{"id":5309,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/a-religiosidade-popular-e-a-semana-santa\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"a-religiosidade-popular-e-a-semana-santa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-religiosidade-popular-e-a-semana-santa\/","title":{"rendered":"A religiosidade popular e a Semana Santa"},"content":{"rendered":"<p>Algumas express\u00f5es da  devo\u00e7\u00e3o popular podem parecer distantes dos c\u00e2nones da ortodoxia cat\u00f3lica, mas os ritos da Semana Santa inserem-se sem dificuldade no \u00e2mbito da liturgia oficial <!--more--> A religiosidade popular \u00e9 um facto que acompanha a vida da Igreja e que a acompanhou durante todos os s\u00e9culos. Trata-se de express\u00f5es, gestos, atitudes, que expressam uma rela\u00e7\u00e3o pessoal com Deus: beija-se a cruz, percorre-se a Via Sacra, participa-se numa peregrina\u00e7\u00e3o, ajoelha-se diante da cruz. No caso portugu\u00eas \u00e9 esta religiosidade que, sob uma aparente unidade enraizada no catolicismo, manifesta mais fielmente a pluralidade da sociedade portuguesa na viv\u00eancia do sagrado. A viv\u00eancia da Semana Santa e do Tr\u00edduo Pascal, que foi ganhando forma ao longo dos s\u00e9culos, conta hoje em dia com dois ciclos de formula\u00e7\u00f5es diferentes: um rigorosamente lit\u00fargico, universal, o outro marcado por manifesta\u00e7\u00f5es de piedade particulares, de onde sobressaem as prociss\u00f5es. Em Portugal, \u00e9 conhecido o grande envolvimento da popula\u00e7\u00e3o nestas celebra\u00e7\u00f5es da Semana Santa, algumas das quais conservam marcas evidentes de proveni\u00eancia popular. O Bispo de Aveiro, D. Ant\u00f3nio Marcelino, adverte hoje, contudo, que \u201cas tradi\u00e7\u00f5es religiosas populares que, tamb\u00e9m, devem ser pascais, abafam, por vezes, a riqueza da P\u00e1scoa e n\u00e3o deixam que ela seja vivida na sua genu\u00edna riqueza\u201d.  \u201cO facto lament\u00e1vel de a visita pascal, uma tradi\u00e7\u00e3o v\u00e1lida quando mant\u00e9m sentido crist\u00e3o, se sobrepor, nalguns casos, \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia do Domingo da Ressurrei\u00e7\u00e3o, atirada para horas mais que matutinas, mostra como o acess\u00f3rio pode matar o essencial. As tradi\u00e7\u00f5es, quando se desvirtuam, matam a rica Tradi\u00e7\u00e3o de f\u00e9 que as originou e lhes deu sentido\u201d, exemplifica no editorial do Correio do Vouga. A n\u00edvel da Santa S\u00e9, o \u201cDirect\u00f3rio sobre a piedade popular e a Liturgia\u201d, publicado pela Congrega\u00e7\u00e3o para o Culto Divino e a disciplina dos Sacramentos em 2001, apresenta a situa\u00e7\u00e3o do Domingo de Ramos para falar dos perigos de \u201ccontamina\u00e7\u00e3o\u201d supersticiosa das celebra\u00e7\u00f5es. \u201cSer\u00e1 oportuno insistir em que aquilo que \u00e9 verdadeiramente importante \u00e9 a participa\u00e7\u00e3o na prociss\u00e3o e n\u00e3o obter apenas a palma ou o raminho de oliveira, e que estes n\u00e3o se devem conservar \u00e0 maneira de amuletos\u201d, pode ler-se. D. Ant\u00f3nio Marcelino sublinha que \u201csem a compreens\u00e3o e a viv\u00eancia poss\u00edvel da Festa da P\u00e1scoa do Senhor, com a sua riqueza inesgot\u00e1vel, tanto por parte de quem promove as festas como de quem nelas participa, nenhuma festa religiosa popular conserva o sentido crist\u00e3o\u201d. Se algumas express\u00f5es da  devo\u00e7\u00e3o popular podem parecer distantes dos c\u00e2nones da ortodoxia cat\u00f3lica, a maioria dos ritos da Semana Santa inserem-se sem dificuldade no \u00e2mbito da liturgia oficial.  A religiosidade popular, c\u00f3smica e natural, pode servir, no caso da Igreja Cat\u00f3lica, para compreender melhor a utiliza\u00e7\u00e3o de sinais e gestos simb\u00f3licos que expressam uma componente profundamente humana e religiosa. Por isso, tem sido sempre chamada a aten\u00e7\u00e3o para uma verdadeira integra\u00e7\u00e3o entre a liturgia e a piedade popular, como aconteceu na liturgia da Igreja dos primeiros s\u00e9culos, com algumas celebra\u00e7\u00f5es, e na liturgia romana da Idade M\u00e9dia, com as prociss\u00f5es, ladainhas e outros ritos, assumidos em forma de culto. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Algumas express\u00f5es da devo\u00e7\u00e3o popular podem parecer distantes dos c\u00e2nones da ortodoxia cat\u00f3lica, mas os ritos da Semana Santa inserem-se sem dificuldade no \u00e2mbito da liturgia oficial<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[170,246,275,292,294,297,308],"class_list":["post-5309","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-diocese-de-aveiro","tag-liturgia","tag-pascoa","tag-religiosidade-popular","tag-sacramentos","tag-santa-se","tag-semana-santa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5309","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5309"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5309\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5309"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5309"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5309"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}