 11.&ordm;, o que &eacute; dif&iacute;cil nos primeiros anos. As linguagens s&atilde;o diferentes e mudar de registo apenas numa hora foi dif&iacute;cil ao in&iacute;cio. Mas com o tempo isso contorna-se.<\/p>\n<p>S&atilde;o muitos n&iacute;veis de ensino, &agrave;s vezes em escolas diferentes, e tem de se dar uma aula de qualidade em todos os 45 ou 90 minutos. &Eacute; necess&aacute;rio traquejo. &Agrave;s vezes os hor&aacute;rios d&iacute;spares obrigam a ficar na escola, mas &eacute; bom para estar com os alunos nos p&aacute;tios. &Eacute; um desafio constante.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Quais as maiores dificuldades que enfrentou nas aulas de EMRC?<\/em><\/p>\n<p><em>MB &ndash;<\/em> A principal &eacute; os alunos olharem para a disciplina de forma completamente diferente da minha. A primeira pergunta que me fazem &eacute;: &laquo;Faz testes?&raquo;. Eu respondo: &laquo;Fa&ccedil;o&raquo;. &laquo;Oh, se soubesse n&atilde;o me tinha inscrito&raquo;, replicam.<\/p>\n<p>Segunda pergunta: &laquo;Vamos fazer uma visita de estudo por per&iacute;odo?&raquo;: &laquo;N&atilde;o, &eacute; imposs&iacute;vel, nem a escola deixa nem conseguia dar mat&eacute;ria&raquo;. &laquo;Ah, ent&atilde;o j&aacute; n&atilde;o gosto, n&atilde;o me inscrevo mais&raquo;.<\/p>\n<p>Perguntam-me tamb&eacute;m: &laquo;Mas vamos dar mat&eacute;ria e &eacute; preciso caderno e livro?&raquo;. &laquo;N&atilde;o, claro que n&atilde;o. Viemos para aqui passear&#8230;&raquo;.<\/p>\n<p>Por vezes tenho de ter conversas duras ao in&iacute;cio. Explico que damos mat&eacute;ria e estamos numa sala de aula, mas com a colabora&ccedil;&atilde;o de todos pode tornar-se muito mais interessante. H&aacute; muita coisa que se pode fazer de forma l&uacute;dica e educativa, como debates e filmes. Muitos alunos v&atilde;o &agrave; partida com a ideia errada e n&oacute;s temos de os conquistar. Esse &eacute; o maior desafio que enfrentei.<\/p>\n<p>Chegar a uma escola nova e conquistar os colegas todos os anos, procurando fazer projetos interdisciplinares para que os alunos vejam que o professor de EMRC &eacute; capaz de falar de temas diferentes em outras circunst&acirc;ncias, &eacute; uma riqueza grande para os jovens e para a disciplina.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Alguns alunos ficam surpreendidos quando sabem que podem reprovar?<\/em><\/p>\n<p><em>MB &#8211;<\/em> Constantemente. Ao longo dos anos j&aacute; dei negativas e alguns questionam o que fizeram para ter essa nota. E eu respondo: &laquo;Pergunta antes o que &eacute; que n&atilde;o fizeste&raquo;. Nos per&iacute;odos seguintes melhoram. &Eacute; o que chamo de preven&ccedil;&atilde;o. Quando vejo os alunos a resvalarem, fundamento o motivo da nota negativa e eles percebem. Mas o primeiro impacto &eacute; a surpresa.<\/p>\n<p>Os crit&eacute;rios de avalia&ccedil;&atilde;o s&atilde;o tamb&eacute;m fator surpreendente. Os testes valem 30%. O restante prende-se com a participa&ccedil;&atilde;o na aula, a maneira de estar com os colegas e com o professor, o caderno. Significa que ter uma participa&ccedil;&atilde;o com qualidade, ser apoio para os colegas e procurar ajudar &eacute; fator de avalia&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>N&atilde;o adianta estudar muito para um teste e tirar boa classifica&ccedil;&atilde;o se depois t&ecirc;m negativa por n&atilde;o participarem na aula. Se se &eacute; rigoroso na prepara&ccedil;&atilde;o e na leciona&ccedil;&atilde;o espera-se uma correspond&ecirc;ncia. Se ela n&atilde;o acontecer, explica-se a situa&ccedil;&atilde;o ao aluno e ele entende.