{"id":53090,"date":"2011-09-25T07:26:12","date_gmt":"2011-09-25T07:26:12","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/09\/25\/comunicado-do-conselho-nacional-de-pastoral-operaria\/"},"modified":"2011-09-25T07:26:12","modified_gmt":"2011-09-25T07:26:12","slug":"comunicado-do-conselho-nacional-de-pastoral-operaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/comunicado-do-conselho-nacional-de-pastoral-operaria\/","title":{"rendered":"Comunicado do Conselho Nacional de Pastoral Oper\u00e1ria"},"content":{"rendered":"<p>O Conselho Nacional de Pastoral Oper&aacute;ria realizou o seu encontro anual no dia 24 de setembro de 2011, no Instituto Justi&ccedil;a e Paz em Coimbra.<\/p>\n<p>A Pastoral Oper&aacute;ria congrega os organismos cuja miss&atilde;o evangelizadora tem como campo principal o Mundo Oper&aacute;rio: JOC (Juventude Oper&aacute;ria Cat&oacute;lica), LOC\/MTC (Liga Oper&aacute;ria Cat&oacute;lica\/Movimento de trabalhadores Crist&atilde;os), MAAC (Movimento de Apostolado de Adolescentes e Crian&ccedil;as), PEMO (Padres em Mundo Oper&aacute;rio) e REMO (Religiosas em Mundo Oper&aacute;rio).<\/p>\n<p>No &acirc;mbito da prepara&ccedil;&atilde;o para este Conselho Nacional, os coletivos membros refletiram a realidade do mundo do trabalho e apontaram algumas das preocupa&ccedil;&otilde;es mais sentidas pelos trabalhadores e suas fam&iacute;lias, real&ccedil;ando alguns caminhos, sustentados pela esperan&ccedil;a que nos &eacute; comunicada pela for&ccedil;a do Ressuscitado e pelo ensino social da Igreja. O desemprego, a inseguran&ccedil;a dos que t&ecirc;m trabalho e a precariedade laboral no Meio Oper&aacute;rio, s&atilde;o apontados como os principais.<\/p>\n<p>Estas realidades colocam em causa uma vida familiar equilibrada; criam receio quanto ao futuro e &agrave; forma&ccedil;&atilde;o dos filhos (crian&ccedil;as e jovens); impedem os jovens de concretizarem sonhos, de terem perspetivas de futuro; motivam a emigra&ccedil;&atilde;o de jovens licenciados, de trabalhadores da constru&ccedil;&atilde;o civil, da restaura&ccedil;&atilde;o, hotelaria e servi&ccedil;os dom&eacute;sticos; agravam a situa&ccedil;&atilde;o de fragilidade (laboral e social) de muitos imigrantes; geram cortes em necessidades essenciais como a sa&uacute;de (medicamentos e tratamentos), a educa&ccedil;&atilde;o dos filhos, a pr&oacute;pria alimenta&ccedil;&atilde;o; agravam as situa&ccedil;&otilde;es de pobreza, nas quais as crian&ccedil;as, jovens e idosos s&atilde;o os mais vulner&aacute;veis e fragilizados.<\/p>\n<p>Como resposta para resolver muitas destas novas situa&ccedil;&otilde;es de pobreza sobressai apenas uma vertente mais assistencialista, que n&atilde;o &eacute; promotora da justi&ccedil;a e coes&atilde;o social. A sustentabilidade da Seguran&ccedil;a Social &eacute; amea&ccedil;ada, n&atilde;o s&oacute; pelas diminui&ccedil;&otilde;es dos descontos provocados pelo decr&eacute;scimo demogr&aacute;fico ou aumento do desemprego, mas tamb&eacute;m pela imposi&ccedil;&atilde;o do memorando da Troika de baixar largamente a comparticipa&ccedil;&atilde;o das empresas.<\/p>\n<p>Insiste-se em legalizar a precariedade argumentando a sua inevitabilidade, quando j&aacute; percebemos que o seu &uacute;nico fruto &eacute; aumento da pr&oacute;pria precariedade.<\/p>\n<p>Temos uma comunica&ccedil;&atilde;o social que, em muitos casos, tem formatado as pessoas em vez de as ajudar a ter uma consci&ecirc;ncia cr&iacute;tica sobre os acontecimentos.