{"id":52983,"date":"2011-09-16T17:54:12","date_gmt":"2011-09-16T17:54:12","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2011\/09\/16\/nota-pastoral-na-semana-nacional-da-educacao-crista\/"},"modified":"2011-09-16T17:54:12","modified_gmt":"2011-09-16T17:54:12","slug":"nota-pastoral-na-semana-nacional-da-educacao-crista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/nota-pastoral-na-semana-nacional-da-educacao-crista\/","title":{"rendered":"Nota Pastoral na Semana Nacional da Educa\u00e7\u00e3o Crist\u00e3"},"content":{"rendered":"<p><strong>Fam&iacute;lia, transmiss&atilde;o e educa&ccedil;&atilde;o da f&eacute;<\/strong><\/p>\n<p><em>&ldquo;A fam&iacute;lia &eacute; a primeira escola das virtudes sociais de que as sociedades t&ecirc;m necessidade&hellip; A fam&iacute;lia &eacute; a primeira, mas n&atilde;o a &uacute;nica e exclusiva comunidade educativa&rdquo; (Jo&atilde;o Paulo II, FC ns 36 e 40).<\/em><\/p>\n<p><em>&ldquo;A fam&iacute;lia, como a Igreja, tem por dever ser um espa&ccedil;o onde o Evangelho &eacute; transmitido e de onde o Evangelho irradia&hellip; Os pais n&atilde;o somente comunicam aos filhos o Evangelho, mas podem receber deles o mesmo Evangelho profundamente vivido&rdquo; (Paulo VI, EN n.71).<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>1. O que entre n&oacute;s era uma realidade h&aacute; umas dezenas de anos, tornou-se hoje uma preocupa&ccedil;&atilde;o, muitas vezes sem grande eco nas pessoas mais respons&aacute;veis, dado o seu papel de interventores necess&aacute;rios num processo importante da vida. Trata-se da miss&atilde;o da fam&iacute;lia crist&atilde; no processo educativo dos filhos e na transmiss&atilde;o e educa&ccedil;&atilde;o da f&eacute;, assumida como dever e encargo. Trata-se, ainda, de a fam&iacute;lia assumir o seu lugar, como espa&ccedil;o de valores morais, de ora&ccedil;&atilde;o, reconcilia&ccedil;&atilde;o, abertura a projetos de vida e a compromissos apost&oacute;licos.<\/p>\n<p>A sociedade mudou e, nela, o processo de mudan&ccedil;a continua impar&aacute;vel. A fam&iacute;lia, parte viva da sociedade, tamb&eacute;m mudou, e a mudan&ccedil;a afeta o relacionamento dos seus membros, a compreens&atilde;o das suas tarefas, a ocupa&ccedil;&atilde;o e o trabalho fora de casa, a disponibilidade de tempo e de vontade para os servi&ccedil;os normais do seu dia a dia, o embate com leis civis que n&atilde;o a respeitam, antes a agridem, a dificuldade de reagir, de modo ativo e em rede organizada com outras fam&iacute;lias, &agrave; invas&atilde;o opressora de ideias e de comportamentos que lhes s&atilde;o alheios. Sem deixarem de influir em todos, as mudan&ccedil;as tocam, de modo especial, os mais novos.<\/p>\n<p>Deste modo, a fam&iacute;lia tem mais dificuldade em se encontrar como fam&iacute;lia, e, tamb&eacute;m, como fam&iacute;lia crist&atilde;, diminuindo, sempre mais, a sua capacidade para responder aos novos desafios que se lhe p&otilde;em e para realizar as suas tarefas fundamentais. Se este processo n&atilde;o for contrariado, a fam&iacute;lia vai-se tornando, pouco a pouco, uma institui&ccedil;&atilde;o fr&aacute;gil, desagregada e socialmente irrelevante.<\/p>\n<p>2. A Igreja acredita no des&iacute;gnio de Deus sobre a fam&iacute;lia, sabe o significado e o alcance do sacramento do Matrim&oacute;nio, conhece e defende a import&acirc;ncia da fam&iacute;lia em ordem &agrave; vida dos seus membros, o seu papel na sociedade e a sua miss&atilde;o na Igreja, considerando a institui&ccedil;&atilde;o familiar como c&eacute;lula fundamental da sociedade, e a fam&iacute;lia crist&atilde; como uma &ldquo;Igreja dom&eacute;stica&rdquo;. Em virtude desta f&eacute; e desta convic&ccedil;&atilde;o, no contexto social e cultural atual, a Igreja olha a fam&iacute;lia com amor e aten&ccedil;&atilde;o, luta pela sua defesa, empenha-se na reconstru&ccedil;&atilde;o da sua identidade e verdade, ajuda-a a realizar, por meios diversos, as suas tarefas essenciais.