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Que hist&oacute;rias felizes guarda nestes anos a lecionar EMRC?<\/em><\/p>\n<p><em>MB &#8211; <\/em>Muitas hist&oacute;rias, positivas e boas. Na primeira vez que lecionei, com 21 anos, havia um aluno que dava muitos problemas e estava para ser expulso. O diretor da escola pediu-me para falar com ele, com o objetivo de tentar obter mudan&ccedil;as. Conversei com ele a s&oacute;s e houve logo compatibilidade entre n&oacute;s. Respeitava-me, gostava de mim e das minhas aulas. Com esfor&ccedil;o, melhorou muito. No termo do segundo per&iacute;odo n&atilde;o era o mesmo e no final passou de ano. Foi um caso de sucesso. E se temos um, vale a pena.<\/p>\n<p>H&aacute; alunos que nos consideram um ponto de apoio nas aulas e contam connosco. Saber que confiam &eacute; muito importante. &Eacute; muito importante para mim ter a certeza que a confian&ccedil;a &eacute; bem canalizada e saber que gostam da disciplina e questionam as coisas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; <\/em><em>Este ano a semana de Educa&ccedil;&atilde;o Crist&atilde; vai destacar a import&acirc;ncia da fam&iacute;lia. Qual a sua import&acirc;ncia para as aulas de EMRC, n&atilde;o s&oacute; no momento das inscri&ccedil;&otilde;es, mas tamb&eacute;m ao longo do ano?<\/em><\/p>\n<p><em>MB &#8211;<\/em> A fam&iacute;lia tem um papel decisivo, n&atilde;o s&oacute; na escola p&uacute;blica mas principalmente nela. Muitos pais interrogam-se: se o filho participa na catequese ou nos escuteiros, por que h&aacute; de ir &agrave;s aulas de EMRC?<\/p>\n<p>Alguns alunos perguntam por que &eacute; que n&atilde;o rezamos na aula. &laquo;E era para rezar?&raquo;, respondo eu. &laquo;Pois, eu pensava que isto era mais ou menos como a catequese&raquo;, dizem eles. Catequese &eacute; uma coisa e EMRC &eacute; outra.<\/p>\n<p>A fam&iacute;lia &eacute; fundamental. Ouvi pais dizerem que o filho n&atilde;o quis inscrever-se e eles condescenderam.<\/p>\n<p>Em determinadas alturas os pais t&ecirc;m uma miss&atilde;o indispens&aacute;vel na forma&ccedil;&atilde;o dos jovens e n&atilde;o se podem demitir disso, mesmo sendo dif&iacute;cil. Nota-se nas aulas quando os alunos t&ecirc;m fam&iacute;lias s&oacute;lidas e firmes; s&atilde;o muito mais felizes e t&ecirc;m um papel mais positivo dentro da sala do que outros com fam&iacute;lias desfeitas e sem ponto de apoio.&nbsp;<\/p>\n<p>A fam&iacute;lia sempre foi a base nuclear. Ter algu&eacute;m com quem os jovens podem contar em casa, que lhes d&ecirc; regras firmes com muito amor &agrave; mistura, &eacute; importante para o seu progresso na sala de aula. Alguns t&ecirc;m muito potencial mas n&atilde;o s&atilde;o confirmados em casa, onde os pais est&atilde;o cheios de trabalho. Um aluno acolhido, com ponto de apoio na fam&iacute;lia e que sente que o seu trabalho tem eco positivo, &eacute; meio caminho andado para ter uma vida mais feliz e est&aacute;vel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; <\/em><em>Como avalia os manuais dos alunos?<\/em><\/p>\n<p><em>MB &#8211;<\/em> N&atilde;o conhe&ccedil;o os do primeiro ciclo, que nunca lecionei. Aqueles com que trabalho s&atilde;o, neste momento, manuais com qualidade. O problema &eacute; que algumas mat&eacute;rias decisivas s&atilde;o complicadas de abordar noutras disciplinas, e mais ainda em EMRC.<\/p>\n<p>No 8.&ordm; ano, por exemplo, refere-se muito a hist&oacute;ria da Igreja. Eu falo de cristianismo primitivo, mas o que eu digo pressup&otilde;e que os alunos saibam alguma coisa sobre o Imp&eacute;rio Romano; caso contr&aacute;rio tenho de explicar tudo de raiz.