{"id":53112,"date":"2011-09-27T10:57:05","date_gmt":"2011-09-27T10:57:05","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/09\/27\/o-desafio-de-uma-educacao-com-significado-para-a-vida\/"},"modified":"2011-09-27T10:57:05","modified_gmt":"2011-09-27T10:57:05","slug":"o-desafio-de-uma-educacao-com-significado-para-a-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-desafio-de-uma-educacao-com-significado-para-a-vida\/","title":{"rendered":"O desafio de uma educa\u00e7\u00e3o com significado para a vida"},"content":{"rendered":"<p>Juan Ambrosio, professor da Faculdade deTeologia\/UCP <!--more--> <\/p>\n<p>O tema da chamada semana da educa&ccedil;&atilde;o crist&atilde; &eacute; este ano &laquo;educa&ccedil;&atilde;o crist&atilde; e fam&iacute;lia&raquo;. Nada mais obvio pensar&atilde;o muitos, pois a educa&ccedil;&atilde;o Crist&atilde; n&atilde;o pode jamais prescindir da fam&iacute;lia, sendo no seu &acirc;mbito que se realizam alguns dos passos mais importantes e determinantes nesta &aacute;rea. Se bem que &eacute; verdade que esta rela&ccedil;&atilde;o &eacute; natural e imprescind&iacute;vel, torna-se, no entanto, necess&aacute;rio olhar para ela tentando ir um pouco mais al&eacute;m das evid&ecirc;ncias e do que aparece na superf&iacute;cie.<\/p>\n<p><span>Digo isto porque hoje &eacute; frequente ouvirmos que uma das causas da descristrianiza&ccedil;&atilde;o da nossa sociedade e da grande eros&atilde;o da pr&aacute;tica crist&atilde; se deve ao facto das fam&iacute;lias se terem demitido do seu papel de educadoras e transmissoras da f&eacute;. Muitas fam&iacute;lias, de facto, demitiram-se deste papel. Umas porque n&atilde;o podem transmitir aquilo que n&atilde;o vivem, outras porque n&atilde;o sabem bem como faz&ecirc;-lo, outras, ainda, porque julgaram que o mero testemunho da sua pr&aacute;tica seria suficiente para a educa&ccedil;&atilde;o das novas gera&ccedil;&otilde;es. H&aacute; muito de verdade nestas an&aacute;lises e afirma&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o fiquem d&uacute;vidas a esse respeito, mas, no meu entender, elas n&atilde;o explicam tudo e devemos ter a coragem de acolher outras.<\/span><\/p>\n<p><span>Se n&atilde;o vejamos. Ao longo da vida do ser humano s&atilde;o muitas as coisas que v&atilde;o sendo ensinadas e aprendidas. o processo educativo, que n&atilde;o se reduz aos aspetos cognitivos, como todos bem sabemos, acaba por abordar uma imensid&atilde;o de &aacute;reas e por nos fornecer uma imensid&atilde;o ainda maior de dados. Desses, muitos acabam por n&atilde;o ter grande peso na vida, e se nos interrogarmos porqu&ecirc;, talvez sejamos capazes de perceber que isso acontece pela sua falta de verdadeiro significado para a exist&ecirc;ncia. Ou seja, h&aacute; muitas coisas que acabam por ser literalmente postas de lado porque elas acabam, por n&atilde;o ser verdadeiramente significativas para a vida.<\/span><\/p>\n<p><span>&Eacute; baseado nesta constata&ccedil;&atilde;o que julgo ser importante interrogarmo-nos sobre os conte&uacute;dos da educa&ccedil;&atilde;o crist&atilde; e as diversas maneiras de transmiti-los. Ser&aacute; que eles s&atilde;o verdadeiramente significativos do ponto de vista antropol&oacute;gico. Ser&aacute; que a maneira como s&atilde;o trabalhados e transmitidos tocam verdadeiramente na vida das pessoas?<\/span><\/p>\n<p><span>N&atilde;o tenho qualquer tipo de d&uacute;vidas acerca da import&acirc;ncia e da relev&acirc;ncia da mensagem crist&atilde; para a vida do ser humano. Mas a maneira como &eacute; transmitida e traduzida, numa linguagem que possa ser interpelativa para cada tempo, a&iacute; j&aacute; me surgem d&uacute;vidas.<\/span><\/p>\n<p><span>Sei, todos sabemos, como a mensagem de Jesus Cristo &eacute; s&oacute; uma ontem hoje e amanh&atilde;. Ela n&atilde;o varia com o tempo. Mas tamb&eacute;m todos sabemos, e o mist&eacute;rio da encarna&ccedil;&atilde;o a isso nos chama, que essa mesma mensagem tem de ser &lsquo;dita&rsquo; e &lsquo;vivida&rsquo; no contexto concreto de cada momento hist&oacute;rico. De nada serve dizermos que a proposta crist&atilde; &eacute; fundamental se n&atilde;o formos capazes de testemunhar a sua verdadeira mais-valia, o seu verdadeiro significado para a exist&ecirc;ncia.<\/span><\/p>\n<p><span>Digo isto porque me parece que muitas vezes aquilo que fazemos ao n&iacute;vel da educa&ccedil;&atilde;o crist&atilde; corre o risco de ficar ao lado da vida concreta. Claro que &eacute; muito importantemente conhecermos a hist&oacute;ria da Igreja. Claro que &eacute; fundamental sabermos o que significam as formula&ccedil;&otilde;es da nossa f&eacute; e da nossa identidade. Claro que &eacute; importante conhecermos e entendermos a liturgia. Tudo isso, e mais, &eacute; muito importante, mas julgo que n&atilde;o nos podemos ficar por aqui.