<\/p>\n<p>Uma destas tarefas da fam&iacute;lia, de import&acirc;ncia decisiva para a sociedade e para a Igreja, &eacute; o dever irrenunci&aacute;vel dos pais da educa&ccedil;&atilde;o dos seus filhos em todos os aspetos e da transmiss&atilde;o da f&eacute;, n&atilde;o s&oacute; no seu espa&ccedil;o pr&oacute;prio, mas at&eacute; onde se pode estender a sua capacidade de interven&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;A tarefa educativa, nos aspetos fundamentais, a fam&iacute;lia nunca a realizou sozinha. Por isso, n&atilde;o pode estar ausente onde ela se processa, seja nos espa&ccedil;os normais do lar, na escola e na comunidade crist&atilde;. A&iacute; se deve sentir a sua colabora&ccedil;&atilde;o efetiva, dada e aceite, com os muitos intermedi&aacute;rios indispens&aacute;veis, professores e demais educadores de todos os n&iacute;veis.<\/p>\n<p>3. A educa&ccedil;&atilde;o da f&eacute;, iniciada no seio da fam&iacute;lia crist&atilde;, como abertura a Deus e primeira aprendizagem de palavras e gestos religiosos significativos, &eacute; continuada, depois, nos outros espa&ccedil;os de vida da crian&ccedil;a que vai crescendo: o jardim de inf&acirc;ncia, a catequese paroquial, a escola dos diversos ciclos. Para muitas crian&ccedil;as, adolescentes e jovens, tamb&eacute;m se faz nos movimentos e grupos apost&oacute;licos de sentido eclesial. A&iacute; se transmitem valores morais para a vida, se proporciona ocasi&atilde;o para o aprofundamento da f&eacute;, a abertura ao apostolado, a op&ccedil;&atilde;o vocacional e o servi&ccedil;o aos outros, dimens&atilde;o normal e indispens&aacute;vel da vida crist&atilde;.<\/p>\n<p>4. Nesta Semana Nacional de Educa&ccedil;&atilde;o Crist&atilde;, queremos sublinhar a import&acirc;ncia da liga&ccedil;&atilde;o entre fam&iacute;lia e educa&ccedil;&atilde;o da f&eacute;. Sabemos que muitos pais continuam, neste campo, atentos e colaborantes, conscientes do seu dever de educadores principais dos seus filhos. Queremos apoi&aacute;-los e dizer-lhes quanto nos alegra este seu empenhamento, pedindo-lhes que n&atilde;o desistam nunca e que ajudem outros pais a agir de igual modo.<\/p>\n<p>N&atilde;o deixamos, por&eacute;m, de estar atentos &agrave;s fam&iacute;lias que continuam a dizer-se crist&atilde;s, mas que, conservando uma express&atilde;o religiosa tradicional, deixaram empobrecer a sua liga&ccedil;&atilde;o a Deus e &agrave; Igreja, uma atitude que, em alguns a aspetos, acaba por atingir os seus filhos. Chegam agora &agrave; catequese crian&ccedil;as sem qualquer inicia&ccedil;&atilde;o crist&atilde;, e sentem-se, a partir da&iacute;, omiss&otilde;es em ordem ao seu acompanhamento e ao cuidado da sua forma&ccedil;&atilde;o moral e religiosa nas escolas. Catequese na par&oacute;quia e aula de Educa&ccedil;&atilde;o Moral e Religiosa nas escolas s&atilde;o atos complementares, que n&atilde;o se substituem um ao outro. N&atilde;o esquecemos que o dia a dia de muitas fam&iacute;lias &eacute; hoje complexo e dif&iacute;cil, por raz&atilde;o dos hor&aacute;rios de trabalho e do trabalho longe de casa que proporcionam pouco tempo com os filhos, das exig&ecirc;ncias materiais, indispens&aacute;veis para ir ao encontro das necessidades familiares. Uma ordena&ccedil;&atilde;o das prioridades, o aproveitamento dos fins de semana para a fam&iacute;lia, o recurso a outros membros da fam&iacute;lia, como os av&oacute;s quando est&atilde;o por perto, podem ajudar na educa&ccedil;&atilde;o e transmiss&atilde;o da f&eacute;. Os filhos que frequentam a catequese e as aulas de educa&ccedil;&atilde;o moral e religiosa podem ser tamb&eacute;m uma ocasi&atilde;o para que os pais reatem a vida crist&atilde; e se integrem na vida da Igreja.