{"id":53113,"date":"2011-09-27T11:06:51","date_gmt":"2011-09-27T11:06:51","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/09\/27\/cultivar-a-identidade-crista\/"},"modified":"2011-09-27T11:06:51","modified_gmt":"2011-09-27T11:06:51","slug":"cultivar-a-identidade-crista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/cultivar-a-identidade-crista\/","title":{"rendered":"Cultivar a identidade crist\u00e3"},"content":{"rendered":"<p>Fernando Micael Pereira, professor da UCP e especialista em Ci\u00eancias Sociais <!--more--> <\/p>\n<p>Muito para al&eacute;m das formas de comportamento explicitamente religiosas e dos s&iacute;mbolos crist&atilde;os que nos rodeiam, o cristianismo na sua vers&atilde;o cat&oacute;lica, inspirou e caracteriza atualmente a nossa cultura. F&aacute;-lo ao estar associado a maneiras de encarar o mundo e a vida, de nos relacionarmos uns com os outros, de estabelecermos la&ccedil;os e de os rompermos.<\/p>\n<p>Assim por exemplo, quando somos mais expressivos que austeros e contidos, estamos, a concretizar uma expressividade estimulada ainda h&aacute; poucos s&eacute;culos pelo Conc&iacute;lio de Trento, do mesmo modo que a convic&ccedil;&atilde;o de que tudo se apaga com o perd&atilde;o, por mais vingativos que posamos ser ou quando apreciamos a imagem de termos brandos costumes, esquecendo tanta viol&ecirc;ncia p&uacute;blica e dom&eacute;stica que praticamos, estamos a viver uma imagem ideal de harmonia e de fraternidade. A pr&oacute;pria facilidade com que aceitamos que todas as pessoas s&atilde;o algu&eacute;m, como apesar de tantos abusos acabamos por reconhecer a dignidade humana e em geral o direito &agrave; vida, ou a forma como algu&eacute;m sem f&eacute; pede a ajuda de Deus em momentos de afli&ccedil;&atilde;o, s&atilde;o princ&iacute;pios e atitudes n&atilde;o s&oacute; semeadas mas cultivadas pelo cristianismo, embora por vezes refor&ccedil;adas por outras influ&ecirc;ncias.<\/p>\n<p>Todavia o que mais notamos e do que mais se fala, ser&aacute; da quebra de la&ccedil;os conjugais, que por vezes nem chegam a estabelecer-se, ser&aacute; do modo como reduzimos o n&uacute;mero de filhos, ou o cuidado com a sua educa&ccedil;&atilde;o, ser&aacute; da incapacidade de efetivar a pr&aacute;tica crist&atilde; na vida corrente. Fala-se da corrup&ccedil;&atilde;o, da mentira e do desamor que infetam a vida p&uacute;blica e privada.<\/p>\n<p>Muitas das marcas expl&iacute;citas e p&uacute;blicas do cristianismo apagam-se ou s&atilde;o tendenciosamente sufocadas no dia a dia. Muito da face p&uacute;blica da vida crist&atilde; &eacute; sistematicamente desfigurada, desde a aus&ecirc;ncia de factos religiosos e crist&atilde;os na comunica&ccedil;&atilde;o social, ou do relevo dado &agrave; sua contesta&ccedil;&atilde;o, com a omiss&atilde;o da descri&ccedil;&atilde;o do facto em si pr&oacute;prio, at&eacute; &agrave;s entidades que com suas campanhas constroem barreiras do politicamente correto, de tabus e de ironias que &eacute; preciso ter a coragem de vencer. At&eacute; a sardinha passou a competir com Santo Ant&oacute;nio, eles que sempre t&atilde;o bem se entenderam na sensibilidade popular.