<\/span><\/p>\n<p><span>Sinceramente, creio que n&atilde;o podemos sublinhar a import&acirc;ncia da rela&ccedil;&atilde;o com Deus, do culto e de uma pr&aacute;tica crist&atilde; virada s&oacute; para a celebra&ccedil;&atilde;o lit&uacute;rgica, secundarizando a import&acirc;ncia da constru&ccedil;&atilde;o da hist&oacute;ria e da edifica&ccedil;&atilde;o da sociedade. O cristianismo n&atilde;o pode ser reduzido a uma quest&atilde;o de culto e a uma mera pr&aacute;tica de ritos, por mais importantes e indispens&aacute;veis que sejam. A educa&ccedil;&atilde;o crist&atilde; n&atilde;o pode apenas limitar-se a ser uma forma&ccedil;&atilde;o virada para dentro, para o interior da comunidade crist&atilde;.<\/span><\/p>\n<p><span>Por exemplo, nesta fase dif&iacute;cil em que nos encontramos, &eacute; fundamental que no &acirc;mbito da educa&ccedil;&atilde;o crist&atilde; se possam encontrar elementos de discernimento e crit&eacute;rios de a&ccedil;&atilde;o que ajudem a criar novos modelos para edificar as sociedades.<\/span><\/p>\n<p><span>A fam&iacute;lia n&atilde;o pode deixar de ter um papel fundamental em todo este processo. Ela &eacute; verdadeiramente imprescind&iacute;vel para transmitir e encontrar os elementos de discernimento e os crit&eacute;rios de a&ccedil;&atilde;o que possam ser significativos para a vida.<\/span><\/p>\n<p><span>Mas a este n&iacute;vel ainda temos muito trabalho a fazer, ainda temos de aprender o verdadeiro significado da corresponsabilidade. &Agrave;s fam&iacute;lias n&atilde;o se pode apenas pedir que exer&ccedil;am a sua miss&atilde;o no &acirc;mbito da educa&ccedil;&atilde;o da f&eacute; sem que elas tenham tamb&eacute;m uma palavra a dizer quanto aos conte&uacute;dos, &agrave;s metodologias e ao &acirc;mbito dessa mesma educa&ccedil;&atilde;o. Tem de haver uma maior rela&ccedil;&atilde;o e di&aacute;logo entre todos os intervenientes neste processo. N&atilde;o &eacute;, poss&iacute;vel que a catequese,<span>&nbsp; <\/span>as aulas de Educa&ccedil;&atilde;o Moral e Religiosa Cat&oacute;lica, os movimentos eclesiais, para s&oacute; falar em alguns dos intervenientes, fa&ccedil;am propostas que muitas vezes correm paralelas umas &agrave;s outras. <\/span><\/p>\n<p><span>Estamos claramente num tempo de mudan&ccedil;a de paradigma (n&atilde;o s&oacute; ao n&iacute;vel da educa&ccedil;&atilde;o da f&eacute; em particular, mas da educa&ccedil;&atilde;o em geral). O antigo j&aacute; n&atilde;o serve cabalmente para cumprir a sua miss&atilde;o, pelo que achar que a solu&ccedil;&atilde;o se encontra num voltar atr&aacute;s, &agrave;queles tempos onde tudo parecia mais claro, n&atilde;o me parece ser a mais acertada. Mas ainda n&atilde;o temos o novo, pelo que tamb&eacute;m n&atilde;o me parece acertada uma fuga para a frente em total rutura com o caminho j&aacute; feito. Porque estamos em fase de constru&ccedil;&atilde;o de um novo paradigma temos a oportunidade e o dever de ser protagonistas na sua constru&ccedil;&atilde;o. Certamente que haver&aacute; riscos, de certeza que vamos cometer erros, mas o maior risco e o maior erro ser&aacute; n&atilde;o fazer nada e manter tudo na mesma. <\/span><\/p>\n<p><span>N&atilde;o se trata de criar novos conte&uacute;dos para o cristianismo, nem podemos ficar simplesmente centrados nas quest&otilde;es metodol&oacute;gicas, mas temos de ter a criatividade para transmitir os seus conte&uacute;dos de um modo que sejam verdadeiramente significativos para a vida concreta das pessoas em todas as suas dimens&otilde;es. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"left\"><em>Juan Francisco Ambrosio, professor da Faculdade deTeologia\/UCP<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Juan Ambrosio, professor da Faculdade deTeologia\/UCP<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[127,193,246,321],"class_list":["post-53112","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-catequese","tag-educacao","tag-liturgia","tag-ucp"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53112","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=53112"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53112\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=53112"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=53112"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=53112"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}