<\/p>\n<p>5. O programa da catequese paroquial, ao longo de dez anos, e o do ensino religioso nas escolas ao longo de doze anos, precedidos ambos do despertar da f&eacute; no seio da fam&iacute;lia e no Jardim de Inf&acirc;ncia, n&atilde;o dispensam a participa&ccedil;&atilde;o poss&iacute;vel dos pais no processo educativo, bem como a sua colabora&ccedil;&atilde;o com os agentes diretos desta a&ccedil;&atilde;o, catequistas, professores,&nbsp; educadores e animadores. Vamos agora dar uma aten&ccedil;&atilde;o especial &agrave; catequese familiar, com a preocupa&ccedil;&atilde;o de apoiarmos os pais e os filhos nesta tarefa. Se falarmos, mais concretamente, do Ensino Religioso nas Escolas, o contexto atual exige m&uacute;tua colabora&ccedil;&atilde;o entre pais e professores de Educa&ccedil;&atilde;o Moral e Religiosa e a pr&oacute;pria escola. Torna-se, ent&atilde;o, mais exigente a aten&ccedil;&atilde;o a prestar ao processo das matr&iacute;culas, ao desenvolver do projeto educativo, &agrave; qualidade dos valores que nele se transmitem ou n&atilde;o, bem como &agrave;s iniciativas complementares promovidas na escola.<\/p>\n<p>Os filhos s&atilde;o a maior riqueza dos pais e a educa&ccedil;&atilde;o &eacute; o meio indispens&aacute;vel para os ajudar a crescer e a prepararem-se para uma vida feliz, como protagonistas respons&aacute;veis e participativos. O dever da presen&ccedil;a e do est&iacute;mulo no tempo da forma&ccedil;&atilde;o humana e religiosa dos filhos, &eacute;, para os pais, uma express&atilde;o de fidelidade ao amor que os gerou e os educa.<\/p>\n<p>6. &Eacute; fundamental que as necessidades educativas e espirituais das fam&iacute;lias sejam consideradas nos projetos pastorais das comunidades crist&atilde;s e nos projetos educativos das escolas, concretamente na perseveran&ccedil;a e criatividade colocadas no acolhimento, no acompanhamento e nas oportunidades de forma&ccedil;&atilde;o oferecidas aos pais e outros familiares.<\/p>\n<p>Saudamos, com alegria, todas as fam&iacute;lias e todos quantos, nas escolas e nas par&oacute;quias, se d&atilde;o por inteiro &agrave; causa da educa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Desejamos que esta Semana Nacional de Educa&ccedil;&atilde;o Crist&atilde; constitua um est&iacute;mulo e um contributo para as fam&iacute;lias crist&atilde;s e para as comunidades educativas, par&oacute;quia e escola, de modo a que a catequese e o ensino religioso, com a colabora&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria dos pais, dos catequistas e dos professores de Educa&ccedil;&atilde;o Moral e Religiosa, constituam um contributo valioso na forma&ccedil;&atilde;o humana e crist&atilde; das crian&ccedil;as e dos jovens.<\/p>\n<p>Lisboa, 15 de setembro de 2011<\/p>\n<p><em>Comiss&atilde;o Episcopal da Educa&ccedil;&atilde;o Crist&atilde;<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fam&iacute;lia, transmiss&atilde;o e educa&ccedil;&atilde;o da f&eacute; &ldquo;A fam&iacute;lia &eacute; a primeira escola das virtudes sociais de que as sociedades t&ecirc;m necessidade&hellip; A fam&iacute;lia &eacute; a primeira, mas n&atilde;o a &uacute;nica e exclusiva comunidade educativa&rdquo; (Jo&atilde;o Paulo II, FC ns 36 e 40). &ldquo;A fam&iacute;lia, como a Igreja, tem por dever ser um espa&ccedil;o onde o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[127,193],"class_list":["post-52983","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-catequese","tag-educacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52983","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=52983"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52983\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=52983"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=52983"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=52983"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}