<\/p>\n<p>Assistimos, diariamente, a not&iacute;cias de cortes em &aacute;reas sociais essenciais e o aparecimento de mais impostos que geram mais desemprego, pobreza, desestrutura&ccedil;&atilde;o familiar, condi&ccedil;&otilde;es de vida miser&aacute;veis, viol&ecirc;ncia, aumento de sentimentos de xenofobia e outros problemas sociais de extrema gravidade.<\/p>\n<p>Durante anos sonhamos e defendemos uma Europa social e solid&aacute;ria, exigente no controle dos apoios e atenta &agrave;s necessidades de cada povo na sua autonomia e cultura. Hoje, deparamo-nos com lideran&ccedil;as ego&iacute;stas e economicistas. N&atilde;o aceitamos a ideia que querem difundir de que foi pelo facto dos povos terem mais apoios e seguran&ccedil;a, que cheg&aacute;mos &agrave; situa&ccedil;&atilde;o presente. Se h&aacute; quem n&atilde;o tem culpa nesta crise &eacute; o povo trabalhador, s&atilde;o as fam&iacute;lias que se esfor&ccedil;aram por crescer em conhecimentos e em abertura ao outro.<\/p>\n<p>Reconhecemos a necessidade de redu&ccedil;&atilde;o das despesas, de h&aacute;bitos de poupan&ccedil;a e de uma reeduca&ccedil;&atilde;o financeira das fam&iacute;lias, mas tamb&eacute;m, de se valorizar a solidariedade e o que &eacute; realmente importante para a dignidade e a realiza&ccedil;&atilde;o da pessoa humana. Come&ccedil;am a surgir movimentos de resist&ecirc;ncia e as pessoas aprendem a viver sem consumirem exageradamente e a descobrir que podem viver com menos sem perder a sua dignidade.<\/p>\n<p>A par de medidas de conten&ccedil;&atilde;o, t&ecirc;m de ser pensadas e refor&ccedil;adas medidas de apoio a projetos de investimento criadores de novos empregos e a uma efetiva justi&ccedil;a e coes&atilde;o social, para que haja um verdadeiro desenvolvimento do pa&iacute;s.<\/p>\n<p>Perante a realidade muito marcante de desemprego, de sal&aacute;rios baixos e em atraso, desregula&ccedil;&atilde;o do trabalho e dificuldades graves de muitas fam&iacute;lias do meio oper&aacute;rio de todo o pa&iacute;s, sublinhamos o que diz a Enc&iacute;clica de Jo&atilde;o Paulo II <em>Laborem Exercens<\/em>, no seu 30&ordm; anivers&aacute;rio: &ldquo;o trabalho &eacute; a chave, provavelmente a chave essencial, de toda a quest&atilde;o social se procuramos v&ecirc;-la verdadeiramente sob o ponto de vista do bem da pessoa&rdquo; (n&ordm;3). Torna-se, pois, necess&aacute;rio assumir o nosso papel de profetas que normalmente se desenvolve e est&aacute; no meio do sofrimento, de aceitar a proposta de Jesus Cristo &ldquo;Faz-te ao largo&rdquo;. &Eacute; grande o desafio ao discernimento para, como crist&atilde;os, nos empenharmos generosa e gratuitamente no meio oper&aacute;rio e continuarmos a ser fonte de esperan&ccedil;a.<\/p>\n<p>No meio da fragilidade social que vivemos, acreditamos que Deus se torna evidente em todos aqueles e aquelas que gritam por uma vida digna e est&atilde;o a ser empurrados para fora da mesa do Bem Comum. Neste sentido queremos dar voz &agrave; nossa indigna&ccedil;&atilde;o perante todas as formas de exclus&atilde;o, provocadas pelo desemprego ou explora&ccedil;&atilde;o no trabalho e reafirmar a nossa confian&ccedil;a na conjuga&ccedil;&atilde;o de esfor&ccedil;os de forma a construir uma sociedade mais justa e fraterna.<\/p>\n<p>24 de setembro de 2011<\/p>\n<p>Am&eacute;rico Monteiro Oliveira, coordenador nacional da Pastoral Oper&aacute;ria<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Conselho Nacional de Pastoral Oper&aacute;ria realizou o seu encontro anual no dia 24 de setembro de 2011, no Instituto Justi&ccedil;a e Paz em Coimbra. 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