<\/p>\n<p>A esses alunos eu tenho quase de fazer o pino para conseguir dar uma aula que entendam, gostem e sintam minimamente que tem a ver com eles. O problema n&atilde;o est&aacute; nos manuais mas em eles gostarem da disciplina de Hist&oacute;ria e de aprenderem alguma coisa.<\/p>\n<p>Os livros do Secund&aacute;rio incluem assuntos interessantes e importantes mas t&ecirc;m de ser completados com outros materiais &ndash; filmes, document&aacute;rios, textos, fichas de trabalho e outros meios.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Que import&acirc;ncia t&ecirc;m as indica&ccedil;&otilde;es dadas pelas dioceses aos professores?<\/em><\/p>\n<p><em>MB &#8211; <\/em>O professor de EMRC tem o mandato do bispo para dar aulas. E na par&oacute;quia o prior tem de o conhecer e atestar que est&aacute; em condi&ccedil;&otilde;es de lecionar, pelas qualidades t&eacute;cnicas e sobretudo crist&atilde;s que demonstra. A imagem e o testemunho s&atilde;o decisivos.<\/p>\n<p>A rela&ccedil;&atilde;o com os alunos e os outros professores tem de visar a integra&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o a confronta&ccedil;&atilde;o e reclama&ccedil;&atilde;o. &Eacute; verdade que os hor&aacute;rios s&atilde;o maus e as aulas s&atilde;o espalhadas ao longo do dia. Mas o que ajuda a construir uma escola s&oacute;lida &eacute; a rela&ccedil;&atilde;o com professores, alunos e a dire&ccedil;&atilde;o, num todo integrador da miss&atilde;o do professor, que &eacute; levar Jesus Cristo &agrave; escola.<\/p>\n<p>Deve-se cumprir este prop&oacute;sito n&atilde;o com a piedade popular mas apoiado na teologia. Se n&atilde;o for assim pode ser-se muito bom tecnicamente mas n&atilde;o se &eacute; levado a s&eacute;rio.<\/p>\n<p>Os p&aacute;rocos t&ecirc;m aqui um papel muito importante porque os secretariados do ensino religioso das dioceses confiam na sua informa&ccedil;&atilde;o, que confirma as qualidades, o compromisso e o testemunho do professor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>AE &#8211; Um professor de EMRC tem de ser criativo nas aulas?<\/em><\/p>\n<p><em>MB &#8211;<\/em> Muito criativo. Esse &eacute; um dos meus defeitos, que sou demasiado t&eacute;cnico. Tenho de falar das coisas mas de maneira a que os alunos n&atilde;o fiquem a dormir ap&oacute;s os primeiros 10 minutos.<\/p>\n<p>H&aacute; colegas brilhantes que transformam uma aula, com jogos e debates, e conseguem ensinar conte&uacute;dos iguais aos que eu daria mas de maneira muito mais apelativa. &Eacute; preciso integrar o aspeto l&uacute;dico para cativar os estudantes, especialmente em pontos dif&iacute;ceis de abordar. O Secretariado Diocesano de Ensino Religioso podia apoiar mais a forma&ccedil;&atilde;o dos professores neste aspeto.<\/p>\n<p><em>RJM\/LS<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Marco Bernardino, 38 anos, licenciado em jornalismo e aluno de doutoramento em teologia, fala \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA do seu trabalho enquanto professor de Educa\u00e7\u00e3o Moral e Religiosa Cat\u00f3lica (EMRC), nem sempre facilitado mas compensador<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[127,168,193,194],"class_list":["post-53116","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","tag-catequese","tag-diocese-da-guarda","tag-educacao","tag-emrc"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53116","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=53116"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53116\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=53116"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=53116"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=53116"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}