<\/p>\n<p>Todos os princ&iacute;pios, capacidades e h&aacute;bitos se perdem se n&atilde;o forem exercidos, explicados e renovados; sendo assim, &eacute; preciso saber assumir a luta pela sua continuidade pois nunca basta a in&eacute;rcia da tradi&ccedil;&atilde;o, nem a confian&ccedil;a nos automa-tismos das institui&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Trocar a espiritualidade crist&atilde; por uma outra com transcend&ecirc;ncia, mas quase sem Deus, trocar o empenhamento crist&atilde;o por princ&iacute;pios vagos, aceitar que se denomine como fanatismo qualquer pr&aacute;tica explicitamente religiosa, fomentar a imagem da contradi&ccedil;&atilde;o entre a&ccedil;&otilde;es honradas e respons&aacute;veis e atos piedosos, denunciando-os como beatos e hip&oacute;critas, incentivar o subjetivismo das inten&ccedil;&otilde;es, pondo de lado a distin&ccedil;&atilde;o poss&iacute;vel entre o bem e o mal, s&atilde;o outras tantas maneiras de diluir a mensagem crist&atilde;. Hoje s&atilde;o por vezes cultivadas perspetivas id&oacute;latras da ecologia tocando as raias do animismo; a perda da f&eacute; no Deus &uacute;nico faz com que do Sol &agrave;s &aacute;guas regressem e se comercializem cultos de &iacute;dolos e de esp&iacute;ritos.<\/p>\n<p>&Eacute; preciso propor &agrave;s novas gera&ccedil;&otilde;es uma educa&ccedil;&atilde;o crist&atilde; expl&iacute;cita, esclarecida, clara, mostrando como somos e como queremos ser, realista mas cheia de projeto, sem fingimento mas com confian&ccedil;a e alegria, com Natal, esfor&ccedil;o, cruz e ressurrei&ccedil;&atilde;o. A vida de Cristo &eacute; o s&iacute;mbolo por excel&ecirc;ncia, assinalando tempos diversificados da nossa vida, como a liturgia sempre o faz, assumindo a Sua realidade, a nossa realidade e o simbolismo que nos envolve e d&aacute; sentido &agrave; vida que vivemos e partilhamos. Apesar das novas ruralidades, a vida hoje &eacute; sobretudo urbana, mas tamb&eacute;m ela pode ser impregnada pela mesma &aacute;gua, luz e sal, pelo mesmo gosto e luz de Cristo que transformou a vida rural e urbana de outras &eacute;pocas.<\/p>\n<p>Na educa&ccedil;&atilde;o crist&atilde; de crian&ccedil;as e cada vez mais na de todos ao longo da nossa vida, &eacute; importante sempre saber ser amigo, saber centrar a vida em Cristo, saber cultivar o bem comum e faz&ecirc;-lo &agrave; luz do que a Igreja ensina, ser aut&ecirc;ntico e verdadeiro, fugindo do oportunismo, saber que, hoje como sempre, a raz&atilde;o, a justi&ccedil;a e o amor t&ecirc;m de estar de m&atilde;os dadas. Conhecimento sem dedica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o chega.<\/p>\n<p>Portugal ainda &eacute; hoje um pa&iacute;s aberto, capaz de acolher pessoas muito diferentes, capaz de se unir e de cerrar fileiras, capaz de ter compaix&atilde;o e solidariedade. Tudo somado &eacute; um pa&iacute;s radicalmente crist&atilde;o, bem capaz de amar. Tempos de crise s&atilde;o em todos os dom&iacute;nios tempos de a&ccedil;&atilde;o, de esperan&ccedil;a, de crescimento, de op&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><em>Fernando J. Micael Pereira, professor da Universidade Cat&oacute;lica Portuguesa e especialista em Ci&ecirc;ncias Sociais<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fernando Micael Pereira, professor da UCP e especialista em Ci\u00eancias Sociais<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[199,246,267,314,321],"class_list":["post-53113","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-espiritualidade","tag-liturgia","tag-natal","tag-solidariedade","tag-ucp"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53113","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=53113"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53113\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=53113"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=53113"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=53113"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}